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sábado, junho 22, 2024

Público enfrenta sol e chuva e comparece à 28ª Festa do Imigrante de São Paulo 

"Volta ao mundo sem sair da cidade" reuniu representações de 55 países e territórios no espaço da antiga Hospedaria do Brás. Média de publico foi celebrada pela organização, diante das questões ligadas ao clima

Por Lya Maeda, Maria Eduarda Matarazzo e Rodrigo Borges Delfim

Atualizado às 15h54 de 28.nov.2023

“E aí amor, em qual país será a nossa próxima parada?” Esse diálogo entre um casal de namorados é bem ilustrativo do que permite um evento como a Festa do Imigrante, que teve sua 28ª edição ao longo do último feriado prolongado em São Paulo (17 a 20 de novembro). O evento ocorre no espaço da antiga Hospedaria do Brás, que hoje abriga o Museu da Imigração, organizador da festa, e o Arsenal da Esperança.

Durante os quatro dias de atividades, os visitantes tiveram acesso a atrações gastronômicas, musicais, de dança e artesanato oferecidas por mais de cem comunidades, que representaram 55 países e territórios. No último dia, dialogando com Dia da Consciência Negra, o destaque nas apresentações e workshops foi para os grupos ligados a países africanos, como Moçambique, Costa do Marfim e Guiné.

Além disso, a Festa do Imigrante também é uma oportunidade para visitar, ao mesmo tempo, tanto as instalações do Museu da Imigração quanto do Arsenal da Esperança, que acolhe pessoas em situação de rua – entre as quais há também migrantes internos e transnacionais.

Do alerta ao alívio

Quem acompanhou a Festa do Imigrante, sobretudo aqueles que foram em mais de um dia, vivenciou os extremos do clima. Enquanto a sexta e o sábado foram de muito sol e calor, o domingo reservou uma forte chuva.

A questão climática, inclusive, chegou a colocar em risco a própria realização da festa. Isso porque uma previsão de fortes ventos e chuva para o sábado (18) levou a Prefeitura de São Paulo a optar pelo encerramento de todos os eventos públicos municipais de sábado às 16h. No entanto, o Museu da Imigração, junto com a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, optaram por manter o horário normal de funcionamento da Festa.

Além disso, as previsões mais pessimistas não se confirmaram e o evento transcorreu normalmente nos quatro dias.

“Obviamente que o público ficou prejudicado por essas questões do clima, o alerta [da Defesa Civil Estadual], além da chuva no domingo, mas mesmo assim a gente vê em números o quanto a festa é um grande sucesso”, analisou Alessandra Almeida, diretora do Museu da Imigração, organizador da festa.

De acordo com o Museu, cerca de 18 mil pessoas compareceram à Festa do Imigrante ao longo dos quatro dias de atividades. Embora tenha ficado abaixo do público expressivo do ano anterior, de 30 mil visitantes, atingiu um patamar semelhante ao das edições anteriores à pandemia de Covid-19, que tiveram média de 20 mil participantes.

Volta ao mundo sem sair de São Paulo, em poucos passos, é uma das sensações geradas pela Festa do Imigrante. (Foto: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo)

Calor extremo e chuva 

Os primeiros dois dias da 28ª Festa do Imigrante foram de muito sol e calor para visitantes, expositores e integrantes de grupos culturais que ofereceram workshops ou se apresentaram no palco.

O clima se refletiu na preferência do público quanto as opções gastronômicas. As barracas da Alemanha/Áustria com oferta de chopes e a de gelatto italiano eram especialmente concorridas e demandavam certa paciência dos interessados.

“Tá calor demais”, resumiu o estudante Lucas de Araújo, 17, que participou da festa pela primeira vez. “Mas é legal que tem um monte de opções além das mais clássicas, como Itália ou Japão. Tem países que você pouco conhece e que estão representados aqui”, completou.

No domingo, o calor deu lugar a uma chuva persistente. No entanto, os visitantes sacaram os guarda-chuvas e capas para aproveitar a festa. Também deram preferência a espaços cobertos, como a parte de empório e o refeitório do Arsenal da Esperança.

Maria Lídia Scotton, 42, que visitava o evento pela primeira vez com sua família, aproveitou o dia para ver as apresentações culturais e experimentar sabores diferentes. “As crianças estão se divertindo com a chuva”, disse ela ao MigraMundo, demonstrando que, apesar de tudo, o evento estava sendo proveitoso para sua família. 

Já a historiadora Mariana Feliciano, 40, aproveitou a oportunidade para conhecer as exposições do Museu da Imigração. “Nunca tinha conseguido ter tempo para conhecer o museu e agora consegui, finalmente”, afirmou. Ela também elogiou a variedade de barracas e pratos que havia no evento, sendo o seu favorito o piroshki russo. 

O clima mais ameno permaneceu na segunda-feira (20), encerramento da festa, desta vez sem chuva e com um público maior do que nos dias anteriores.

Gelatto italiano que ajudou amenizar o calor na Festa do Imigrante 2023. (Foto: Maria Eduarda Matarazzo/MigraMundo)

Sugestões para próximas edições

Além de curtir o evento, alguns dos visitantes que falaram ao MigraMundo também fizeram sugestões para próximas edições da Festa do Imigrante.

Maria Eduarda Santos, 16, havia visitado o evento no sábado junto com sua turma de francês, objetivando experimentar pratos da culinária francesa, mas acabou não encontrando barraca representando a gastronomia de tal país europeu. Isto não atrapalhou sua visita, que aproveitou para conhecer pratos típicos de outros países, inclusive voltando no evento no domingo junto da mãe.

“Infelizmente, a chuva acaba dificultando visitar as barracas”, informou ao MigraMundo. “E por aqui ser muito grande, precisaria de uma sinalização melhor, principalmente para quem não conhece a estrutura”, observou.

Scotton, por sua vez, sugeriu para as próximas edições que houvesse uma parte coberta para os visitantes que esperavam seus pratos ficarem prontos nas barracas, de forma a evitar que, em caso de chuva, as pessoas ficassem tão vulneráveis a ela.

Público enfrenta chuva para curtir um dos dias da 28ª Festa do Imigrante. (Foto: Lya Maeda/MigraMundo)

Reconhecimento e perpetuação 

Além de permitir uma volta ao mundo sem sair do espaço da antiga Hospedaria do Brás, a Festa do Imigrante ajuda a manter vivas as tradições trazidas pelos migrantes do passado e a mostrar as contribuições dos migrantes do presente.

Entre eles estava o palestino Rafaf Alnajjar. Ele oferecia adereços e enfeites com o nome do participante em caligrafia árabe. Além disso, ele ministra aulas de árabe e atua com serviços gerais, como instalação de pisos e azulejos.

“Eu pretendia ir para o Canadá, mas não deu certo e acabei ficando por aqui. Mas aqui é muito bom, o Brasil é um país maravilhoso”, disse, resumindo sua trajetória até chegar ao país.

Trazer mais comunidades que não passaram originalmente pela antiga Hospedaria, mas que fazem parte do contexto migratório atual, é um dos objetivos do Museu desde sua reinauguração, em maio de 2014. De acordo com a diretora da instituição, essa política vai se manter.

“A gente tem conseguindo trazer mais e mais países e regiões a serem representados na festa. Essa participação de outras comunidades, agregando inclusive os refugiados, é de muita importância”, conclui Almeida.

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