Campanha exalta mulheres brasileiras e migrantes que lutam por direitos sociais

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Mulheres retratadas pela campanha Juntas Impactamos. Crédito: Montagem/Chico Max/Divulgação

“Juntas Impactamos” reúne mulheres que atuam em defesa de condições dignas de vida e cria rede de apoio entre suas integrantes

Por Rodrigo Veronezi
Em São Paulo (SP)

Da Justiça ao meio acadêmico, da assistência social ao empreendedorismo, da prevenção ao combate ao trabalho escravo, do legislativo à sociedade civil. Em todas essas atividades a presença de mulheres – tanto brasileiras como migrantes – é marcante, mas nem sempre valorizada. É para começar a corrigir essa percepção que teve início a campanha “Juntas Impactamos“, que destaca tanto a participação das mulheres como os trabalhos que desempenham.

A ação foi lançada nas redes sociais oficialmente em 28 de janeiro passado, quando também é lembrado o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. A data não foi escolhida à toa, já que boa parte das mulheres que integram a campanha estão envolvidas de alguma forma em combater e prevenir essa situação.

A principal peça é um calendário que reúne 33 dessas mulheres, retratadas especialmente para a ocasião, além de informações sobre as participantes e as instituições às quais estão ligadas. As fotos são de Chico Max, que já fez outros trabalhos recentes ligados à temática migratória.

Baixe aqui o calendário da campanha Juntas Impactamos

“A história de superação e sucesso desse coletivo carrega um pouco da história de toda mulher. Cada uma conta, com sua imagem e trajetória, como podem juntas mudar suas próprias vidas e a vida de outras mulheres, com cooperação, com amor, com respeito e até com resignação e indignação, gerando ferramentas para o crescimento”, resume a advogada Juliana Armede, idealizadora da campanha. Ex-coordenadora do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas da Secretaria de Justiça de São Paulo, ela aproveitou os contatos que cultivou ao longo de sua trajetória profissional para articular a iniciativa.

Além de jogar luz sobre o trabalho feito por essas mulheres, a campanha tem potencial para deixar como legado a criação de uma nova rede de instituições e pessoas dedicadas a temáticas sociais.

“Começa como uma campanha, mas vejo que pode virar um grupo de apoio, uma forma de articulação de rede. Para combater trabalho escravo, por exemplo, ninguém consegue fazer nada sozinho”, opina Cristina Filizzola, gestora de projetos sociais da Aliança Empreendedora – organização social que apoia negócios inclusivos e projetos para microempreendedores de baixa renda, incluindo migrantes. Ela é um dos rostos do mês de março no calendário da campanha, ao lado da vereadora paulistana Patrícia Bezerra (PSDB) e da presidente da comissão de erradicação do trabalho análogo ao de escravo da OAB-SP, Luciana Slobergas.

A vereadora Patrícia Bezerra (PSDB-SP), Cristina Filizzola e Luciana Slobergas, que estão na imagem de março do calendário.
Crédito: Chico Max

Ao longo do ano, a campanha marcará presença sobretudo nas redes sociais, mas também em eventos presenciais promovidos em conjunto com as instituições que a apoiam.

Participação migrante

Além de enfrentar as barreiras impostas à mulher na sociedade brasileira, as mulheres migrantes lidam ainda com as dificuldades geradas pela própria condição de migrante. Elas também contam com suas representantes – e seus anseios e sonhos – na campanha.

“Fazer parte da campanha me fez sentir mais integrada e com o mesmo objetivo, de levar o conhecimento de todos os direitos para todos os imigrantes , homens e mulheres”, resume a boliviana Tomasa Nancy Salva Guarachi , multiplicadora social do CAMI (Centro de Apoio e Pastoral do Migrante).

Guarachi aparece com trajes típicos da terra natal na foto que ilustra o mês de novembro, junto com outras duas parceiras de instituição: a também multiplicadora social boliviana Ruth Callisaya Aquise e a atendente de regularização migratória Claudine Shindany, da República Democrática do Congo.

Claudine, Ruth e Nancy, que ilustram o mês de novembro do calendário do Juntas Impactamos.
Crédito: Chico Max

“Para mim [a campanha] representa a integração de mulheres, sem distinção da raça, cor ou cultura. Também dá visibilidade ao trabalho de toda mulher que faz parte deste coletivo”, completa Guarachi.

Uma campanha como essa ganha ainda maior importância em meio ao ambiente machista que persiste na sociedade brasileira. Shindany também acredita no poder que a iniciativa tem para elevar a autoestima da mulher.

“Eu sempre digo que uma mulher encarna um poder. Nossa sociedade já é machista, e a mulher não pode se considerar inferior ou incapaz. Ela sempre tem que ter autoestima elevada para enfrentar qualquer barreira e fazer o melhor que ela tem. Ela tem que estar ciente disso”.

Outra instituição com mulheres migrantes na campanha é a Missão Paz, que aparece nos meses de fevereiro, abril e setembro.

“Mulher migrante tem que estar em qualquer movimento de mulheres. É um direto dela como mulher”, finaliza Armede.

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