ONGs anunciam retomada de resgates de migrantes no Mediterrâneo

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Barco Ocean Viking, que será utilizado para operações de salvamento de migrantes à deriva no mar Mediterrâneo. Crédito: Anthony Jean/SOS Mediterranee

Com nova embarcação, Médicos Sem Fronteiras e SOS Mediterranee vão reiniciar operações até o final do mês 

Por Rodrigo Borges Delfim
Em São Paulo

As organizações não-governamentais Médicos Sem Fronteiras (MSF) e SOS Mediterranee anunciaram no último domingo (21) a retomada das operações de resgate de migrantes à deriva no mar Mediterrâneo.

“Estamos voltando ao mar porque as pessoas estão se afogando. Estamos voltando ao mar como um ato humanitário para salvar vidas”, disse a presidente internacional de MSF, Joanne Liu, durante pronunciamento em Paris sobre a decisão.

As atividades estavam suspensas desde o final de 2018, quando o navio Aquarius foi privado de sua bandeira de Gibraltar e, mais tarde, do Panamá. Em três anos, a embarcação ajudou a resgatar 3 mil migrantes do Mediterrâneo.

No anúncio do fim das operações do Aquarius, as duas instituições afirmaram que já vinham buscando meios de retomar as operações em 2019.

O substituto do Aquarius é o Ocean Viking, de bandeira norueguesa. De acordo com as entidades, ele foi concebido como uma embarcação de apoio à atividade petrolífera e está preparado para grandes operações de salvamento. Com 69 metros de comprimento e 15,5 metros de largura, o Ocean Viking tem capacidade para abrigar até 200 sobreviventes a bordo.

“Também continuaremos a denunciar e falar sobre o que está acontecendo fora dos olhos do público e as consequências das escolhas feitas pelos governos europeus em nome da gestão da migração. E não estamos sozinhos: a sociedade civil em toda a Europa está se mobilizando, na França e na Alemanha, assim como na Itália”, completou a presidente de MSF.

A retomada das atividades no Mediterrâneo acontece poucas semanas após a prisão e soltura da alemã Carola Rackete, 31, capitã do barco Sea Watch 3, no embate mais recente entre ações humanitárias e as políticas anti-imigração adotada por diversos países europeus. Depois de ficar 17 dias à deriva aguardando uma resposta do governo italiano, que tem fechado seus portos para navios de resgate, Carola decidiu desembarcar migrantes resgatados do Mediterrâneo na ilha de Lampedusa.

O navio humanitário Sea Watch-3, que esteve no centro de outro embate entre ações humanitárias e políticas anti-imigração na Europa. Crédito: Creative Commons

Líderes europeus – especialmente os alinhados com a direita e extrema direita – afirmam que as operações de salvamento servem como incentivo para novas travessias no Mediterrâneo.

“Dizer que são as embarcações de salvamento que incitam as travessias é falso. Mesmo sem os navios, as saídas continuam”, rebate Frédéric Penard, diretor de operações da SOS Mediterranée.

Junto com a volta das atividades, a SOS Mediterranee lançou também uma campanha para arrecadação de recursos a serem empregados nas operações de resgate. Cada dia no mar custa 14 mil euros, segundo a ONG.

“Agora mais do que nunca nós pedimos o apoio dos cidadãos europeus. Nos permita cumprir nossa missão: salvar vidas”, escreveu a SOS Mediterranee em seu perfil no Twitter.

O Mediterrâneo é a rota migratória mais letal da atualidade. De acordo com o Missing Migrants Project, da OIM (Organização Internacional para as Migrações), até esta segunda-feira (22) ele concentrava 47% (683) das mortes em travessias migratórias neste ano (1.434).

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