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terça-feira, fevereiro 27, 2024

Quase 900 milhões de pessoas têm desejo de migrar para outros países, segundo Gallup

Em dez países analisados pelo instituto, o desejo de migrar é expresso por 50% ou mais da população adulta; Estados Unidos, Canadá e Europa estão entre os destinos mais citados

Mesmo com os impactos gerados pela pandemia de Covid-19 nos últimos anos na mobilidade global, boa parte da população deseja migrar para outros países, se possível. Segundo uma pesquisa global conduzida pelo Instituto Gallup, quase 900 milhões de pessoas expressam esse sentimento – algo como 16% de todos os adultos do mundo, nas projeções da entidade.

O levantamento, divulgado no último dia 24 de janeiro com dados referentes a 2021, ouviu cerca de 127 mil pessoas maiores de 18 anos em 122 países. O ano foi marcado pelas primeiras reaberturas globais significativas para mobilidade após a fase aguda da pandemia.

O desejo de migrar é mais acentuado nas populações de países da América Latina, África e de parte da Ásia, regiões de onde provêm a maior parte dos migrantes internacionais na atualidade.

Segundo projeções das Nações Unidas, cerca de 280,6 milhões de pessoas já figuram como migrantes internacionais, o equivalmente a 3,6% da população global.

Fuga de crises, pobreza, conflitos e perseguições

De acordo com o Gallup, em dez países, a metade da população ou mais do que isso expressa desejo de mudar para outro de forma permanente, caso possível. E um rápido sobrevoo sobre a situação de cada país deixa claro quais são os motivos que despertam tal intenção.

O maior percentual foi verificado em Serra Leoa, onde 76% da população gostaria de migrar. Palco de uma violenta guerra civil entre 1991 e 2002, o país tem mais de 40% de seus habitantes vivendo com menos de dois dólares por dia (o equivalente a menos de 12 reais), segundo o Banco Mundial.

Em segundo lugar aparece o Líbano, com 63%. O país do Oriente Médio atravessa atualmente a pior crise de sua história, iniciada em 2019. Cerca de 80% da população vive em situação de pobreza. Além disso, há forte desconfiança dos libaneses em relação ao sistema político e financeiro do país, em razão de seguidos escândalos de corrupção.

O terceiro na lista é Honduras, com 56%. O país da América Central sofre há tempos com a situação das gangues que disputam o controle de territórios inteiros nas cidades. Nos últimos anos, foi ainda um dos pontos de partida das caravanas de migrantes em direção aos Estados Unidos.

O Afeganistão, que desde agosto de 2021 tem no poder o grupo extremista Talibã, aparece em quinto lugar, com 53% da população almejando uma mudança permamente de país. A partir de uma interpretação distorcida do Islamismo, o regime reprime e retira direitos das mulheres. Ao mesmo tempo, persegue cidadãos que colaboraram com governos anteriores no país, quando ainda havia presença de tropas dos Estados Unidos.

Completam a lista: Gabão, República Democrática do Congo, Gana, Nigéria, Albânia e República Dominicana.

Fonte: Gallup

Países de destino

O Gallup também mapeou quais os países de destino mais almejados pelas pessoasa que desejam migrar, caso consigam. Todos eles são tradicionais polos de atração de migrantes tanto em perspectiva global quanto regional ou continental.

Os Estados Unidos foram o país mais mencionado, com 18% da preferência dos potenciais migrantes globais. Em seguida aparecem Canadá (8%) e Alemanha (7%).

Completam a lista outros países europeus (Espanha, França, Reino Unido e Itália), além de Austrália, Japão e Arábia Saudita, com preferências entre 2% e 4% dos migrantes.

Fonte: Gallup

E o Brasil?

O material divulgado pelo Gallup não incluiu dados específicos em relação ao Brasil. No entanto, pesquisas recentes feitas por aqui mostram que o desejo do brasileiro de viver em outro país se aproxima dos índices mensurados pelo instituito internacional.

Um levantamento feito em 2021 pela FGV Social apontou que quase metade dos jovens brasileiros- 47%, para ser mais preciso – pensava em deixar o país para ter estabilidade e melhores condições de vida.

Segundo dados de 2021 do Ministério das Relações Exteriores, ao menos 4,2 milhões de brasileiros vivem como migrantes em outros países, quase o triplo de migrantes internacionais em solo brasileiro. O número real, no entanto, deve ser maior, pois a cifra oficial não inclui brasileiros com dupla cidadania e pessoas em situação indocumentada nos locais de destino.

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