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sexta-feira, julho 12, 2024

“Pasito a Pasito”: livro aborda jornada migratória venezuelana no Brasil a partir da perspectiva infantil

Publicação está disponível de forma online e gratuita e foi desenvolvida pela Rede Internacional Infâncias Protagonistas, que congrega pesquisadores, pessoas migrantes e integrantes da sociedade civil

Por Dominique Maia

Quando se discute migração, as vozes e perspectivas das crianças muitas vezes são relegadas ao segundo plano, perdendo espaço para narrativas sensacionalistas da imprensa em relação às migrações. Em contraste com esse padrão, o livro “Pasito a Pasito, cruzando fronteras: histórias de crianças venezuelanas”, lançado recentemente pela Rede Internacional Infâncias Protagonistas, oferece um olhar íntimo sobre as experiências e emoções de crianças refugiadas da Venezuela, agora vivendo no Brasil. 

Ao mergulhar nas vivências dessas crianças, a obra não apenas documenta suas jornadas de migração, mas também evidencia as complexidades emocionais e sociais que enfrentam ao deixar seu país de origem e se adaptar a um novo lar. Mais do que simples relatos, as histórias compartilhadas neste livro oferecem uma perspectiva genuína sobre como é crescer e se desenvolver em meio a migração forçada.

Organizado pelo Grupo de Pesquisa Imagens e(m) Cena da Universidade de Brasília (UnB), em colaboração com a Casa Bom Samaritano, o projeto demonstra um compromisso não apenas com a pesquisa acadêmica, mas também com a promoção da empatia e da compreensão pública acerca do tema. 

Ao amplificar as vozes de crianças migrantes, o livro não apenas educa, mas também inspira uma reflexão profunda sobre os direitos humanos, a solidariedade internacional e a importância de acolher e integrar pessoas que foram forçadas a deixar suas casas em busca de segurança e oportunidade.

O livro pode ser acessado e baixado de forma gratuita pelo link a seguir: Pasito a Pasito, cruzando fronteras: histórias de crianças venezuelanas

Da Venezuela à escola brasileira: uma resenha sobre “Pasito a Pasito”

O livro “Pasito a Pasito” destaca o protagonismo infantil ao dar voz às histórias das crianças venezuelanas refugiadas no Brasil. Ao narrar suas memórias, desejos e sonhos, a obra revela não apenas as trajetórias de migração e adaptação dessas crianças, mas também proporciona uma reflexão profunda sobre as complexidades dessas jornadas.

A obra é estruturada em capítulos que refletem diferentes aspectos das vidas das crianças, desde suas memórias da Venezuela até suas jornadas de travessia e acolhimento no Brasil. Cada capítulo é uma janela para um universo único, onde as crianças compartilham suas histórias de forma direta e autêntica.

O livro começa com as lembranças afetuosas das crianças sobre suas vidas na Venezuela, como Angélica (10 anos), que recorda com carinho os dias passados na fazenda de sua avó, evidenciando um contraste entre a nostalgia pelo passado e as dificuldades enfrentadas no presente.

À medida que avançamos para os capítulos sobre a travessia, somos confrontados com relatos como o de Karely (13 anos) e Luis (13 anos), descrevendo as duras condições e os desafios enfrentados durante a jornada rumo ao Brasil. As crianças descrevem viagens de dias em ônibus e caminhadas exaustivas, revelando não apenas as dificuldades físicas, mas também o medo e a incerteza que permearam cada passo.

A transição para o capítulo sobre os abrigos é particularmente sensível, como ilustrado por Richard, que descreve a vida em abrigos improvisados sem estruturas adequadas. Esses relatos oferecem uma visão íntima das condições de vida enfrentadas por essas crianças.

“Um abrigo é um lugar como este, mas grande… Não havia estruturas. Só havia tendas, tendas tão pequenas assim. Vivíamos lá, mas é uma coisa grande, milhares de tendas. E lá vivíamos… Eu não saía para lugar nenhum porque ficava trancado na tenda. Minha irmã saía para brincar, eu ficava na tenda, sozinho. Às vezes varria, às vezes dormia.” — Relato de Richard, 13 anos.

Além de abordar as dificuldades enfrentadas, o livro também destaca momentos de esperança, como a narrativa de Emily (12 anos) sobre a rede de apoio entre a comunidade de migrantes durante os obstáculos na jornada. Já os relatos escolares, como o de Helen (11 anos), ilustram os esforços dessas crianças para se integrarem em um novo sistema educacional, superando desafios linguísticos e culturais. Essas histórias nos recordam que, apesar dos desafios da migração, os espaços de acolhimento em um novo país podem revelar suas belezas mais profundas.

“Pasito a pasito” é mais do que um relato de migração; é um testemunho infantil poderoso. Ao compartilhar suas histórias, essas crianças não apenas educam o leitor sobre as realidades da migração forçada, mas também inspiram reflexões sobre empatia, solidariedade e esperança em um mundo em constante mudança. Este livro é uma leitura essencial para quem busca compreender mais profundamente as complexidades da migração infantil e as experiências humanas por trás das manchetes. 

Conheça a Rede Internacional Infâncias Protagonistas

A Rede Internacional Infâncias Protagonistas: migração, arte e educação atua nas áreas de Artes, Antropologia, Sociologia, Educação, Letras e Terapia Ocupacional. Seu objetivo é desenvolver ferramentas teóricas e metodológicas inovadoras para promover o debate sobre diversidade cultural, integração e acolhimento de crianças imigrantes nas escolas brasileiras. 

Sediada na Universidade de Brasília (UnB), a Rede está presente em treze estados brasileiros e em cinco países (Portugal, Espanha, Moçambique, Colômbia e Venezuela). Fundada no final de 2022, é composta por pesquisadoras, professoras e estudantes de diversos níveis de ensino, crianças e famílias imigrantes, gestores de ONGs e membros da sociedade civil.

A atuação da Rede abrange três frentes metodológicas:

1. Levantamento de dados bibliográficos, estatísticos e etnográficos: elaboração de um panorama da inserção de crianças imigrantes e refugiadas nas escolas brasileiras.

2. Processos de escuta e cocriação: envolvimento das crianças em práticas artísticas e etnográficas, enfatizando seu protagonismo.

3. Formação continuada de professores: realização de oficinas em parceria com profissionais que atuam em salas de aula multiculturais em diversas regiões do país.

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