Há exatos 25 anos, o mundo acompanhava estarrecido ao atentado contra as Torres Gêmeas do World Trade Center. Um golpe duro e sem precedentes no coração da metrópole de Nova York, da grande potência imperial do século XX e do mercado global.
Ao mesmo tempo em que as torres desapareciam do mapa da cidade, milhares de pessoas foram sepultadas vivas sob os escombros, as ruínas e as cinzas. Como entender o atentado terrorista? “Sinal dos tempos”? Fim de um século e de uma era? Início de uma nova geopolítica internacional? Ou será antes um pouco de tudo isso?
Desde então, mudou para pior a política externa dos Estados Unidos. Mudou a concepção e ação geral diante do terrorismo, mas também a visão diante dos migrantes, apátridas, refugiados e deslocados. Cresceram o rechaço e a intolerância, preconceito e discriminação para com o outro, o estrangeiro e o diferente. Enquanto as pontes eram demolidas, ergueram-se novos muros.
Na esteira dos Estados Unidos, boa parte dos países endureceram a legislação migratória. Nas fronteiras, criaram-se novos obstáculos, cada vez mais difíceis de ultrapassar. Ao redor dos limites geográficos, floresceram, com a rapidez de cogumelos, acampamentos de migrantes. Ali se imobilizaram à espera de oportunidades. O número de deslocamentos no interior do Sul global veio a superar o movimento Sul-Norte.
Com a visibilidade das fronteiras, o tema das migrações passa a ocupar a mídia, em geral, e as redes virtuais, em particular. Nomes, rostos e histórias desfilam pelos jornais, telas e telinhas. Manchetes e imagens vivas se multiplicam e circulam por todo planeta. Porém, os pés em chagas, a face desfigurada, a família dispersa e o sofrimento do migrante se bate com uma indiferença generalizada. Mares, desertos e florestas se convertem em cemitérios de migrantes.
Essa multidão errante se torna marca registrada do século XXI. Vítima, sem dúvida, mas carregando consigo a semente, os germes e o potencial de um protagonismo oculto, o qual, todavia, faz emergir brotos de um novo tempo. Nessa travessia, nasce, cresce e se consolida o sonho e a utopia, a luta e a esperança de uma cidadania universal.
Sobre o autor
Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs, é sacerdote da Congregação dos Missionários de São Carlos (scalabrinianos), cujo carisma é atuar com migrantes e refugiados. Durante 5 anos, foi assessor do Setor Pastoral Social da CNBB, depois Superior Provincial e Vigário Geral na Congregação supracitada. Hoje, exerce a função de vice-presidente do Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM). Autor do livro Retratos da Metrópole, organizado pela Missão Paz.
Quer receber notícias publicadas pelo MigraMundo diretamente no seu WhatsApp? Basta seguir nosso canal, acessível por este link
O MigraMundo depende do apoio de pessoas como você para manter seu trabalho. Acredita na nossa atuação? Considere a possibilidade de ser um de nossos doadores e faça parte da nossa campanha de financiamento recorrente

