Refugiados rohingya cobram indenização bilionária do Facebook por fomentar discurso de ódio em Mianmar

Refugiados rohingya estão exigindo cerca de US$ 150 bilhões em indenização, alegando que as plataformas do Facebook promoveram violência contra a etnia em Mianmar

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Refugiados rohingya caminham por uma trilha durante uma forte chuva de monções no campo de refugiados de Kutupalong, no distrito de Cox’s Bazar, em Bangladesh. Crédito: David Azia/ACNUR
Refugiados rohingya caminham por uma trilha durante uma forte chuva de monções no campo de refugiados de Kutupalong, no distrito de Cox’s Bazar, em Bangladesh. Crédito: David Azia/ACNUR

Dezenas de refugiados rohingya que vivem no Reino Unido e nos Estados Unidos estão processando o Facebook, acusando a big tech – como são conehcidas as empresas gigantes do ramo de tecnologia – de permitir que o discurso de ódio contra eles se espalhasse.

Eles estão exigindo mais de US$ 150 bilhões – algo equivalente a R$ 850 bilhões – em compensação, alegando que as plataformas do Facebook promoveram violência contra a minoria perseguida.

A acusação e as suspeitas contra a plataforma não são novas. Em 2018, uma investigação de agentes de direitos humanos da ONU concluiu que o Facebook teve papel chave na disseminação do discurso de ódio contra os rohingya. Uma outra investigação no mesmo ano, apontou mais de mil exemplos de postagens na rede social com comentários e imagens atacando os rohingya e outros muçulmanos.

O próprio Facebook admitiu à época que “não foi rápido o suficiente para prevenir o discurso de ódio e a desinformação contra os rohingya.

Até o momento. o Facebook — que foi rebatizado recentemente de Meta — não respondeu imediatamente às acusações, conforme relatos de agências internacionais.

Histórico de perseguições e discriminação

Os rohingya são considerados a etnia mais discriminada do mundo, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). A comunidade que se concentra no estado de Rakhine, em Mianmar, vem sofrendo ataques há décadas, sendo ela a minoria muçulmana em uma população majoritariamente budista.

Muitos birmaneses alegam que eles são uma etnia implantada durante a colonização britânica, que trouxe milhares de trabalhadores muçulmanos de Bangladesh. Já os rohingya dizem ser indígenas do Estado de Rakhine, anteriormente conhecido como Arakan – um dos mais pobres do país.

Uma lei de 1982 retirou do povo rohingya o direito à nacionalidade birmanesa, tornando-os apátridas. Dessa forma, ficam impedidos de ter acesso a serviços públicos (saúde, educação, etc.) e de ter mais de um filho por casal, entre outras restrições. Também são submetidos a trabalhos forçados.

Estima-se que 10 mil muçulmanos rohingya foram mortos durante uma repressão militar em Mianmar, de maioria budista, em agosto de 2017. Militares birmaneses foram acusados pelo Alto Comissariado das Nações Unidas (ACNUR) de realizar uma operação de “limpeza étnica”, que é quando há vontade parcial em se eliminar um grupo étnico para homogeneizar o povo. Cerca de 742 mil pessoas da minoria rohingya fugiram de Mianmar direção ao país vizinho, Bangladesh.

É em Bangladesh, país de maioria muçulmana como os rohingya, que fica o campo de refugiados de Cox’s Bazaar, onde vivem cerca de 1 milhão de pessoas. No entanto, as condições no local são extremamente precárias, a ponto de a ONG internacional Human Rights Watch acusar o governo bengali de querer transformar em prisões a céu aberto os campos de refugiados.

Com informações de BBC, Al Jazeera, Reuters e The Guardian


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