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quinta-feira, maio 7, 2026
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Nova edição da REMHU traz dossiê sobre migrações e comunicações

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Por Roberto Marinucci
Editor chefe da REMHU*

O ser humano, enquanto ser relacional, constrói a própria subjetividade a partir de processos comunicacionais, midiáticos e não midiáticos. Tais processos podem estruturar percursos de subjetivização da pessoa ou, em sentido contrário, fomentar práticas de sujeição e reificação.

As dinâmicas migratórias também estão profundamente entrelaçadas com esses processos comunicacionais, tanto no que diz respeito àqueles sujeitos que se deslocam territorialmente, quanto àqueles que se relacionam com a alteridade, com a “estrangeiridade”, próxima ou distante, sincrônica ou diacrônica. No sentido amplo, comunicação e migração – enquanto “mobilidade do espírito”, como diria Marc Augé – são elementos constitutivos da condição humana, intrinsecamente interconexos.

Ao tema da relação entre migrações internacionais, meios de comunicação e processos comunicacionais é dedicado o dossiê do número 46 da REMHU, Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana. O objetivo é visibilizar o debate atual sobre o tema, indagando até que ponto os processos comunicacionais contemporâneos constituem caminhos de promoção da dignidade do migrante ou, então, meros dispositivos de manipulação e inferiorização da alteridade.

No primeiro artigo do Dossiê, Pedro Russi desenvolve uma reflexão numa ótica epistemológica e metodológica, acerca das possibilidades de estudo da relação entre processos comunicacionais – midiáticos e não midiáticos – e as dinâmicas migratórias – territoriais ou simbólicas. Sem a pretensão de esgotar a reflexão, o autor enfatiza alguns elementos desafiadores, como o papel desenvolvido pelas vivências de desterritorialização e reterritorialização dos sujeitos migrantes ou a função da memória nas dinâmicas de apropriação do cotidiano, nas interelações subjetivas e, de forma mais geral, na reconfiguração identitária.

A pluralização dos imaginários midiáticos sobre migrações transnacionais é um dos focos do Dossiê: as representações sociais veiculadas pelos meios de comunicação encobrem ou revelam o rosto dos migrantes? Favorecem o encontro, o diálogo, a interação ou produzem barreiras simbólicas, estereótipos?

A este propósito, Denise Cogo e Viviane Riegel desenvolvem uma atenta análise crítica do discurso de uma campanha publicitária anti-xenofobia na Inglaterra. A partir de uma fundamentação teórica focada na relação entre comunicação, cosmopolitismo e alteridade, as autoras enfatizam como a campanha visa enfrentar a xenofobia mediante a singularização das trajetórias biográficas dos migrantes. No entanto, o discurso da campanha possui uma ênfase marcadamente instrumental – como se o migrante adquirisse valor apenas pela contribuição que dá –, e tende a apagar as diferenças culturais e religiosas das comunidades imigradas.

Marco Bruno, por sua vez, analisa o papel central desenvolvido pela mídia enquanto dispositivo de enquadramento que permite estruturar o discurso sobre o outro, influenciando a opinião pública e, ao mesmo tempo, estabelecendo prioridades na pauta política. Ao abordar o caso italiano, o autor destaca três tipos de fronteiras midiáticas: as coberturas dos desembarques de estrangeiros no sul da Itália; as notícias de crônica sobre atos delituosos de migrantes; a estereotipização da imigração muçulmana (“neo-racismo cultural”). Essas fronteiras midiáticas visam criar um clima de medo generalizado, que desloca a reflexão dos complexos temas da integração, da coesão social e da convivência com o outro, para a questão da segurança nacional.

O papel das mídias na construção do imaginário social em relação ao Brasil e aos brasileiros/brasileiras no exterior é o foco do artigo de Maria Badet. A autora sustenta que tal imaginário está relacionado a uma visão tropicalista, principalmente no que diz respeito à erotização da mulher brasileira. A mídia, nessa ótica, se constitui como configuradora de imaginários sociais, mas não de forma automática, pois os processos de recepção são sempre dinâmicos e heterogêneos: “um maior conhecimento sobre as outras nacionalidades e culturas pode potencializar o deslocamento de visões de mundo reducionistas e estigmatizadas para visões mais plurais e contextualizadas das diversidades de perfis sociais que compõem uma nação e/ou cultura”.

O Dossiê enfatiza também o papel positivo e propositivo desenvolvido pelas novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), frequentemente utilizadas pelos migrantes a fim de criar e fomentar redes transnacionais, que podem incentivar os deslocamentos, contribuir na estruturação do projeto migratório, conservar laços interpessoais, favorecer a organização de grupos associativos e promover a integração no território.

O artigo proposto por Cecilia Melella aborda o tema a partir da realidade dos imigrantes latino-americanos na Argentina. Conforme a autora, as TICs contribuem para que o migrante passe de uma condição de “desenraizamento” a uma condição de “conexão”, com significativos efeitos tanto de um ponto de vista coletivo (rede sociais e familiares, meios de comunicação comunitários), quanto de um ponto de vista subjetivo (mitigação da sensação de solidão e saudade, preservação da identidade cultural de origem, acesso a informações sobre país de origem e destino).

Capa da nova edição da REMHU, que trata de Migrações, meios de comunicação e processos comunicacionais. Crédito: Reprodução
Capa da nova edição da REMHU, que trata de Migrações, meios de comunicação e processos comunicacionais.
Crédito: Reprodução

Liliane Dutra Brignol e Nathália Drey Costa, por sua vez, refletem sobre práticas e processos comunicacionais relacionados com os novos fluxos migratórios para o Rio Grande do Sul, especificamente a utilização do Facebook pela diáspora senegalesa. Utilizando o conceito de webdiáspora e a metodologia da “etnografia virtual”, as autoras discorrem sobre o impacto das TICs nos processos de reconfiguração e afirmação identitária, na interação com a sociedade de acolhida, na organização de redes locais e transnacionais de apoio e busca de reconhecimento.

Sobre o tema da webdiáspora versa também o artigo de Mohammed Elhajji e João Paulo Malerba. Os autores destacam as potencialidades e, ao mesmo tempo, os limites da assim chamada webradiofonia, que possibilita a preservação de laços sociais, a partilha e a manutenção de traços culturais identitários e, sobretudo, uma maior mobilização das comunidades migrantes, “tanto no plano local como transnacional, para a conquista de direitos sociais e políticos e, numa perspectiva mais ampla e mais longa, a efetivação da tão sonhada cidadania universal”.

Processos comunicacionais dizem respeito também ao âmbito da educação e do sistema escolar. Marco Catarciapresenta, em seu artigo, a via italiana da interculturalidade enquanto resposta aos desafios da recente imigração. Conforme o autor, no sistema educacional italiano “a abordagem intercultural não se limita à promoção de meras estratégias de integração dos estudantes estrangeiros, mas visa o reconhecimento da diversidade como paradigma educacional, como uma oportunidade para valorizar todas as diferenças (de origem, gênero, classe social, percurso escolar)”.

Por fim, Sylvia Dantas reflete sobre a utilização da tecnologia no atendimento psicológico intercultural junto a pessoas em mobilidade. A autora aborda o tema da psicoterapia online, ou seja, uma terapia realizada por e-mail, chat, mensagem instantânea, áudio ou videoconferência. A partir de pesquisas de intervenção realizadas em universidades brasileiras, a autora infere que as tecnologias constituem ferramentas importantes no processo de inserção do migrante em um novo milieu cultural, funcionando como um espaço potencial que possibilita a transição de um universo cultural a outro.

Dispositivos que permitem a promoção da cidadania ou a criação de barreiras simbólicas, que promovem o diálogo intercultural ou a demonização do outro, os meios de comunicação social e, mais em geral, os processos comunicacionais deveriam favorecer o que Marc Augé chama de “mobilidade do espírito”: a capacidade de deslocar-se no tempo e no espaço, de sair de seu ambiente, de seu tempo, de sua ‘toca cultural’, para promover o encontro com outras culturas, outros povos, outras religiões. Esta é a utopia. E precisamos dela para orientar e reinventar a nossa caminhada de seres humanos.

****

Na seção Artigos da REMHU n.46, Ana Vila Freyer, Eduardo Fernández Guzmán e Perla del Carpio Ovando se debruçam sobre a migração de retorno no México a partir do conceito de resiliência social transnacional, visando explorar a possibilidade de utilizar esse conceito para analisar os processos históricos de adaptação e transformação coletiva e individual no país de origem, de destino ou em contexto de circularidades. Os autores, que apresentam uma pesquisa realizada em Apaseo el Alto, Guanajuato, no México, focam o conceito de resiliência não como resignação a uma nova realidade desafiadora ou apenas como processo adaptativo, mas, principalmente, como ato de transformação biográfica em busca da plena dignidade.

Manuel Andrés Pereira reflete sobre o processo de criminalização e estigmatização de migrantes na Argentina, a partir do regime militar (1976) até 1995. Segundo o autor, o delito, a segurança e a ordem pública são os elementos que determinam a distinção entre nacionais e não-nacionais, uma distinção alicerçada, durante a ditadura, na doutrina da Segurança Nacional e, no período posterior, na retórica da violência social e da “insegurança urbana”, que associa marginalidade e delinquência. Em ambos os casos constrói-se a representação da “imigração limítrofe” como ameaça para o Estado e a população autóctone, estabelecendo uma correlação direta entre “crime” e “ilegalidade migratória”.

Na seção Relatos e reflexões, Giampiero Valenza reflete sobre o papel do jornalista enquanto mediador cultural, evidenciando implicações éticas e normativas referentes ao contexto italiano; já Luciano Manicardi interpreta a práxis comunicadora de Jesus de Nazaré junto aos estrangeiros em seu contexto histórico e cultural; por fim,Terezinha Lúcia Santin, Ivanir Ana Filipi e Gjeline Preçi, mscs, apresentam um precioso testemunho da práxis pastoral das Irmãs scalabrinianas na cidade de Siracusa, no sul da Itália. A seção Resenhas, Teses e Dissertações encerra o número da Revista com a apresentação da dissertação de Patrícia Nabuco Martuscelli sobre crianças soldados na Colômbia.

Desejamos a todos e todas uma boa leitura.

Roberto Marinucci, Editor chefe da REMHU

*Material reproduzido no MigraMundo como parte da parceria do portal com o CSEM (Centro Scalabriniano de Estudos Migratórios), responsável pela publicação
Todos os artigos estão disponíveis no site SciELO Brasil (www.scielo.br/remhu)

 

Nova edição da REMHU traz dossiê sobre migrações e comunicações

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Por Roberto Marinucci
Editor chefe da REMHU*

O ser humano, enquanto ser relacional, constrói a própria subjetividade a partir de processos comunicacionais, midiáticos e não midiáticos. Tais processos podem estruturar percursos de subjetivização da pessoa ou, em sentido contrário, fomentar práticas de sujeição e reificação.

As dinâmicas migratórias também estão profundamente entrelaçadas com esses processos comunicacionais, tanto no que diz respeito àqueles sujeitos que se deslocam territorialmente, quanto àqueles que se relacionam com a alteridade, com a “estrangeiridade”, próxima ou distante, sincrônica ou diacrônica. No sentido amplo, comunicação e migração – enquanto “mobilidade do espírito”, como diria Marc Augé – são elementos constitutivos da condição humana, intrinsecamente interconexos.

Ao tema da relação entre migrações internacionais, meios de comunicação e processos comunicacionais é dedicado o dossiê do número 46 da REMHU, Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana. O objetivo é visibilizar o debate atual sobre o tema, indagando até que ponto os processos comunicacionais contemporâneos constituem caminhos de promoção da dignidade do migrante ou, então, meros dispositivos de manipulação e inferiorização da alteridade.

No primeiro artigo do Dossiê, Pedro Russi desenvolve uma reflexão numa ótica epistemológica e metodológica, acerca das possibilidades de estudo da relação entre processos comunicacionais – midiáticos e não midiáticos – e as dinâmicas migratórias – territoriais ou simbólicas. Sem a pretensão de esgotar a reflexão, o autor enfatiza alguns elementos desafiadores, como o papel desenvolvido pelas vivências de desterritorialização e reterritorialização dos sujeitos migrantes ou a função da memória nas dinâmicas de apropriação do cotidiano, nas interelações subjetivas e, de forma mais geral, na reconfiguração identitária.

A pluralização dos imaginários midiáticos sobre migrações transnacionais é um dos focos do Dossiê: as representações sociais veiculadas pelos meios de comunicação encobrem ou revelam o rosto dos migrantes? Favorecem o encontro, o diálogo, a interação ou produzem barreiras simbólicas, estereótipos?

A este propósito, Denise Cogo e Viviane Riegel desenvolvem uma atenta análise crítica do discurso de uma campanha publicitária anti-xenofobia na Inglaterra. A partir de uma fundamentação teórica focada na relação entre comunicação, cosmopolitismo e alteridade, as autoras enfatizam como a campanha visa enfrentar a xenofobia mediante a singularização das trajetórias biográficas dos migrantes. No entanto, o discurso da campanha possui uma ênfase marcadamente instrumental – como se o migrante adquirisse valor apenas pela contribuição que dá –, e tende a apagar as diferenças culturais e religiosas das comunidades imigradas.

Marco Bruno, por sua vez, analisa o papel central desenvolvido pela mídia enquanto dispositivo de enquadramento que permite estruturar o discurso sobre o outro, influenciando a opinião pública e, ao mesmo tempo, estabelecendo prioridades na pauta política. Ao abordar o caso italiano, o autor destaca três tipos de fronteiras midiáticas: as coberturas dos desembarques de estrangeiros no sul da Itália; as notícias de crônica sobre atos delituosos de migrantes; a estereotipização da imigração muçulmana (“neo-racismo cultural”). Essas fronteiras midiáticas visam criar um clima de medo generalizado, que desloca a reflexão dos complexos temas da integração, da coesão social e da convivência com o outro, para a questão da segurança nacional.

O papel das mídias na construção do imaginário social em relação ao Brasil e aos brasileiros/brasileiras no exterior é o foco do artigo de Maria Badet. A autora sustenta que tal imaginário está relacionado a uma visão tropicalista, principalmente no que diz respeito à erotização da mulher brasileira. A mídia, nessa ótica, se constitui como configuradora de imaginários sociais, mas não de forma automática, pois os processos de recepção são sempre dinâmicos e heterogêneos: “um maior conhecimento sobre as outras nacionalidades e culturas pode potencializar o deslocamento de visões de mundo reducionistas e estigmatizadas para visões mais plurais e contextualizadas das diversidades de perfis sociais que compõem uma nação e/ou cultura”.

O Dossiê enfatiza também o papel positivo e propositivo desenvolvido pelas novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), frequentemente utilizadas pelos migrantes a fim de criar e fomentar redes transnacionais, que podem incentivar os deslocamentos, contribuir na estruturação do projeto migratório, conservar laços interpessoais, favorecer a organização de grupos associativos e promover a integração no território.

O artigo proposto por Cecilia Melella aborda o tema a partir da realidade dos imigrantes latino-americanos na Argentina. Conforme a autora, as TICs contribuem para que o migrante passe de uma condição de “desenraizamento” a uma condição de “conexão”, com significativos efeitos tanto de um ponto de vista coletivo (rede sociais e familiares, meios de comunicação comunitários), quanto de um ponto de vista subjetivo (mitigação da sensação de solidão e saudade, preservação da identidade cultural de origem, acesso a informações sobre país de origem e destino).

Capa da nova edição da REMHU, que trata de Migrações, meios de comunicação e processos comunicacionais. Crédito: Reprodução
Capa da nova edição da REMHU, que trata de Migrações, meios de comunicação e processos comunicacionais.
Crédito: Reprodução

Liliane Dutra Brignol e Nathália Drey Costa, por sua vez, refletem sobre práticas e processos comunicacionais relacionados com os novos fluxos migratórios para o Rio Grande do Sul, especificamente a utilização do Facebook pela diáspora senegalesa. Utilizando o conceito de webdiáspora e a metodologia da “etnografia virtual”, as autoras discorrem sobre o impacto das TICs nos processos de reconfiguração e afirmação identitária, na interação com a sociedade de acolhida, na organização de redes locais e transnacionais de apoio e busca de reconhecimento.

Sobre o tema da webdiáspora versa também o artigo de Mohammed Elhajji e João Paulo Malerba. Os autores destacam as potencialidades e, ao mesmo tempo, os limites da assim chamada webradiofonia, que possibilita a preservação de laços sociais, a partilha e a manutenção de traços culturais identitários e, sobretudo, uma maior mobilização das comunidades migrantes, “tanto no plano local como transnacional, para a conquista de direitos sociais e políticos e, numa perspectiva mais ampla e mais longa, a efetivação da tão sonhada cidadania universal”.

Processos comunicacionais dizem respeito também ao âmbito da educação e do sistema escolar. Marco Catarciapresenta, em seu artigo, a via italiana da interculturalidade enquanto resposta aos desafios da recente imigração. Conforme o autor, no sistema educacional italiano “a abordagem intercultural não se limita à promoção de meras estratégias de integração dos estudantes estrangeiros, mas visa o reconhecimento da diversidade como paradigma educacional, como uma oportunidade para valorizar todas as diferenças (de origem, gênero, classe social, percurso escolar)”.

Por fim, Sylvia Dantas reflete sobre a utilização da tecnologia no atendimento psicológico intercultural junto a pessoas em mobilidade. A autora aborda o tema da psicoterapia online, ou seja, uma terapia realizada por e-mail, chat, mensagem instantânea, áudio ou videoconferência. A partir de pesquisas de intervenção realizadas em universidades brasileiras, a autora infere que as tecnologias constituem ferramentas importantes no processo de inserção do migrante em um novo milieu cultural, funcionando como um espaço potencial que possibilita a transição de um universo cultural a outro.

Dispositivos que permitem a promoção da cidadania ou a criação de barreiras simbólicas, que promovem o diálogo intercultural ou a demonização do outro, os meios de comunicação social e, mais em geral, os processos comunicacionais deveriam favorecer o que Marc Augé chama de “mobilidade do espírito”: a capacidade de deslocar-se no tempo e no espaço, de sair de seu ambiente, de seu tempo, de sua ‘toca cultural’, para promover o encontro com outras culturas, outros povos, outras religiões. Esta é a utopia. E precisamos dela para orientar e reinventar a nossa caminhada de seres humanos.

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Na seção Artigos da REMHU n.46, Ana Vila Freyer, Eduardo Fernández Guzmán e Perla del Carpio Ovando se debruçam sobre a migração de retorno no México a partir do conceito de resiliência social transnacional, visando explorar a possibilidade de utilizar esse conceito para analisar os processos históricos de adaptação e transformação coletiva e individual no país de origem, de destino ou em contexto de circularidades. Os autores, que apresentam uma pesquisa realizada em Apaseo el Alto, Guanajuato, no México, focam o conceito de resiliência não como resignação a uma nova realidade desafiadora ou apenas como processo adaptativo, mas, principalmente, como ato de transformação biográfica em busca da plena dignidade.

Manuel Andrés Pereira reflete sobre o processo de criminalização e estigmatização de migrantes na Argentina, a partir do regime militar (1976) até 1995. Segundo o autor, o delito, a segurança e a ordem pública são os elementos que determinam a distinção entre nacionais e não-nacionais, uma distinção alicerçada, durante a ditadura, na doutrina da Segurança Nacional e, no período posterior, na retórica da violência social e da “insegurança urbana”, que associa marginalidade e delinquência. Em ambos os casos constrói-se a representação da “imigração limítrofe” como ameaça para o Estado e a população autóctone, estabelecendo uma correlação direta entre “crime” e “ilegalidade migratória”.

Na seção Relatos e reflexões, Giampiero Valenza reflete sobre o papel do jornalista enquanto mediador cultural, evidenciando implicações éticas e normativas referentes ao contexto italiano; já Luciano Manicardi interpreta a práxis comunicadora de Jesus de Nazaré junto aos estrangeiros em seu contexto histórico e cultural; por fim,Terezinha Lúcia Santin, Ivanir Ana Filipi e Gjeline Preçi, mscs, apresentam um precioso testemunho da práxis pastoral das Irmãs scalabrinianas na cidade de Siracusa, no sul da Itália. A seção Resenhas, Teses e Dissertações encerra o número da Revista com a apresentação da dissertação de Patrícia Nabuco Martuscelli sobre crianças soldados na Colômbia.

Desejamos a todos e todas uma boa leitura.

Roberto Marinucci, Editor chefe da REMHU

*Material reproduzido no MigraMundo como parte da parceria do portal com o CSEM (Centro Scalabriniano de Estudos Migratórios), responsável pela publicação
Todos os artigos estão disponíveis no site SciELO Brasil (www.scielo.br/remhu)

 

Nova edição da REMHU traz dossiê sobre migrações e comunicações

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Por Roberto Marinucci
Editor chefe da REMHU*

O ser humano, enquanto ser relacional, constrói a própria subjetividade a partir de processos comunicacionais, midiáticos e não midiáticos. Tais processos podem estruturar percursos de subjetivização da pessoa ou, em sentido contrário, fomentar práticas de sujeição e reificação.

As dinâmicas migratórias também estão profundamente entrelaçadas com esses processos comunicacionais, tanto no que diz respeito àqueles sujeitos que se deslocam territorialmente, quanto àqueles que se relacionam com a alteridade, com a “estrangeiridade”, próxima ou distante, sincrônica ou diacrônica. No sentido amplo, comunicação e migração – enquanto “mobilidade do espírito”, como diria Marc Augé – são elementos constitutivos da condição humana, intrinsecamente interconexos.

Ao tema da relação entre migrações internacionais, meios de comunicação e processos comunicacionais é dedicado o dossiê do número 46 da REMHU, Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana. O objetivo é visibilizar o debate atual sobre o tema, indagando até que ponto os processos comunicacionais contemporâneos constituem caminhos de promoção da dignidade do migrante ou, então, meros dispositivos de manipulação e inferiorização da alteridade.

No primeiro artigo do Dossiê, Pedro Russi desenvolve uma reflexão numa ótica epistemológica e metodológica, acerca das possibilidades de estudo da relação entre processos comunicacionais – midiáticos e não midiáticos – e as dinâmicas migratórias – territoriais ou simbólicas. Sem a pretensão de esgotar a reflexão, o autor enfatiza alguns elementos desafiadores, como o papel desenvolvido pelas vivências de desterritorialização e reterritorialização dos sujeitos migrantes ou a função da memória nas dinâmicas de apropriação do cotidiano, nas interelações subjetivas e, de forma mais geral, na reconfiguração identitária.

A pluralização dos imaginários midiáticos sobre migrações transnacionais é um dos focos do Dossiê: as representações sociais veiculadas pelos meios de comunicação encobrem ou revelam o rosto dos migrantes? Favorecem o encontro, o diálogo, a interação ou produzem barreiras simbólicas, estereótipos?

A este propósito, Denise Cogo e Viviane Riegel desenvolvem uma atenta análise crítica do discurso de uma campanha publicitária anti-xenofobia na Inglaterra. A partir de uma fundamentação teórica focada na relação entre comunicação, cosmopolitismo e alteridade, as autoras enfatizam como a campanha visa enfrentar a xenofobia mediante a singularização das trajetórias biográficas dos migrantes. No entanto, o discurso da campanha possui uma ênfase marcadamente instrumental – como se o migrante adquirisse valor apenas pela contribuição que dá –, e tende a apagar as diferenças culturais e religiosas das comunidades imigradas.

Marco Bruno, por sua vez, analisa o papel central desenvolvido pela mídia enquanto dispositivo de enquadramento que permite estruturar o discurso sobre o outro, influenciando a opinião pública e, ao mesmo tempo, estabelecendo prioridades na pauta política. Ao abordar o caso italiano, o autor destaca três tipos de fronteiras midiáticas: as coberturas dos desembarques de estrangeiros no sul da Itália; as notícias de crônica sobre atos delituosos de migrantes; a estereotipização da imigração muçulmana (“neo-racismo cultural”). Essas fronteiras midiáticas visam criar um clima de medo generalizado, que desloca a reflexão dos complexos temas da integração, da coesão social e da convivência com o outro, para a questão da segurança nacional.

O papel das mídias na construção do imaginário social em relação ao Brasil e aos brasileiros/brasileiras no exterior é o foco do artigo de Maria Badet. A autora sustenta que tal imaginário está relacionado a uma visão tropicalista, principalmente no que diz respeito à erotização da mulher brasileira. A mídia, nessa ótica, se constitui como configuradora de imaginários sociais, mas não de forma automática, pois os processos de recepção são sempre dinâmicos e heterogêneos: “um maior conhecimento sobre as outras nacionalidades e culturas pode potencializar o deslocamento de visões de mundo reducionistas e estigmatizadas para visões mais plurais e contextualizadas das diversidades de perfis sociais que compõem uma nação e/ou cultura”.

O Dossiê enfatiza também o papel positivo e propositivo desenvolvido pelas novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), frequentemente utilizadas pelos migrantes a fim de criar e fomentar redes transnacionais, que podem incentivar os deslocamentos, contribuir na estruturação do projeto migratório, conservar laços interpessoais, favorecer a organização de grupos associativos e promover a integração no território.

O artigo proposto por Cecilia Melella aborda o tema a partir da realidade dos imigrantes latino-americanos na Argentina. Conforme a autora, as TICs contribuem para que o migrante passe de uma condição de “desenraizamento” a uma condição de “conexão”, com significativos efeitos tanto de um ponto de vista coletivo (rede sociais e familiares, meios de comunicação comunitários), quanto de um ponto de vista subjetivo (mitigação da sensação de solidão e saudade, preservação da identidade cultural de origem, acesso a informações sobre país de origem e destino).

Capa da nova edição da REMHU, que trata de Migrações, meios de comunicação e processos comunicacionais. Crédito: Reprodução
Capa da nova edição da REMHU, que trata de Migrações, meios de comunicação e processos comunicacionais.
Crédito: Reprodução

Liliane Dutra Brignol e Nathália Drey Costa, por sua vez, refletem sobre práticas e processos comunicacionais relacionados com os novos fluxos migratórios para o Rio Grande do Sul, especificamente a utilização do Facebook pela diáspora senegalesa. Utilizando o conceito de webdiáspora e a metodologia da “etnografia virtual”, as autoras discorrem sobre o impacto das TICs nos processos de reconfiguração e afirmação identitária, na interação com a sociedade de acolhida, na organização de redes locais e transnacionais de apoio e busca de reconhecimento.

Sobre o tema da webdiáspora versa também o artigo de Mohammed Elhajji e João Paulo Malerba. Os autores destacam as potencialidades e, ao mesmo tempo, os limites da assim chamada webradiofonia, que possibilita a preservação de laços sociais, a partilha e a manutenção de traços culturais identitários e, sobretudo, uma maior mobilização das comunidades migrantes, “tanto no plano local como transnacional, para a conquista de direitos sociais e políticos e, numa perspectiva mais ampla e mais longa, a efetivação da tão sonhada cidadania universal”.

Processos comunicacionais dizem respeito também ao âmbito da educação e do sistema escolar. Marco Catarciapresenta, em seu artigo, a via italiana da interculturalidade enquanto resposta aos desafios da recente imigração. Conforme o autor, no sistema educacional italiano “a abordagem intercultural não se limita à promoção de meras estratégias de integração dos estudantes estrangeiros, mas visa o reconhecimento da diversidade como paradigma educacional, como uma oportunidade para valorizar todas as diferenças (de origem, gênero, classe social, percurso escolar)”.

Por fim, Sylvia Dantas reflete sobre a utilização da tecnologia no atendimento psicológico intercultural junto a pessoas em mobilidade. A autora aborda o tema da psicoterapia online, ou seja, uma terapia realizada por e-mail, chat, mensagem instantânea, áudio ou videoconferência. A partir de pesquisas de intervenção realizadas em universidades brasileiras, a autora infere que as tecnologias constituem ferramentas importantes no processo de inserção do migrante em um novo milieu cultural, funcionando como um espaço potencial que possibilita a transição de um universo cultural a outro.

Dispositivos que permitem a promoção da cidadania ou a criação de barreiras simbólicas, que promovem o diálogo intercultural ou a demonização do outro, os meios de comunicação social e, mais em geral, os processos comunicacionais deveriam favorecer o que Marc Augé chama de “mobilidade do espírito”: a capacidade de deslocar-se no tempo e no espaço, de sair de seu ambiente, de seu tempo, de sua ‘toca cultural’, para promover o encontro com outras culturas, outros povos, outras religiões. Esta é a utopia. E precisamos dela para orientar e reinventar a nossa caminhada de seres humanos.

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Na seção Artigos da REMHU n.46, Ana Vila Freyer, Eduardo Fernández Guzmán e Perla del Carpio Ovando se debruçam sobre a migração de retorno no México a partir do conceito de resiliência social transnacional, visando explorar a possibilidade de utilizar esse conceito para analisar os processos históricos de adaptação e transformação coletiva e individual no país de origem, de destino ou em contexto de circularidades. Os autores, que apresentam uma pesquisa realizada em Apaseo el Alto, Guanajuato, no México, focam o conceito de resiliência não como resignação a uma nova realidade desafiadora ou apenas como processo adaptativo, mas, principalmente, como ato de transformação biográfica em busca da plena dignidade.

Manuel Andrés Pereira reflete sobre o processo de criminalização e estigmatização de migrantes na Argentina, a partir do regime militar (1976) até 1995. Segundo o autor, o delito, a segurança e a ordem pública são os elementos que determinam a distinção entre nacionais e não-nacionais, uma distinção alicerçada, durante a ditadura, na doutrina da Segurança Nacional e, no período posterior, na retórica da violência social e da “insegurança urbana”, que associa marginalidade e delinquência. Em ambos os casos constrói-se a representação da “imigração limítrofe” como ameaça para o Estado e a população autóctone, estabelecendo uma correlação direta entre “crime” e “ilegalidade migratória”.

Na seção Relatos e reflexões, Giampiero Valenza reflete sobre o papel do jornalista enquanto mediador cultural, evidenciando implicações éticas e normativas referentes ao contexto italiano; já Luciano Manicardi interpreta a práxis comunicadora de Jesus de Nazaré junto aos estrangeiros em seu contexto histórico e cultural; por fim,Terezinha Lúcia Santin, Ivanir Ana Filipi e Gjeline Preçi, mscs, apresentam um precioso testemunho da práxis pastoral das Irmãs scalabrinianas na cidade de Siracusa, no sul da Itália. A seção Resenhas, Teses e Dissertações encerra o número da Revista com a apresentação da dissertação de Patrícia Nabuco Martuscelli sobre crianças soldados na Colômbia.

Desejamos a todos e todas uma boa leitura.

Roberto Marinucci, Editor chefe da REMHU

*Material reproduzido no MigraMundo como parte da parceria do portal com o CSEM (Centro Scalabriniano de Estudos Migratórios), responsável pela publicação
Todos os artigos estão disponíveis no site SciELO Brasil (www.scielo.br/remhu)

 

Nova edição da REMHU traz dossiê sobre migrações e comunicações

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Por Roberto Marinucci
Editor chefe da REMHU*

O ser humano, enquanto ser relacional, constrói a própria subjetividade a partir de processos comunicacionais, midiáticos e não midiáticos. Tais processos podem estruturar percursos de subjetivização da pessoa ou, em sentido contrário, fomentar práticas de sujeição e reificação.

As dinâmicas migratórias também estão profundamente entrelaçadas com esses processos comunicacionais, tanto no que diz respeito àqueles sujeitos que se deslocam territorialmente, quanto àqueles que se relacionam com a alteridade, com a “estrangeiridade”, próxima ou distante, sincrônica ou diacrônica. No sentido amplo, comunicação e migração – enquanto “mobilidade do espírito”, como diria Marc Augé – são elementos constitutivos da condição humana, intrinsecamente interconexos.

Ao tema da relação entre migrações internacionais, meios de comunicação e processos comunicacionais é dedicado o dossiê do número 46 da REMHU, Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana. O objetivo é visibilizar o debate atual sobre o tema, indagando até que ponto os processos comunicacionais contemporâneos constituem caminhos de promoção da dignidade do migrante ou, então, meros dispositivos de manipulação e inferiorização da alteridade.

No primeiro artigo do Dossiê, Pedro Russi desenvolve uma reflexão numa ótica epistemológica e metodológica, acerca das possibilidades de estudo da relação entre processos comunicacionais – midiáticos e não midiáticos – e as dinâmicas migratórias – territoriais ou simbólicas. Sem a pretensão de esgotar a reflexão, o autor enfatiza alguns elementos desafiadores, como o papel desenvolvido pelas vivências de desterritorialização e reterritorialização dos sujeitos migrantes ou a função da memória nas dinâmicas de apropriação do cotidiano, nas interelações subjetivas e, de forma mais geral, na reconfiguração identitária.

A pluralização dos imaginários midiáticos sobre migrações transnacionais é um dos focos do Dossiê: as representações sociais veiculadas pelos meios de comunicação encobrem ou revelam o rosto dos migrantes? Favorecem o encontro, o diálogo, a interação ou produzem barreiras simbólicas, estereótipos?

A este propósito, Denise Cogo e Viviane Riegel desenvolvem uma atenta análise crítica do discurso de uma campanha publicitária anti-xenofobia na Inglaterra. A partir de uma fundamentação teórica focada na relação entre comunicação, cosmopolitismo e alteridade, as autoras enfatizam como a campanha visa enfrentar a xenofobia mediante a singularização das trajetórias biográficas dos migrantes. No entanto, o discurso da campanha possui uma ênfase marcadamente instrumental – como se o migrante adquirisse valor apenas pela contribuição que dá –, e tende a apagar as diferenças culturais e religiosas das comunidades imigradas.

Marco Bruno, por sua vez, analisa o papel central desenvolvido pela mídia enquanto dispositivo de enquadramento que permite estruturar o discurso sobre o outro, influenciando a opinião pública e, ao mesmo tempo, estabelecendo prioridades na pauta política. Ao abordar o caso italiano, o autor destaca três tipos de fronteiras midiáticas: as coberturas dos desembarques de estrangeiros no sul da Itália; as notícias de crônica sobre atos delituosos de migrantes; a estereotipização da imigração muçulmana (“neo-racismo cultural”). Essas fronteiras midiáticas visam criar um clima de medo generalizado, que desloca a reflexão dos complexos temas da integração, da coesão social e da convivência com o outro, para a questão da segurança nacional.

O papel das mídias na construção do imaginário social em relação ao Brasil e aos brasileiros/brasileiras no exterior é o foco do artigo de Maria Badet. A autora sustenta que tal imaginário está relacionado a uma visão tropicalista, principalmente no que diz respeito à erotização da mulher brasileira. A mídia, nessa ótica, se constitui como configuradora de imaginários sociais, mas não de forma automática, pois os processos de recepção são sempre dinâmicos e heterogêneos: “um maior conhecimento sobre as outras nacionalidades e culturas pode potencializar o deslocamento de visões de mundo reducionistas e estigmatizadas para visões mais plurais e contextualizadas das diversidades de perfis sociais que compõem uma nação e/ou cultura”.

O Dossiê enfatiza também o papel positivo e propositivo desenvolvido pelas novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), frequentemente utilizadas pelos migrantes a fim de criar e fomentar redes transnacionais, que podem incentivar os deslocamentos, contribuir na estruturação do projeto migratório, conservar laços interpessoais, favorecer a organização de grupos associativos e promover a integração no território.

O artigo proposto por Cecilia Melella aborda o tema a partir da realidade dos imigrantes latino-americanos na Argentina. Conforme a autora, as TICs contribuem para que o migrante passe de uma condição de “desenraizamento” a uma condição de “conexão”, com significativos efeitos tanto de um ponto de vista coletivo (rede sociais e familiares, meios de comunicação comunitários), quanto de um ponto de vista subjetivo (mitigação da sensação de solidão e saudade, preservação da identidade cultural de origem, acesso a informações sobre país de origem e destino).

Capa da nova edição da REMHU, que trata de Migrações, meios de comunicação e processos comunicacionais. Crédito: Reprodução
Capa da nova edição da REMHU, que trata de Migrações, meios de comunicação e processos comunicacionais.
Crédito: Reprodução

Liliane Dutra Brignol e Nathália Drey Costa, por sua vez, refletem sobre práticas e processos comunicacionais relacionados com os novos fluxos migratórios para o Rio Grande do Sul, especificamente a utilização do Facebook pela diáspora senegalesa. Utilizando o conceito de webdiáspora e a metodologia da “etnografia virtual”, as autoras discorrem sobre o impacto das TICs nos processos de reconfiguração e afirmação identitária, na interação com a sociedade de acolhida, na organização de redes locais e transnacionais de apoio e busca de reconhecimento.

Sobre o tema da webdiáspora versa também o artigo de Mohammed Elhajji e João Paulo Malerba. Os autores destacam as potencialidades e, ao mesmo tempo, os limites da assim chamada webradiofonia, que possibilita a preservação de laços sociais, a partilha e a manutenção de traços culturais identitários e, sobretudo, uma maior mobilização das comunidades migrantes, “tanto no plano local como transnacional, para a conquista de direitos sociais e políticos e, numa perspectiva mais ampla e mais longa, a efetivação da tão sonhada cidadania universal”.

Processos comunicacionais dizem respeito também ao âmbito da educação e do sistema escolar. Marco Catarciapresenta, em seu artigo, a via italiana da interculturalidade enquanto resposta aos desafios da recente imigração. Conforme o autor, no sistema educacional italiano “a abordagem intercultural não se limita à promoção de meras estratégias de integração dos estudantes estrangeiros, mas visa o reconhecimento da diversidade como paradigma educacional, como uma oportunidade para valorizar todas as diferenças (de origem, gênero, classe social, percurso escolar)”.

Por fim, Sylvia Dantas reflete sobre a utilização da tecnologia no atendimento psicológico intercultural junto a pessoas em mobilidade. A autora aborda o tema da psicoterapia online, ou seja, uma terapia realizada por e-mail, chat, mensagem instantânea, áudio ou videoconferência. A partir de pesquisas de intervenção realizadas em universidades brasileiras, a autora infere que as tecnologias constituem ferramentas importantes no processo de inserção do migrante em um novo milieu cultural, funcionando como um espaço potencial que possibilita a transição de um universo cultural a outro.

Dispositivos que permitem a promoção da cidadania ou a criação de barreiras simbólicas, que promovem o diálogo intercultural ou a demonização do outro, os meios de comunicação social e, mais em geral, os processos comunicacionais deveriam favorecer o que Marc Augé chama de “mobilidade do espírito”: a capacidade de deslocar-se no tempo e no espaço, de sair de seu ambiente, de seu tempo, de sua ‘toca cultural’, para promover o encontro com outras culturas, outros povos, outras religiões. Esta é a utopia. E precisamos dela para orientar e reinventar a nossa caminhada de seres humanos.

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Na seção Artigos da REMHU n.46, Ana Vila Freyer, Eduardo Fernández Guzmán e Perla del Carpio Ovando se debruçam sobre a migração de retorno no México a partir do conceito de resiliência social transnacional, visando explorar a possibilidade de utilizar esse conceito para analisar os processos históricos de adaptação e transformação coletiva e individual no país de origem, de destino ou em contexto de circularidades. Os autores, que apresentam uma pesquisa realizada em Apaseo el Alto, Guanajuato, no México, focam o conceito de resiliência não como resignação a uma nova realidade desafiadora ou apenas como processo adaptativo, mas, principalmente, como ato de transformação biográfica em busca da plena dignidade.

Manuel Andrés Pereira reflete sobre o processo de criminalização e estigmatização de migrantes na Argentina, a partir do regime militar (1976) até 1995. Segundo o autor, o delito, a segurança e a ordem pública são os elementos que determinam a distinção entre nacionais e não-nacionais, uma distinção alicerçada, durante a ditadura, na doutrina da Segurança Nacional e, no período posterior, na retórica da violência social e da “insegurança urbana”, que associa marginalidade e delinquência. Em ambos os casos constrói-se a representação da “imigração limítrofe” como ameaça para o Estado e a população autóctone, estabelecendo uma correlação direta entre “crime” e “ilegalidade migratória”.

Na seção Relatos e reflexões, Giampiero Valenza reflete sobre o papel do jornalista enquanto mediador cultural, evidenciando implicações éticas e normativas referentes ao contexto italiano; já Luciano Manicardi interpreta a práxis comunicadora de Jesus de Nazaré junto aos estrangeiros em seu contexto histórico e cultural; por fim,Terezinha Lúcia Santin, Ivanir Ana Filipi e Gjeline Preçi, mscs, apresentam um precioso testemunho da práxis pastoral das Irmãs scalabrinianas na cidade de Siracusa, no sul da Itália. A seção Resenhas, Teses e Dissertações encerra o número da Revista com a apresentação da dissertação de Patrícia Nabuco Martuscelli sobre crianças soldados na Colômbia.

Desejamos a todos e todas uma boa leitura.

Roberto Marinucci, Editor chefe da REMHU

*Material reproduzido no MigraMundo como parte da parceria do portal com o CSEM (Centro Scalabriniano de Estudos Migratórios), responsável pela publicação
Todos os artigos estão disponíveis no site SciELO Brasil (www.scielo.br/remhu)

 

Abraço Cultural promove campanha de financiamento coletivo para expandir atividades

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O Abraço Cultural, curso de idioma e cultura com professores refugiados, lançou uma campanha de financiamento coletivo, que tem o objetivo de arrecadar fundos para que o projeto possa crescer, impactando ainda mais a vida de refugiados e alunos do curso.

O prazo vai até 3 de junho e as contribuições devem ser feitas neste link. A campanha é do tipo “tudo ou nada” – ou seja, o Abraço só fica com o dinheiro se a meta for batida – a ideia é arrecadar R$ 25 mil.

O dinheiro da campanha, que tem o nome sugestivo de “Abrace o Abraço”, será destinado à compra de equipamentos – computadores, projetores, móveis e material para as aulas –  e à realização de uma reforma.  O objetivo é oferecer aos alunos e professores um espaço mais confortável para que as aulas fluam ainda mais.

“Alcançando nossos objetivos materiais, vamos conseguir gerar recursos para mais refugiados e fazer com que mais gente vivencie a cultura dos refugiados que estão chegando cada vez em maior número em São Paulo”, explica Carolina Teixeira, coordenadora-geral do curso.

Quem aderir à campanha receberá em troca recompensas que variam de acordo com o valor doado. Entre elas estão camisetas e canecas personalizadas, quadro do paquistanês – artista plástico e professor do Abraço Cultural – Raheel Shahbaz e bolsa integral no curso intensivo de férias em julho de 2016.

O Abraço Cultural

O Abraço Cultural é o projeto pioneiro em São Paulo a ter refugiados como professores de cursos de idioma e cultura. Idealizado pelo Atados – Juntando Gente Boa, o Abraço teve início em julho de 2015, quando a expectativa era de atingir 40 alunos, mas a procura foi bem além – cerca de 500 pessoas procuraram o Abraço Cultural. O curso teve início com 123 alunos, distribuídos em 12 turmas.

Durante o segundo semestre de 2015 foram realizados cursos semi-intensivo, de 3 meses, e o curso regular que teve 4 meses de duração e em 2016 o curso intensivo de férias em janeiro. Também está presente no Rio de Janeiro e tem planos de atuar em Curitiba e até fora do Brasil (em Paris, França) ainda este ano.

Os principais objetivos são promover a troca de experiências, a geração de renda, e a valorização pessoal e cultural de refugiados residentes no Brasil e, ao mesmo tempo, possibilitar aos alunos do curso o aprendizado de idiomas, a quebra de barreiras e a vivência de aspectos culturais de outros países. Os professores do Abraço Cultural vêm de diferentes países, como Síria, Haiti, Cuba, Congo e Nigéria.

Com menos de 1 ano de existência, o Abraço Cultural inseriu no mercado de trabalho 40 professores refugiados, teve 400 alunos e engajou 70 voluntários.

A metodologia do Abraço Cultural propõe que os alunos vivenciem aspectos culturais trazidos por esses imigrantes, sendo o compartilhamento ponto fundamental para o aprendizado do idioma.

A troca cultural acontece por meio de conteúdos que entrelaçam o ensino formal da língua com referências culturais do professor refugiado em questão e aprofunda-se nos saraus multiculturais abertos* – que acontecem uma vez por mês.

 

 

Abraço Cultural promove campanha de financiamento coletivo para expandir atividades

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O Abraço Cultural, curso de idioma e cultura com professores refugiados, lançou uma campanha de financiamento coletivo, que tem o objetivo de arrecadar fundos para que o projeto possa crescer, impactando ainda mais a vida de refugiados e alunos do curso.

O prazo vai até 3 de junho e as contribuições devem ser feitas neste link. A campanha é do tipo “tudo ou nada” – ou seja, o Abraço só fica com o dinheiro se a meta for batida – a ideia é arrecadar R$ 25 mil.

O dinheiro da campanha, que tem o nome sugestivo de “Abrace o Abraço”, será destinado à compra de equipamentos – computadores, projetores, móveis e material para as aulas –  e à realização de uma reforma.  O objetivo é oferecer aos alunos e professores um espaço mais confortável para que as aulas fluam ainda mais.

“Alcançando nossos objetivos materiais, vamos conseguir gerar recursos para mais refugiados e fazer com que mais gente vivencie a cultura dos refugiados que estão chegando cada vez em maior número em São Paulo”, explica Carolina Teixeira, coordenadora-geral do curso.

Quem aderir à campanha receberá em troca recompensas que variam de acordo com o valor doado. Entre elas estão camisetas e canecas personalizadas, quadro do paquistanês – artista plástico e professor do Abraço Cultural – Raheel Shahbaz e bolsa integral no curso intensivo de férias em julho de 2016.

O Abraço Cultural

O Abraço Cultural é o projeto pioneiro em São Paulo a ter refugiados como professores de cursos de idioma e cultura. Idealizado pelo Atados – Juntando Gente Boa, o Abraço teve início em julho de 2015, quando a expectativa era de atingir 40 alunos, mas a procura foi bem além – cerca de 500 pessoas procuraram o Abraço Cultural. O curso teve início com 123 alunos, distribuídos em 12 turmas.

Durante o segundo semestre de 2015 foram realizados cursos semi-intensivo, de 3 meses, e o curso regular que teve 4 meses de duração e em 2016 o curso intensivo de férias em janeiro. Também está presente no Rio de Janeiro e tem planos de atuar em Curitiba e até fora do Brasil (em Paris, França) ainda este ano.

Os principais objetivos são promover a troca de experiências, a geração de renda, e a valorização pessoal e cultural de refugiados residentes no Brasil e, ao mesmo tempo, possibilitar aos alunos do curso o aprendizado de idiomas, a quebra de barreiras e a vivência de aspectos culturais de outros países. Os professores do Abraço Cultural vêm de diferentes países, como Síria, Haiti, Cuba, Congo e Nigéria.

Com menos de 1 ano de existência, o Abraço Cultural inseriu no mercado de trabalho 40 professores refugiados, teve 400 alunos e engajou 70 voluntários.

A metodologia do Abraço Cultural propõe que os alunos vivenciem aspectos culturais trazidos por esses imigrantes, sendo o compartilhamento ponto fundamental para o aprendizado do idioma.

A troca cultural acontece por meio de conteúdos que entrelaçam o ensino formal da língua com referências culturais do professor refugiado em questão e aprofunda-se nos saraus multiculturais abertos* – que acontecem uma vez por mês.

 

 

Abraço Cultural promove campanha de financiamento coletivo para expandir atividades

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O Abraço Cultural, curso de idioma e cultura com professores refugiados, lançou uma campanha de financiamento coletivo, que tem o objetivo de arrecadar fundos para que o projeto possa crescer, impactando ainda mais a vida de refugiados e alunos do curso.

O prazo vai até 3 de junho e as contribuições devem ser feitas neste link. A campanha é do tipo “tudo ou nada” – ou seja, o Abraço só fica com o dinheiro se a meta for batida – a ideia é arrecadar R$ 25 mil.

O dinheiro da campanha, que tem o nome sugestivo de “Abrace o Abraço”, será destinado à compra de equipamentos – computadores, projetores, móveis e material para as aulas –  e à realização de uma reforma.  O objetivo é oferecer aos alunos e professores um espaço mais confortável para que as aulas fluam ainda mais.

“Alcançando nossos objetivos materiais, vamos conseguir gerar recursos para mais refugiados e fazer com que mais gente vivencie a cultura dos refugiados que estão chegando cada vez em maior número em São Paulo”, explica Carolina Teixeira, coordenadora-geral do curso.

Quem aderir à campanha receberá em troca recompensas que variam de acordo com o valor doado. Entre elas estão camisetas e canecas personalizadas, quadro do paquistanês – artista plástico e professor do Abraço Cultural – Raheel Shahbaz e bolsa integral no curso intensivo de férias em julho de 2016.

O Abraço Cultural

O Abraço Cultural é o projeto pioneiro em São Paulo a ter refugiados como professores de cursos de idioma e cultura. Idealizado pelo Atados – Juntando Gente Boa, o Abraço teve início em julho de 2015, quando a expectativa era de atingir 40 alunos, mas a procura foi bem além – cerca de 500 pessoas procuraram o Abraço Cultural. O curso teve início com 123 alunos, distribuídos em 12 turmas.

Durante o segundo semestre de 2015 foram realizados cursos semi-intensivo, de 3 meses, e o curso regular que teve 4 meses de duração e em 2016 o curso intensivo de férias em janeiro. Também está presente no Rio de Janeiro e tem planos de atuar em Curitiba e até fora do Brasil (em Paris, França) ainda este ano.

Os principais objetivos são promover a troca de experiências, a geração de renda, e a valorização pessoal e cultural de refugiados residentes no Brasil e, ao mesmo tempo, possibilitar aos alunos do curso o aprendizado de idiomas, a quebra de barreiras e a vivência de aspectos culturais de outros países. Os professores do Abraço Cultural vêm de diferentes países, como Síria, Haiti, Cuba, Congo e Nigéria.

Com menos de 1 ano de existência, o Abraço Cultural inseriu no mercado de trabalho 40 professores refugiados, teve 400 alunos e engajou 70 voluntários.

A metodologia do Abraço Cultural propõe que os alunos vivenciem aspectos culturais trazidos por esses imigrantes, sendo o compartilhamento ponto fundamental para o aprendizado do idioma.

A troca cultural acontece por meio de conteúdos que entrelaçam o ensino formal da língua com referências culturais do professor refugiado em questão e aprofunda-se nos saraus multiculturais abertos* – que acontecem uma vez por mês.

 

 

Abraço Cultural promove campanha de financiamento coletivo para expandir atividades

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O Abraço Cultural, curso de idioma e cultura com professores refugiados, lançou uma campanha de financiamento coletivo, que tem o objetivo de arrecadar fundos para que o projeto possa crescer, impactando ainda mais a vida de refugiados e alunos do curso.

O prazo vai até 3 de junho e as contribuições devem ser feitas neste link. A campanha é do tipo “tudo ou nada” – ou seja, o Abraço só fica com o dinheiro se a meta for batida – a ideia é arrecadar R$ 25 mil.

O dinheiro da campanha, que tem o nome sugestivo de “Abrace o Abraço”, será destinado à compra de equipamentos – computadores, projetores, móveis e material para as aulas –  e à realização de uma reforma.  O objetivo é oferecer aos alunos e professores um espaço mais confortável para que as aulas fluam ainda mais.

“Alcançando nossos objetivos materiais, vamos conseguir gerar recursos para mais refugiados e fazer com que mais gente vivencie a cultura dos refugiados que estão chegando cada vez em maior número em São Paulo”, explica Carolina Teixeira, coordenadora-geral do curso.

Quem aderir à campanha receberá em troca recompensas que variam de acordo com o valor doado. Entre elas estão camisetas e canecas personalizadas, quadro do paquistanês – artista plástico e professor do Abraço Cultural – Raheel Shahbaz e bolsa integral no curso intensivo de férias em julho de 2016.

O Abraço Cultural

O Abraço Cultural é o projeto pioneiro em São Paulo a ter refugiados como professores de cursos de idioma e cultura. Idealizado pelo Atados – Juntando Gente Boa, o Abraço teve início em julho de 2015, quando a expectativa era de atingir 40 alunos, mas a procura foi bem além – cerca de 500 pessoas procuraram o Abraço Cultural. O curso teve início com 123 alunos, distribuídos em 12 turmas.

Durante o segundo semestre de 2015 foram realizados cursos semi-intensivo, de 3 meses, e o curso regular que teve 4 meses de duração e em 2016 o curso intensivo de férias em janeiro. Também está presente no Rio de Janeiro e tem planos de atuar em Curitiba e até fora do Brasil (em Paris, França) ainda este ano.

Os principais objetivos são promover a troca de experiências, a geração de renda, e a valorização pessoal e cultural de refugiados residentes no Brasil e, ao mesmo tempo, possibilitar aos alunos do curso o aprendizado de idiomas, a quebra de barreiras e a vivência de aspectos culturais de outros países. Os professores do Abraço Cultural vêm de diferentes países, como Síria, Haiti, Cuba, Congo e Nigéria.

Com menos de 1 ano de existência, o Abraço Cultural inseriu no mercado de trabalho 40 professores refugiados, teve 400 alunos e engajou 70 voluntários.

A metodologia do Abraço Cultural propõe que os alunos vivenciem aspectos culturais trazidos por esses imigrantes, sendo o compartilhamento ponto fundamental para o aprendizado do idioma.

A troca cultural acontece por meio de conteúdos que entrelaçam o ensino formal da língua com referências culturais do professor refugiado em questão e aprofunda-se nos saraus multiculturais abertos* – que acontecem uma vez por mês.

 

 

Na Barra Funda, projeto com imigrantes integra escola e família com atividades de bordado

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A atividade "Memória em Cada Ponto" acontece na próxima quarta-feira (18), na EMEI Antônio Figueiredo do Amaral. Crédito: Andresa Medeiros/Equipe de Base Warmis

Por Cidade Escola Aprendiz
Crédito da imagem: Andresa Medeiros/Equipe de Base Warmis

Tecer histórias de vida enquanto imagens são costuradas em tecidos. Este é apenas um dos objetivos da atividade “Memória em cada Ponto”, que acontece nesta quarta-feira (18) na EMEI Antônio Figueiredo Amaral, situada no bairro da Barra Funda, zona oeste de São Paulo.

Além da ação formativa a partir das técnicas de costura, a atividade propõe um momento de encontro e troca de saberes entre educadoras, crianças e familiares. Organizada pela Associação Cidade Escola Aprendiz, a atividade será realizada em parceria com a Equipe da Base Warmis – Convergência de Culturas e com a designer Letícia Matos, idealizadora do projeto 13 Pompons, que ministrarão oficina envolvendo o bordado de tecidos e contação de histórias pessoais, além de confecção de tricô de dedo e pompons junto às crianças.

A Warmis é formada por mulheres imigrantes voluntárias, que têm como intuito promover melhores condições de vida a comunidades imigrantes, por meio de projetos e oficinas que discutem os direitos dessa população no país. Já o projeto 13 Pompons realiza intervenções urbanas que estimulam a ocupação da cidade de forma criativa e colaborativa. Com suas cores e formas, as tramas do tricô atraem a atenção das crianças, transmitindo uma sensação de carinho e aconchego, além de humanizar as relações e o espaço urbano.

Integração de famílias imigrantes

A atividade integra uma das ações do Projeto Integração Família Rede Socioeducativa, promovido pela Associação Cidade Escola Aprendiz, em parceria com a DRE-Ipiranga e apoio do Fundo Municipal da Criança e do Adolescente (FUMCAD).

O objetivo principal do projeto é fomentar a integração de famílias imigrantes latino-americanas aos diversos espaços e equipamentos do centro de São Paulo. Os dois principais pontos de conexão com essas comunidades são duas escolas municipais, cujo público contempla um grande número de estudantes imigrantes e/ou filhos de imigrantes.

Entre as estratégias adotadas, o projeto pretende apresentar dados relativos aos principais desafios na integração das comunidades latino-americanas a partir de um diagnóstico socioterritorial que revela as condições de vida das crianças imigrantes na região central de São Paulo.

Trabalho em rede

No intuito de formar uma rede em torno da questão da imigração, o projeto já realizou uma série de parcerias com os equipamentos socioeducativos e culturais que atuam no território, como o Fórum da Criança e do Adolescente Sé, Fórum Social Mundial das Migrações (FSMM), Rede Social do Senac Tiradentes, Conselho Participativo da Subprefeitura Sé, entre outros.

Sobre o Programa Cidades Educadoras

O Projeto Integração Família Rede-Socioeducativa integra o Programa Cidades Educadoras desenvolvido pela Associação Cidade Escola Aprendiz. Criado em 2015, o programa visa fortalecer a demanda social por Cidades Educadoras no Brasil por meio de projetos e experiências voltados à integração entre comunidades, escolas e territórios. Trazendo o acúmulo e as metodologias de 18 anos de atuação da proposta Bairro-escola, o programa também é responsável por produzir e disseminar conteúdos relacionados à temática, além de identificar e apoiar políticas públicas que possam contribuir com a formação de Cidades Educadoras no país. Conheça o Programa Cidades Educadoras

Serviço
Memória em Cada Ponto
Quando: 18/5
Horário: das 15h30 às 16h30
Onde: EMEI Antônio Figueiredo Amaral
Local: R. Leonardo Jones Júnior, 34 – Barra Funda – São Paulo (SP)

Na Barra Funda, projeto com imigrantes integra escola e família com atividades de bordado

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A atividade "Memória em Cada Ponto" acontece na próxima quarta-feira (18), na EMEI Antônio Figueiredo do Amaral. Crédito: Andresa Medeiros/Equipe de Base Warmis

Por Cidade Escola Aprendiz
Crédito da imagem: Andresa Medeiros/Equipe de Base Warmis

Tecer histórias de vida enquanto imagens são costuradas em tecidos. Este é apenas um dos objetivos da atividade “Memória em cada Ponto”, que acontece nesta quarta-feira (18) na EMEI Antônio Figueiredo Amaral, situada no bairro da Barra Funda, zona oeste de São Paulo.

Além da ação formativa a partir das técnicas de costura, a atividade propõe um momento de encontro e troca de saberes entre educadoras, crianças e familiares. Organizada pela Associação Cidade Escola Aprendiz, a atividade será realizada em parceria com a Equipe da Base Warmis – Convergência de Culturas e com a designer Letícia Matos, idealizadora do projeto 13 Pompons, que ministrarão oficina envolvendo o bordado de tecidos e contação de histórias pessoais, além de confecção de tricô de dedo e pompons junto às crianças.

A Warmis é formada por mulheres imigrantes voluntárias, que têm como intuito promover melhores condições de vida a comunidades imigrantes, por meio de projetos e oficinas que discutem os direitos dessa população no país. Já o projeto 13 Pompons realiza intervenções urbanas que estimulam a ocupação da cidade de forma criativa e colaborativa. Com suas cores e formas, as tramas do tricô atraem a atenção das crianças, transmitindo uma sensação de carinho e aconchego, além de humanizar as relações e o espaço urbano.

Integração de famílias imigrantes

A atividade integra uma das ações do Projeto Integração Família Rede Socioeducativa, promovido pela Associação Cidade Escola Aprendiz, em parceria com a DRE-Ipiranga e apoio do Fundo Municipal da Criança e do Adolescente (FUMCAD).

O objetivo principal do projeto é fomentar a integração de famílias imigrantes latino-americanas aos diversos espaços e equipamentos do centro de São Paulo. Os dois principais pontos de conexão com essas comunidades são duas escolas municipais, cujo público contempla um grande número de estudantes imigrantes e/ou filhos de imigrantes.

Entre as estratégias adotadas, o projeto pretende apresentar dados relativos aos principais desafios na integração das comunidades latino-americanas a partir de um diagnóstico socioterritorial que revela as condições de vida das crianças imigrantes na região central de São Paulo.

Trabalho em rede

No intuito de formar uma rede em torno da questão da imigração, o projeto já realizou uma série de parcerias com os equipamentos socioeducativos e culturais que atuam no território, como o Fórum da Criança e do Adolescente Sé, Fórum Social Mundial das Migrações (FSMM), Rede Social do Senac Tiradentes, Conselho Participativo da Subprefeitura Sé, entre outros.

Sobre o Programa Cidades Educadoras

O Projeto Integração Família Rede-Socioeducativa integra o Programa Cidades Educadoras desenvolvido pela Associação Cidade Escola Aprendiz. Criado em 2015, o programa visa fortalecer a demanda social por Cidades Educadoras no Brasil por meio de projetos e experiências voltados à integração entre comunidades, escolas e territórios. Trazendo o acúmulo e as metodologias de 18 anos de atuação da proposta Bairro-escola, o programa também é responsável por produzir e disseminar conteúdos relacionados à temática, além de identificar e apoiar políticas públicas que possam contribuir com a formação de Cidades Educadoras no país. Conheça o Programa Cidades Educadoras

Serviço
Memória em Cada Ponto
Quando: 18/5
Horário: das 15h30 às 16h30
Onde: EMEI Antônio Figueiredo Amaral
Local: R. Leonardo Jones Júnior, 34 – Barra Funda – São Paulo (SP)