Exposição leva imigração ao MIS e emociona público

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Por Rodrigo Borges Delfim
Twitter: @rodrigobdelfim

Quem foi ao Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, no último final de semana, se deparou com uma série de retratos de imigrantes que vivem no Brasil, de diversas nacionalidades. Fotos que, mesmo sem legenda, falam diretamente com o público e contam histórias de vida.

A mostra Somos Todos Imigrantes, que ficou em cartaz no MIS no sábado e no domingo, é composta por 19 retratos e foi idealizada pelo psicólogo e fotógrafo Chico Max e pela Missão Paz, instituição de referência no atendimento a migrantes em São Paulo. O evento teve ainda o apoio do MIS, da Secretaria de Cultura e da Assessoria Especial para Assuntos Internacionais do governo paulista.

Mostra Somos Todos Imigrantes, do fotógrafo Chico Max. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Mostra Somos Todos Imigrantes, do fotógrafo Chico Max.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

Chico conta que o estopim para fazer um trabalho sobre migração veio depois de notar uma festa de imigrantes, em sua maioria haitianos, na região central de São Paulo e como os brasileiros que passavam por ali se assustavam e até desviavam o caminho. “Ali eu vi o preconceito acontecendo na minha frente”.

A partir daí, Chico começou a pesquisar na internet se já tinha algum trabalho fotográfico com eles. Ele conta que só achou fotos degradantes, que contrastavam com o sentimento de alegria que tinha presenciado na festa de rua. Então veio a ideia de um trabalho que mostrasse esses imigrantes de uma forma dignificante. “Queria fotografar o que tem de beleza nessa população que não estava retratada em uma pesquisa simples que fiz pela internet”.

Chico Max (dir.), conversa com o público sobre a mostra. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Chico Max (dir.), conversa com o público sobre a mostra.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

A ideia do trabalho foi apresentada ao padre Paolo Parise, que se interessou pelo projeto e cedeu o espaço da Missão Paz para fazer as imagens. Nenhum dos imigrantes retratados recebeu qualquer tipo de maquiagem ou produção anterior às fotos – o fundo preto atrás de cada retrato foi obtido a partir de uma técnica da fotografia. Todos eles participaram do trabalho de forma voluntária.

“Se não for amor, faça como se fosse”

Além da mostra em si, o evento no MIS teve ainda dois debates vinculados à exposição, ambos no domingo. No primeiro deles, o professor Clóvis de Barros Filho falou sobre o acolhimento de imigrantes e refugiados. Para ele, temos a oportunidade de viver essa experiência com alegria, com envolvimento, inclusão. “Se não for amor, faça como se fosse”.

Em seguida, Chico Max e o padre Paolo Parise, que dirige a Missão Paz, fizeram um bate-papo com alguns dos imigrantes retratados na mostra.  “Vemos sempre na mídia o ‘imigrante ilegal’, ele não é ilegal”, lembra Parise, ao falar sobre o poder da palavra e o mal uso dela quando os imigrantes são retratados na maioria dos meios de comunicação.

Depois do MIS, mostra será exposta em outros pontos de São Paulo. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Depois do MIS, mostra será exposta em outros pontos de São Paulo.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

Quando tiveram a palavra no debate, os imigrantes presentes agradeceram o apoio recebido no Brasil e cobraram a mudança da legislação migratória nacional – atualmente em pauta na Câmara dos Deputados.

Tanto durante os debates como em meio à mostra era possível notar o público sensibilizado com os retratos dos imigrantes.

Depois de passar pelo MIS, a mostra Somos Todos Imigrantes deve virar exposição itinerante e chegar ainda este ano ao metrô de São Paulo. A Assembleia Legislativa de São Paulo e o Museu da Imigração também são destinos praticamente certos, ainda com datas a serem definidas.

Com colaboração de Cintia Ruiz

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