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quinta-feira, dezembro 11, 2025

Na abertura da COP 30, ACNUR e OIM pedem ações concretas de apoio a deslocados forçados pela crise climática

Agências da ONU envolvidas na temática migratória divulgaram dados que traduzem impactos e prejuízos causados pelas mudanças climática em todo o mundo - inclusive no Brasil

As mudanças climáticas estão piorando crises humanitárias já em curso no mundo, causando novos deslocamentos forçados, dificultando os esforços para resolução desse tipo de situação e gerando prejuízos. Um cenário que ainda é agravado pela falta de financiamento direcionado a esse fim. Diante disso, duas das agências da ONU mais envolvidas com a temática migratória aproveitaram nesta segunda-feira (10) o início da COP 30, a Conferência das Nações Unidas sobre o Clima, em Belém, para apresentar dados e cobrar a comunidade internacional sobre a adoção de ações concretas.

O ACNUR, a agência da ONU para Refugiados, lançou a segunda edição do relatório “No Escape” (Sem Escapatória, em tradução livre), que trata do impacto da crise climática sobre os deslocamentos forçados. Já a OIM, a agência da ONU para as Migrações, emitiu um comunicado no qual valorizou a realização da COP em Belém, em uma região amazônica, e fez um apelo para que seja dada atenção aos milhões de pessoas que já vivem diariamente com as realidades de enchentes, secas e desastres.

Sem Escapatória: o relatório do ACNUR

Segundo o informe do ACNUR, em meados deste ano, um total de 117 milhões de pessoas haviam sido deslocadas por causa de guerras, violência e perseguição. Três em cada quatro delas vivem em países com alta ou extrema exposição a riscos relacionados ao clima.

O documento cita ainda que, nos últimos dez anos, desastres climáticos causaram cerca de 250 milhões de deslocamentos internos — o equivalente a aproximadamente 70 mil por dia. Nessa conta entram, por exemplo, as inundações que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, forçando 775 mil pessoas a deixarem suas casas. Esse número inclui ainda 43 mil refugiados no Estado.

Outros eventos climáticos extremos citados pelo ACNUR no relatório são as inundações no Sudão do Sul, o calor sem precedentes no Quênia e no Paquistão, a escassez de água na Etiópia e no Chade, entre outros. Além dessas condições climáticas adversas, todos são países que lidam com refugiados em seus territórios.

“No mundo todo, as condições meteorológicas extremas estão colocando em maior perigo a segurança das pessoas. Elas interrompem o acesso a serviços essenciais, destroem lares e meios de subsistência, e forçam famílias — muitas das quais já fugiram da violência — a fugir novamente”, afirmou o alto comissário da ONU para os Refugiados, Filippo Grandi. “São pessoas que já sofreram perdas imensas e que agora enfrentam novamente as mesmas dificuldades e devastação. São as mais afetadas pelas graves secas, inundações mortais e ondas de calor sem precedentes, mas são as que têm menos recursos para se recuperar.”

Como caminhos possíveis, o ACNUR menciona que as comunidades deslocadas e de acolhimento podem ser poderosas agentes de resiliência, desde que sejam incluídas nos planos nacionais para o clima, contem com apoio financeiro e tenham voz ativa nas decisões que afetam o seu futuro. “No entanto, a maioria dos planos nacionais para o clima continua a ignorar os refugiados e outras pessoas deslocadas, bem como as comunidades que os acolhem”, pondera a agência da ONU. Por outro lado, ressaltou que a falta de financiamento para ajuda internacional tem fragilizado esses esforços.

A declaração da OIM

Nas palavras de Ugochi Daniels, Vice-Diretora-Geral de Operações da OIM, a mensagem da agência da ONU para as Migrações é simples: quando as casas e os meios de subsistência das pessoas estão ameaçados, elas merecem a chance de permanecer em segurança, se recuperar e planejar o futuro.

“Todas as comunidades merecem a oportunidade de se adaptar e construir um futuro mais seguro, mas para muitas, os impactos já são severos demais”, disse Daniels. “Quando se torna impossível permanecer, as pessoas devem poder se deslocar com segurança e dignidade. É por isso que trabalhamos — por soluções práticas que protejam vidas e fortaleçam comunidades.”

De acordo com a OIM, desastres causaram 45 milhões de deslocamentos internos e prejuízos superiores a 240 bilhões de dólares ao longo de 2024. Por trás desses números estão agricultores cujas casas foram levadas pelas enchentes e crianças cujas escolas deixaram de existir.

Ainda de acordo com a agência, entre os principais resultados esperados da COP30 está a adoção da Meta Global de Adaptação, que definirá objetivos claros para proteger comunidades por meio de sistemas de alerta precoce, fortalecimento dos meios de subsistência e moradias mais seguras — todos cruciais para reduzir os deslocamentos relacionados ao clima.


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