Por Clarissa Paiva
A família de Miguel Lau Mbiya, de 17 anos, procura por informações que possam ajudar a localizar o jovem, desaparecido desde 23 de agosto de 2025, na cidade de São Paulo. Miguel foi visto pela última vez nas proximidades da estação de metrô Luz, na região central da capital paulista. Jovem migrante e negro (de mãe congolesa e documentação angolana), seu desaparecimento mobiliza familiares, amigos e integrantes da comunidade migrante, que pedem apoio da população para ampliar as buscas.
Segundo familiares, um boletim de ocorrência já foi registrado, e o caso está sendo acompanhado pelas autoridades competentes. A mãe do adolescente, Ana Maria Lau, segue em busca de qualquer informação que possa levar ao paradeiro do filho. Desde o desaparecimento, ela tem mobilizado redes de apoio e divulgado o caso na tentativa de alcançar pessoas que possam ter visto Miguel naquele dia ou que tenham alguma pista sobre o que aconteceu.
Miguel é descrito por pessoas próximas como um jovem tranquilo, com sonhos e planos para o futuro. Sua rotina era marcada por atividades comuns à sua idade, e seu desaparecimento repentino trouxe profunda angústia para a família e para a comunidade que o acompanhava. Para sua mãe, cada dia sem notícias aumenta a preocupação, mas também reforça a esperança de reencontrá-lo.
O caso também chama atenção para as vulnerabilidades enfrentadas por jovens migrantes negros no Brasil, que muitas vezes vivem em contextos de maior exposição a desigualdades sociais, racismo estrutural e barreiras institucionais. Especialistas em direitos humanos apontam que a interseção entre migração, juventude e raça pode tornar essas pessoas mais invisibilizadas em situações de violência ou desaparecimento, reforçando a importância de uma mobilização ampla da sociedade e das autoridades.
No Brasil, o desaparecimento de pessoas é um fenômeno significativo. Dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública indicam que 85.233 pessoas desapareceram no país em 2025, sendo 234 pessoas por dia, envolvendo crianças, adolescentes e adultos. Entre as causas mais comuns estão conflitos familiares, situações de vulnerabilidade social, fuga do lar, uso problemático de álcool ou drogas, além de casos mais graves relacionados à exploração, trabalho forçado ou tráfico de pessoas.
Autoridades reforçam ainda que não é necessário esperar 24 horas para registrar um desaparecimento. O boletim de ocorrência pode ser feito imediatamente assim que familiares percebem a ausência ou a impossibilidade de contato com a pessoa desaparecida, o que permite o início mais rápido das investigações e das buscas.
Nos últimos anos, o Brasil também tem avançado na implementação da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, criada pela Lei nº 13.812/2019, que busca fortalecer a articulação entre órgãos de segurança pública, perícia e instituições de direitos humanos, como Mães da Sé. Entre os instrumentos mais recentes está a ampliação da coleta de DNA de familiares de pessoas desaparecidas, que passa a integrar o Banco Nacional de Perfis Genéticos. O material genético, coletado de forma simples, geralmente por meio de saliva, é comparado com perfis de pessoas encontradas sem identificação em diferentes regiões do país, vivas ou mortas. Essa tecnologia permite estabelecer vínculos familiares e pode ajudar a identificar pessoas desaparecidas mesmo muitos anos depois, oferecendo uma possibilidade concreta de resposta para famílias que aguardam notícias de seus entes queridos.
A família pede que qualquer pessoa que tenha visto Miguel ou tenha informações sobre seu paradeiro entre em contato com as autoridades. Informações podem ser repassadas à Polícia Militar pelo telefone 190, em delegacias da região ou por meio do Disque 100, canal nacional para denúncias e proteção de direitos humanos.
Enquanto as buscas continuam, familiares reforçam o apelo à sociedade. Para Ana Maria Lau, cada informação pode ser essencial: qualquer detalhe pode ajudar a trazer Miguel de volta para casa.
Para mais informações sobre o que fazer em caso de desaparecimento em São Paulo, acesse o link da Prefeitura de São Paulo.
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