Resistência: a força atual do povo colombiano

Desde o fim de abril milhares de pessoas, em todo o território colombiano, manifestam sua indignação contra as condições de vida a que estão submetidos

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Colombianos dentro e fora do pais se mobilizam contra a repressão a protestos no país e denunciam repressão violenta. (Foto: Comunidade Colombiana em Florianópolis)

Por Comunidade Colombiana em Florianópolis (SC)*

“Resistência” é a palavra mais escutada nas últimas semanas na Colômbia, sinônimo de dignidade e necessidade de mudança.

Desde o dia 28 de abril milhares de pessoas, em todo o território colombiano, manifestam sua indignação com as condições miseráveis de vida que estão sendo obrigadas a levar. Depois de 15 dias de protesto, o que começou como um grito de rejeição à proposta de ajuste tributário – e que incrementaria o preço dos produtos da cesta básica –, é hoje um grito de resistência e de vanguarda.

De resistência porque, desde que começou a greve geral, a resposta do governo de Duque foi enviar as forças da ordem para reprimir violentamente os manifestantes. A polícia e o escuadrón móvil anti distúrbios (ESMAD), têm usado todo tipo de artefatos: balas de borracha, gases lacrimogêneos, e inclusive armas de fogo. Por ordem direta do Presidente, as principais cidades foram militarizadas, causando o efeito contrário do que se pretendia com essa medida: um maior apoio da população em geral à greve, mantida principalmente pela juventude. A situação mais forte de violência contra o povo colombiano se vivenciou na cidade de Cali, onde além da força policial, o ESMAD e o exército, grupos privados armados –paramilitares– têm atacado os jovens e grupos indígenas organizados, que chegaram na cidade com o objetivo de apoiar as missões humanitárias.

A ação repressiva das forças da ordem tem assumido uma postura de guerra contra o povo, registrando entre 28 de abril e 12 de maio: 2110 casos de violência policial, 362 vítimas de violência física, 39 vítimas de violência homicida, 1055 detenções arbitrárias de manifestantes, 442 intervenções violentas por parte da força pública, 30 vítimas de agressões em seus olhos, 133 casos de disparos de arma de fogo por parte da polícia, 16 vítimas de violência sexual. As informações são da ONG Temblores.

De vanguarda porque, apesar da greve geral ter sido convocada como forma de rejeitar o aumento de impostos que previa a reforma tributária, o protesto funcionou como um gatilho para o povo colombiano expressar sua raiva pelas indignas condições de vida produzidas por uma indiferença governamental de longa data e pela exclusão social generalizada. Mais de 7 milhões de pessoas só comem duas vezes por dia. A pobreza da população atinge cifras superiores a 40%. O sistema de saúde, privatizado em sua maioria, se mostra totalmente ineficiente frente à emergência sanitária. A educação pública sofre de desfinanciamento e as dívidas com educação privada oneram crescentemente a juventude. O cansaço se transforma em reivindicações, exigências da sociedade colombiana por políticas que coloquem no centro suas exigências. A greve geral avança em sua força política e amplia suas petições, solicitando: a melhoria do sistema de saúde; a vacinação universal; a defesa da produção nacional, em geral, e em particular da agricultura; o acesso universal à educação superior; a implementação integral dos acordos de Paz; e ainda no imediato garantir o direito à manifestação popular desmilitarizando as cidades e desativando o ESMAD.

Entre a resistência e o avanço da sociedade colombiana, contra a repressão violenta, e em favor de uma Colômbia alicerçada na dignidade da vida, não se avista um final próximo para a greve geral e a situação de conflito social. Por isso, desde diversas cidades do mundo, grupos de migrantes colombianos têm realizado mobilizações para divulgar a violência do governo de Iván Duque contra a juventude colombiana, e para demonstrar seu apoio à mudança da sociedade Colombiana. Porque, se hoje os cidadãos colombianos são uma das maiores populações migrantes no mundo, é porque saíram buscando melhores condições de vida. E se hoje esses migrantes se manifestam e alçam suas vozes, é porque querem que essa vida digna buscada por eles e por elas seja uma realidade efetiva no seu país.

Colombianos e colombianas em Florianópolis manifestamos nosso apoio a todo o povo colombiano que luta por uma vida digna.

Todo nosso apoio à greve geral.

*Texto escrito de forma coletiva por colombianos residentes em Florianópolis


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