Violência agrava crise humanitária no Sudão do Sul; deslocados internos chegam a 1,7 milhão

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Mais de 1.7 milhões de pessoas se deslocaram internamente, devido ao conflito no Sudão do Sul. Crédito: Andrew Ash/Jesuit Refugee Service

Se as condições de segurança se deteriorarem ainda mais, providenciar assistência se tornará logisticamente impossível. As organizações de ajuda humanitária praticamente já conseguem evitar a fome nos locais de difícil acesso do Sudão do Sul – se elas não puderem operar integralmente, as consequências serão catastróficas.

Por Angela Wells, JRS – link original aqui
Tradução por Márcia Passoni

Juba, 28 de julho de 2016 – O Sudão do Sul enfrenta uma acentuada crise humanitária que, com o recente aumento dos conflitos, impede organizações de ajuda humanitária de providenciar auxílio urgente para milhões de pessoas em situação de necessidade. Violência e insegurança reinam em Juba, capital do país, e estão se alastrando por outros Estados, apesar de um cessar-fogo um tanto frágil, em um país onde metade da população depende de ajuda humanitária. Esta foi a conclusão a que chegaram dez organizações que prestam auxílio ao país.

As organizações CARE, International Rescue Committee, Mercy Corps, Oxfam, Christian Aid, Danish Refugee Council, Global Communities, Internews, Jesuit Refugee Service e Relief International estão convocando o governo do Sudão do Sul e a oposição para implementar um cessar-fogo mais rigoroso em Juba e em todo o país. O governo e as forças pacificadoras da ONU, UNMISS (United Nations Mission in South Sudan – Missão da ONU no Sudão do Sul, em tradução livre), devem também trabalhar para garantir que as agências humanitárias possam operar com segurança para levar ajuda àqueles que necessitam.

Mesmo antes do último conflito que balançou o Sudão do Sul, em 7 de julho, na véspera do quinto aniversário da independência do país, 4,8 milhões de pessoas ficaram sem ter o que comer e 2,5 milhões precisaram abandonar seus lares. O conflito em Juba deixou pelo menos 300 mortos e forçou outros dezenas de milhares a abandonar suas casas, ficando sem água, comida e abrigo.

Mais de 1.7 milhões de pessoas se deslocaram internamente, devido ao conflito no Sudão do Sul.  Crédito: Andrew Ash/Jesuit Refugee Service
Mais de 1.7 milhões de pessoas se deslocaram internamente, devido ao conflito no Sudão do Sul.
Crédito: Andrew Ash/Jesuit Refugee Service

“Mais uma vez, corremos o risco de falhar com o povo do Sudão do Sul, justo no momento em que mais precisam da nossa ajuda. Muitas organizações de ajuda humanitária estão precisando suspender ou limitar os trabalhos de salvamento devido aos conflitos contínuos e à insegurança, e são aqueles que estão em situação de maior vulnerabilidade que pagam o preço. A comunidade internacional precisa redobrar os esforços para encontrar uma solução para esta crise. Nada protegeria mais os cidadãos do que a total implementação da paz. O status quo simplesmente não é suficiente.”, afirma Kate Phillips-Barrasco, diretor Sênior de Política e Advocacia do International Rescue Committee.

Por causa da insegurança, muitas agências tiveram que reduzir temporariamente o seu pessoal, restringindo-se a atender apenas o essencial. Armazéns de comida, água e outros materiais de auxílio tem sido saqueados, mesmo depois de declarado o cessar-fogo. Em um país que tem somente 200km de estradas pavimentadas, os conflitos em curso e as restrições para vôos internos, significam que colaboradores das agências não podem viajar livremente para levar ajuda, e nem reabastecer suas bases pelo país com os suprimentos básicos para operações e os materiais necessários para projetos humanitários.

A violência também faz com que os bancos operem apenas parcialmente, o que dificulta o acesso ao dinheiro para pagar bens e suprimentos; e muitos fornecedores restringiram suas operações, limitando-as apenas a produtos estritamente necessários.

“Se as condições de segurança se deteriorarem ainda mais, providenciar assistência se tornará logisticamente impossível. As organizações de ajuda humanitária praticamente já conseguem evitar a fome nos locais de difícil acesso do Sudão do Sul – se elas não puderem operar integralmente, as consequências serão catastróficas”, disse Zlatko Gegic, Diretor do Sudão do Sul na Oxfam.

Organizações de ajuda humanitária estão convocando o Conselho de Segurança da ONU para garantir que a performance da UNMISS seja aprimorada, a fim de proteger civis e possibilitar que organizações humanitárias trabalhem com liberdade e segurança por todo o país. Toda a comunidade internacional e oficiais da ONU também tem um papel a desempenhar para assegurar que o governo garanta o acesso às organizações de ajuda humanitária à todas as pessoas que necessitarem.

“A falta de habilidade da UNMISS para proteger civis dá margem ao risco de minar qualquer tentativa de estabelecer a segurança no país e impossibilita as organizações de ajuda humanitária de prestar o auxílio com a urgência necessária. A UNMISS deve cumprir sua incumbência de proteger o povo e disponibilizar pessoas para facilitar a assistência.”, disse Frederick McCray, diretor do Sudão do Sul na CARE.

“Em última análise, o Sudão do Sul precisa de uma paz permanente. Todas as partes interessadas devem trabalhar para promover a paz, tentar solucionar os conflitos sem violência, e agir com tolerância durante esses momentos mais vulneráveis. Pedimos que ambos os lados respeitem o cessar-fogo e trabalhem juntos para chegar a uma solução sustentável. O povo do Sudão do Sul está sofrendo muito, há muito tempo.”, disse Deepmala Mahla, diretor do Sudão do Sul na Mercy Corps.
Signatários:

  • CARE
  • Christian Aid
  • Danish Refugee Council
  • Global Communities
  • International Rescue Committee
  • Internews
  • Mercy Corps
  • Jesuit Refugee Service
  • Oxfam
  • Relief International

Para maiores informações e para organizar entrevistas, favor contatar: Angela Wells, JRS Eastern Africa Communications Officer, angela.wells@jrs.net, +254 715 33 2035

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