Sou D’África Filho da Realeza – poema de Moisés António

0
64

Residente em Curitiba (PR), o poeta angolano Moisés Tiago António, ou simplesmente Moisés António, tem na condição de migrante e negro duas de suas principais inspirações literárias.

Uma das suas mais recentes obras é o poema “Sou D’África Filho da Realeza”, enviado pelo próprio Moisés ao MigraMundo. De forma literária, ele resgata um pouco dos povos e reinos que já ocuparam a África antes da escravidão e da partilha do continente entre países europeus

Além dele, o MigraMundo já publicou outros dois poemas escritos pelo angolano: “Sou Imigrante” e “Carta do Refugiado às Nações“.

Moisés mantém ainda uma página no Facebook chamada Moisés E A Poesia, onde estes e outros poemas podem ser encontrados.

Montagem representa os reis e rainhas da África celebrados pelo poeta angolano Moisés António.
Crédito: Montagem/Arquivo pessoal

 

Sou D’África Filho da Realeza

Sou Africano
Sou da África o começo da Arte
Da planta papiro
Deste Egito, da escrita numerais hieróglifos.
Da ciência mais exata
A Matemática
Indispensável daquilo que é mais exata
                           Concreta que nos completa!

 

Tenho a força audaz na cor da pele negra
Preta da Pantera Negra
Ou da Palanca Negra Gigante, D’Angola!


Escorre-me nas veias
O sangue negro dos Grandes do Solo Negro!
Dessa realeza que faz de nós o grande berço
Dessa humanidade, o princípio do Planeta terra!

 

Sou filho d’África lendária
De Nzinga Mbandi,
Rainha do Reino do Ndongo-Matamba, Angola!
Sou Filho da África da Mãe CALIFIA,
Rainha da África,
que em homenagem sua nasceu o Estado da CALIFÓRNIA.
Sou da realeza, filho da Rainha Cleopatra,
De Etnia grego-Egípcia!
Nasci de Queen Mother – Rainha de Sabá
Esposa do Rei Salomão!
Sou da Realeza filho da África
Da mãe Shanakdakhete,
Rainha Negra Africana de Kush – do Reino de Moroé
Governante de Núbia!


Sou da realeza Africana
De reis potentes
Destemidos
Existentes e inquestionáveis!

 

Escorre-me nas veias a ousadia lendária do Rei Faraó
Sou Filho real ousado que a nada se Rende
Como fez Mandume Ya Ndemufayo
Rei dos Kwannyamas-dos Povos Ovambos
Do Sul de Angola e Norte da Namíbia!
Sou Bakongo de Mbanza-Kongo
Reino do Kongo de Nzinga Nkuwu
Do povo Bantu;
Escorrem-me nas veias…


O sangue de Nzinga a Nkuwu e Ngola Kiluanje Kia Samba
Reis d’Angola!


Sou poderoso quanto ao Leão
Rei da Selva;
Sou da cor Preta da Palanca Negra Gigante, filho d’Angola!
Carrego no coração
A mais que pura simplicidade humanitária do homem!
Descrevo-me como uma Águia real
De visão aguçada
Que sempre quis se juntar às pessoas
Assim como fazem os pardais, andorinhas.
Voando em bandos,
Mas o destino sempre me deu o ser singular!
                        Assim como fazem as Águias…

                       Moisés António

DEIXE UMA RESPOSTA

Insira seu comentário
Informe seu nome aqui

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.