Campanha busca fundos para reformar oficinas de costura de imigrantes em SP

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Migrante em oficina de de costura em São Paulo. Crédito: Mário Pimenta/Instituto Alinha

Ação visa melhorar os ambientes de trabalho e coibir situações de trabalho análogo à escravidão que afetam imigrantes no setor têxtil

Por Rodrigo Veronezi
Em São Paulo (SP)

Logo nas primeiras semanas de 2019, veio a público mais uma notícia de oficina de costura na Grande São Paulo – mais exatamente em Carapicuíba – que foi flagrada com imigrantes em situação análoga à escravidão, que trabalhavam até 17 horas por dia e ganhavam R$ 1 por peça produzida.

Para ajudar a combater essa realidade, uma campanha lançada nesta segunda-feira (28) – aproveitando o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo – visa arrecadar recursos junto a pessoas físicas que serão aplicados nas reformas de oficinas de costura de imigrantes na cidade de São Paulo.

A iniciativa é do projeto Tecendo Sonhos, que capacita imigrantes no setor têxtil, de forma gratuita. Ele tem o suporte da Aliança Empreendedora, organização social que apoia negócios inclusivos e projetos para microempreendedores de baixa renda.

Iniciado em 2014, o Tecendo Sonhos já atendeu cerca de 260 oficinas e beneficiou mais de mil pessoas, entre empresários e trabalhadores. As doações podem ser feitas em qualquer valor, diretamente no site do programa (clique aqui).

A meta é levantar R$ 30 mil até o final de maio, que serão investidos em melhorias para 20 oficinas ao longo do ano – compra de equipamentos de segurança, ergonomia e reformas elétricas. Em contrapartida, o estabelecimento apoiado também deverá fazer sua parte e arcar com uma parte dos reparos, para desenvolver autonomia.

Os favorecidos também contam com um programa de formação profissional que auxilia na regularização da oficina e na readequação do local de trabalho, gerando transformações positivas tanto para o dono do estabelecimentos como para seus funcionários.

“O Tecendo Sonhos trabalha em rede para gerar transformações reais nas relações de trabalho da cadeia têxtil. Melhora as condições de trabalho de imigrantes, e também das oficinas de costura apoiadas. Buscamos a maior segurança e saúde desses trabalhadores, já que há um alto risco de acidentes e doenças laborais nesses ambientes”, aponta Cristina Filizzola, diretora do programa.

Dessa forma, o projeto ajuda a quebrar um círculo vicioso ainda muito comum no mercado têxtil: a existência de oficinas de costura irregulares, que empregam imigrantes em condições precárias e de trabalho análogo à escravidão, para produzir a maior quantidade de peças possível por preços cada vez mais baixos – como o estabelecimento fechado em Carapicuíba.

Um levantamento feito pela própria Aliança Empreendedora indica que são pelo menos 10 mil oficinas de costura irregulares envolvendo imigrantes em São Paulo. A jornada média de trabalho é de 15 horas por dia – algo próximo do que foi encontrado em Carapicuíba.

“Aprendi o valor do meu trabalho”

A partir da capacitação oferecida pelo Tecendo Sonhos, a oficina da boliviana Alícia Vargas Balboa abandonou essa lista. No programa desde fevereiro de 2018, a empreendedora aprendeu a regularizar o negócio e também melhorou as condições de segurança e ergonomia de sua oficina, na zona norte de São Paulo.

“No Tecendo Sonhos aprendi muitas coisas, mas sobretudo o valor do meu trabalho. A cada dia meus sonhos se tornam maiores”, disse.

A empreendedora boliviana Alicia Balboa, uma das beneficiadas pelo Tecendo Sonhos.
Crédito: Divulgação

O Tecendo Sonhos conta com a parceria do Instituto Alinha, que elabora um diagnóstico do empreendimento e traçado um plano de ações e melhorias. Os imigrantes que participam do processo passam a acessar um mercado regularizado, que paga um valor justo pelas peças produzidas.

Com as melhorias já implantadas, Alícia passou a acessar esse mercado têxtil formal.

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