Sarau usa arte como grito de liberdade e empoderamento para imigrantes e LGBT

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Público marcou presença nas atividades do sarau. Crédito: Antonella Pulcinelli/MigraMundo

Idealizado por ativista imigrante e LGBT, evento busca dar visibilidade para as necessidades e desafios enfrentados diariamente pelas comunidade imigrante e LGBTIQ

Por Antonella Vilugrón Pulcinelli
Em São Paulo (SP)

Em uma sociedade altamente preconceituosa e conservadora, é extremamente importante discutir e dar espaço para manifestações da diversidade de gênero e migração.

Pensando na falta de voz que esses grupos tem, foi realizada em São Paulo a 1º edição do Sarau Troca & Ação, no último sábado (11/11). O evento foi organizado pela colombiana Keyllen Nieto, antropóloga urbana e ativista LGBTIQ, em parceria com o Centro de Referência e Atendimento ao Imigrante (CRAI), que atua em convênio com a Secretaria Municipal dos Direitos Humanos, e com o apoio da Casa 1, espaço que acolhe LGBTs em situação de risco e local que recebeu a atividade.

O Sarau Troca & Ação foi criado após a constatação de que não existem muitas ações concretas que beneficiem a comunidade LGBTIQ e a integração com imigrantes e refugiados que vem de lugares e culturas que ter uma orientação sexual “diferente” causa uma grande discriminação e até mesmo risco a vida. A intenção do projeto é promover atividades que sensibilizem e aproximem projetos artísticos culturais criados em parcerias entre esses dois grupos, oferecendo uma experiência capaz de abrir os olhos da comunidade para as necessidades e desafios enfrentados diariamente pela comunidade imigrante e LGBTIQ.

A iniciativa começou a ser idealizada em maio deste ano e o evento demorou aproximadamente um mês para ser organizado. De acordo com a coordenação a quantidade de pessoas surpreendeu as expectativas, contando com aproximadamente 120 pessoas de forma rotativa.

Cultura, atitude e resistência

O Sarau contou com diversas apresentações e também estava aberto para a participação do público. A primeira foi da poetisa e ativista peruana Rocio Bravo Shuña, que declamou duas poesias de sua autoria que falam sobre questões relacionadas a ser imigrante, a criação de fronteiras entre as pessoas.

As apresentações performáticas contaram com a participação das drag queens brasileiras Maluvitta, Maldita Geni, Naomy Fox e Leyllah Diva Black. Com músicas populares latino-americanas, a drag queen boliviana Florencia Manzoni fez com que pessoas da plateia dançassem e dessem muitas risadas com uma apresentação divertida e alegre.

Já a apresentação da colombiana Juana de Mattos provocou um momento de muita reflexão entre os presentes, e levantou questões sobre ser imigrante, os preconceitos, gênero, arte e língua. Também abriu espaço para que imigrantes e filhos de imigrantes presentes falassem sobre situações que já aconteceram com eles e com familiares.

Para agitar a parte da noite, o DJ colombiano Oscar Bravo tocou músicas latinas e eletrônicas. Em seguida, a apresentação da dupla Danna Lisboa e DJ Nelson D uniu todos os presentes com suas letras que falam sobre as lutas diárias contra o preconceito, esperança de mudanças e principalmente sobre nunca desistir de seus ideais. O evento foi encerrado com um pocket show do cantor brasileiro Diego Morais.

Uma participação em especial que surpreendeu a todos foi de uma menina chamada Paulie, que foi assistir o sarau e quis se apresentar. Com suas rimas, relatou situações que ela já enfrentou e dava força para que suas amigas continuassem em frente, gerando emoção junto ao público presente.

Balanço das atividades

O Sarau Troca & Ação não trouxe apenas uma diversidade muito grande de apresentações artísticas, mas também foi capaz de unir as pessoas em um ambiente sem preconceitos, cobranças ou fronteiras. Foi um ato político, artístico, de resistência e principalmente de esperança.

“Ver os rostos de atenção, comovidos, surpresos e sorridentes, foi uma alegria. Também os depoimentos das pessoas contribuíram enormemente para o conteúdo do sarau e expandiram o entendimento sobre as discriminações sofridas desde a perspectiva LGBTIQ e imigrantes e pessoas refugiadas”, declarou Keyllen Nieto, organizadora do evento.

Com boa aceitação do público, a organização já estuda uma nova data para o próximo ano – provavelmente não no mesmo formado desse evento, mas algo que possibilidade um envolvimento ainda maior da comunidade.

“É uma alegria imensa ver a disposição de todas as pessoas participantes seja no palco, nos bastidores ou no “público. Também é de esperança de que dali surgirão mais ações concretas e parcerias estratégicas para contribuir com os objetivos do projeto. A invisibilização de muitas imigrações, especificamente as não europeias, deve ser combatida e os inúmeros aportes destas comunidades devem ter o reconhecimento merecido”, completou Keyllen.

 

 

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