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quinta-feira, dezembro 11, 2025

Ação global mobiliza atos em dezenas de cidades no Brasil e no exterior em defesa dos migrantes e pelo direito de migrar

Mais de 30 cidades em 15 países - incluindo o Brasil contarão com atividades ligadas à Ação Global pelo Direito de Migrar, lançada por rede internacional de pesquisadores que procura dar uma resposta ao cenário de perseguição e rechaço a migrantes

Diferentes cidades mundo afora – inclusive no Brasil – contarão na próxima semana com atos em defesa dos migrantes e do direito de migrar. A iniciativa, intitulada “Ação Global pelo Direito de Migrar: Migração como um Bem Social”, é promovida pelo Migration Scholars’ Global Solidarity and Resistance Network (Rede Global de Solidariedade e Resistência de Estudiosos da Migração, em tradução livre).

A aliança, fundada neste ano, reúne acadêmicos, pesquisadores e pessoas da sociedade civil em diferentes países que possuem ligação com a pauta migratória. Essa mobilização visa fomentar uma resposta concreta e construtiva à crescente repressão, rechaço e criminalização das migrações em contexto local e global.

Nos últimos anos, políticos e grupos que levantam a bandeira do rechaço e da criminalização da migração têm ganho espaço significativo junto à opinião pública em vários países. Os Estados Unidos sob o governo de Donald Trump representam o exemplo mais conhecido dessa situação, que também é personificada por forças políticas em locais como Portugal, Alemanha, França, Itália, Holanda e outros.

“Como estudiosos da migração, acreditamos que temos a obrigação de nos manifestarmos contra a desumanização daqueles que tentam escapar do perigo, abandonando condições intoleráveis ou simplesmente procurando uma vida melhor para si e para seus entes queridos, sem levar em consideração as fronteiras e outras barreiras à sua liberdade de circulação. Estamos empenhados em nos unirmos às lutas dos migrantes para construir um mundo mais humano para todos. Estamos também empenhados em uma investigação sobre migração capaz de desenvolver e comunicar como os migrantes fazem parte de nossas lutas coletivas em prol de um mundo melhor”, explica o movimento, em texto disponível no site oficial da rede.

Inspirações e cidades envolvidas

A maior parte dos eventos ocorrerá no dia 11 de novembro, mas outras localidades terão atividades já no dia anterior ou no seguinte (10 ou 12). Segundo a última contagem, eram 32 cidades com atos agendados – veja a seguir, por país e em ordem alfabética:

  • Alemanha: Berlim, Bochum, Munique e Osnabrück
  • Argentina: Córdoba
  • Austrália: Sydney
  • Brasil :São Paulo, Campinas e Florianópolis
  • Canadá: Toronto
  • Croácia: Zagreb e Split
  • Escócia: Glasgow
  • Estados Unidos: Claremont, Nova York, Keene, Syracuse, Ann Arbor
  • Inglaterra: Londres, Manchester, Sheffield, Liverpool, Bristol, Warvick
  • Irã: Teerã
  • Marrocos: Casablanca
  • México: Cidade do México
  • Suécia: Norrköping e Malmö/Lund
  • Suíça: Berna e Lausanne
  • Tunísia: Tunis

A data (11 de novembro) é uma referência ao dia em que terminou a Primeira Guerra Mundial, em 1918. As ações, por sua vez, remetem aos movimentos em universidades nos Estados Unidos em oposição à Guerra do Vietnã, na década de 1960. Ambos remetem ao objetivo final da mobilização: “A guerra contra os migrantes precisa acabar”.

“Pensamos nesse formato de tanto ensinar nos campus das universidades quanto fora deles, e não apenas para pessoas envolvidas com as migrações. E claro, sempre incluindo as pessoas migrantes nessas ações. Essa é uma primeira mobilização dessa rede global, que queremos expandir”, disse ao MigraMundo a professora e antropóloga Bela Feldman-Bianco, uma das fundadoras dessa aliança e pesquisadora de longa data da temática migratória no Brasil.

Atos no Brasil

Atendendo a esse chamado global, pesquisadores e coletivos ligados à temática migratória vão promover mobilizações no dia 11 de novembro em pelo menos três cidades brasileiras: São Paulo, Campinas (SP) e Florianópolis (SC).

Na capital paulista, o projeto de extensão Fronteiras Cruzadas da FFLCH-USP, está organizando uma atividade no histórico Centro MariAntonia, da USP. A programação, que vai das 15h às 19h, contará com migrantes, pesquisadores, integrantes da sociedade civil e personalidades políticas sensíveis à temática migratória.

A programação completa está disponível na página do Fronteiras Cruzadas.

Já na capital catarinense, será promovida uma roda de conversa na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), a partir das 15h. A atividade ficará a cargo do Núcleo de Antropologia Audiovisual e Estudos da Imagem da Universidade Federal de Santa Catarina (Navi/UFSC), do Observatório das Migrações e do Programa de Pós-Graduação em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Socioambiental (PPGLAN/Udesc). Entre os temas em debate estarão os brasileiros no exterior, imigrantes africanos no Brasil e a discussão sobre migração no âmbito do futebol.

O evento na Udesc contará com transmissão pelo canal do YouTube do INCT Futebol (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Estudos do Futebol Brasileiro), entidade parceira na realização do evento.


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