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quinta-feira, julho 16, 2026

41ª Semana do Migrante mobiliza o Brasil e denuncia déficit habitacional entre refugiados

Tema escolhido para a Semana do Migrante deste ano dialoga com o da Campanha da Fraternidade, que abordou a questão do direito à moradia digna

Por Pe. Alfredo J. Gonçalves

Como se viu em diversos estados, regiões e cidades do Brasil, a 41ª Semana do Imigrante e do Migrante de 2026, promovida pelo Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) e demais parceiros, contou com uma série de iniciativas ricas, plurais e diversificadas.

Elas vão desde cursos, simpósios e seminários até encontros, celebrações e marchas, passando por numerosas reuniões virtuais. Dioceses, paróquias, comunidades e várias entidades parceiras mobilizaram milhares de pessoas, entre migrantes, refugiados e agentes sociopastorais.

Dois fatores fundamentais contribuíram para o grande volume de eventos e manifestações. Em primeiro lugar, o tema e o lema, em sintonia com a Campanha da Fraternidade deste ano, tocaram de perto o cotidiano das pessoas e famílias.

Tanto a Migração quanto a Moradia, de fato, estão no dia a dia da população, da opinião pública e da mídia em geral. Falar de migrantes e refugiados, por um lado, e da luta pela casa própria, por outro, é colocar o dedo numa ferida profunda da sociedade atual. São muitos os fatos, notícias e imagens que circulam sobre as multidões “sem terra, sem teto e sem trabalho”, para usar os três “Ts” do Papa Francisco.

Em segundo lugar, essa ferida levanta o grito “Eu não tenho onde morar”! Grito que, de alguma maneira, encontra-se sufocado na garganta de milhões de pessoas e famílias. Gemido às vezes silencioso ou silenciado, mas sempre presente como sonho e direito de todo cidadão e cidadã. Inúmeras são as violações, as lutas e as esperanças em torno do direito sagrado da moradia.

Com efeito, a casa é como que a roupa da família ou de um grupo que se ama. Toda família/grupo, no interior do lar, desenvolve uma intimidade muito particular. Como preservar essa intimidade e essa privacidade sem paredes, teto, piso e um conforto mínimo? Sem casa, a família/grupo é como um corpo nu, exposto na rua e na praça pública, aos olhares curiosos, estranhos e não raro hostis. Para o migrante e para toda pessoa, a moradia garante a dignidade humana, além de ser fator de saúde integral e longa vida.

Uma vez mais, a Semana do Migrante tornou-se veículo de ação sociopastoral – seja para a denúncia da migração compulsória e do déficit habitacional no país, seja para o anúncio profético na conquista e defesa dos direitos dos migrantes, refugiados e apátridas.

Texto também disponível no portal Universo Paulinas

Sobre o autor

Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs, é sacerdote da Congregação dos Missionários de São Carlos (scalabrinianos), cujo carisma é atuar com migrantes e refugiados. Durante 5 anos, foi assessor do Setor Pastoral Social da CNBB, depois Superior Provincial e Vigário Geral na Congregação supracitada. Hoje, exerce a função de vice-presidente do Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM). Autor do livro Retratos da Metrópole, organizado pela Missão Paz.


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