Que países mais abrigam refugiados no mundo atualmente?

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Atualizado em 11/09/2015

Embora xenófobos e desinformados de plantão torçam o nariz para o recorde no reconhecimento de pedidos de refúgio pelo Brasil em 2014, o país está muito longe de ser destino principal de pessoas deslocadas no mundo. Esse posto, na verdade, é ocupado pela Turquia, seguida por Paquistão, Líbano, Irã (982 mil), Etiópia e Jordânia.

Essa é apenas uma das inúmeras informações que constam no relatório Global Trends (baixe aqui), lançado anualmente pelo ACNUR, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, e que mostra bem quais são os principais receptores e “produtores” mundiais de refugiados.

Lançado em meados de 2015, o relatório conta com dados totais de 2014 – em janeiro, foi divulgado o relatório prévio “Mid-Year Trends 2014“, que reúne dados apenas do primeiro semestre.

Refugiados curdos da Síria cruzam a fronteira em direção à Turquia, próxima da cidade de Kobani. Crédito: ACNUR
Refugiados curdos da Síria cruzam a fronteira em direção à Turquia, próxima da cidade de Kobani.
Crédito: ACNUR

Vale lembrar que refugiados são pessoas obrigadas a fugir de sua terra natal por conta de conflitos armados, perseguições políticas, étnicas, de gênero, culturais ou religiosas. Ou seja, além de serem fruto de guerras e crises que aparecem ou não no noticiário internacional, os refugiados fogem de suas casas por uma questão de vida ou morte, e para a primeira opção que veem à frente.

Por conta da guerra que assola o país desde 2011, os sírios se tornaram a maior população refugiada sob mandato do ACNUR, já ultrapassando a marca de 3 milhões de pessoas e representando 23% dos 46 milhões de refugiados supervisionados pela agência. A conta não inclui os palestinos, que estão sob os cuidados da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA, na sigla em inglês).

De acordo com o Global Trends, o mundo tem hoje 59,5 milhões de pessoas deslocadas, sendo que 13,9 milhões delas tiveram de ir para outros países – o que as qualifica como refugiadas. Delas, a maioria é da Síria (3,88 milhões), Afeganistão (2,59 milhões) e Somália (1,11 milhão). Já entre os países que mais recebem refugiados, a Turquia lidera (1,59 milhão), seguida por Paquistão (1,51 milhão), Líbano (1,15 milhão), Irã (982 mil), Etiópia (659,5 mil) e Jordânia (654,1 mil).

Se levado em conta o total de refugiados em relação ao de habitantes, Líbano e Jordânia são os países que possuem a maior população refugiada, de acordo com o relatório.

“Em 2014, nós vimos o número de pessoas sob os nossos cuidados crescer de uma forma sem precedentes. Enquanto a comunidade internacional não achar soluções para os conflitos existentes e para prevenir os que estão começando, vamos ter de continuar a lidar com as consequências humanitárias”, disse o Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados António Guterres.

Nos campos de refugiados

Nos campos de refugiados, mesmo aqueles organizados por entidades internacionais, as populações abrigadas ficam bastante sujeitas a condições climáticas adversas, restrições sanitárias e alimentares, entre outros problemas. Embora ações humanitárias tentem amenizar esse quadro, nem sempre elas são suficientes para evitar que vidas se percam.

Um exemplo é o que ocorreu com o campo de campo de Baalbek, no Líbano, que abriga refugiados sírios e sofre com um rigoroso inverno na região. Lá, uma mulher de 50 anos morreu congelada, segundo informações da agência de notícias turca Anadolu. Além dela, o frio já vitimou outros refugiados no campo, especialmente crianças.

Campo de refugiados no Líbano sofre com baixas temperaturas. Crédito: Anadolu Agency
Campo de refugiados no Líbano sofre com baixas temperaturas.
Crédito: Anadolu Agency

Em tempo: ONG já “levou” campos de refugiados a parques brasileiros

Entre 2013 e 2014, a ONG Médicos Sem Fronteiras promoveu em várias cidades brasileiras a mostra “Campo de Refugiados no Coração da Cidade“, na qual mostrava a situação dessas instalações provisórias – que se tornam quase permanentes devido à persistência dos conflitos e perseguições – e o trabalho da entidade junto a essas populações.

No dia em que o MigraMundo acompanhou o evento, em São Paulo, fazia muito calor – que ficava ainda pior dentro de uma das barracas, igual ao modelo adotado nos campos sob os cuidados do ACNUR. Ou seja, quem entrou nas barracas pode sentir – mesmo que por poucos minutos – o que passa um refugiado. A diferença é que há milhões de pessoas que vivem meses ou até mesmo anos sob tais condições adversas.

Em São Paulo, público sofreu alguns minutos com o calor; já os refugiados sofrem por muito mais tempo. Crédito: Rodrigo Borges Delfim
Em São Paulo, público sofreu alguns minutos com o calor; já os refugiados sofrem por muito mais tempo.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim

A ideia da ONG com a mostra era justamente de conscientizar e sensibilizar a população para os problemas aos quais refugiados e deslocados do mundo estão sujeitos – e assim ajudar a entender melhor quem são essas pessoas que, de uma forma ou outra, acabam chegando ao Brasil. Outras iniciativas já foram ou ainda serão desenvolvidas por aqui com o mesmo objetivo.

É bem provável que os críticos da recepção de refugiados por parte do Brasil desconheçam esses dados ou tampouco tenham conhecido a mostra da Médicos Sem Fronteiras.

Com informações do ACNUR e da Anadolu Agency

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