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sábado, fevereiro 14, 2026

Migrantes viram bode expiatório nas eleições em Portugal

Cabe pois insistir, uma vez mais e sempre, que a migração costuma representar ar fresco e oxigênio primaveril em regiões que caminham a passos largos para o outono

Por Pe. Alfredo J. Gonçalves

Neste domingo, 18 de janeiro de 2026, realizou-se o primeiro turno das eleições para a Presidência da República em Portugal. Depois de 40 anos, é a primeira vez que a decisão do pleito presidencial vai para o segundo turno. Os dois candidatos mais votados e que devem disputar a presidência pela segunda vez, em 8 de fevereiro, são o líder socialista e ex-ministro António José Seguro (que obteve cerca de 30% dos votos) e o líder do Chega, partido de extrema direita, André Ventura (cerca de 24% dos votos).

Como se pode ver, anuncia-se uma polarização acirrada, em que cada cidadão pode fazer a diferença.

Por parte de André Ventura, em particular, a campanha teve como foco principal o ataque sistemático às migrações no país. Semeando medo, distorções e ameaças, Ventura insinua que os migrantes seriam os causadores de todas as desordens e perturbações sociais. Fez deles o “bode expiatório” preferido dos males que podem ocorrer em Portugal. Em pauta, por exemplo, o pretenso colapso na educação, na saúde, no mercado de trabalho – o que não passa de retórica notoriamente reciclada.

No que se refere ao rechaço da migração, as eleições em Portugal reproduzem o ocorrido nos Estados Unidos, no Chile e na Argentina, para citar apenas esses três países. Por várias outras regiões, porém, o migrante vem sendo vítima de ataques frequentes. As portas e fronteiras se fecham na medida em que a extrema direita ganha terreno. Nessa mesma medida, cresce o preconceito e a discriminação, a xenofobia e a intolerância. Pior é que, no caso de Portugal, entre outros países europeus, o crescimento populacional encontra-se estagnado ou tende a ser negativo.

Cabe pois insistir, uma vez mais e sempre, que a migração costuma representar ar fresco e oxigênio primaveril em regiões que caminham a passos largos para o outono. Ou ainda, sangue novo e novo vigor em organismos que vão acumulando sintomas de enfermidades terminais. Historicamente, grandes civilizações são fruto do entrelaçamento de povos, nações, etnias, culturas e valores distintos. O cruzamento dessas diferenças tende à depuração e purificação do conjunto, resultando num recíproco enriquecimento. Longe de empobrecer, a miscigenação desenvolve o potencial de cada pessoa e de cada agrupamento humano.

Sobre o autor

Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs, é assessor do Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)


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