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sexta-feira, julho 12, 2024

O que foi o VII Fórum Social Mundial de Migrações, na opinião de participantes e organizadores

Por Rodrigo Borges Delfim

Em quatro dias (7 a 10 de julho), o Fórum Social Mundial de Migrações, em São Paulo foi palco de importantes debates na temática migratória e marcos políticos como a sanção da Política Municipal para a População Imigrante da capital paulista, o apelo pela nova Lei de Migração e o destaque para as discussões sobre migrações e gênero.

E quanto ao público, quais as impressões que o Fórum deixou? Quais os pontos positivos e em que áreas é preciso melhorar? Que legado fica para a próxima edição, prevista para 2018 no México? O MigraMundo ouviu alguns dos participantes e organizadores ao longo do evento e traz abaixo as impressões de cada um.

O conteúdo dos debates, as oportunidades de parcerias, a programação cultural e a possibilidade de aproximação com imigrantes foram alguns dos pontos fortes destacados pelo público. Por outro lado, também foram citados atraso nos horários das mesas, informações desencontradas sobre locais das discussões e a sensação do Fórum ter sido mais “nacional” e “latino-americano” do que mundial.

“Existe uma constante muito boa que é o diálogo entre imigrantes, instituições, acadêmicos, militantes, e isso é fantástico. As exposições também trazem perspectivas que enriquecem o entendimento sobre as migrações. Mas o evento me pareceu um Fórum mais nacional, a presença internacional diminuiu um pouco em relação a outros. Acho que isso precisa ser avaliado para as próximas edições. Mas a nível de Brasil foi ótimo, porque os principais atores da temática migratória estavam aqui”.

Padre Paolo Parise, italiano e coordenador da Missão Paz, em São Paulo

 

“Nossa avaliação é muito positiva. Tivemos aqui uma grande diversidade de participação, os imigrantes atuando ativamente nos debates e propondo atividades. Tivemos representações de todos os continentes nas mesas, debates com mulheres e com imigrantes. Chegamos a um documento final bastante conciso que defende a democracia, condena o golpe no Brasil e que propõe políticas para os imigrantes, defende o direito a migrar”.

Paulo Illes, coordenador técnico da sétima edição do FSMM e integrante do Conselho Internacional do Fórum

 

“Foi o primeiro Fórum que participei, apesar de estar militando na temática migratória há oito anos e de acompanhar as notícias das outras edições. Acho que a mobilização das comunidades migrantes que moram aqui em São Paulo não foi tão eficiente como gostaríamos. Eu, por exemplo, pertenço à comunidade boliviana, que é muito grande, e que não conseguiu vir em peso. Mas o que fica para mim foi fazer essa rede com outros coletivos do Brasil e do mundo que trabalham com migrações e perceber com todas elas que o acesso à educação também não é pontuado nos debates. E a educação é libertadora, precisa ser pontuada”.

Veronica Yujira, boliviana, coordenadora do projeto Si, Yo Puedo, focado em educação, e integrante da comissão de programação do Fórum

 

“Acho que foi muito bom, com a presença dos africanos que vivem em São Paulo, contando também com imigrantes de Senegal, Congo, Mali, entre outros. A gente tentou discutir o que acontece dentro da migração, as discriminações que acontecem contra os imigrantes e até mesmo entre eles próprios. Acho que aprendemos muito.”

Adama Konate, malinês, conselheiro imigrante da Subprefeitura da Mooca, em São Paulo

 

“Gostei muito das atividades que acompanhei e das pessoas presentes em cada uma delas. Achei que teve desorganização em relação aos horários das mesas e senti falta dos nomes das pessoas que estariam coordenando as mesas. Mas destaco como muito positivas a presença da feira gastronômica e das atividades culturais, que ao meu ver trazem uma outra forma de se comunicar a questão da migração, para além do olhar acadêmico e que diversifica e enriquece o debate”.

Carolina Becker Peçanha, cientista social e voluntária no Gairf (Grupo de Apoio a Imigrantes e Refugiados de Florianópolis)

 

“As temáticas que encontramos aqui foram muito interessantes. Algumas coisas eu não entendi muito bem por falta de tradutores em algumas atividades autogestionadas, mas acho que a organização foi bem no geral. Senti falta de algumas mesa que abordasse especificamente a política migratória na Europa, que é de grande importância. Mas o ponto mais positivo deste Fórum é a possibilidade de trocar experiências e fazer redes com pessoas de outras partes do mundo e ver que todos nós temos o mesmo sentimento, a mesma causa”.

Solène Bedoux, francesa, integrante da Cártias França
De acordo com a organização, cerca de 1.600 pessoas de 57 países marcaram presença no Fórum, entre participantes e convidados. Além das seis conferências temáticas (uma para cada eixo do evento), aconteceram outras 167 atividades autogestionadas, que tinham como objetivo complementar e expandir os debates propostos em cada eixo.

 

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