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sábado, agosto 15, 2026

Mais do que futebol: migrantes no Brasil expressam sentimentos de ver seus países na Copa do Mundo

Edição mais recente do Mundial foi oportunidade para reforçar conexão de migrantes no Brasil com seus países de origem

Além dos brasileiros, comunidades migrantes representadas no Brasil tiveram motivos a mais para acompanhar a mais recente Copa do Mundo de futebol, disputada de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, México e Canadá. Isso porque seus países de origem conseguiram a classificação para o torneio – e em alguns casos, após longas décadas de espera, ajudando a reforçar os laços com a terra natal.

Um caso emblemático foi o da República Democrática do Congo, que disputou o Mundial apenas pela segunda vez – a primeira foi em 1974, quando o país ainda era chamado de Zaire. Os Leopardos – como a seleção nacional é apelidada – conseguiram a classificação para a Copa de forma dramática, por meio da repescagem intercontinental e superando a Jamaica, com um gol solitário no primeiro tempo da prorrogação.

Apesar dos problemas para chegar aos Estados Unidos, fruto da política migratória restrita e discriminatória do governo de Donald Trump, a seleção congolesa teve uma campanha no Mundial digna de orgulho: conseguiu marcar seu primeiro ponto em Copas ao empatar em 1 a 1 com Portugal e conquistou seu primeiro triunfo em Copas ao vencer o Uzbequistão por 3 a 1. Acabou eliminada na partida seguinte, depois de dar grande trabalho para a Inglaterra.

“Para a ativista congolesa Prudence Kalambay, ver o país disputando uma Copa do Mundo vai muito além do mérito esportivo. “É difícil de explicar. É mais do que futebol, entendes? É orgulho, identidade e união. É o nosso povo sendo representado, nossas histórias sendo levadas ao mundo. E sentir que mesmo com a dor das dificuldades, ainda temos motivo para sonhar”.

Quem também teve motivos especiais para acompanhar a Copa foi a comunidade haitiana. O país cuja população é acostumada a torcer pelo Brasil nos Mundiais voltou ao torneio depois de uma campanha histórica nas Eliminatórias da Concacaf – que congrega países da América do Norte, Central e Caribe, além de Guiana e Suriname. Foi apenas a segunda participação em Mundiais – a primeira ocorreu no já distante ano de 1974, tal qual os congoleses.

Sentimentos mistos

A Turquia, por sua vez, encerrou um jejum de 24 anos longe das Copas. A última participação (2002), inclusive, rendeu um histórico terceiro lugar e dois embates (derrotas por 2 a 1 e 1 a 0) com a seleção brasileira, que viria a conquistar o pentacampeonato mundial naquela edição.

Com uma seleção considerada a melhor dos últimos anos, a campanha turca foi considerada uma decepção do ponto de vista esportivo, pois acabou eliminada ainda na primeira fase, com derrotas para Austrália e Paraguai. Terminou a participação no torneio, no entanto, com uma vitória sobre os Estados Unidos por 3 a 2.

“Ver a bandeira turca novamente entre as seleções do Mundial me enche de orgulho. É como reencontrar uma parte da minha própria história. Quando o hino toca, mesmo estando a milhares de quilômetros da minha terra natal, eu me sinto de volta às ruas da Turquia, cercado pela minha família, pelos amigos e por toda a paixão que o povo turco tem pelo futebol. Nós carregamos a Turquia conosco onde quer que estejamos”, comentou o chef de cozinha Ridvan Kiyak, que vive no Brasil desde 2009. 

Algumas comunidades migrantes bem significativas no Brasil, no entanto, ficaram sem ver seu país chegar ao Mundial. É o caso da boliviana, que acabou derrotada pelo Iraque por 2 a 1 na repescagem intercontinental e perdeu a chance de voltar a um Mundial – a última vez foi em 1994. A seleção asiática, por sua vez, garantiu seu retorno às Copas após 40 anos, mas ficou ainda pela primeira fase – foram três derrotas, em um grupo que contava ainda com França, Noruega e Senegal.

O comunicador boliviano Antonio Andrade, editor e fundador do portal Bolívia Cultural, não escondeu a tristeza pelo sonho frustrado de ver o país novamente em uma Copa do Mundo. No entanto, isso não o impediu de fazer uma homenagem à seleção que chegou tão perto dessa realização.

“Eles entraram em campo com 11 camisas. Mas jogaram com a força de 13 milhões de bolivianos e bolivianas espalhados pelo mundo”, declarou ele ao MigraMundo, após a partida eliminatória.

A Coreia do Sul, por sua vez, é um país acostumado a disputar Copas do Mundo, com 12 participações. Estreou em 1954 e vem se classificando consecutivamente para todos os Mundiais desde 1986. Quando teve a oportunidade de ser uma das sedes, em 2002, fez bonito em campo e alcançou um histórico quarto lugar. Na edição mais recente, contudo, ficou pela primeira fase.

Mesmo não tendo nascido em solo coreano, a jornalista Rocio Paik herdou a nacionalidade e a cultura coreana de seus pais e faz questão de mantê-las vivas – e a Copa é uma forma de expressar esse sentimento. 

“Eu sou uma imigrante que também é filha de imigrantes, né? Os meus pais são ambos sul-coreanos, mas eles se conheceram no Paraguai, onde eu nasci. Depois moramos no Chile e aqui no Brasil [onde estão estabelecidos até hoje]. Ainda que eu não tenha nascido lá, nossa cultura é muito sul-coreana.Mesmo não sendo a minha terra natal, a Coreia do Sul permanece muito forte dentro de mim”, expressou.


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