Organizações da sociedade civil em diferentes países da América Latina – incluindo o Brasil – se unem ao longo desta semana para manifestações com um mesmo objetivo: defender o direito das pessoas de migrar e o direito de cada povo de definir seu destino. A articulação faz parte da Jornada Continental mobilizada por delegados de nove países das Américas, reunidos na Conferência Continental pelo Direito de Migrar, realizada em setembro de 2025, na Cidade do México.
Com o lema “Migrar não é crime, é um direito”, a jornada busca denunciar políticas migratórias consideradas violadoras de direitos humanos e reforçar a defesa da livre circulação de pessoas, da dignidade dos migrantes e da soberania dos povos. A iniciativa reúne trabalhadores, jovens, organizações sociais e comunidades migrantes em diferentes países do continente.
A jornada deste mês de março ganhou apelo especial após a repressão empreendida pelo governo de Donald Trump nos Estados Unidos contra os migrantes, sobretudo na cidade de Minneapolis, desde dezembro de 2025. A resposta da sociedade civil local contra os agentes também foi alvo da violência dos agentes do ICE, a polícia migratória do país, que ficou personificada nas mortes de dois cidadãos estadunidenses e aumentou a pressão contra o atual presidente.
Os protestos também criticam as intervenções militares que a Casa Branca empreendeu nos últimos meses, como a que levou à prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e ao conflito em curso atualmente no Oriente Médio, tendo o Irã como alvo principal. Ambos os casos representam violações tanto do Direito Internacional quanto da própria legislação estadunidense, porque as incursões não foram aprovadas pelo Congresso, tampouco pelas Nações Unidas. Além disso, tal atuação gera instabilidades generalizadas que costumam ter deslocamentos forçados como parte das consequências.
“A defesa do direito a migrar e dos migrantes é inseparável da defesa da autodeterminação dos povos”, diz trecho da convocação para o ato em São Paulo – marcado para sábado (14), a partir das 15h, em frente ao Theatro Municipal, uma das referências culturais da cidade.
Transformar a dor em luta
Em São Paulo, o chamado é impulsionado por um conjunto bastante diverso de organizações, que inclui sindicatos, entidades ligadas ao PT (Partido dos Trabalhadores), Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana), CMI (Conselho Municipal de Imigrantes), Cami (Centro Pastoral de Apoio ao Migrante) e organizações e coletivos ligados a diferentes comunidades migrantes, como bolivianos, haitianos, sírios e angolanos, entre outras.
“Essa Jornada Continental é importante para mim como imigrante e liderança dos direitos humanos, porque transforma minha dor individual em luta coletiva. Ela permite que nossas vozes sejam ouvidas não como um pedido de favores, mas como a reivindicação de um direito fundamental: o direito de existir, circular e viver com dignidade, segurança e respeito, onde querem que estejam”, sintetiza Constance Salawe, militante camaronesa que reside em São Paulo e integra tanto o CMI quanto o comitê paulista da mobilização. Ela também acompanhou in loco a conferência de setembro passado no México.
“Vamos para as ruas para defender o direito de migrar com dignidade. Enquanto a extrema-direita espalha ódio e tenta criminalizar quem busca uma vida digna, nós seguimos defendendo solidariedade entre os povos e o respeito à vida”, disse a deputada federal Juliana Cardoso (PT-SP). Ela gravou um vídeo para as redes sociais dando apoio para o ato.
De acordo com os organizadores entre 9 e 14 de março as seguintes cidades brasileiras tiveram ou terão algum tipo de manifestação de rua, audiência em casa legislativa ou debate em universidade: Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC), Belo Horizonte, Juiz de Fora e Governador Valadares (MG), Rio de Janeiro (RJ), Cuiabá e Cáceres (MT), Salvador, Vitória da Conquista e Feira de Santana (BA), Recife (PE), Fortaleza (CE), João Pessoa (PB), Maceió (AL) e Brasília.
Além das cidades brasileiras, os organizadores da mobilização continental relatam atos previstos para países como Equador, Colômbia, Peru e Venezuela.
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