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terça-feira, fevereiro 27, 2024

Cinco negócios de culinária típica de imigrantes para conhecer no Rio de Janeiro

Conheça alguns dos imigrantes que participam da Feira Multicultural Refúgio em Foco de Imigrantes Empreendedores Sociais, ue acontece mensalmente no centro do Rio de Janeiro

Por Natália Scarabotto

Alfajor argentino, arepa venezuelana, doces angolanos ou patacones colombianos: seja qual for o seu paladar, a Feira Multicultural Refúgio em Foco de Imigrantes Empreendedores Sociais, no centro do Rio de Janeiro, reúne toda essa variedade gastronômica preparada por imigrantes empreendedores. O evento é organizado pela Secretaria Municipal Especial de Cidadania e acontece uma vez por mês na sede da Prefeitura do Rio.

A próxima edição acontece no dia 27/09 (quarta-feira). Ao todo, são 20 expositores vindos de países da África e da América Latina que oferecem grande variedade de produtos, como peças de roupas, produtos artesanais, acessórios e bijuterias e, claro, comidas típicas doces e salgadas.

Para sentir um gostinho do evento, o MigraMundo conversou com cinco empreendedores que vieram para o Brasil em busca de melhores oportunidades e viram na venda de comida típica de seus países de origem um meio de sustento por aqui. Eles contaram suas histórias e falaram sobre as receitas mais populares.

D’Anica Cake – doces angolanos

Há 23 anos a angolana Anica Martins veio para o Brasil fugindo da guerra. “Vim pela condição do meu país, que estava em guerra civil, sai para ter uma oportunidade de vida melhor. Primeiro vim com meu marido, depois trouxe a minha filha. Tenho dois filhos brasileiros também.” 

Anica se descobriu uma confeiteira de mão cheia quando começou a vender bolos para os professores do EJA (Ensino de Jovens e Adolescentes), onde estudava em São Paulo. Com o incentivo da clientela, ela fez os cursos de confeiteira e cozinha industrial e começou a vender doces angolanos e brasileiros.

Depois do almoço, quase todos os visitantes param na barraca da angolana. Entre os já conhecidos brigadeiros, pão de mel e brownies, o destaque é o tradicional bolo de ginguba (amendoim) com recheio de doce de leite.

“É um bolo festivo e tradicional. Em toda festa na Angola tem esse bolo, minha mãe fazia, minha avó fazia”, disse Anica. “Mas demora porque tem que ir colocando as gingubas encaixadas, arrumadas, não pode jogar por cima de qualquer jeito. Por isso antes as avós colocavam as crianças de castigo decorando o bolo”, brincou ela.

No Instagram: @d.anicacake

A angolana Anica Martins, uma das expositoras da feira no Rio. (Foto: Natália Scarabotto)

Patacón Son y Sabor – comida colombiana

Na barraca da colombiana Margarita Campos, o patacón é a grande atração. O prato típico colombiano é feito uma espécie de panqueca feita de banana da terra frita recheada com frango ou carne, tradicionalmente, mas para atender o paladar brasileiro, ela criou também versões com calabresa ou legumes. Acompanha também molho de pimenta ou abacaxi.

“Em casa eu não cozinhava, era minha mãe que cozinhava bem, mas vi que era um bom negócio”, contou Margarita. “Os turistas comem bastante, os colombianos principalmente, mas os brasileiros gostam de experimentar também. Faço de calabresa porque aqui vocês comem bastante, lá na Colômbia não temos.”

Há 6 anos, Margarita chegou sozinha no Brasil para buscar emprego e estudar. Na Colômbia, o salário como vendedora de roupas já não era suficiente para pagar as contas e a carga horária era intensa.

Depois, trouxe também os dois filhos e com eles mantém o “Patacon son y sabor”, seu pequeno negócio de venda de quentinhas colombianas na praia de Copacabana e em feiras itinerantes.

“Aqui no Brasil estou conseguindo trabalhar e estudar turismo, depois vou estudar gastronomia”, disse ela.

No Instagram: @quentinhas_colombianas

Margarita Campos, da Colômbia, e os patacones oferecidos em feira de imigrantes no Rio. (Foto: Natália Scarabotto)

Entre Chilenos y Amigos – empanadas chilenas

Na casa da chilena Ana Maria Fariñas, 47, vender empanadas também é um negócio em família. Há 13 anos, ela e o marido se mudaram com os seis filhos para São Paulo e, quando ele perdeu o emprego, trocou o escritório pela cozinha. Deu certo por um tempo, mas a concorrência era grande e há 4 anos a família veio para o Rio.

Assim, criaram o “Entre Chilenos y Amigos” para vender empanadas. Parecidos com os pastéis brasileiros, as empanadas são feitas com farinha de trigo e são assadas. “A receita é fácil de fazer, mas o recheio tem que ser feito um dia antes para esfriar antes de assar”, explicou Ana.

Os recheios podem ser de carne refogada com cebola e azeitona, frango com cream cheese e muçarela ou margarita com tomate, manjericão e muçarela – para quem gosta de abrasileirar comidas.  “Tivemos que adaptar um pouco para o paladar do público brasileiro, pra gente foi um desafio no começo, mas o pessoal começou a gostar bastante”, disse a empreendedora.

O “Entre Chilenos y Amigos” na Feira de Laranjeiras (aos sábados) e na feira da Glória (aos domingos), na zona sul do Rio.

No Instagram: @entrechilenosyamigos

A chilena Ana Maria Fariñas, que vende empanadas em feira de empreendedores imigrantes no Rio. (Foto: Natália Scarabotto)

Harinas da Ingrid – arepas venezuelanas

Na barraca da venezuelana Ingrid Daza, 40, as tradicionais arepas venezuelanas é que ganham o público. Junto com o marido colombiano, ela se mudou para o Brasil há 10 anos, quando a crise humanitária e econômica no país de Nicolás Maduro se agravou.

Trocou o comércio de roupas que tinha lá pela cozinha e começou a vender arepas no Rio, uma forma de se manter financeiramente e ainda manter os laços com o seu país de origem.

 “É uma satisfação, além do trabalho, poder levar a nossa comida típica para as pessoas porque conta a história do prato, da Venezuela… pra mim é gratificante, é emocionante”, contou Ingrid.

As arepas são pequenas ‘tapiocas’ feitas com farinha de milho e recheadas de diversos sabores, como queijo, carne, frango ou frango com abacate. Para garantir uma experiência gastronômica mais fiel, a venezuelana optou por manter a receita e os recheios tradicionais. “A ideia é que as pessoas conheçam o sabor mesmo, como é lá no meu país.”

Para completar, os clientes podem experimentar junto o refrigerante importado “maltín polar”.

No Instagram: @harinas.pan_

Ingrid Daza vende as tradicionais arepas venezuelanas em feira de empreendedores imigrantes no Rio. (Foto: Natália Scarabotto)

Larica Doce – doces argentinos

Alfajores, empanadas e quiche: com essas delícias argentinas, Matias Hector Mansilla, 37, traz a culinária dos nossos ‘hermanos’ para o Brasil.

Cozinhar para a família e os amigos era um dos seus hobbies de Matias na Argentina e se tornou profissão há 2 anos, quando ele mudou para o Brasil. A ideia inicial era abrir uma barbearia, mas o negócio não foi para frente e, então, começou a vender empanadas.

Depois, diversificou o cardápio adicionando doces: o tradicional alfajor recheado com doce de leite e cobertura de chocolate branco ou preto e a pasta frola, uma torta doce com recheio de goiabada.

Nos salgados, uma boa opção é a quiche, uma torta salgada que ganhou uma versão mais voltada para o público brasileiro com bacon, calabresa e cebola caramelizada. “A minha ideia quando comecei com comida era manter o sabor clássico, para as pessoas sentirem a experiência do sabor argentino, mas no Brasil comem muita calabresa”, contou Matias.

No Instagram: @laricadoce.br

Matias Hector Mansilla (d), com doces argentinos na feira de empreendedores imigrantes no Rio. (Foto: Natália Scarabotto)

Serviço

Feira Multicultural Refúgio em Foco de Imigrantes Empreendedores Sociais
Frequência: Mensal
Próxima edição: 27/09/2023
Local: Centro Administrativo São Sebastião (sede da Prefeitura do Rio)
Endereço: Rua Afonso Cavalcanti 455, Cidade Nova
Horário: 9h às 17h

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