Família lança vaquinha para ajudar refugiado que foi à Síria e pegou Covid-19

Com uma trajetória conhecida no Brasil pela superação, o refugiado sírio Talal Al-tinawi contraiu Covid-19 em visita à Síria; família busca ajuda para pagar o tratamento

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Talal Al-Tinawi durante workshop sobre culinária síria. (Foto: Arquivo pessoal)

Depois de se reinventar no Brasil por meio da gastronomia, o refugiado sírio Talal Al-tinawi tem diante de si um novo – e crítico – desafio pela frente: buscar recursos para se curar da Covid-19.

Talal e seus familiares estão temporariamente na Síria, para onde foram no final de junho para rever familiares. Ele também queria visitar o túmulo da mãe, que morreu em 2016 e da qual ainda não havia se despedido. No entanto, Talal contraiu o novo coronavírus dias depois de chegar à terra natal.

A internação e o pedido de ajuda para colaborar com a recuperação de Talal foram divulgados pela mulher dele, Ghazal Baranbo, nas redes sociais. A família lançou uma campanha por meio da plataforma Vakinha para arrecadar recursos para o pagamento do tratamento.

Isso porque, segundo Ghazal, Talal não encontrou vaga nos hospitais públicos na Síria. As unidades privadas, além de serem caras, não estão aceitando pacientes com Covid. Por esse motivo, ele se tratou em ambiente domiciliar nos primeiros dias de sintomas. No décimo dia, no entanto, a oxigenação ficou crítica e ele precisou ser internado às pressas em um hospital particular.

A internação, no entanto, tem custado 500 dólares por dia – algo equivalente a R$ 2.500. Além disso, a medicação necessária não está disponível na Síria e precisa ser importada. Ghazal contou que a família recorreu a empréstimos para pagar os custos hospitalares, mas que precisa de ajuda para poder

Até o fechamento desta reportagem, 52 pessoas haviam contribuído com valores diversos na campanha de financiamento recorrente disponível na plataforma Vakinha, alcançando um valor na casa dos R$ 5.500. A meta é de R$ 35 mil.

Trajetória

Talal teve de sair da Síria em 2012, quando foi solto da prisão depois de três meses e meio atrás das grades. Após ser confundido com um outro procurado pelo governo, que possuía o nome idêntico e data de nascimento coincidentemente próxima, Talal arrumou suas malas e fugiu com sua esposa e duas crianças para o Líbano.

“Minha vida na Síria era muito tranquila. Tinha meu escritório, minhas três lojas de roupa de crianças, tinha meu carro, minha casa, meu apartamento, minha família. Mas eu tive que abandonar”, disse ele ao MigraMundo, em reportagem publicada em março deste ano.

Inocentado, fugindo das perseguições e dos conflitos internos, refugiou-se no país ao lado, onde ficou por dez meses. No entanto, apesar de não haver guerra como na Síria, a situação econômica foi mais um obstáculo em que Talal se deparou. O peso da responsabilidade de Talal cuidar de sua família passava a aumentar. Em dezembro de 2013, chegaram ao Brasil.

Pelo fim de 2014, apostou no empreendedorismo como a única saída e fonte de renda. Além disso, confiou na decisão como uma oportunidade de projetar sonhos maiores. Talal abriu um restaurante, o Talal Culinária Síria, em 2016, levando a cultura árabe até a zona sul da capital paulista, com apoio de financiamento coletivo. Um episódio que, segundo ele, foi um dos mais felizes de sua vida.

O restaurante Talal Culinária Síria no dia de sua abertura, em abril de 2016. (Foto: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo)

Com a crise econômica no Brasil e queda no movimento do local, fechou o restaurante dois anos depois. Mas continuou a participar de eventos e a preparar receitas típicas da Síria a partir de casa, com a ajuda da família, no bairro paulistano do Campo Belo.

Em abril de 2020, já durante a pandemia de Covid-19, Talal procurou dar sua contribuição para ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade, preparando e entregando marmitas para pessoas em situação de rua. Ao menos 900 refeições foram entregues, sendo 300 pagas do próprio bolso e outras 600 foram viabilizadas com a ajuda de amigos, que contribuíram financeiramente.

O casal Talal e Ghazal, que já distribuiu centenas de marmitas a pessoas em situação de vulnerabilidade
O casal Talal e Ghazal, que distribuiu centenas de marmitas a pessoas em situação de vulnerabilidade. (Foto: Arquivo Pessoal)

Para além do proposito de ajudar, o gesto foi “também para agradecer o povo brasileiro porque me receberam muito bem no Brasil e me ajudaram bastante para continuar minha vida aqui”, disse o sírio em conversa com o MigraMundo à época.

Com a infecção por Covid-19, Talal e sua família têm mais um grande desafio pela frente. E novamente contam com a ajuda de amigos para superar a nova barreira.

Como ajudar

Campanha na plataforma Vakinha – acesse aqui (qualquer valor)
Transferência via PIX – 236.822.548-03 (qualquer valor)
Transferência bancária: Banco Itaú, agência 0772, Conta Corrente 20928-4 (qualquer valor)

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