Copa dos Refugiados virou projeto de inserção social, diz migrante idealizador

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Equipe Coletivo, de Caxias do Sul, foi a grande campeã da primeira Copa dos Refugiados sediada na capital gaúcha. Crédito: ©Luiz Eugênio Gressler

Disputada desde 2014 em São Paulo, Copa dos Refugiados também deve começar a ir para outras cidades. Evento em Porto Alegre abriu o calendário previsto para o ano

Por Rodrigo Borges Delfim
De São Paulo (SP)

O último domingo (26) em Porto Alegre (RS) foi de festa e de orgulho para 110 migrantes e refugiados que disputaram a Copa dos Refugiados na Arena do Grêmio, estádio onde o tradicional tricolor gaúcho recebe seus adversários.

A ação fez parte dos eventos da 58ª Semana de Porto Alegre e foi a primeira edição do torneio disputada fora de São Paulo, onde ele acontece anualmente desde 2014 – a etapa paulista, inclusive, já está marcada para agosto. A ação é organizada pelos próprios refugiados, por meio da ONG África do Coração, composta por migrantes e refugiados de diversas nacionalidades e com apoio de diversas entidades.

Oito seleções entraram em campo (Senegal, Haiti, Venezuela, Colômbia, República Democrática do Congo, Angola, Síria e Peru) representadas por migrantes e refugiados que vieram de várias regiões do Rio Grande do Sul. Outras nacionalidades também marcaram presença na atividade.

O vencedor foi o time Coletivo, formado por senegaleses que vivem em Caxias do Sul, na região serrana do estado, após vencer a Colômbia (representada por migrantes e refugiados colombianos residentes no RS) em decisão por pênaltis. Em São Paulo, as seleções vencedoras foram Nigéria (2014), Camarões (2015) e República Democrática do Congo (2016).

Equipe Coletivo, de Caxias do Sul, foi a grande campeã da primeira Copa dos Refugiados sediada na capital gaúcha.
Crédito: ©Luiz Eugênio Gressler

A exemplo do que já ocorreu nas edições em São Paulo, a Copa dos Refugiados tem muito mais do que futebol. Os refugiados e migrantes presentes tiveram acesso a serviços como orientação sobre documentos e exames básicos de saúde. A entrada para a Copa era um quilo de alimento não perecível, que deve ser encaminhado a refugiados recém-chegados e atendidos pela Paróquia Nossa Senhora da Pompeia, no bairro Floresta.

Os jogadores que atuaram no torneio vão integrar um álbum de figurinhas, ao estilo dos colecionáveis da Copa do Mundo, em que serão disponibilizadas informações como currículo profissional e habilidades – alguns dos jogadores eram atletas profissionais em seus países de origem. Essas informações devem constar em breve no site do torneio, o http://copadosrefugiados.com/

“A Copa virou um projeto de inclusão social para os refugiados, não somente para os que vivem em São Paulo. As dificuldades que nós vivemos em São Paulo também estão em outras cidades”, explica o congolês Jean Katumba, idealizador do torneio e dirigente da ONG África do Coração.

O que vem por aí

A Copa dos Refugiados em Porto Alegre foi só a primeira etapa de um calendário bastante movimentado ao longo do ano em torno do torneio. Já no próximo domingo, 2 de abril, acontece o lançamento oficial da edição paulista da Copa dos Refugiados, que deve ter seus jogos ocorrendo em agosto. A atividade começa às 9h no Sesc Belenzinho, zona leste da capital paulista. O evento contará com a cobertura do MigraMundo.

Ao longo do ano também devem acontecer atividades como noite cultural, sessão de cinema e outros torneios de futebol. Por fim, para o mês de setembro está previsto um jogo entre o Coletivo, time de senegaleses que venceu a Copa dos Refugiados em Porto Alegre, e o ganhador da Copa dos Refugiados de São Paulo.

Veja abaixo o calendário completo de atividades previstas, divulgado pela África do Coração (a programação pode ainda sofrer alterações futuras):

Com informações do jornal Zero Hora e do ACNUR

 

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