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sexta-feira, maio 17, 2024

Mundo atinge 71,1 milhões de deslocados internos forçados em 2022; Brasil tem mais de 700 mil

Segundo o relatório do IDMC, a maior parte dos deslocados internos forçados é natural de dez países, que também são origem e destino (ao mesmo tempo, muitas vezes) de refugiados

A combinação de questões climáticas e conflitos armados fez o mundo terminar 2022 com um total de 71,3 milhões de pessoas como deslocadas internas forçadas. A informação é do Internal Displacement Monitoring Centre (IDMC), que consta em seu relatório anual.

De acordo com o estudo, divulgado na última semana e acessível para download gratuito, o total de deslocados internos forcados cresceu 20% na comparação com a edição anterior, de 2021. Desde 2013, o número mais do que dobrou, quando foram registradas 33,3 milhões de pessoas nessa condição.

O dado referente a 2022 foi puxado especialmente pela invasão russa à Ucrânia, iniciada em fevereiro daquele ano, mas também mostra a persistência de conflitos que há décadas devastam regiões e países inteiros, levando suas populações a buscarem proteção em outros locais.

Segundo o relatório do IDMC, a maior parte dos deslocados internos forçados é natural de dez países: Síria, Afeganistão, República Democrática do Congo, Ucrânia, Colômbia, Etiópia, Iêmen, Nigéria, Somália e Sudão. Esses mesmos países também são locais de origem e destino (em muitos casos, ao mesmo tempo) de refugiados. Pode-se dizer que um deslocado interno forçado é um forte candidato a buscar proteção internacional em outro país, tornando-o um refugiado, o que torna o dado ainda mais relevante.

Necessidade de soluções duradouras

Junto com os conflitos, outro grande causador de deslocamento interno forçado é a questão climática e suas diferentes manifestações, afetando milhões de pessoas anualmente. Entram nessa conta eventos como inundações, ciclones, tufões, seca extrema, entre outros.

Dos 71,1 milhões de deslocados internos forçados, segundo o IDMC, 62,5 milhões foram resultado de conflitos e violência, e 8,7 milhões em razão de desastres. Um dado que pode aumentar de forma exponencial nos próximos anos.

Isso porque, segundo outro estudo recente, publicado pelo Banco Mundial em 2021, as mudanças climáticas que estão ocorrendo podem levar ao deslocamento forçado interno de até 216 milhões de pessoas até 2050. O número representa uma população superior à do Brasil na época.

A diretora do IDMC, Alexandra Bilak, disse em comunicado oficial que há uma necessidade crescente de soluções duradouras para responder à escala dos desafios que as pessoas deslocadas enfrentam.

“Esta necessidade abrange a expansão da assistência monetária e dos programas de subsistência que melhoram a segurança económica das pessoas deslocadas, através de investimentos em medidas de redução dos riscos que reforçam a resistência das suas comunidades”.

O diretor-geral da OIM (Organização Internacional para as Migrações), António Vitorno, reforçou o apelo de Bilak. Ele ressaltou a necessidade de investimento em vias seguras para esse deslocamento forçado, que em geral ocorre por meios precários e perigosos. A agência da ONU atua como parceira do IDMC na coleta dos dados para o estudo.

“Estamos assistindo à tendência contínua de catástrofes de grande escala sem precedentes, que causam perdas significativas de vidas, destruição de casas e meios de subsistência e novos níveis de deslocamento. Reforçar os nossos esforços comuns em matéria de ação climática e investir em vias de migração seguras, regulares e ordenadas é mais importante do que nunca”

Dados sobre o Brasil

Falando em Brasil, o país registrou a maior quantidade de deslocados internos nas Américas no último ano, segundo o relatório do IDMC. Foram 713,6 mil, sendo 5,6 mil deles por conflitos, como disputa de terras, e 708 mil por desastres. A quantidade de afetados por condições ambientais é a maior em uma década. Os dados reais, no entanto, podem ser maiores, porque o estudo não considera deslocamentos forçados associados à violência urbana.

O estudo aponta, principalmente, as tempestades que atingiram o Estado de Pernambuco, em maio de 2022, causando mais de 131 mil deslocados internos. Foi a segunda maior crise climática das Américas naquele ano. Outras 107 mil pessoas se viram forçadas a se deslocar internamente em Minas Gerais também depois de diversos danos acarretados pelos temporais no Estado.

Sobre os deslocados por conflito, o estudo aponta que a maior parte dos casos se relaciona com disputas por terra em zonas rurais. Mais de 20% dos episódios foram registrados em Goiás, de acordo com o IDMC.

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