Livro vai reunir 35 receitas de imigrantes e refugiados de 13 nacionalidades

Publicação é organizada pela Cátedra Sérgio Vieira de Mello da Unicamp e deve ser lançada ainda em 2021. As receitas serão acompanhadas de mini-biografias de seus autores

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Soup Joumou, do Haiti, também conhecida como
Soup Joumou, do Haiti, também conhecida como "Sopa da Liberdade". Ela é uma das receitas que vai integrar livro a ser lançado pela Cátedra Sérgio Vieira de Mello da Unicamp, com receitas preparadas por imigrantes e refugiados. (Foto: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo)

Receitas de família propostas por imigrantes e refugiados de 13 nacionalidades estarão presentes no livro “Sabores sem Fronteiras”, que está sendo elaborado pela Cátedra Sérgio Vieira de Mello (CSVM) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). 

O resultado da seleção das receitas foi anunciado na última terça-feira (23) e pode ser visto neste link. Ao todo foram 88 inscrições, coletadas entre o final de 2020 e janeiro deste ano, por meio de formulário online.

As propostas selecionadas compreendem pratos típicos e receitas de família de autores de 13 nacionalidades distintas: Venezuela, Benin, Guiana, Síria, Angola, Colômbia, Haiti, Peru, República Democrática do Congo, Equador, Filipinas, Cuba e Egito.

Entre as receitas que vão compor o livro estão a Soup Joumou, ou “Sopa da Liberdade” (Haiti), Arepa (popular na Venezuela e Colômbia), Mufete (prato típico da região de Luanda, Angola), Ceviche (uma das estrelas da culinária peruana), Fatteh (comum em países como Líbano, Síria e Egito) e mais exemplos.

As receitas foram selecionadas por uma comissão julgadora composta por integrantes da própria Unicamp e refugiados, com a participação externa da chef argentina Paola Carosella. Elas serão acompanhadas de mini-biografias de seus autores, na qual contarão um pouco de suas trajetórias.

Diálogo pela gastronomia

Ao elaborar um livro de receitas a partir das contribuições de imigrantes e refugiados, o objetivo é estabelecer uma troca de saberes e uma relação que supera a visão assistencialista que costuma recair sobre a temática migratória.

“Com um espaço como esse de troca de saberes por meio da culinária, que é repleta de afeto, lembranças e pertencimento, podemos conhecer um pouco melhor dessas culturas”, explica a historiadora e documentarista Ana Carolina Moura Delfim Maciel, presidente da Cátedra Sérgio Vieira de Mello na Unicamp.

O reitor da universidade, Marcelo Knobel, complementa Maciel e destaca que tais pessoas são parte de uma diversidade cultural que é fundamental para o enriquecimento do Brasil. “Certamente essa publicação vai contribuir para mostrar que os refugiados e imigrantes são parte fundamental do processo de criação de um país mais justo e democrático”.

A expectativa é que já nos mês de março tenha início o processo de pré-produção do livro, com o registro fotográfico das receitas. A Cátedra também estuda a possibilidade de gravar depoimentos dos imigrantes e refugiados que terão suas receitas e histórias registradas na obra.

Caso ocorra tudo dentro do cronograma, o livro Sabores sem Fronteiras deve ser lançado ainda em 2021, pela editora Senac.


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