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segunda-feira, setembro 14, 2026

Comunidade boliviana cobra justiça após desabamento e tragédia em São Paulo

Construção irregular desabou sobre casa onde e matou seis pessoas de uma mesma família

O desabamento de um prédio em construção que estava em situação irregular e atingiu uma casa na zona leste de São Paulo, na madrugada de sábado (12), marcou de forma profunda a comunidade boliviana. O imóvel, localizado na rua Tequici, na Vila Granada (próxima à estação Guilhermina-Esperança do metrô), era ocupado por oito pessoas, incluindo duas crianças, e servia tanto de moradia quanto de oficina de costura na qual trabalhavam.

As buscas se estenderam até a tarde de domingo (13), quando foi resgatado o corpo da menina Shaira Diana Chinó Ramirez, de sete anos. Outras cinco pessoas também morreram na tragédia, entre elas uma mulher grávida: Edelmira Titicayo Limachi, Brayan Gery Gutierrez, Sergio Titicayo Limachi, Maria Elena Ramirez Titicayo e Ana Lucia Ruiz Romero.

Duas pessoas sobreviveram com ferimentos leves: um homem e uma menina de 5 anos foram resgatados com vida. De acordo com o portal Bolívia Cultural, ambos estão internados no Hospital Municipal do Tatuapé e não correm risco de morte.

Segundo a polícia, as vítimas viviam no Brasil há nove anos e estavam no imóvel há cerca de um mês.

Indignação e busca por justiça

Patrícia Veiga, advogada do Consulado da Bolívia, afirmou que o órgão está tentando viabilizar o transporte das vítimas para a cidade boliviana de Oruro. Ela também cobrou das autoridades que os responsáveis pela tragédia sejam devidamente punidos.

“A comunidade como um todo, não somente a boliviana, quer que se esclareça o caso e que as pessoas que tenham sua responsabilidade assumam, respondam criminalmente, cada uma dentro da sua culpabilidade”, disse ela, em entrevista ao Bolívia Cultural.

A obra que desabou tinha um longo histórico de problemas com documentação desde seu início, em 2019, com diferentes ações da Prefeitura para interdição e embargo da construção. Segundo a empresa, uma decisão judicial de março de 2025 autorizava a continuidade dos trabalhos. Já a Prefeitura afirma que a obra atual deveria ter sido demolida antes.

No domingo (13), a Justiça determinou a prisão temporária de três pessoas apontadas pela Polícia Civil como responsáveis pela construtora do prédio, a New Home. Na manhã do mesmo dia, foi detido Ronaldo Vivacqua, apontado como “sócio oculto” da empresa.

Também são investigados o engenheiro Cristiano Vivacqua, filho de Ronaldo e responsável legal pela empresa, e Isis Brandão, sua mulher e também proprietária da construtora. O casal é considerado foragido, enquanto a defesa sustenta que eles estão fora de São Paulo e vão se apresentar à Justiça nos próximos dias.

Além disso, a Subprefeitura da Penha determinou o afastamento por 30 dias da servidora que vistoriou a obra em 2024 e atestou que a demolição do prédio havia sido feita.

O caso é investigado pelo 24º DP (Ponte Rasa).

Com informações de Bolívia Cultural e Folha de S.Paulo


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