Repleta de estrangeiros, Semana Missionária deixa lição para São Paulo

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A Jornada Mundial da Juventude (JMJ) começou oficialmente nesta terça-feira (23), mas São Paulo recebeu na última semana cerca de 10 mil estrangeiros que vieram para a Semana Missionária, evento que serviu como uma espécie de “aquecimento” para a JMJ.

Era comum andar pelo metrô e pelas ruas dos locais mais conhecidos da cidade e encontrar jovens de diversas nacionalidades, usando a língua materna ou comunicando-se com os brasileiros da melhor forma possível – do inglês às mímicas.

Diversas paróquias abriram suas portas para os jovens peregrinos. A comunidade de Nossa Senhora do Carmo, na Vila Alpina (zona leste) foi uma delas e recebeu 60 pessoas da Diocese de Clough, na Irlanda do Norte, permitindo tanto o intercâmbio religioso como cultural. Toda a delegação ficou hospedada em casas de famílias que atuam na paróquia. A diferença de idiomas, que chegou a preocupar os organizadores da Semana Missionária, acabou ficando longe de ser um grande obstáculo para o acolhimento e comunicação com os irlandeses – pelo contrário, muitos dos jovens se referiram às casas onde ficaram como “segundo lar”.

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A delegação irlandesa chegou na terça-feira, 16, e foi recebida com homenagens, samba e capoeira. Eles retribuíram contando um pouco da história da região de onde vieram e explicando o símbolo da Diocese de Clogher (uma pessoa que consegue alcançar o sol, auxiliada por outra), que simboliza a união e todo o poder que ela tem.

Nos dias seguintes, diversas atividades permitiram que brasileiros e irlandeses desenvolvessem fortes laços fraternos. Encontro de formação, reflexão e troca de experiências de fé, passeios por locais turísticos de São Paulo, ações sociais e momentos de lazer (tudo em conjunto com jovens brasileiros) fizeram parte da agenda. Os irlandeses se surpreenderam com o tamanho dos edifícios, com a avenida Paulista e a variedade de frutas do Mercado Municipal, entre outras impressões; ao mesmo tempo, ficaram espantados – e muitos deles emocionados – com a situação difícil vivida pelas famílias que vivem na favela da Vila Prudente, a primeira a se formar na capital paulista.

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No domingo (21), durante a missa das 11h na paróquia, o padre Martin, um dos líderes da delegação irlandesa, partiu de uma famosa passagem bíblica (Mateus 25, 35) para expressar a gratidão deles para com os brasileiros. “Fomos estrangeiros e vocês não somente nos deram de comer, mas também alimentaram nossos corações. Ao abrirem suas casas, vocês nos deram muito mais do que abrigo, vocês abriram seus corações para nós”. No dia seguinte (22), partiram para o Rio de Janeiro, onde se juntaram aos cerca de 2 milhões de peregrinos que devem acompanhar a Jornada Mundial da Juventude.

Para os paroquianos, a temporada com os irlandeses já é considerada o início de um novo tempo para a comunidade, com o sentimento e união e fraternidade reforçado pelas trocas culturais e religiosas com os novos amigos do outro lado do oceano Atlântico. Também mostra que, com disposição e mente aberta de ambos os lados, é possível superar barreiras idiomáticas e culturais que dificultam a integração e o intercâmbio que uma experiência como essa permitem.

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Certamente outras paróquias que receberam pessoas do exterior na última semana aprenderam como a tolerância e o abertura para aprender com as diferenças, com diferentes culturas, são benéficas para uma sociedade. Lição essa que pode muito bem ser aplicada para toda uma cidade como São Paulo – que, mesmo em grande parte constituída por imigrantes e descendentes, muitas vezes se esquece desse elemento fundamental da sua formação histórica, econômica e social.

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