Youtubers mexicanos abusam de migrante menor de 18 anos em transmissão ao vivo

Os três autores do ato têm histórico de conteúdo vexatório em relação a outros grupos e pessoas

0
116
Integrantes do grupo Las Chiquirrucas, que abusaram de migrante em transmissão ao vivo. (Foto: Reprodução)

Por Dolores Guerra

Três influencers mexicanos pertencentes à conta @laschiquirrucas propuseram a um jovem migrante o valor de quinhentos pesos mexicanos (o equivalente a cerca de 130 reais) em troca de ter suas genitais tocadas. Depois do ato, entre gritos e provocações, os youtubers explicaram para a audiência que a nota era falsa. Também instigaram aos quase 31 mil seguidores a procurarem pelo albergue quando “quisessem um migrante”.

O abuso ocorreu no último dia 8 de agosto, em frente ao albergue FM4 Paso Libre, localizado no bairro Arcos Vallarta, em Guadalajara, no México. Nesse dia, Juan Carlos (@jcvillalobosjc), Fer Rivera (@feeriveraaa) e Gabriel Roth (@el.muneco.acosta) publicaram as imagens ao vivo.

A Casa do Migrante Saltillo e o albergue FM4 denunciaram aos abusadores em uma nota conjunta. “Rechaçamos que as Casas para Migrantes de todo o país sejam tomadas como lugares onde a necessidade econômica das pessoas incite a certos grupos lucrem com a sexualidade das pessoas migrantes”, diz trecho do documento.

A Polícia do estado mexicano de Jalisco, onde fica Guadalajara, está investigando o caso, de acordo com a imprensa local.

Reação da comunidade LGBTQIA+

Os integrantes do grupo Las Chiquirrucas se dizem parte da comunidade LGBTQIA+ e ganharam popularidade na internet. O ato causou revolta entre organizações ligadas à temática de gênero.

A Coalizão Mexicana LGBTTTI+ condenou o ocorrido. “Fazemos o chamado para que denúncias sejam feitas, evitando atos de violência e discriminação. Não está bem querer ser influenciadores às custas dos demais”, declararam em suas redes sociais.

Outros membros da comunidade LGBTQIA+ recordaram que a comunidade não deve ser condenada pelo que fizeram “Las Chiquirrucas”, já que a orientação sexual não exime ninguém de ser violento.

Charlie De Aguinaga, um outro membro do grupo responsável pelo ato, pediu desculpas públicas pelas ações de seus colegas. Declarou que não estava presente no dia e que não está a favor desse comportamento. Em sua conta oficial do Twitter, afirmou achar que são “ações super reprováveis”. “Sei que estou envolvido nisso por ações do passado, mas isso não quer dizer que apoie o que aconteceu nesse momento”, justificou o youtuber.

Essa não foi a primeira vez em que o grupo é acusado de produzir conteúdo vexatório, principalmente contra pessoas em situação de rua. O Instagram encerrou a conta dos influenciadores, no entanto eles ainda possuem o backup de seus conteúdos.


*Venha ser parte do esforço para manter o trabalho do MigraMundo! Veja nossa campanha de financiamento recorrente e junte-se a nós: https://bit.ly/2MoZrhB

*Gostaria de ingressar em nosso grupo de WhatsApp para receber em seu celular as atualizações do MigraMundo? Envie seu nome e telefone para blogmigramundo@gmail.com

DEIXE UMA RESPOSTA

Insira seu comentário
Informe seu nome aqui