Workshop no WSFM mostra importância das mobilizações sociais em nível local para reforçar o global

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Se a plenária principal deste domingo no WSFM teve como tema a questão global das migrações e a necessidade de dar respostas do mesmo alcance a elas, coube aos workshops mostrar a dimensão local dessas iniciativas.

Um desses momentos foi a oficina “Participação Social e Política dos migrantes:  os desafios paraas políticas locais de integração na América do Sul”, conduzida pelo Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante (CDHIC), localizado em São Paulo.

Workshop no WSFM destaca importância das mobilizações sociais para as políticas de imigração. Crédito: Paulo Guerra
Workshop no WSFM destaca importância das mobilizações sociais para as políticas de imigração.
Crédito: Paulo Guerra

Um dos países que experimentou esse tipo de desafio com sucesso recentemente foi a Bolívia, que depois de reivindicações vindas principalmente da comunidade boliviana que vive na Argentina, reconheceu o direito ao voto para os cidadãos que vivem no exterior – que são responsáveis pela segunda maior fonte de divisas do país, as remessas a partir de onde emigraram.

“Os migrantes são vistos como agentes econômicos, mas esquecem-se da dimensão humana que traz esse dinheiro ao país. A Bolívia tem avançado nesse processo, porque [o reconhecimento do direito ao voto do exterior] é um reconhecimento da cidadania do imigrante no país onde se encontra”.

Peruana residente há 12 anos em São Paulo, Tania Bernuy, também coordenadora do CDHIC, cita os avanços recentes em política migratória local alcançados na capital paulista, como a criação da Coordenação de Políticas para Imigrantes no âmbito da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, em 2013. No entanto, ela ressalta que tais conquistas só foram possíveis e só pderão ser mantidas com mobilização social. “Sabemos que é um desafio, mas não é impossível. Os movimentos sociais precisam se mobilizar para efetivar esses processos e políticas de integração”.

Da América do Sul para Europa, Ásia e África

Embora o foco do workshop fosse a questão na América do Sul, participantes de outros continentes também contribuíram para o debate, falando da situação local de cada um. O sul-africano Charles Mutabazi, por exemplo, citou que a cidade de Joanesburgo (sede do fórum) conta com uma coordenação para imigrantes dentro do departamento de desenvolvimento social da localidade, mas que o governo nacional teme uma “entrada massiva” de imigrantes no país. “A África do Sul assinou um tratado de livre circulação aqui na África, mas o governo só quer de produtos, não de pessoas. O temor é que pessoas de todo continente venham para cá”.

Workshop virou "mini WSFM", com pessoas de 4 continentes. Crédito: Paulo Illes
Workshop virou “mini WSFM”, com pessoas de 4 continentes.
Crédito: Paulo Illes

Já a indiana Josephine Pavithra Devi, que trabalha com desenvolvimento social na região de Chennai (sul da Índia), lembra que a grande questão no país é a migração interna, do norte para o sul. E que muitas vezes esses migrantes internos ficam privados de direitos e serviços públicos por conta das diferentes comunidades, religiões e culturas no território. “Na Índia, por exemplo, pessoas do Norte do país não podem votar no Sul”, resume.

Apesar de aposentado profissionalmente, o francês André Tholet atua junto a questões migratórias na França e citou uma situação curiosa vivida na própria família. “Nosso desafio como sociedade civil no país é que a população francesa em geral é contra a entrada de imigrantes. E na minha situação pessoal, meu filho migrou para a Bolívia e foi aceito sem problemas por lá. Mas se fosse o contrário não creio que seria tão fácil assim”.

Já no final da atividade, o mediador Paulo Illes, atual coordenador de políticas para imigrantes da Prefeitura de São Paulo,  deixou uma provocação aos participantes. “Se nossos países não reconhecem direitos dos imigrantes, vale a pena ser potência econômica?”

 

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