Sarau anima e agita imigrantes instalados em abrigo em São Paulo

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O Educar para o Mundo (EpM), projeto de extensão universitária do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (IRI/USP), tem um trabalho singular na defesa e promoção dos direitos dos imigrantes – tanto promovendo atividades culturais como debates e eventos sobre a questão migratória.

E um desses eventos ocorreu no último sábado (21), quando o EpM promoveu um Sarau com os imigrantes instalados no abrigo provisório da Prefeitura de São Paulo, localizado no Glicério, região central.

Quer saber como foi? O pessoal do EpM conta abaixo, em relato reproduzido pelo blog:

Sábado, dia 21, ocorreu o Sarau do Glicério, organizado pelo Educar para o Mundo no Abrigo Emergencial de Imigrantes. É lá que se alojam os imigrantes assim que eles chegam em São Paulo e ainda não conhecem nada da cidade.

O abrigo foi criado em Maio para receber o grande número de imigrantes haitianos que foram transferidos do Acre para São Paulo, depois de atravessarem vários países da América Central e do Sul para tentar melhorar suas condições de vida no Brasil. Mas o abrigo agora tem pessoas de mais de treze nacionalidades, principalmente latino-americanos e africanos.

Abrigo no Glicério teve atividade cultural promovida pelo EpM. Crédito: EpM
Abrigo no Glicério teve atividade cultural promovida pelo EpM.
Crédito: EpM



Entre nós do EpM o frio na barriga era gigante! Nossa preocupação era que os migrantes fossem pensar: “Quem é essa galera entrando na nossa casa?”. Não sabíamos se eles iam querer nos conhecer e participar das atividades que planejamos. No fim das contas, isso nos pareceu bem próximo àquilo que a maioria dos não-brasileiros sente ao chegar no país.

Foi bom demais quando os imigrantes, notando a movimentação diferente, começaram a nos ajudar com a montagem da decoração antes mesmo de perguntar o que aconteceria e como seria o sarau. Entre criolo, espanhol, francês, inglês e português e juntando um pouquinho do que cada um de nós sabia, conseguimos começar a nos comunicar.

Cartaz convidava os imigrantes a tomarem parte no Sarau. Crédito: EpM
Cartaz convidava os imigrantes a tomarem parte no Sarau.
Crédito: EpM



Mas foi quando o grupo de capoeira Ngolo Ia Muanda começou que a gente viu a comunicação fluir como nunca! Superando a timidez inicial, os migrantes pouco a pouco vieram fazer parte da roda e aprender a tocar o berimbau e a jogar capoeira. De repente, eles se começaram a tocar os instrumentos de seu modo, trouxeram suas danças e músicas e, quando percebemos, estávamos em outro país! Foi muito bom ver aquilo acontecendo, todas aquelas pessoas recuperando a cultura, os talentos e a diversão que vivenciam em seus países de origem, e lembrando um pouco de casa, depois do percurso tão longo que percorreram até chegarem ao abrigo. Mais ainda, isso acolheu a nós da organização e dos grupos convidados, que fomos totalmente envolvidos pelo festejo dos abrigados.

A mesma energia a gente sentiu quando o maracatu Coro de Carcarás começou sua apresentação! O grupo de migrantes que estava tocando os instrumentos da capoeira atravessou o o pátio em cortejo até o lugar onde o maracatu tinha deixado seus instrumentos. Para nós, foi uma situação inusitada, pois geralmente quem faz o convite para o maracatu começar é o próprio grupo, que já chega tocando e animando o lugar.

Todos nós nos empolgamos e foi uma troca incrível de culturas! De novo, os imigrantes começaram a tocar instrumentos, apresentar e criar suas próprias músicas. Eles deram um show e nós deixamos de ser “promotores” da festa (ainda bem!) e para podermos olhar com interesse e curiosidade o momento em que os migrantes estavam criando na Rua do Glicério!!

Um agradecimento especial ao grupo de capoeira Ngolo Ia Muanda, ao maracatu Coro de Carcarás e à Coordenação de Políticas para Migrantes da SMDHC, que coordenam o abrigo com tanta dedicação!

Obrigado também às mais de 200 pessoas que estiveram presentes no Sarau, que começou às 18h e seguiu até às 21! Mas não vai parar por aqui! Esse foi só o primeiro contato e logo mais voltamos com oficinas, legislação, política e cultura!

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