Uma pesquisa realizada pela Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) checou junto aos venezuelanos que migraram para outros países das Américas se cogitam retornar à terra natal. E os resultados, divulgados nesta semana, apontam que esse desejo ainda é minoritário junto a essa diáspora, que tem preferido permanecer nos locais de acolhida.
De acordo com o levantamento, pouco mais de um terço das pessoas entrevistadas na região indicou uma possível intenção de retornar para casa, com somente 9% considerando o retorno dentro de um ano. A principal motivação citada neste caso foi a reunificação familiar.
Por outro lado, 65% dos entrevistados descartaram um retorno à Venezuela, pelo menos não no atual momento. Para esse posicionamento pesam fatores como a reconstrução de suas próprias vidas no país de acolhida, bem como melhorias na segurança, no emprego e nos serviços essenciais disponíveis.
O Brasil é um dos locais que apresentam maior desejo de permanência por parte dos venezuelanos (70%). O país é o terceiro maior destino da diáspora venezuelana na América Latina e o quarto no continente americano como um todo, atrás somente da Colômbia, do Peru e dos Estados Unidos.
Os venezuelanos também são a nacionalidade mais contemplada com o status de refugiado no Brasil, com 148 mil casos reconhecidos. Considerando também aqueles que são solicitantes de refúgio com processos em andamento, pessoas com residência temporária ou outras formas de regularização migratória, o número chega a 732,3 mil, de acordo com a plataforma R4V, iniciativa da ONU que monitora a diáspora venezuelana no continente americano.
Para realização da pesquisa, o ACNUR entrevistou 1.288 venezuelanos no Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guatemala e Peru, entre janeiro e março deste ano. O levantamento completo, em inglês, pode ser consultado e baixado a partir do portal da agência da ONU.
Em novembro de 2025, segundo o ACNUR, 6,9 milhões de pessoas refugiadas e migrantes venezuelanas estavam acolhidas em países da América Latina e Caribe, incluindo 4 milhões que necessitavam de assistência.
Apelo por financiamento
A nova pesquisa divulgada também serve como um novo elemento para ajudar o ACNUR a pleitear recursos para financiamento de suas operações. Assim como outras instituições do sistema ONU, o ACNUR atravessa uma crise financeira que levou a cortes no orçamento, em projetos e na força de trabalho mundo afora.
Para 2026, a perspectiva da agência era de um orçamento de US$ 8,5 bilhões — 20% a menos do que em 2025 — além de 4.000 postos a menos e vários escritórios de campo fechados. Um cenário que faz o ACNUR depender ainda mais de doações voluntárias.
A redução global de recursos para ajuda humanitária, que já vinha se acentuando ao longo dos últimos anos, foi agravada em 2025 pela decisão do governo dos Estados Unidos ainda em janeiro de desmantelar a USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional). Além disso, a invasão russa na Ucrânia e o medo de que outros países sejam afetados levaram governantes europeus a redirecionar o dinheiro que antes ia para assistências humanitárias para reforçar o orçamento destinado às políticas de defesa nacional.
No caso específico dos venezuelanos, o ACNUR informa que necessita de um total de US$ 328,2 milhões para continuar apoiando projetos voltados a essa população no continente americano e na própria Venezuela. No final de março, esse valor era de 12% financiado.
Segundo a agência, “dependendo dos recursos disponíveis, o ACNUR planeja continuar monitorando regularmente as intenções de retorno entre os venezuelanos” para antecipar as tendências populacionais emergentes e orientar a resposta humanitária junto a essa comunidade.
Quer receber notícias publicadas pelo MigraMundo diretamente no seu WhatsApp? Basta seguir nosso canal, acessível por este link
O MigraMundo depende do apoio de pessoas como você para manter seu trabalho. Acredita na nossa atuação? Considere a possibilidade de ser um de nossos doadores e faça parte da nossa campanha de financiamento recorrente

