Mundo tem 272 milhões de imigrantes, estima OIM

Estudo da agência da ONU faz uma radiografia das migrações no mundo e busca servir de subsídio contra informações falsas e preconceitos

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O documento estimou a existência e ao menos 272 milhões de migrantes internacionais no mundo em 2019, o que corresponde a 3,5% da população mundial. Foto: OIM
O documento estimou a existência e ao menos 272 milhões de migrantes internacionais no mundo em 2019, o que corresponde a 3,5% da população mundial. Crédito: OIM

Por MigraMundo Equipe
Em São Paulo

Você vive em um país diferente do qual nasceu? Então você é um dos 272 milhões de migrantes internacionais – que respondem por 3,5% da população mundial.

A estimativa foi divulgada na quarta-feira (27) pela OIM (Organização Internacional para as Migrações), por ocasião do lançamento do World Migration Report 2020 – que pode ser acessado e baixado aqui.

Em 498 páginas, o estudo faz uma radiografia das migrações no mundo, com dados até junho de 2019.

Ele contempla dados e análises sobre diversas vertentes do tema – mobilidade humana e mudanças climáticas, migração perigosa e infantil, migração e saúde, entre outros temas.

A cifra da OIM inclui ainda os 25,9 milhões de migrantes considerados refugiados – pessoas que sofreram processo de migração forçada e se deslocaram para outros países – que estão sob jurisdição de outra agência da ONU, o ACNUR (Alto Comissariado da ONU para Refugiados).

Segundo o estudo, os Estados Unidos são o país com mais migrantes internacionais (50,7 milhões) residindo em seu território, seguido por Alemanha e Arábia Saudita.

Entre os países emissores de imigrantes, a lista é liderada por Índia (17,5 milhões), México (11,8 milhões) e China (10,7 milhões).

Já o país com mais imigrantes em relação à sua população são os Emirados Árabes Unidos, conhecidos mundialmente pelas cidades de Abu Dhabi e Dubai.

De acordo com a OIM, a necessidade de emprego é a principal razão para pessoas migrarem internacionalmente. Da mesma forma, os trabalhadores migrantes constituem a maioria dos migrantes internacionais do mundo – a maioria deles vivendo nos chamados “países do norte”, de alta renda.

Para desconstruir estereótipos

Além de compilar dados sobre as migrações no contexto global, o relatório da OIM também tem outro alvo. Ele visa ser um elemento de combate a informações falsas e preconceitos em geral associados à mobilidade humana.

“O relatório de 2020 é essencial para atender a crescente demanda por pesquisas de alta qualidade e baseadas em evidências sobre o assunto”, segundo a OIM.

“Continuamos crescendo e melhorando a captação de informação e de dados, que podem nos ajudar a entender melhor os recursos básicos da migração em tempos cada vez mais incertos”, complementa o português António Vitorino, diretor-geral da OIM.

A ONU e suas agências vem tentando costurar acordos multilaterais no sentido de garantir cooperação e combater visões negativas sobre as migrações.

Duas dessas tentativas em curso são os Pactos Globais para a Migração e para o Refúgio, firmados no final de 2018.

E o Brasil?

Para comparação, o Brasil tem cifras bem mais modestas em relação a outras nações quando o assunto é migração

O Brasil tem 774,2 mil imigrantes vivendo regularmente no país, de acordo com o OBMigra (Observatório de Migrações Internacionais), mantido pela UnB e que tem parceria com o Ministério da Justiça.

Ao mesmo tempo, estimativas indicam que exista pelo menos o dobro de brasileiros vivendo como migrantes no exterior.

O próprio governo federal projeta uma população expatriada na casa de 3 milhões de pessoas.

O Brasil chegou a assinar os dois pactos propostos pela ONU. No entanto, em janeiro de 2019, o governo anunciou a retirada do país do Pacto Global para a Migração. O apoio ao acordo relacionado à questão específica do refúgio ainda permanece.

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