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domingo, junho 28, 2026
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Política Municipal para a População Imigrante é aprovada em São Paulo e vai para sanção do Executivo

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Imigrantes e entidades da sociedade civil comemoram aprovação do projeto na Câmara Municipal. Crédito: Divulgação

Por Rodrigo Borges Delfim

Em votação unânime, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou em segundo turno na última terça (21) o Projeto de Lei n.º 142/2016, que institui a Política Municipal para a População Imigrante. Ele agora depende da sanção do prefeito, Fernando Haddad, para que possa ser publicado no Diário Oficial como lei municipal e entrar em vigor.

Clique aqui para acessar o projeto aprovado.

O Projeto de Lei, que foi enviado aos vereadores em 31 de março passado, é fruto de anos de lutas e reivindicações dos imigrantes e da sociedade civil organizada. Ele tem como objetivo de transformar em política de Estado, e não de governo, as ações em benefício dos imigrantes residentes na cidade de São Paulo. Entre as medidas que ele prevê estão os princípios e garantias de diretos fundamentais aos migrantes, como combate a xenofobia, ao racismo e a quaisquer forma de discriminação, além da previsão de criação do Conselho Municipal de Migrante, que terá como função a fiscalização do cumprimento das Políticas Públicas do migrantes.

Também estão previstos no projeto formação de agentes públicos para para garantir atendimento humanizado ao migrante, a manutenção dos Centros de Referências e Acolhida do Imigrante CRAI e à articulação do acesso aos demais serviços públicos.

“É um marco histórico para uma população já tão sofrida que enfrenta todas as adversidades possíveis até chegar à São Paulo, além disso, é o resgate histórico e uma prestação de contas com os imigrantes que formaram essa cidade, definitivamente a garantia de acesso à direitos fundamentais, coloca São Paulo no protagonismo do trato humanizado aos imigrantes”, comentou Paulo Amâncio, coordenador do Sefras CRAI, em entrevista ao site da instituição. O Sefras é gestor do CRAI, o Centro de Referência e Acolhida para Imigrantes da prefeitura, que funciona desde 2014.

Também foi de grande importância o trabalho de advocacy feito por entidades ligadas à temática migratória junto aos vereadores desde que o projeto chegou ao Legislativo municipal. Agora, começa uma nova fase tanto para essas instituições como para os imigrantes.

“Vai ser muito importante o trabalho de conscientização dos imigrantes de que essa lei existe e que podem se valer dela. E aos poucos é possível ir reforçando junto aos serviços públicos o direito que os imigrantes têm em acessá-los. Eu acredito que com isso, a médio e longo prazo, a gente realmente muda uma cultura, a maneira de o próprio serviço público receber o imigrante”, lembra Letícia Carvalho, assessora de comunicação da Missão Paz, uma das instituições que acompanhou a tramitação do projeto na Câmara Municipal.

Para Camila Baraldi, coordenadora de políticas para imigrantes (CPMig) da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC) da Prefeitura, a aprovação da nova lei é também a consolidação do trabalho iniciado pela coordenação, criada em maio de 2013, e marca o início de uma nova etapa. “Finalmente temos uma previsão legal da realização de politicas para a população migrante. Ela institucionaliza a política de form geral a todas as secretarias a terem esse olhar para o migrante. É uma consolidação de trabalho, mas também a abertura para a expansão. A lei em si nunca basta, e precisa de trabalho para ser efetivada.”

Com a palavra, os imigrantes

Imigrantes residentes em São Paulo também comemoraram a aprovação da medida. “Justamente neste conturbado contexto atual, a aprovação da lei representa uma grande conquista, um grande avanço nesta nossa luta. Esperamos ter mais participação na cidade, mais acesso a direitos sociais e aos serviços públicos, e estamos esperançosos de que assim seja”, opina o peruano Ives Berger, diretor do site El Guia Latino e organizador do festival Soy Latino.

“Vamos aguardar que essa lei seja realmente aplicada, colocando São Paulo na frente mais uma vez ao tema imigração e os direitos dos imigrantes, mas ao mesmo levar a União a repensar a Lei de Migrações”, comentou a advogada boliviana Ruth Camacho, que acompanha os debates sobre a atualização da legislação migratória brasileira.

O militante e jornalista congolês Christo Kamanda, que dá aulas de francês em São Paulo, também celebrou a aprovação, mas ainda sentiu falta de garantias como o acesso à Justiça por parte do imigrante. “Essa lei é muito positiva, e vejo que ela contempla bandeiras que defendo, como o trabalho digno e o direito à moradia. Mas senti falta da questão do acesso à Justiça”.

Plano municipal e nacional

A aprovação da lei municipal acontece justamente em um momento no qual volta a crescer o debate em torno da mudança da legislação nacional, na qual ainda está em vigor o Estatuto do Estrangeiro, que vê a migração sob o prisma da segurança nacional. E já tramita na Câmara dos Deputados o PL 2516/2015, que prevê a revogação do Estatutuo e cria uma nova Lei de Migração no país, sob o ponto de vista dos direitos humanos.

Entidades envolvidas no advocacy para a revisão do Estatuto do Estrangeiro estimam que na próxima semana devem ser retomadas as discussões junto à comissão que discute o projeto. E a nova lei aprovada em São Paulo será um dos argumentos levados ao debate

“Não deixa de ser emblemática essa nova lei em São Paulo, é um argumento que vamos levar conosco. A gente espera que essa experiência possa ser replicada em outros municípios brasileiros e levar a avanços no meio federal”, comenta Letícia.

 

 

Refugiados e deslocados no mundo chegam a 65 milhões, aponta ACNUR. Mas como ir além desses números?

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Pessoas refugiadas são protegidas pelo princípio de "non refoulement" (não devolução, em tradução livre). Crédito: ACNUR

Por Rodrigo Borges Delfim
Com colaboração de Lya Maeda

Em 2015, uma em cada 113 pessoas no mundo encontrava-se em situação de refúgio ou deslocada, totalizando 65,3 milhões – ou uma pessoa deslocada a cada 24 minutos. Estes são apenas alguns dos dados apontados pelo relatório Globa Trends 2015, divulgado pelo Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) no Dia Mundial do Refugiado, lembrado nesta segunda (20).

Clique aqui para acessar o relatório, disponível também no site do ACNUR.

O número aumentou quase 10% em relação ao registrado pelo Global Trends 2014, que foi de 59,5 milhões, e é considerado um recorde pela agência – o total supera a população de países como Reino Unido, França ou Itália. São números que endossam situações de crise humanitária – e que, ao contrário do que leva a crer o senso comum, não ficam restritas à Europa.

Embora seja no continente europeu que estejam a maior parte dos holofotes sobre o refúgio, a maioria esmagadora dos refugiados e deslocados internos está em países em desenvolvimento. E do total, 51% são crianças.

Os pontos abaixo tanto mostram um panorama global em relação à temática como ajudam a derrubar certos mitos divulgados como “verdades” aos quatro ventos. Mas nunca é demais lembrar que é preciso ir além dos números – que por si só já são assustadores.

Vista geral do campo de refugiados de Daddab, no Quênia, o maior do mundo. Crédito: ACNUR
Vista geral do campo de refugiados de Daddab, no Quênia, o maior do mundo.
Crédito: ACNUR

 

 

 

Países com mais refugiados e que mais geram refugiados

Pelo segundo ano seguido, a lista de países com mais refugiados no mundo é encabeçado pela Turquia (2,5 milhões), seguida de Paquistão (1,6 milhão), Líbano (1,1 milhão), Irã (979.400) e Etiópia (736.100). Jordânia, Quênia, Uganda, República Democrática do Congo e Chade fecham esse nada glorioso top 10. E os países que atualmente mais geram refugiados são Síria (4,9 milhões), Afeganistão (2,7 milhões) e Somália (1,1 milhão). Juntos, eles respondem por nada menos que 54% do total de refugiados.

Entre os países com solicitações de refúgio a liderança ficou com a Alemanha (441,900), seguida por Estados Unidos (172.700), Suécia (156.400) e Rússia (152.500).

Número de refugiados per capita

Menos citado que o total de refugiados em um país, a proporção em relação à população dá uma outra ideia da presença destes em um país. Nesse quesito, o país com mais refugiados per capita no mundo é o Líbano (183 refugiados para cada 1.000 habitantes, uma proporção de quase 1 para cada 5 habitantes), seguido por Jordânia (87), Nauru (50), Turquia (32) e Chade (29).

Só para se ter uma ideia, se o Brasil tivesse uma proporção de semelhante à do Líbano, ele teria cerca de 40 milhões de refugiados. Mas os números brasileiros são bem menores – veja logo mais

Onde eles estão?

Os dados do ACNUR apontam que 86% dos refugiados e deslocados internos estão em países em desenvolvimento, em geral próximos a áreas de conflito. Ou seja, os refugiados que vão em direção à Europa são – infelizmente – “apenas” a minoria, a “ponta do iceberg”. O relatório Fatal Journeys, publicado pela OIM em 2014 (acesse aqui), dá uma ideia mais exata das travessias mundo afora e de seus riscos.

Refugiados e deslocados

Dentre os 65,3 milhões de deslocados, 21, 3 milhões são considerados refugiados porque se deslocaram para outro país (outros 40,8 milhões são deslocados internos e 3,2 milhões são solicitantes de refúgio). E entre os refugiados, são 16,1 milhões sob mandato do ACNUR e 5,2 milhões de palestinos, que estão sob jurisdição de uma outra entidade do Sistema ONU, a URNWA.

Infância, juventude e o refúgio

Em 2015, o número de crianças e jovens com menos de 18 anos correspondiam a 51% do número total de refugiados, sendo que quase cem mil estão desacompanhadas ou separadas de suas famílias. Este cenário pode ser ainda pior para o ano de 2016: o relatório “Danger every step of the way” da Unicef (acesse aqui), publicado recentemente, demonstra que  mais de 92% das 7.567 crianças que cruzaram o Mediterrâneo com destino à Itália entre 1º de janeiro e 31 de maio de 2016 estavam desacompanhadas.

Quando se fala em crianças, logo vem à mente a imagem do menino curdo-sírio Aylan, encontrado morto em uma praia na Turquia. Além dele, outras milhares de crianças morrem em travessias – seja por mar, terra ou mesmo pelo ar – ou perdem os parentes pelo caminho.

Por que se deslocam?

A guerra na Síria é apenas um dos fatores que causam deslocamentos forçados no mundo. Além da atuação do Daesh (nome pelo qual é chamado o autoproclamado grupo terrorista Estado Islâmico) na região, pessoas também fogem das ações de grupos terroristas como o Boko Haram (especialmente na Nigéria e países vizinhos), Al Shabbab (que controla boa parte da Somália), de conflitos causados por gangues na América Central, dos conflitos por minérios na República Democrática do Congo, da milícia radical Taleban no Afeganistão, entre outros.

Não se pode esquecer ainda os deslocamentos causados por perseguições políticas, religiosas, de gênero, por etnia…

E no Brasil?

Os dados mais recentes sobre refugiados e solicitantes de refúgio no Brasil foram divulgados em maio passado pelo Comitê Nacional para Refugiados (Conare). De acordo com a entidade, o país reconhece atualmente 8.863 refugiados e tem cerca de 25 mil pedidos de refúgio em análise.

Embora a população refugiada no Brasil seja a maior na história do país, os números são bem pequenos se comparados a outras nações. Só como exemplo, o campo de refugiados de Daddab (Quênia), o maior do mundo (e que pode ser fechado pelo governo queniano), conta sozinho com cerca de 330 mil pessoas.

A nacionalidade com mais representantes entre os refugiados no Brasil é a síria, com 2.252 pessoas. Em seguida, estão angolanos, colombianos, congoleses e palestinos – ao todo, são 79 nacionalidades diferentes, de todos os continentes (saiba mais aqui).

Dados sobre refugiados no Brasil, de acordo com o Conare (maio/2016). Crédito: Conare
Dados sobre refugiados no Brasil, de acordo com o Conare (maio/2016).
Crédito: Conare

Além dos números, para abrir mentes

Engana-se quem acha que a luta de um refugiado ou migrante que não se encontra em situação de refúgio termina quando ele consegue se estabelecer em outro país. Depois disso, vem a luta para conseguir se adaptar a um novo ambiente, a um novo mercado de trabalho, a uma nova cultura – o que não significa abrir mão da própria identidade.

Nesse sentido, existem diversas iniciativas encampadas por instituições, governos e até mesmo tocadas pelos próprios refugiados e migrantes em busca de visibilidade, integração e conquista de cidadania. Esse movimento, felizmente, pode ser notado tanto no Brasil como no exterior.

Apenas para ficar nas ações recentes, uma delas é o vídeo Open Minds – Unlock Potential, lançado recentemente pelo Jesuit Refugee Service (JRS), que atua principalmente no leste da África. O vídeo (veja abaixo a versão em espanhol) lembra como e o quanto refugiados – e também outros migrantes – podem contribuir ou mesmo já contribuem para as sociedades nas quais se encontram.

Ainda no campo internacional, como forma de aplacar os efeitos da crise, o ACNUR lançou a campanha #WithRefugees (“Com refugiados”, em tradução livre), por meio da qual está reunindo assinaturas e contribuições em uma petição que deverá ser entregue à ONU durante a reunião anual da Assembleia Geral, em setembro. A campanha pede aos governos atuação em três frentes: garantir educação para cada criança refugiada; conseguir um “lugar seguro para viver” para as famílias; e que todos os refugiados possam trabalhar ou aprender novas habilidades para contribuir de forma positiva para a comunidade.

Voltando o foco para o Brasil, merece destaque especial a criação da FIRI (Frente Independente de Refugiados e Migrantes), que realizou seu primeiro grande evento no último dia 19 em São Paulo. E em julho acontece a Copa dos Refugiados, que usa o futebol para promover a integração entre refugiados e brasileiros.

Tais iniciativas (e tantas outras que não foram citadas) funcionam como pequenas luzes no final de um túnel que parece mais longo a cada dia. Agora, tente imaginar como seria se tais luzes se apagassem… Manter essas luzes acesas e encurtar a extensão desse túnel são desafios que o mundo precisa enfrentar.

ACNUR e Festival do Minuto apresentam vídeos que sensibilizam sobre a realidade do refúgio

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Grupo Os Escolhidos, formado por refugiados da República Democrática do Congo e Angola, durante apresentação no Festival Minuto: Refugiados. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

Concurso recebeu cerca de 200 trabalhos de todo o mundo. Os finalistas e vencedores foram anunciados num evento marcado pelas vozes dos refugiados que vivem em São Paulo

Por Géssica Brandino (texto) e Rodrigo Borges Delfim (imagens e vídeos)
Também no site Caminhos do Refúgio

O mundo tem hoje mais de 60 milhões de pessoas deslocadas de forma forçada. No Brasil, atualmente vivem cerca de 9 mil refugiados e conscientizar a população sobre essa realidade é um desafio no processo de integração no país. E com esse intuito, o Festival do Minuto e o Alto Comissariado das Nações Unidas (ACNUR) promoveram no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, a exibição um concurso de vídeos, que recebeu aproximadamente duzentos curtas de todo o mundo sobre o tema – e com o desafio de tratar da temática em até um minuto.

 

Os vídeos premiados foram anunciados neste sábado (18) num evento marcado pelas vozes de refugiados. Na abertura, as crianças do projeto Coração Jolie, da IKMR – Eu Conheço Meus Direitos, apresentaram clássicos da música brasileira – como Aquarela, Azul da Cor do Mar e Vamos Construir – resignificando o tema do refúgio. Já no encerramento, com músicas em Lingala e português, os músicos de Angola e da República Democrática do Congo que integram o grupo “Os Escolhidos” também apresentaram um pouco de sua arte e contagiaram os presentes.

Coral Coração Jolie, formado por crianças refugiadas, abriu com chave de ouro o Festival do Minuto. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Coral Coração Jolie, formado por crianças refugiadas, abriu com chave de ouro o Festival do Minuto.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

A assessora de proteção do ACNUR em São Paulo, Isabela Mazão, lembra que o Dia Mundial do Refugiado, lembrado no dia 20 de junho e instituído pela ONU no ano 2000, é uma data para conscientizar o mundo sobre a situação das pessoas deslocadas no mundo e refletir sobre formas de integração. “No Brasil, todos os anos fazemos eventos para sensibilizar a sociedade. Neste ano, tivemos a oportunidade de fazer essa parceria com o Festival do Minuto e foi incrível, uma maneira nova de mobilizar públicos diferentes sobre essa causa, com vídeos enviados por pessoas do mundo inteiro. Essa é mais uma ferramenta para sensibilizar as pessoas sobre a causa do refúgio”.

O cineasta e curador do Festival do Minuto, Marcelo Masagão, também falou sobre a parceria com o ACNUR e destacou a necessidade de pensar no refúgio de forma expandida, refletindo sobre as dificuldades que as pessoas vivenciam no processo de integração, para que os refugiados possam ter seus direitos garantidos.

Dado Galvão, de Jequié (BA), autor de um dos vídeos vencedores do festival. Crédito: Rodrigo Borges Delfim
Dado Galvão, de Jequié (BA), autor de um dos vídeos vencedores do festival.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim

Entre os 22 finalistas exibidos no festival, apareciam mensagens de reflexão e de incentivo à ação sobre a temática do refúgio, como “Vidas Refugiadas”, de Gabriela Cunha Ferraz, “Amanhã precisa ser melhor”, de Rafaela Carvalho, e “Ninguém fica de fora”, de Dado Galvão – este último, um dos vencedores do Festival do Minuto. Presente na cerimônia, Dado contou que no processo de produção do vídeo, gravado na feira de Jequié, município da Bahia que tem cerca de 140 mil habitantes, ao mostrar fotos dos refugiados ao redor do mundo, convidava as pessoas a refletirem sobre a questão. “As mesmas lonas da feira livre de Jequié são usadas para abrigar refugiados pelo mundo”, lembrou.

Além da exibição dos vídeos finalistas no Festival, o público também pode conhecer o documentário “Refugiados: um olhar sobre o presente”, do Sesc São Paulo, que apresenta as histórias de refugiados da Colômbia, República Democrática do Congo e da Síria. Desde 1995, o Sesc oferece cursos de português para refugiados, atualmente com turmas nas unidades do Carmo, Belenzinho, Consolação e, a partir de julho, na Pompeia.

O recém-nomeado Secretário Nacional de Justiça e novo presidente do Comitê Nacional para Refugiados, Gustavo Marroni, também participou do evento e se comprometeu a manter as políticas para refugiados existentes no país.

Semana do Dia do Refugiado

Em São Paulo, instituições que atuam no acolhimento e integração dos refugiados promoverão diversas atividades ao longo da Semana. No Sesc Consolação haverá uma roda de conversa com refugiados no dia 20, das 9h às 12h. Já a Caritas Arquidiocesana de São Paulo (CASP) promoverá o evento Portas Abertas, no dia 25 de junho, recebendo pessoas e doações para os refugiados que chegam à cidade. Em julho, nos dias 10, 16 e 17, será realizada a 3ª Edição da Copa dos Refugiados, no Sesc Itaquera.

Uma lembrancinha preparada com carinho pelo grupo Com Lola foi entregue aos participantes do evento. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Uma lembrancinha preparada com carinho pelo grupo Com Lola foi entregue aos participantes do evento.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

Para o diretor da CASP, padre Marcelo Monge, o número de descolados forçados no mundo mostra que pouco tem sido feito para que as pessoas não sejam obrigadas a deixar seus países. A instituição tem trabalhado para buscar formas de integrar os refugiados na sociedade e, nesse sentido, destacou a importância da sensibilização feita por meio do festival. “Ações como essa servem muito mais para nós, nacionais, para que nos sensibilizemos e assim possamos abrir nossas portas”.

Brasil e o retrocesso evidente em migrações e outras questões humanitárias

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(Foto: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo)

Por Rodrigo Borges Delfim

“Eu vejo retrocessos…
Com que frequência?
O tempo todo…”

O governo brasileiro anunciou na última sexta-feira (17) a suspensão do acordo que negociava com a União Europeia para receber mais refugiados da Síria. Segundo fontes ouvidas pela BBC Brasil, “a decisão segue uma nova – e mais restritiva – postura quanto à recepção de estrangeiros e à segurança das fronteiras”.

Mais uma vez um tema humanitário é tratado como caso de polícia, de segurança nacional, violando o princípio global de receber todo aquele (independente da nacionalidade) que faz um pedido de asilo. Mas esse novo fato, infelizmente, dialoga com outros movimentos recentes no âmbito nacional, relacionados ou não com a temática migratória, mas que representam um grande retrocesso em questões humanitárias e de direitos humanos.

Ora, basta lembrar das recentes invocações do Estatuto do Estrangeiro no sentido de “lembrar” os imigrantes da impossibilidade (segundo o Estatuto) de participar de manifestações políticas no Brasil – restrição essa que, inclusive, não encontra amparo na Constituição em vigor. O leque fica ainda maior quando são apontados os recuos em outras áreas, como a quase nula representação feminina no Executivo atual e a perda de status de pastas ou secretarias mais voltadas a temas sociais e humanitários.

Voltando à temática migratória, mais exatamente à questão das fronteiras – tema caro ao atual governo e para a qual é estudada uma maior militarização para coibir a entrada de armas e drogas e, assim, combater a violência. Nunca é demais lembrar que a fronteira é também um espaço pelos qual circulam pessoas – em regiões fronteiriças, há pessoas que trabalham em um país e moram em outro, por exemplo. E uma securitização excessiva das fronteiras aumenta as possibilidades de violação de direitos humanos não só de quem passa ocasionalmente pela fronteira, mas também daqueles que vivem na área.

Basta lembrar ainda de como políticas mundo afora que têm como foco declarado o combate ao tráfico humano também são usadas como pretexto para aumentar as barreiras em relação às migrações. Situação essa que a experiência global já demonstrou – e continua a demonstrar – que apenas aluda a alimentar um mercado que se beneficia desses entraves ao explorar como eles podem ser burlados. Como bem falou certa vez a professora Deisy Ventura, do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da USP, “o fechamento de fronteira só beneficia o coiote”, o traficante de pessoas.

É certo que o Brasil – assim como nenhum outro país isoladamente – não é capaz de resolver sozinho a maior crise humanitária desde a Segunda Guerra Mundial (e que vai muito além dos episódios na Europa). Para isso, vale resgatar uma recomendação que costuma ser repetida nas edições do Fórum Social Mundial de Migrações (FSMM), de que a migração precisa, ao mesmo tempo, de “políticas e ações tanto locais como globais”. Ou seja, o Brasil sozinho nunca poderá ser o salvador do mundo, mas pode – e deveria – integrar um esforço global para responder a uma crise humanitária de forma… humanitária!

 

Reflexão sobre desafios do refúgio no Brasil marca lançamento de relatório do Adus

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Evento marcou o lançamento do mais recente relatório do Adus sobre refúgio e os desafios relacionados à temática no Brasil. Crédito: Géssica Brandino

Documento composto por nove capítulos será usado para embasar ações que ajudem no processo de integração das pessoas em situação de refúgio no país

Por Géssica Brandino
No Caminhos do Refúgio

Os desafios no processo de integração dos refugiados no Brasil foram debatidos no evento de lançamento do Relatório Anual 2016 do Adus – Instituto de Reintegração do Refugiado, realizado no último sábado (11/6), em São Paulo. O “Diálogos sobre refúgio” contou com a participação de representantes do poder público, organizações da sociedade civil, acadêmicos e pessoas em situação de refúgio, com mediação das professoras da Cátedra Sérgio Vieira de Mello da Universidade Católica de Santos.

Composta por nove capítulos, a publicação foi desenvolvida por pesquisadores voluntários do programa de Advocacy da instituição e será usada para embasar ações em prol da inserção daqueles que buscam refúgio no país.

“Esse relatório é uma sistematização daquilo que consideramos mais importante no tema do refúgio, no Brasil e no mundo. É uma base para futuras ações que será usada para dialogar com os principais atores envolvidos com o tema, tanto a nível nacional quanto local, instituições públicas e privadas, para que possamos criar um sistema favorável que permita o acesso dos refugiados às políticas públicas existentes na sociedade brasileira”, destacou o coordenador geral do programa de Advocacy do Adus, Salomão Cunha Lima.

Alguns aspectos trabalhados ao longo do estudo estiveram em discussão ao longo do evento, que contou com a fala de refugiados de diferentes países.  Em uma das mesas, Leon, Mohamad e Godet – refugiados vindos da Síria, Palestina e do Congo, respectivamente – falaram sobre dificuldades enfrentadas no país, como a não aceitação do Protocolo de Permanência Provisória em instituições públicas, no sistema bancário ou mesmo por empresas que recusam a contratação por desconfiarem do documento. Leon destacou a revitimização feita pela cobertura midiática sobre quem são as pessoas em situação de refúgio e lembrou que isso contribui para criar estereótipos que interferem no processo de integração social.

Evento reuniu refugiados, imigrantes e demais pessoas engajadas na questão migratória. Crédito: Géssica Brandino
Evento reuniu refugiados, imigrantes e demais pessoas engajadas na questão migratória.
Crédito: Géssica Brandino

A necessidade de mudar o olhar em relação às pessoas que solicitam refúgio no país também foi levantada por representantes do poder público que participaram do evento. Para o Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, da Cidadania, da Participação e das Questões Sociais da Assembleia Legislativa de São Paulo, deputado estadual Carlos Bezerra (PSDB), os migrantes no Brasil são tratados como cidadãos de segunda classe e os benefícios que eles trazem, tanto em termos culturais quanto econômicos, não são destacados. “Há um problema no olhar: não conseguimos integrar os refugiados porque não os tratamos como iguais”.

Na visão do representante da Coordenação de Políticas para Migrantes da Secretaria Municipal de Direitos Humanos de São Paulo, Guilherme Arosa Prol Otero, a falta de interesse político interfere diretamente na solução de barreiras no processo de integração de migrantes e refugiados, como o Estatuto do Estrangeiro e o entrave na revalidação de diplomas de nacionais de outros países que aqui chegam e não conseguem exercer suas profissões. Otero acredita que a descentralização das políticas para migrantes é um caminho para aprimorar o acesso às políticas públicas existentes.

Boas práticas

Diante da ausência de uma política nacional para migrantes e refugiados e da falta de comprometimento com a pauta pelo Estado, em suas diversas instâncias, as instituições da sociedade civil seguem atuando nas lacunas deixadas pelo Poder Público, seja na oferta de cursos de português, encaminhamento para vagas de trabalho e orientações sobre serviços de saúde.

Algumas experiências de integração na cidade de São Paulo também foram apresentadas no evento. O coordenador do Centro de Referência e de Acolhida para Imigrantes, Paulo Amâncio, falou dos serviços oferecidos aos refugiados, como encaminhamento para trabalho e, recentemente, a oferta de cursos de português, e destacou a necessidade da institucionalização do serviço, para que ele seja mantido em qualquer governo. O CRAI é gerido pelo Serviço Franciscano de Solidariedade por meio de convênio com a Prefeitura de São Paulo.

Salão da Escola da Cidade ficou lotado para a apresentação do relatório e demais reflexões sobre migrações e refúgio. Crédito: Divulgação/Adus
Salão da Escola da Cidade ficou lotado para a apresentação do relatório e demais reflexões sobre migrações e refúgio.
Crédito: Divulgação/Adus

O acompanhamento das principais demandas dos refugiados também é feito por meio do programa Orientação de Trajeto, do Adus. A coordenadora do programa, Aline Bammann, apresentou o trabalho feito por meio dos facilitadores sociais, voluntários da Instituição que realizam visitas aos refugiados e servem como pessoas de referência para ajudar na busca por soluções para questões como moradia, emprego e documentação. O programa também criou uma plataforma online, com informações em inglês, francês, espanhol e árabe. (Clique para acessar a plataforma)

Orientar as mulheres migrantes em relação aos direitos e promover ações de valorização cultural tem sido o trabalho desenvolvido pela Equipe de Base Warmis – Convergência das Culturas. Com o filho nos braços, a militante chilena Andrea Carabantes Soto falou dos desafios cotidianos enfrentados pelas mulheres migrantes e da luta para conscientizar a sociedade e desconstruir preconceitos, ação que também tem sido feita pelo coletivo Conviva Diferente, que oferece aulas de português para falantes de inglês e também atua por meio de voluntários, como a professora Margareth Zoéga.

Desafios no tema do Refúgio

As temáticas abordadas ao longo do Relatório de Advocacy do Adus colocam em pauta os entraves existentes no processo de integração; os fluxos migratórios recentes; o Sistema Internacional de Proteção; o conflito Sírio e o refugiado sírio no mundo; refugiados da África no Brasil; os refugiados ambientais e o caso dos haitianos no Brasil; a saúde mental dos refugiados; o acesso às políticas públicas; e a interferência da discriminação na vida dos refugiados que vivem no país.

Clique aqui para acessar o relatório.

Frente de Refugiados e Imigrantes realiza 1º Festival do Dia Internacional do Refugiado

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Festival que lança a FIRI acontece no domingo (19), em São Paulo. Crédito: Divulgação

Por Géssica Brandino
No Caminhos do Refúgio

A Frente Independente de Refugiados e Imigrantes (FIRI) promove neste domingo (19/6), com apoio de Refugees Welcome, o 1º Festival do Dia Internacional do Refugiado. A programação do evento contará com shows de bandas do Haiti, Congo, Angola, Colômbia, Guiné-Conacri e Brasil, além de gastronomia, artesanato, oficinas e performances.

https://youtu.be/PrJe0OFHBxY

Criada recentemente, a FIRI busca o fortalecimento das pautas políticas e do diálogo aberto dos coletivos e movimentos sociais dos imigrantes e refugiados de São Paulo, articulando objetivos e lutas. A Frente é integrada pelo GRIST – Grupo de Refugiados e Imigrantes Sem Teto; MOP@t – Movimento Palestina Para Tod@s; Equipe de Base Warmis – Convergência de Culturas; e Visto Permanente – Acervo Vivo das Novas Culturas Imigrantes.

“Nossa ideia é ser protagonista na nossa história. Queremos nos representar, porque ninguém mais do que a gente sabe ou sente aquilo que nós passamos ou necessitamos”, explica Pitchou Luambo, refugiado da República Democrática do Congo (RDC) e coordenador do GRIST.

A primeira ação da FIRI, uma roda de conversa sobre as vozes silenciadas da África e a RDC, foi realizada no início de junho, no restaurante Al Janiah. O Festival que será promovido no domingo tem como objetivo dar visibilidade às causas e condições dos sujeitos na condição de refúgio por meio da cultura.

Serviço:
1º Festival do Dia Internacional do Refugiado
Data: 19 de junho de 2016
Horário: das 13h às 22h,
Local: Rua Álvaro de Carvalho, 190 – São Paulo (SP)

A presença confirmada de:
– BNEGÃO (Brasil)
– SURPRISE69 (Haiti)
– YANNICK DELASS (Congo/São Tomé)
– OS ESCOLHIDOS (Congo/Angola)
– LA VAINA (Colômbia)
– MARIAMA CAMARA (Guiné-Conacri)
– SANTA MALA (Bolívia)

Mais informações, acesse a página do evento no Facebook

Pelos refugiados, uma ponte de flores entre Brasil e Grécia

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Arranjos do Flores para os refugiados prontos para serem vendidos. Projeto é tocado inteiramente por Kety e Gabriela, ainda sem apoio externo. Crédito: arquivo pessoal

Poderia um arranjo de flores ajudar refugiados no Brasil e na Grécia? O projeto Flores para os refugiados mostra que a resposta é “sim”.

Por Rodrigo Borges Delfim

No cruzamento entre as avenidas dos Semaneiros e Pedroso de Moraes, na zona oeste de São Paulo, uma mulher vende arranjos de flores para os motoristas. E quem ao menos baixar o vidro do carro para perguntar o que está por trás dessas flores vai se surpreender: ajudar refugiados.

“Não trazemos seu amor de volta, mas os R$ 15 que você gasta em cada arranjo nos ajuda a ajudar os refugiados”, lembra a página no Facebook do projeto Flores para os refugiados, idealizado pela jornalista paulistana Kety Shepazian, 49, e sua filha, Gabriela, 16. As flores são vendidas no semáforo e também por encomenda.

No semáforo, Kety vende parte dos arranjos que prepara para ajudar refugiados. Crédito: arquivo pessoal
No semáforo, Kety vende parte dos arranjos que prepara para ajudar refugiados.
Crédito: arquivo pessoal

Mas as raízes e a motivação principal de ambas para o projeto estão a milhares de quilômetros de distância de São Paulo, mais exatamente na ilha grega de Lesbos (pronuncia-se “Lesvos”). Lá, Kety e Gabriela atuaram como voluntárias na acolhida aos refugiados que chegavam à Europa mesmo com o rigoroso inverno europeu, entre dezembro de 2015 e janeiro de 2016.

“Não dava para assistir a tudo aquilo e ficarmos sem fazer nada”, lembra Kety sobre o pensamento que levou ela e Gabriela a juntarem economias e procurar, dentro dos limites de cada uma, darem suas contribuições pessoais no esforço internacional de acolhida aos que chegavam à Grécia. Ali, conheceram tanto voluntários de todo o mundo que deixaram as próprias vidas de lado para ajudar os recém-chegados à Europa como pessoas que vinham de semanas de jornada em busca de uma nova vida – longe de guerras, perseguições e abusos dos mais diversos tipos.

As realidades e experiências vividas na acolhida aos refugiados mudaram de vez o curso de vida de ambas, que voltaram ao Brasil determinadas em retornar à Grécia. “Não dá para passar por uma experiência dessas e virar a página”, resume Kety.

Gabriela (d), na ilha grega de Lesbos, durante o trabalho de acolhida aos refugiados. Um abraço para aquecer o corpo, a mente e o coração. Crédito: Arquivo pessoal
Gabriela (d), na ilha grega de Lesbos, durante o trabalho de acolhida aos refugiados. Um abraço para aquecer o corpo, a mente e o coração.
Crédito: Arquivo pessoal

Mas com a crise econômica, apenas Gabriela fará a viagem, ainda em junho. Foi para ajudar viabilizar essa nova etapa – e contribuir com os refugiados na Grécia – que começou a venda das flores. E parte do dinheiro arrecadado com o Flores para os refugiados também ajuda uma família síria que já vive em São Paulo e que tem um bebê recém-nascido. Foi, inclusive, em um chá de bebê organizado para essa família que Kety recebeu um arranjo de flores que inspirou os que são vendidos por ela no semáforo ou por encomenda.

Repercussão, anseios e sonhos

Mesmo sem qualquer apoio externo – todo o custo e elaboração dos arranjos é bancado por Kety e Gabriela –, o projeto vem ganhando destaque. Além do semáforo e das vendas por encomenda, os arranjos também podem ser encontrados em alguns estabelecimentos de Alto de Pinheiros e Vila Madalena. Na imprensa, o projeto também chama a atenção e foi tema da coluna do jornalista Gilberto Dimenstein na rádio CBN, na última terça (14).

Com pequenas garrafas de vidro e flores, os arranjos do Flores para os Refugiados ganham forma. Crédito: Divulgação
Com pequenas garrafas de vidro e flores, os arranjos do Flores para os Refugiados ganham forma.
Crédito: Divulgação

Essa repercussão pode ajudar a levar o Flores para os refugiados a um outro patamar sonhado por Kety e Gabriela. “Meu sonho é ele virar empresa, eu dar emprego a refugiados e colocar as flores em muitos semáforos da cidade. A garrafa que decoro é diferente de tudo que a gente vê em floriculturas e sites de flores”, afirma a jornalista.

Na página do Facebook, além de divulgar as flores e o projeto, Kety partilha notícias sobre refugiados, curiosidades, sentimentos e desabafos sobre o que ela e a filha viveram na Grécia e têm vivido em São Paulo. Uma fonte de informação e também de reflexão sobre um tema que nem sempre recebe um tratamento humano por parte de certos meios de comunicação, dos governos e de parte da sociedade.

Essas reflexões e notícias ajudam a captar ainda mais a essência e a importância do projeto, que estende uma verdadeira ponte entre Brasil e Grécia. Além de contribuir dentro do possível, o Flores para os refugiados pode servir de exemplo para outras iniciativas que ajudem a unir forças em busca de uma sociedade mais diversa, tolerante e inclusiva.

Projeto de Política Municipal para População Imigrante de São Paulo é aprovado em primeira votação na Câmara

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Imigrantes brasileiros engajados na temática migratória celebram aprovação em 1º turno da nova lei. Crédito: Divulgação

Atualizado em 16/06/16

O PL 142/2016, que institui a Política Municipal para População Imigrante, foi aprovado em primeira votação na tarde desta quarta-feira (15) na Câmara Municipal de São Paulo.

Todos os vereadores presentes optaram pela aprovação do projeto, que ainda terá de passar por uma nova votação em plenário. Depois, o PL segue para as mãos do prefeito, Fernando Haddad, que precisa sancionar a lei para que ela possa entrar em vigor.

Clique aqui para acessar o PL 142/2016

O objetivo do projeto é institucionalizar as políticas públicas voltadas à população migrantes que foram criadas nos últimos anos, transformando-as em um compromisso do poder público municipal, independente da gestão. A proposta também define princípios e diretrizes que servirão de base para planos e programas posteriores, além do aperfeiçoamento dos serviços já existentes.

Longo caminho

O projeto, que foi entregue à Câmara Municipal em 31 de março passado, é resultado de um longo processo de discussão entre poder público e sociedade civil, englobando reivindicações antigas das comunidades migrantes e organizações relacionadas com a temática migratória.

A partir de agosto de 2015, o processo ganhou caráter institucional com a formação do Comitê Intersetorial da Política Municipal para a População Imigrante – composto por treze representantes do governo municipal e treze representantes de organizações da sociedade civil.

O vídeo abaixo mostra como foi a solenidade de envio do projeto ao Legislativo municipal, em 31 de março.

 

Maratona de inovação vai colocar brasileiros e imigrantes para criar e trabalhar em conjunto

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Imigrantes e brasileiros se juntam para organizar o evento. Crédito: Migraflix

Por Rodrigo Borges Delfim

Tem uma ideia que poderia ser usada para melhorar as condições de vida de imigrantes que vivem no Brasil? Uma maratona de inovação e desenvolvimento que está sendo organizada em São Paulo pode dar o empurrão final para essa iniciativa.

Chamada de Dream-makers Creathon: Facilitando sonhos de novos brasileiros, a ação é tocada em conjunto pelo ACNUR (Alto Comissariado da ONU para Refugiados), Migraflix (ação social que empodera imigrantes por meio da cultura de cada um deles) e o Impact Hub São Paulo, que vai receber e guiar o evento. Refugiados de diversas nacionalidades também estão envolvidos na organização.

Imigrantes e brasileiros unem forças para organizar o evento. Crédito: Migraflix
Imigrantes e brasileiros unem forças para organizar o evento.
Crédito: Migraflix

Entre os dias 24 e 26 de junho, 50 participantes divididos em grupos de até 5 pessoas, desenvolverão projetos que criem soluções para melhorar as condições de imigrantes que vivem no Brasil a partir de dados sobre esta fatia da população. O valor de participação é de R$ 50,00 (cinquenta reais) e será revertido integralmente para o apoio de projetos conduzidos por imigrantes.

Clique aqui para se inscrever no evento

Não é necessário preencher qualquer pré-requisito anterior para participar do evento. As inscrições em princípio vão até dia 23, mas serão fechadas quando atingir o número máximo de 50 pessoas inscritas. Os projetos considerados realizáveis receberão o apoio e acompanhamento do Migraflix, ACNUR e Impact Hub para serem colocados em prática, especialmente em relação às redes de contatos e experiência que cada grupo possui, e impactar diretamente as comunidades migrantes.

“A ideia é que nesse evento todos que têm vontade de ajudar a resolver os problemas que os imigrantes enfrentam no Brasil possam participar e, junto com os imigrantes, possam pensar nas melhores soluções e que sejam aplicadas nas comunidades migrantes”, explica o argentino Jonathan Berezovsky, diretor do Migraflix e um dos organizadores da maratona de inovação.

Migrações e empreendedorismo em convergência

A ideia para o evento surgiu em maio passado, durante o Festival Path, também em São Paulo. Nele, representantes do Migraflix e ACNUR e refugiados participaram de um debate sobre refúgio e como a inovação social poderia ajudar refugiados na integração à sociedade brasileira. A partir daí, decidiram ir além do debate feito no evento e resolveram organizar uma atividade que permitisse o surgimento de novas ações que contribuíssem para a integração e empoderamento de imigrantes no Brasil.

Conversa no Festival Path deu origem ao Creathon. Da esq para direita: Talal (Síria), Vinicius (ACNUR), Jonathan (Migraflix) e Cazé (mediador da mesa). Crédito: D. Chrispim/ACNUR
Conversa no Festival Path deu origem ao Creathon. Da esq para direita: Talal Al-tinawi (Síria), Vinicius Feitosa (ACNUR), Jonathan Berezovsky (Migraflix) e Cazé Peçanha (mediador da mesa).
Crédito: D. Chrispim/ACNUR

Berezovsky acredita que que ambientes como o do empreendedorismo e inovação social e das migrações estão convergindo, e que esse novo contexto deve trazer uma série de soluções que ajudem no empoderamento dos imigrantes, ajudando estes a darem o passo seguinte à assistência emergencial que em geral recebem de instituições públicas e privadas.

“É interessante ainda que muitas pessoas acham que apenas o governo precisa se ocupar em relação aos imigrantes, mas a sociedade civil pode se envolver muito, e não apenas na parte assistencial. Acho que o empreendedorismo social é uma resposta para ela se envolver no tema das migrações através de formas criativas e que tenham impacto sobre os imigrantes.

Dream-makers Creathon: Facilitando sonhos de novos brasileiros
Data e hora: de 24 a 26 de junho
Dia 24, a partir das 19h; dias 25 e 26, das 10h às 17h
Local: Impact Hub São Paulo – Rua Bela Cintra, 409 – Bela Vista – São Paulo (SP)
Inscrição: R$ 50 – vagas limitadas – acesse aqui
Informações: site do Impact Hub
Organização: Migraflix, ACNUR Brasil e Impact Hub