IV Copa dos Refugiados começa neste fim de semana em São Paulo

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Pênalti batido pela Nigéria que garantiu o título para a seleção na final da Primeira Copa dos Refugiados (2014). Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

Organizado pelos próprios refugiados, torneio cresce e se consolida a cada ano; final será em 24/09, no Pacaembu

Por Rodrigo Borges Delfim
Em São Paulo (SP)

O esporte mais praticado mundo afora, a serviço de uma causa humana. Assim acontece com a Copa dos Refugiados, evento que se consolida ano a ano em São Paulo e que terá início neste final de semana (16 e 17/09), com a grande final marcada para o domingo seguinte (24). A entrada é gratuita nos três dias, sendo que na final é pedida uma contribuição com um quilo de alimento não perecível.

A Copa, que chega à sua quarta edição na capital paulista, é organizada pelos próprios refugiados, por meio da ONG África do Coração, em parceria com a Cáritas Arquidiocesana de São Paulo, o ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados), o SESC-SP e com as empresas Netshoes e Sodexo, que fornecerão alimentação e uniforme aos jogadores. O evento tem ainda o apoio da Prefeitura de São Paulo, por meio das Secretarias Municipais de Esportes e Lazer, dos Direitos Humanos e das Relações Internacionais.

O torneio

A iniciativa começou em 2014 partiu dos próprios refugiados como uma estratégia para chamar a atenção da imprensa, que mostrava apenas a realidade dos refugiados que estavam fora do país.

A IV Copa dos Refugiados em São Paulo vai reunir 250 jogadores que vão integrar 16 times, cada um representando um país: Angola, Benin, Camarões, Colômbia, Gâmbia, Gana, Guiné Bissau, Guine Conacri, Iraque, Mali, Marrocos, Nigéria, República Democrática do Congo, Síria, Tanzânia e Togo.

Refugiado participa da II Copa dos Refugiados de 2015, evento que tem crescido ano após ano.
Crédito: Emiliano Capozoli/ACNUR

A primeira rodada, já eliminatória, acontecerá neste sábado, dia 16/09, a partir das 10h, no Centro Esportivo, Recreativo e Educativo do Trabalhador (CERET), no Tatuapé, zona leste de São Paulo. A segunda rodada, também eliminatória, será disputada a partir das 10h do domingo (17/09), no Estádio Municipal Jack Marin do Parque da Aclimação (região central da cidade). E a grande final acontecerá às 15hs no dia 24 de setembro, no icônico Estádio do Pacaembu.

A tabela com os jogos previstos para o primeiro dia pode ser consultada ao final do texto.

Nas edições anteriores do torneio em São Paulo, as seleções vencedoras foram Nigéria (2014), Camarões (2015) e República Democrática do Congo (2016). Apesar das disputas dentro de campo, o significado da Copa e de suas atividades vão muito além do esporte.

Pênalti batido pela Nigéria que garantiu o título para a seleção na final da Primeira Copa dos Refugiados (2014).
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

“A Copa é mais que um jogo. Queremos divulgar a causa do refúgio que muitos não conhecem, tirar esse preconceito que muitas pessoas têm quando ouvem a palavra refugiado, além de promover uma interação entre os próprios imigrantes e brasileiros”, explica o congolês Jean Katumba, idealizador do torneio e integrante da África do Coração.

Esse significado também é expressado pela a chefe do escritório do ACNUR em São Paulo, Maria Beatriz Nogueira. “A diversidade associada aos inúmeros conhecimentos das pessoas refugiadas tem muito a contribuir para o desenvolvimento do país. Mesmo em meio a uma disputa, o esporte é um meio facilitador do processo de integração, pois possibilita o respeito e o reconhecimento do outro como um semelhante, mostrando que a vida é formada por momentos de ganhos e perdas”.

Diversos eventos preparatórios foram realizados antes dos jogos deste ano, como a Copa mista mulheres x homens em julho, no Sesc Itaquera e o amistoso para preparar os times, no dia 26 de agosto, no Sesc Osasco. Ali, competiram os times do Líbano, Síria e a final foi disputada entre Togo e Colômbia, com o país africano vencendo o jogo nos pênaltis, após um empate de 2X2, uma pequena amostra de vai ter muita bola balançando as redes na Copa.

Conexão Porto Alegre

O calendário da Copa dos refugiados começou cedo neste ano. Além dos eventos já ocorridos em São Paulo, a cidade de Porto Alegre recebeu sua edição, também organizada pela África do Coração com apoio de entidades locais, em 26 de março. Foi a primeira vez que o evento ocorreu fora de São Paulo.

Os jogos aconteceram na Arena do Grêmio e fizeram parte dos eventos da 58ª Semana de Porto Alegre. Oito seleções entraram em campo (Senegal, Haiti, Venezuela, Colômbia, República Democrática do Congo, Angola, Síria e Peru) representadas por migrantes e refugiados que vieram de várias regiões do Rio Grande do Sul. Outras nacionalidades também marcaram presença na atividade.

O vencedor foi o time Coletivo, formado por senegaleses que vivem em Caxias do Sul, na região serrana do estado, após vencer a Colômbia (representada por migrantes e refugiados colombianos residentes no RS) em decisão por pênaltis.

Equipe Coletivo, de Caxias do Sul, foi a grande campeã da primeira Copa dos Refugiados sediada na capital gaúcha.
Crédito: ©Luiz Eugênio Gressler

Refugiados no Brasil e no mundo

De acordo com os dados do Comitê Nacional para Refugiados (CONARE), no final de 2016 o Brasil somou um total de 9.552 refugiados de 82 nacionalidades, um aumento de 12% em relação a 2015. Ainda há cerca de 35 mil solicitações de refúgio que aguardam parecer do Comitê.

Os países com maior número de refugiados reconhecidos ao longo de 2016 no Brasil foram Síria (326), República Democrática do Congo (189), Paquistão (98), Palestina (57) e Angola (26). Os sírios também formam a maior comunidade entre os refugiados no Brasil atualmente (3.772, segundo o CONARE, até julho deste ano).

Apesar dos números serem expressivos em meio ao contexto brasileiro, eles são bem pequenos quando comparados aos de outros países – o que não tira do Brasil a necessidade de zelar pelos direitos dessa população.

De acordo com o ACNUR, atualmente são cerca de 22,5 milhões de refugiados no mundo. Se considerados também os 40,3 milhões de deslocados internos (que tiveram de deixar suas casas por algum motivo, mas se deslocaram dentro do país), os 2,8 milhões de solicitantes de refúgio e os 5,3 milhões de refugiados palestinos que estão sob mandato de outra agência da ONU, a UNRWA, esse número chega a 65,3 milhões.

De acordo com a Convenção de 1951, relativa ao Estatuto dos Refugiados (de 1951), são refugiados as pessoas que se encontram fora do seu país por causa de fundado temor de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, opinião política ou participação em grupos sociais, e que não possa (ou não queira) voltar para casa. Com o tempo essa definição ficou mais ampla e passou a incluir também pessoas que deixam seus países devido a conflitos armados, violência generalizada e grave violação dos direitos humanos.

IV Copa dos Refugiados

16/09, das 10h às 17h
Local: Centro Esportivo, Recreativo e Educativo do Trabalhador (CERET)
Endereço: R. Canuto Abreu, s/n – Anália Franco, São Paulo
Jogos da fase de grupos: Benin X Togo; Síria X Mali; Tanzânia X Camarões; Marrocos X Gana; Colômbia X Gâmbia; Guiné Conacri X Nigéria; RD Congo X Guiné Bissau; e Angola X Iraque.

17/9, das 10h às 17h
Local: Estádio Municipal Jack Marin do Parque da Aclimação
Endereço: Rua Muniz de Sousa, 1119 – Aclimação, São Paulo

24/9, das 14h às 17h
Local: Estádio Pacaembu
Endereço: Praça Charles Miller – Pacaembu, São Paulo
Entrada gratuita, se possível levar um quilo de alimento não perecível

Com informações de ACNUR e Caminhos do Refúgio

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