Total de migrantes internacionais no mundo chegou a 281 milhões, segundo OIM

Total corresponde a 3,6% da população global e teve ligeiro crescimento, mesmo em meio à pandemia. No entanto, deslocamentos forçados internos seguem em alta

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Migrantes em trânsito na região de Colchane, no Chile. (Foto: OIM Chile)

A pandemia de Covid-19 que afeta o mundo desde o começo de 2020 restringiu, mas não impediu a mobilidade humana mundo afora, incluindo deslocamentos forçados internos, e a situação precária das pessoas nessa condição de trânsito. Essa é uma das conclusões do relatório bianual da OIM (Organização Internacional para as Migrações), divulgado nesta quarta-feira (1º).

De acordo com o estudo, intitulado World Migration Report 2022, atualmente o mundo conta com 281 milhões de migrantes internacionais, o que equivale a 3,6% da população global – ou uma em cada 30 pessoas. O número corresponde a um ligeiro aumento em relação à edição anterior, de 2020, que indicava 272 milhões de pessoas vivendo em países distintos dos que nasceram.

Se não fosse a pandemia e as medidas adotadas mundo afora para tentar conter a disseminação do vírus, segundo a OIM, seriam dois milhões de migrantes internacionais a mais no ano passado.

O relatório da OIM destaca ainda que a Covid-19 foi “o grande perturbador” da migração e da mobilidade no mundo. Apenas no primeiro ano da pandemia foram adotadas quase 108 mil restrições de viagens, enquanto o número de passageiros aéreos caiu 60%, a 1,8 bilhão no mundo, contra 4,5 bilhões em 2019.

“A covid sem dúvida mudou o mundo e afetou acada aspecto da migração”, declarou a autora do estudo, Marie McAuliffe.

Um relatório divulgado em abril de 2021 pela própria OIM, em conjunto com o Migration Policy Institute, no entanto, trouxe um número ainda maior de barreiras à mobilidade global em razão da pandemia, da ordem de 111 mil restrições.

Deslocamento interno preocupa

“O mundo vive um paradoxo jamais visto. Enquanto bilhões de pessoas foram imobilizadas pela Covid-19, outras dezenas de milhões se deslocaram dentro de seus próprios países”, disse o diretor-geral da OIM, Antonio Vitorino, em comunicado distribuído à imprensa.

Os dados do relatório traduzem essa preocupação expressa por Vitorino. Ao todo, 55 milhões de pessoas estão em situação de deslocamento forçado interno. Em relação ao começo do século, o crescimento é de 160%.

Desses 55 milhões de deslocados internos, 48 milhões são em razão de situações de conflito e violência, enquanto outros 7 milhões tiveram de se deslocar por conta de desastres. Uma situação de vulnerabilidade que é ainda incrementada pela situação de pandemia.

A questão do deslocamento forçado interno também aparece nos relatórios anuais divulgados pelo ACNUR (Alto Comissariado da ONU para Refugiados). O balanço semestral sobre refúgio e deslocamento forçado no mundo, divulgado pela agência em novembro passado, apontou que  48,3 milhões de pessoas estão nessa situação, sob uma série de vulnerabilidades.

Segundo o ACNUR, “a mistura letal de conflito, covid-19, pobreza, insegurança alimentar e a emergência climática agravou a situação humanitária dos deslocados, a maioria dos quais está hospedada em regiões em desenvolvimento”.

Mais aspectos do World Migration Report 2022 serão abordados nas próximas semanas em reportagens no MigraMundo.


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