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sexta-feira, julho 12, 2024

Saúde, um tema de proporções globais e sua relação com a mobilidade humana

Na migração, na expatriação, na jornada de se morar em outro país, a saúde acaba sendo esquecida. Isso é algo que precisa mudar

Por Danyel Andre Margarido

O profissional está cada vez mais ocupado, o que dá ao Tempo um valor maior do que o Dinheiro. É comum não ter tempo para quase nada e negociar o pouco tempo livre com as pessoas próximas, que fazem parte da vida.

Além das obrigações, da busca por ser melhor, das entregas, dos estudos, e das obrigações sociais, um assunto vital é relegado para a emergência: a Saúde. E, aliando todos esses temas a um processo de expatriação, a saúde é a última coisa a ser lembrada – se não, é esquecida por completo, para ser resgatada nos piores momentos possíveis.

As obrigações conosco e com quem nos cerca tornam-se tão grandes que esquecemos de nós mesmos. Dentro de um cenário com mais demandas que o normal, com várias coisas diferentes, junto às demais do dia a dia, a atenção aos detalhes da saúde é deixada de lado.

A jornada da mobilidade global, por focar na movimentação de um profissional de um país a outro, não pode esquecer que este profissional é uma pessoa, que é afetada pelas situações da vida como qualquer outra – não é por se tornar um expatriado que não deixa de pegar um resfriado, por exemplo – apesar de muitas vezes essa crença acompanhar algumas jornadas.

O Advisor de mobilidade global deve estar pronto para lembrar ao futuro expatriado (e aos expatriados que já estão em sua jornada) sobre questões de saúde, possíveis cuidados iniciais e pontos de atenção – e não somente prover um seguro saúde e pronto. A Movimentação de uma Pessoa vai muito além da execução de um processo, ela deve ser acompanhada de um acompanhamento estratégico desta vida – ou melhor, vidas, uma vez que as famílias que acompanham o profissional expatriado estão passando exatamente pela mesma experiência de ir para um país novo, uma nova cultura e tudo mais que uma expatriação traz consigo.

Prevenir é melhor do que remediar

Já diziam nossos avós que é melhor se cuidar do que passar por todo o processo de cura. E, sem tempo para pensar e planejar, acabamos nos esquecendo das sábias palavras daqueles que já passaram por tantas coisas antes de nós.

Esse mesmo lema de prevenção pode ser usado na preparação de uma expatriação. Primeiro, é importante entender quem é o expatriado, quem são as pessoas que estarão envolvidas nessa jornada. E, com isso, auxiliar na solução de situações que podem ocorrer em outro país, em questões (não só) de saúde. Um expatriado que usa óculos, por exemplo, deve ser lembrado de passar por uma consulta oftalmológica para atualizar o grau dos óculos antes da viagem. Ou mesmo, se o expatriado tem algum acompanhamento médico em andamento, atualizar receitas, providenciar possíveis traduções para viajar com remédios, avisar o médico que estará em missão em outro país.

É verdade que com a internet, o acompanhamento médico pode ser continuado em qualquer lugar do mundo, e, com isso, o expatriado precisa estar ciente das formas de reembolso de consultas em seu novo plano de saúde. Ainda, dependendo do momento de vida e de carreira, pode ser interessante orientar o profissional a fazer um check-up completo antes da viagem.

Mudar de país envolve a mudança de clima, muitas vezes. A secura do ar pode agravar problemas respiratórios. O extremo frio pode causar problemas de pele. Mudar-se para São Paulo, por exemplo, pode afetar a respiração de pessoas que estão acostumadas a ares mais limpos. Trazer a previsibilidade, além do processo, para o expatriado ajuda na satisfação com o processo em geral, além de trazer estratégia no cuidado com a vida do expatriado e dos acompanhantes. Claro, existe a adaptabilidade humana frente ao novo, mas isso envolve certos aprendizados que podem ser vencidos sem dor.

Um mapa não te ajuda a conhecer todo o caminho

Com todo o glamour de uma expatriação, há também a sensação de que “tudo vai dar certo”. Há aqueles que dizem “eu já conheço o meu destino, passei uma semana de férias lá”. Nada mais enganoso do que saber para onde se vai, mas ignorar todos os momentos da jornada, inclusive o de saber onde fica o hospital mais próximo ou entrar em contato com o novo plano de saúde internacional e saber como é o processo de atendimento em caso de necessidade.

Ainda, dependendo do país, pode ser mais difícil o acesso à Saúde do que se imagina. Países desenvolvidos como os Estados Unidos da América são famosos por muitas coisas, inclusive pelo sistema de saúde ser incrivelmente caro e de difícil acesso à população. Dessa forma, o trabalho de um advisor de mobilidade global está em trabalhar com a área de Benefícios da empresa para buscar soluções que preencham essa situação (ou falha) do país de destino. Neste caso, com um plano de saúde da empresa que dê acesso rápido ao atendimento.

Alguns países podem possibilitar o acesso universal ao sistema de saúde, como o Brasil, mas outras barreiras podem ser colocadas, ao ponto de se introduzir um plano de saúde mais caro, mas que derrube essas barreiras. Como, por exemplo, planos de saúde que tenham médicos que falem outras línguas. Quando se bate o pé na quina de um móvel, o grito de dor sempre sairá na sua língua materna. Assim, já saber quais os médicos que podem lhe atender em um novo país é mais do que importante.

Ainda, a família que acompanha o profissional expatriado também merece atenção (não só) no que diz respeito à saúde. Saber, por exemplo, a idade dos filhos do casal expatriado já pode dar a dica de que o plano de saúde precisará estar pronto para ajudar – crianças recém-nascidas, muito novas, precisam de acompanhamento médico, então é importante que, no momento de aceite da proposta, o advisor de mobilidade global já informe ao RH do país de destino para que opções já estejam à disposição.

Antes de viajar

Alguns países são bem vocais, no processo consular, sobre a necessidade de vacinas específicas para que a entrada no país seja liberada. Este tema está mais compartilhado desde a pandemia de 2020 e, por isso, deve ser verificado em sites oficiais de cada país antes da viagem ou mesmo antes do processo consular.

Já instituições, que não são apenas governamentais, no novo país, podem pedir comprovantes de vacina – escolas, por exemplo, requerem todo o histórico vacinal da criança no momento da matrícula. Assim como academias podem pedir exames médicos específicos, requeridos pelas autoridades do país, para que se possa usar suas unidades. Cabe ao advisor orientar que as vacinas estejam em dia, e que os documentos sejam traduzidos para a língua do país de destino, para uma entrada mais célere.

Novidade

A saúde mental do expatriado e da sua família vem tomando cada vez mais o centro das discussões de saúde, mas ainda há poucas ações sendo tomadas para que haja o cuidado com este tema.

O mais comum é oferecer um treinamento intercultural para o profissional e para o cônjuge, o que é bom para que o choque cultural seja enfraquecido. Mas pouco se faz para o acompanhamento da saúde mental durante a expatriação – menos ainda se faz na repatriação. Assim, parte da conversa do advisor de mobilidade global com a área de Benefícios da empresa está na apresentação de temas que são pouco conhecidos por quem não trabalha com expatriados, justamente para que soluções, como o acompanhamento psicológico, sejam ofertadas desde o começo do assignment.

Buscar alternativas que não só tratem do choque cultural – que sempre vai existir – mas também para a solidão ao chegar em um novo país e ter que iniciar sua vida “do zero”, e para o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, que é deixado de lado nos momentos de adaptação, o que atrasa certas experiências e prolonga sentimentos mais pesados por mais tempo.

Aliado à “novidade” não tão nova da saúde mental, está o apoio de saúde em caso de desastres naturais. Refugiados climáticos, por exemplo, são forçados a mudar de país ou região somente com as roupas que estão vestindo, e, com todo o processo de mudança, ficam expostos a doenças físicas e mentais. Empresas podem ajudar pessoas nessa situação também com apoio e acesso à saúde.

Coloque a máscara em você mesmo antes de ajudar o próximo

A saúde, e como se lida com ela, tem passado por transformações. Muito tem sido colocado nas mãos da tecnologia, como a telemedicina que facilita o atendimento e diagnósticos. E, da mesma forma, como se lida com o tempo, tem se tornado uma dúvida cada vez maior, e muito do que é importante tem sido deixado de lado.

Na migração, na expatriação, na jornada de se morar em outro país, a saúde acaba sendo esquecida. Assim, é importante que o advisor de global mobility esteja pronto não só para falar sobre os processos e os documentos, mas sobre o cuidado com a vida. Em ter empatia com o ser humano que vai embarcar para outro país, que não está vendo que precisa cuidar de si, saber se tudo está bem com o seu corpo, e com a sua mente, antes de embarcar para uma aventura que pode consumir muito de si.

Ainda, é lembrar à pessoa expatriada que não é só ir ao médico, é manter uma vida saudável, é mergulhar em uma culinária diferente com calma, é estar atento ao clima e cuidar do seu corpo com carinho. O sucesso de uma expatriação está, também, na qualidade de vida da pessoa expatriada durante e após a jornada. E o sucesso para um advisor de mobilidade global está em cuidar de pessoas, em cuidar de um ser humano, da melhor maneira possível.

Sobre o autor

Danyel Andre Margarido possui mais de dez anos de experiência em Mobilidade Global e Expatriados, atuando como consultor de Global Mobility na EMDOC, e fundador da Altiore Experience. Atualmente no setor de Global Mobility do Prysmian Group, já realizou a movimentação de mais de 2.000 famílias pelo mundo. É formado em Relações Internacionais pela UniFMU, com especialização em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito. Tem MBA em Recursos Humanos, pela Anhembi Morumbi, e um mestrado profissional em Recursos Humanos Internacionais, pela Rome Business School.

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