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quinta-feira, maio 7, 2026
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Números recentes mostram que mar Mediterrâneo continua a virar “cemitério de imigrantes”

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A marinha italiana divulgou imagens do exato momento em que um barco com cerca de 500 pessoas afunda próximo à costa da Líbia. Crédito: Marina Militare

Atualizado em 31/05/16

A cena de um barco com imigrantes virando na costa da Líbia correu o mundo. O flagra foi feito pela Marinha italiana, que resgatou parte dos ocupantes da embarcação. Mas a imagem é apenas o exemplo de uma realidade e de estatísticas que crescem a cada dia.

Segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, o ACNUR, cerca de 700 pessoas morreram em travessias no mar Mediterrâneo entre a costa da Líbia e a Itália somente na última semana. Considerado dados do começo de 2016 até a semana passada, a cifra sobe para 2.500.

Já a Organização Internacional para as Migrações (OIM), aponta que, desde o começo do ano até 27 de maio, 1.475 pessoas morreram tentando chegar à Europa – incluindo outras rotas. Só na travessia Líbia-Itália seriam pelo menos 1.093 mortos, de acordo com a entidade.

Os números tendem a aumentar ainda mais conforme o verão europeu se aproxima, temporada na qual o mar costuma ficar menos revolto – e a travessia, um pouco menos perigosa e letal.

As cifras do ACNUR e da OIM são novas evidências de que o fechamento da chamada Rota Balcânica e o acordo da União Europeia com o governo da Turquia têm efeito nulo sobre a questão da mobilidade humana em direção à Europa. Pelo contrário, apenas contribuem para precarizar ainda mais a situação daqueles que buscam chegar ao Velho Continente, independente dos motivos que levam cada um a se arriscar em uma jornada que é uma verdadeira loteria.

Em reportagem publicada em março passado, por exemplo, o site espanhol El Diario listou pelo menos oito possíveis rotas que poderiam ser usadas em alternativa à passagem via Grécia e Bálcãs. Uma delas, aliás, é justamente a rota Líbia-Itália, onde têm acontecido os maiores naufrágios e que já foi o caminho mais mortífero no passado recente – daí a expressão de que o Mediterrâneo se torna um “cemitério de imigrantes”.

“O que estamos vendo na Europa é consequência de um fenômeno muito maior. Guerras, regimes, pobreza extrema e mudanças climáticas estão forçando um número crescente de pessoas a deixarem seus países em condições desesperadoras. O que nos preocupa é a maneira como esses migrantes e refugiados chegam à Europa: o risco de morte no mar ou nos desertos, e colocando suas vidas nas mãos de traficantes sem escrúpulos”, disse William Lacy Swing, diretor-geral da OIM, sobre números divulgados em setembro de 2015.

Naquela época, as mortes em travessias no Mediterrâneo já tinham chegado à marca de 2.600 no ano. E como os fatores que causam os deslocamentos estão a todo vapor, a tendência é que as cifras superem os dados de 2015.

 

 

 

Mostra TAÍ reúne a arte de imigrantes residentes em São Paulo; veja programação

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Com o Fórum Social Mundial de Migrações (FSMM) se aproximando, também aumenta o número de eventos que servem de “esquenta” para o evento. E um deles é a mostra artística TAÍ (sigla para Território Artístico Imigrante), que fica em cartaz em São Paulo de 4 de junho a 2 de julho.

Organizado pelos coletivos Visto Permanente e Coletivo Digital, o TAÍ dá uma mostra da diversidade cultural presente na capital paulista –  e que também deve marcar o Fórum. A exposição vai reunir, em diferentes expressões artísticas, o trabalho de imigrantes residentes em São Paulo ou obras que têm a imigração como tema.

Toda a programação é gratuita e aberta para qualquer interessado em migração e arte (veja mais no serviço ao final do texto e no evento no Facebook).

Para a abertura, em 4 de junho, o TAÍ chega com uma exposição de artes de dois pintores – Alexis Flores Perez (Cuba) e Isidro Sanene (Angola) – e do fotógrafo Dom Alberto (Bolívia). Também haverão intervenções artísticas do quarteto OS Escolhidos (formado por angolanos e congoleses), em versão capela; Aboubacar Sidibé (da Guiné) e Lenna Bahule (de Moçambique). Os trabalhos começam às 15.

A Mostra TAÍ ainda conta com três Cine/Debates que vão acontecer nas sexta-feiras de junho, às 19h, tendo a temática da imigração como foco.

A programação termina em 2 de julho, a partir de 18h, com as apresentações musicais do Quarteto Escape (Equador e Brasil), Os Escolhidos (angolanos e congoleses), em versão banda; e de Fareta Sidibé (Guiné).

Veja abaixo a programação completa:

DIA 04/06 – Sábado – 15h
ABERTURA de Exposição com Intervenções artísticas:
Alexis Flores Perez (Cuba): pintura
Dom Alberto (Bolívia): fotografia
Isidro Sanene (Angola): pintura
Intervenções Artísticas de:
Aboubacar Sidibé (Guiné-Conacri)
Quarteto Escolhidos (Congo e Angola)
Lenna Bahule (Moçambique)

DIA 10/06 – Sexta – 19h: Cinedebate
IMIGRAÇÃO EM SÃO PAULO
100% boliviano, mano (Luciano Onça e Alice Riff, Brasil, 2014)
Vidas Ausentes (Ronaldo Dimer, Brasil, 2015)
Galeria Presidente (CINCO, Brasil, 2015)

Dia 17/06 – Sexta – 19h: Cinedebate
IMIGRAÇÃO E RACISMO
A Ponte (Irene Gutierrez e Youssef Drissi, Espanha, Marrocos, 2015)
Naufrágio (Morgan Knibbe, Holanda/Itália, 2014)
Cara Suja (Santiago Zannou, Espanha, 2004)
Aïssa (Clément Tréhin-Lalanne, França, 2014)

DIA 24/06 – Sexta – 19h: Cinedebate
IMIGRAÇÃO E TRABALHO
Sexy Shopping (Antonio Benedetto e Adam Selo, Itália, 2014)
Dois na Fronteira (Tuna Kaptan e Felicitas Sonvilla,Turquia/Alemanha, 2013)
Circuito Interno (Julio Martí, Brasil, 2010)
Loin du 16eme (Daniela Thomas e Walter Salles, Brasil/França, 2006)
400 Malas (Fernanda Valadez, México, 2014)

Dia 02/07 – Sábado – 15h
Apresentações de:
Quarteto Escape (Equador/Brasil)
Os Escolhidos (Angola/Congo)
Fareta Sidibé (Guiné-Conacri/Brasil)

Serviço

 

TAÍ – Território Artístico Imigrante
Data: de 4 de junho a 2 de julho
Local: Sede do Coletivo Digital – Rua Cônego Eugênio Leite, 1117 – Pinheiros – São Paulo (SP)
Dia 04.06 –  Abertura de Exposição, às 15h
Sextas de junho: Cine/Debates (todas), a partir das 19h
Dia 02.07 – Apresentações Musicais (Encerramento), a partir das 18h
Entrada: Gratuita

 

Pela web ou presencial, evento pré-FSMM quer aproximar CNIg da sociedade para discutir migração

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Arte de divulgação do Fórum de Participação Social. Crédito: Divulgação

Por Rodrigo Borges Delfim

Na véspera do VII Fórum Social Mundial de Migrações, mais exatamente no dia 6 de julho, acontece em São Paulo o I Diálogo de Participação Social, promovido pelo CNIg (Conselho Nacional de Imigração). Além de servir de aquecimento final para o FSMM, ele é a parte física de um novo canal de diálogo que vem sendo desenvolvido pelo conselho para o debate das migrações no país, o FPS (Fórum de Participação Social).

Criado em 2015 pelo próprio CNIg, o FPS é um espaço consultivo que visa a promoção e ampliação de seu diálogo com a sociedade civil a fim de reunir subsídios para a construção de políticas migratórias no Brasil. Uma dessas ferramentas é justamente a consulta aberta recentemente na web para o Diálogo, que permite que qualquer pessoa possa enviar críticas e sugestões. Basta acessar este link para saber como participar e enviar propostas.

“Esperamos que o FPS aproxime o CNIg à população e que as propostas apresentadas pelos participantes sirvam como um referencial à construção de políticas migratórias pelo Estado em benefício de toda a sociedade brasileira”, explica Paulo Sérgio de Almeida, presidente do CNIg.

Em entrevista ao MigraMundo, Almeida explicou a importância desse tipo de ferramenta no debate quanto às políticas públicas sobre migração no Brasil. Ele ainda cita a proximidade do CNIg com o FSMM como um dos grandes trunfos do evento.

MigraMundo: A Comigrar foi um dos últimos grandes eventos de projeção nacional sobre migrações no Brasil. O que este Fórum aproveita de legado da Comigrar e no que pretende avançar e/ou recuperar da conferência?
Paulo Sérgio de Almeida: A Comigrar certamente foi um grande evento e uma importante Conferência Nacional sobre as migrações no Brasil. Ao contrário da Comigrar, o Fórum de Participação Social (FPS) foi criado por Resolução Administrativa do Conselho Nacional de Imigração (CNIg) com um intuito de ser um canal permanente de diálogo com a sociedade civil, isso significa que periodicamente será realizado esse processo de consulta para pautar as ações do CNIg. Nesse sentido, o FPS estará aberto, através dos Diálogos de Participação (seja presencial ou virtual), a acolher as diferentes demandas da Sociedade Civil que são da competência do CNIg, o que inclui também resgatar algumas das propostas encaminhadas outros processos consultivos, como por exemplo a Comigrar.

As discussões online já estão ativas. O que já é possível avaliar desta etapa? Quantas pessoas já interagiram até agora é quantas são esperadas para o evento em si?
As plataformas já estão abertas para o recebimento de propostas. Acreditamos que ainda é cedo fazer uma avaliação da participação com um pouco mais de uma semana da etapa virtual aberta, contudo estamos otimistas. Os migrantes e organizações que se ocupam do tema estão engajadas nos processos de mudança e fomentando esta participação. Já estamos recebendo propostas e questionamentos acerca do processo. Para o dia do evento, estamos nos programando para receber um público estimado em 200 pessoas.

Paulo Sérgio de Almeida, presidente do CNIg, durante evento em São Paulo. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo - out.2014
Paulo Sérgio de Almeida, presidente do CNIg, durante evento em São Paulo.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo – out.2014

A participação dos imigrantes em processos consultivos como o do Fórum é fundamental, mas costuma ser um grande desafio devido à diversidade cultural, social, geográfica, etc. Como o atual Fórum pretende atender essa demanda?
O CNIg conta com a participação da sociedade civil nas suas reuniões ordinárias, mas esta é a primeira experiência de um Fórum de Participação Social do CNIg. Acredito que um dos grandes ganhos é que o encontro presencial do FPS antecederá a data de abertura do Fórum Social Mundial das Migrações (FSMM), que será um evento de magnitude internacional. Por isso contamos que a mobilização do FSMM traga uma participação mais heterogênea, do ponto de vista cultural, social, geográfica, etc ao FPS. A presença de uma etapa virtual no processo, também permite que migrantes e pessoas de todas as regiões geográficas possam participar de forma ativa no processo de consulta do FPS.

O Fórum de Participação Social acontece na véspera do FSMM. Por quê?
Foi uma articulação do CNIg com a organização do FSMM com o objetivo de aproveitar o público, estrutura e logística desse importante evento que é o FSMM no sentido garantir uma maior participação e mobilização das organizações da sociedade civil no FPS.

Qual a importância de um evento como esse, considerando o momento conturbado politicamente que o Brasil vive hoje? E que legado ele pretende deixar para seus participantes e para a sociedade brasileira?
Os processos de consulta social e de construção participativa de políticas são importantes em todos os contextos. A diversidade de nosso país e a presença multiétnica de vários povos de diferentes origens tornam ainda mais relevantes políticas de participação social. Esses processos devem fazer parte de uma política de Estado. Esperamos que o FPS aproxime o CNIg à população e que as propostas apresentadas pelos participantes sirvam como um referencial à construção de políticas migratórias pelo Estado em benefício de toda a Sociedade Brasileira.

Já é possível projetar como fica o CNIg e projetos com os quais possui vínculo, como o OBMigra, depois das mudanças recentes no governo federal, incluindo a troca de ministros?
Ainda não há definições. Contudo, o CNIg é um órgão colegiado, composto não somente por membros do governo. Assim há uma forte tendência de manutenção de suas políticas mesmo com as alterações ministeriais, pois o tema da migração responde a um fenômeno complexo e que exige transversalidade e diálogo social pelo Estado. Nesse sentido, a intenção do Conselho é que os seus projetos e parcerias, como o OBMigra por exemplo, se mantenham, pois é uma iniciativa técnico-científica realizada entre órgãos do Governo Federal e que vem prestando uma excelente e reconhecida contribuição para o Conselho e para os estudos da Migração no país. Com as pesquisas  do OBMigra podemos ter dados que permitem qualificar as análises do Conselho, permitindo uma melhor tomada de decisões.

I Diálogo de Participação Social
Data e hora: 6 de julho de 2016, a partir das 6h
Local: Faculdade Zumbi dos Palmares – Av. Santos Dumont, 813 – São Paulo (próximo à estação Armênia do Metrô)
Entrada: gratuita
Informações: Ministério do Trabalho e grupo no Facebook

 

No Bom Retiro, projeto integra escola e famílias imigrantes na Semana Mundial do Brincar

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Fachada da EMEI João Theodoro, no Bom Retiro. Bairro é foco do projeto Integração Família-Rede Socioeducativa Crédito: Reprodução/Facebook

A atividade é resultado de processo colaborativo entre a escola e as famílias; As brincadeiras acontecem na EMEI João Theodoro, de 23 a 25/5 (de segunda a quarta-feira)

Por Associação Cidade Escola Aprendiz

“O brincar que encanta o lugar”. Para celebrar o tema da Semana Mundial do Brincar desse ano, a Associação Cidade Escola Aprendiz realiza o festival “Brinca Mundo no Bom Retiro”, de 23 a 25/5, na Emei João Theodoro, localizada no bairro do Bom Retiro (centro de São Paulo).

A atividade é resultado de um processo colaborativo realizado em três etapas envolvendo educadoras e familiares dos estudantes da unidade escolar.

Com uma câmera no portão da escola, foram coletados depoimentos de pais, mães e irmãos dos alunos. Além de brasileiros, parte das famílias entrevistadas são imigrantes oriundas de países latino-americanos como Bolívia, Peru e Paraguai. Os relatos vão desde pega-pega ao improviso de se divertir em ruas, fazendas ou quintais, revelando como as atividades lúdicas podem apoiar a integração de diversas culturas, dado o número de brincadeiras em comum entre os países.

Foram realizadas também oficinas de resgate do brincar envolvendo as educadoras, nas quais puderam refletir sobre como as mudanças na cidade e na sociedade interferiram nos espaços e tempos do brincar na infância. “Sinto saudades do grupo de amigos e primos, da simplicidade e da interação das crianças para construir os brinquedos: fogões, panelinhas com argila, peteca de palha, boneca de pano”, relatou uma professora.

Na Semana Mundial do Brincar, os relatos coletados servirão de base para grupos de brincadeiras na criação de momentos lúdicos com as crianças.

Integração de famílias imigrantes

A atividade integra uma das ações do Projeto Integração Família Rede-Socioeducativa, promovido pela Associação Cidade Escola Aprendiz, em parceria com a DRE-Ipiranga e apoio do Fundo Municipal da Criança e do Adolescente (FUMCAD).

Cartaz em espanhol que divulga informações sobre a atividade na EMEI João Theodoro. Crédito: Divulgação
Cartaz em espanhol que divulga informações sobre a atividade na EMEI João Theodoro.
Crédito: Divulgação

O objetivo principal do projeto é fomentar a integração de famílias imigrantes latino-americanas aos diversos espaços e equipamentos do centro de São Paulo. Os dois principais pontos de conexão com essas comunidades são duas escolas municipais, cujo público contempla um grande número de estudantes imigrantes e/ou filhos de imigrantes.

Entre as estratégias adotadas, o projeto pretende apresentar dados relativos aos principais desafios na integração das comunidades latino-americanas a partir de um diagnóstico socioterritorial que revela as condições de vida das crianças imigrantes na região central de São Paulo.

Trabalho em rede

No intuito de formar uma rede em torno da questão da imigração, o projeto já realizou uma série de parcerias com os equipamentos socioeducativos e culturais que atuam no território, como o Fórum da Criança e do Adolescente Sé, Fórum Social Mundial das Migrações (FSMM), Rede Social do Senac Tiradentes, Conselho Participativo da Subprefeitura Sé, entre outros.

Sobre o Programa Cidades Educadoras

O Projeto Integração Família Rede-Socioeducativa integra o Programa Cidades Educadoras, desenvolvido pela Associação Cidade Escola Aprendiz. Criado em 2015, o programa visa fortalecer a demanda social por Cidades Educadoras no Brasil por meio de projetos e experiências voltados à integração entre comunidades, escolas e territórios. Trazendo o acúmulo e as metodologias de 18 anos de atuação da proposta Bairro-escola, o programa também é responsável por produzir e disseminar conteúdos relacionados à temática, além de identificar e apoiar políticas públicas que possam contribuir com a formação de Cidades Educadoras no país.

 

Serviço
Festival Brinca Mundo no Bom Retiro

Quando: de 23 a 25/5
Horário: das 11h às 15h, nos dias 23 e 24/5 e das 12h às 13h15 no dia 25/5
Onde: EMEI João Theodoro
Local: R. Ribeiro de Lima, 230 – Bom Retiro (dentro do Parque da Luz)
Para maiores informações, acesse: http://www.cidadeescolaaprendiz.org.br/

 

Em evento, refugiados tomam parte, buscam voz e apoio junto à sociedade

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Refugiados congoleses em São Paulo debatem situação do país natal. Crédito: Amanda Rossa

Com colaboração de Lya Amanda Rossa

O Centro Cultural Jabaquara, na zona sul de São Paulo, foi testemunha de parte da diversidade cultural trazida por imigrantes e refugiados para o Brasil. Organizado pelo GRIST (Grupo de Refugiados e Imigrantes Sem Teto), o evento “Quebrando as barreiras culturais com grupos de imigrantes e refugiados”, realizado no último dia 15, teve com objetivo a aproximação dos migrantes e brasileiros, além de quebrar barreiras que em geral causam distanciamentos e preconceitos.

Para isso, foi feita uma verdadeira maratona cultural no local, com cerca de 12 horas de atrações que iam de venda de artesanato e roupas a apresentações musicais e debates densos sobre a situação de países que geram refugiados e deslocados dentro e fora das próprias fronteiras. Na programação estavam grupos culturais da República Democrática do Congo, Haiti, Togo e Bolívia. Já a parte gastronômica contou com a presença dos refugiados palestinos da ocupação Leila Khaled.

“Quando uma pessoa chega aqui ela já tem uma cultura, e podemos compartilhar essa cultura. Isso nos aproxima dos brasileiros”, mostra o congolês Pitchou Luambo, coordenador do GRIST.

Evento teve venda de produtos preparados pelos próprios refugiados e imigrantes. Crédito: Amanda Rossa
Evento teve venda de produtos preparados pelos próprios refugiados e imigrantes.
Crédito: Amanda Rossa

A ideia do evento é que ele seja mensal – informações podem ser obtidas no grupo do GRIST e na comunidade Refugiados, Eu Me Importo no Facebook. Para a edição do dia 15, por exemplo, Luambo conta que o Centro Cultural Jabaquara e o transporte dos organizadores e das atrações foi conseguido com ajuda do CRAI (Centro de Referência e Acolhida para Imigrantes) da Prefeitura de São Paulo, que levou o pedido à Coordenação de Políticas para Imigrantes (CPMig) da prefeitura.

“Queremos vocês como porta-vozes”

Um dos pontos de destaque do evento foi um debate entre Luambo e outros três refugiados congoleses que exibiu um documentário sobre a situação no país. A República Democrática do Congo (ex-Zaire), situada no coração da África e o segundo maior país em extensão no continente, é rica em recursos minerais, o que tem motivado guerras de todo o tipo. Além disso, há conflitos que foram alimentados e aprofundados pelos países que colonizaram tanto o Congo como outras nações africanas. São esses fatores, somados aos abusos e perseguições cometidas em meio a eles, que geram deslocamentos forçados por todo o país – e muitos desses deslocados se tornam refugiados em outras nações.

A advogada congolesa Hortense Mbuyi criticou o silêncio da mídia e da comunidade internacional em relação à situação vivida pelo país natal. “O que se fala sobre as questões do Congo, os crimes contra a humanidade que acontecem lá? Ninguém divulga isso. Apenas os próprios congoleses sabem de verdade sobre a situação no Congo”. Um dos exemplos citados por Hortense é a exploração e a violência que as mulheres sofrem no país.

É esse silêncio em relação ao Congo e à situação de outros países que geram refugiados que os organizadores do evento desejam quebrar. “Queremos que vocês sejam nossos porta-vozes”, resumiu Guy-Baudoin Wazime, outro congolês presente ao debate. Mais conhecido como Guido, ele escreveu um livro sobre a situação do Congo e atualmente estuda tradução e interpretação.

O vídeo abaixo, chamado “Crise no Congo – Revelando a Verdade”, mostra que os relatos apresentados pelos refugiados são uma triste realidade.

O que é o GRIST?

O GRIST foi criado em 2014, com o objetivo de promover debates, eventos e palestras que visibilizem a causa dos refugiados em São Paulo, além de promover iniciativas culturais para expressar diferentes facetas de ser refugiado no Brasil. Para isso, ele é organizado em torno de quatro núcleos de atuação: saúde, música, moradia e educação.

A venda de camisetas como a da campanha “Refugiados, Eu Me importo” é uma das poucas formas de arrecadação de recursos por parte do GRIST, que dentro do possível vai cumprindo o papel para o qual foi idealizado.

“Não somos um grupo de assistencialismo, mas sim de luta pelos nossos direitos”, ressalta Luambo sobre o GRIST.

 

Copa dos Refugiados 2016 já tem data marcada; saiba mais

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Sucesso em 2014 e 2015, a Copa de Integração dos Refugiados (ou simplesmente Copa dos Refugiados) já prepara os campos, uniformes e chuteiras para este ano. A nova edição já tem data marcada e vai acontecer entre os dias 10, 16 e 17 de julho, em São Paulo.

O lançamento oficial será em 4 de junho, no Sesc Itaquera, na zona leste da capital, quando acontece o sorteio dos jogos da Copa e onde deve ser anunciado o local do evento deste ano. Para o mesmo dia também está prevista uma partida amistosa entre Camarões, a seleção campeã de 2015, e um time formado por brasileiros. E a exemplo das edições anteriores, a Copa dos Refugiados deste ano deve ter atividades paralelas para mulheres e crianças.

A Copa dos Refugiados é organizada pelos próprios refugiados e conta com apoio da Caritas Arquidiocesana de São Paulo e do escritório brasileiro do Alto Comissariado da ONU para Refugiados, o ACNUR. Ela faz parte da programação especial preparada no país para o Dia Mundial do Refugiado, que é lembrado em 20 de junho. E para essa data está prevista a palestra “Refugiados, Espaço e Oportunidades”, em local ainda a ser definido.

Quer saber o que esperar do evento? O vídeo abaixo, feito por Mônica Saraiva durante a edição de 2014, dá uma ideia:

Em 2014, o título da Copa ficou com a Nigéria. Já em 2015,  a honra coube a Camarões – que tinha sido vice no torneio anterior. No entanto, a grande vitória é dividida com os demais refugiados que, seja na organização ou com a bola, mostram vontade e capacidade de contribuir com a sociedade.
Lançamento oficial da III Copa de Integração dos Refugiados 2016
Data e hora: 4 de junho de 2016, das 11h às 15h
Local: SESC Itaquera – Av. Fernando do Espírito Santo Alves de Mattos, 1000 – Itaquera, São Paulo
Informações: link do evento no Facebook

 

Encontro em SP reúne representantes de Casas e Centros de Migrantes de todo o mundo

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Foto do Encontro da Rede Scalabriniana de Casas de Atendimento aos Migrantes, Refugiados e Marinheiros. Crédito: Divulgação/Missão Paz

Por Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs
Foto: Divulgação/Missão Paz

Realizou-se em São Paulo, Brasil, de 10 a 12 de maio de 2016, o VII Encontro Scalabriniano da Rede de Casas e Centros de Migrantes. Estiveram presentes cerca de 30 pessoas representes das casas de acolhida e centros de orientação vindos de outros continentes, tais como Manila (Filipinas), Cidade do Cabo (África do Sul), Roma (Itália), bem como representantes das casas e centros das Américas e Caribe: México, Guatemala, El Salvador, Equador, Colômbia, Chile, Bolívia, Uruguai, Argentina, Peru e Paraguai. Por parte do Brasil, estiveram representantes de Manaus, Cuiabá, Curitiba, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Florianópolis, São Paulo.

Entre os objetivos do encontro, sublinhamos três. Primeiro, traçar em linhas gerais uma visão atualizada do contexto das migrações. No contexto da crise da economia globalizada, constatou-se o aumento dos fluxos migratórios em todas as partes do mundo. A grande maioria dos que fogem da pobreza e da violência são jovens, mas vem crescendo o número de mulheres e crianças não acompanhadas. Os deslocamentos humanos de massa tornam-se cada vez mais intensos, mais complexos e mais diversificados. Novos grupos, povos e nações passam a fazer parte do xadrez desse vaivém. Hoje é difícil encontrar um país que não esteja envolvido no fenômeno migratório, seja como pais de origem, de destino ou de passagem – quando não as três coisas ao mesmo tempo. Contam-se aos milhares os que passam por tais casas e centros de migrantes.

Constatou-se igualmente um crescimento do medo e do rechaço ao imigrante, ao outro e ao estrangeiro, seja por parte dos governos e da opinião pública, seja por alguns setores da sociedade. Contribui muito para isso a confusão, por parte da mídia, no tratamento às vezes indiscriminado dos temas sobre migração, terrorismo, tráfico de pessoas e exploração sexual e trabalhista em nível internacional. No limite, tal divulgação distorcida faz recrudescer atitudes de preconceito, discriminação, xenofobia e até perseguição – o que leva à construção de novos muros e leis restritivas ao direito de ir e vir.

O segundo objetivo, como não poderia deixar de ser, consiste em intercambiar informações sobre as formas e práticas da acolhida e orientação. Vários serviços são prestados nessas casas e centros, destacando-se a hospedagem temporária e alimentação, a ajuda no processo de regularização dos documentos, a assistência social e psicológica, aprendizado da língua do país de chegada, oportunidades de profissionalização, busca de emprego e moradia, entre outros. Tudo isso, evidentemente, exige equipes de profissionais preparados, além de voluntários que procuram acompanhar o dia-a-dia desse trabalho. Não resta dúvida que a troca de ideias e de experiências traz um recíproco enriquecimento aos que, especialmente nas fronteiras e nas grandes cidades, se dedicam a essa tarefa.

O terceiro ponto da pauta tem a ver justamente com um planejamento conjunto do programa de ação, no sentido de responder aos novos desafios. “Novas realidades requem respostas novas”, diria Scalabrini. Aqui se trata de estabelecer programas, objetivos, estratégias e metas comuns em uma dupla direção. De um lado, ad intra, fortalecer a própria rede de ação para um trabalho mais articulado e eficaz. Deriva daí, por ouro lado, ad extra, a capacidade de uma maior incidência social e política, tanto em termos eclesiais quanto na sociedade de acolhida. Está em jogo também o esforço para as mudanças substanciais das leis de imigração, no sentido de “substituir os muros pelas pontes, a indiferença pela solidariedade”, nas palavras do Papa Francisco.

Encontro em SP reúne representantes de Casas e Centros de Migrantes de todo o mundo

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Foto do Encontro da Rede Scalabriniana de Casas de Atendimento aos Migrantes, Refugiados e Marinheiros. Crédito: Divulgação/Missão Paz

Por Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs
Foto: Divulgação/Missão Paz

Realizou-se em São Paulo, Brasil, de 10 a 12 de maio de 2016, o VII Encontro Scalabriniano da Rede de Casas e Centros de Migrantes. Estiveram presentes cerca de 30 pessoas representes das casas de acolhida e centros de orientação vindos de outros continentes, tais como Manila (Filipinas), Cidade do Cabo (África do Sul), Roma (Itália), bem como representantes das casas e centros das Américas e Caribe: México, Guatemala, El Salvador, Equador, Colômbia, Chile, Bolívia, Uruguai, Argentina, Peru e Paraguai. Por parte do Brasil, estiveram representantes de Manaus, Cuiabá, Curitiba, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Florianópolis, São Paulo.

Entre os objetivos do encontro, sublinhamos três. Primeiro, traçar em linhas gerais uma visão atualizada do contexto das migrações. No contexto da crise da economia globalizada, constatou-se o aumento dos fluxos migratórios em todas as partes do mundo. A grande maioria dos que fogem da pobreza e da violência são jovens, mas vem crescendo o número de mulheres e crianças não acompanhadas. Os deslocamentos humanos de massa tornam-se cada vez mais intensos, mais complexos e mais diversificados. Novos grupos, povos e nações passam a fazer parte do xadrez desse vaivém. Hoje é difícil encontrar um país que não esteja envolvido no fenômeno migratório, seja como pais de origem, de destino ou de passagem – quando não as três coisas ao mesmo tempo. Contam-se aos milhares os que passam por tais casas e centros de migrantes.

Constatou-se igualmente um crescimento do medo e do rechaço ao imigrante, ao outro e ao estrangeiro, seja por parte dos governos e da opinião pública, seja por alguns setores da sociedade. Contribui muito para isso a confusão, por parte da mídia, no tratamento às vezes indiscriminado dos temas sobre migração, terrorismo, tráfico de pessoas e exploração sexual e trabalhista em nível internacional. No limite, tal divulgação distorcida faz recrudescer atitudes de preconceito, discriminação, xenofobia e até perseguição – o que leva à construção de novos muros e leis restritivas ao direito de ir e vir.

O segundo objetivo, como não poderia deixar de ser, consiste em intercambiar informações sobre as formas e práticas da acolhida e orientação. Vários serviços são prestados nessas casas e centros, destacando-se a hospedagem temporária e alimentação, a ajuda no processo de regularização dos documentos, a assistência social e psicológica, aprendizado da língua do país de chegada, oportunidades de profissionalização, busca de emprego e moradia, entre outros. Tudo isso, evidentemente, exige equipes de profissionais preparados, além de voluntários que procuram acompanhar o dia-a-dia desse trabalho. Não resta dúvida que a troca de ideias e de experiências traz um recíproco enriquecimento aos que, especialmente nas fronteiras e nas grandes cidades, se dedicam a essa tarefa.

O terceiro ponto da pauta tem a ver justamente com um planejamento conjunto do programa de ação, no sentido de responder aos novos desafios. “Novas realidades requem respostas novas”, diria Scalabrini. Aqui se trata de estabelecer programas, objetivos, estratégias e metas comuns em uma dupla direção. De um lado, ad intra, fortalecer a própria rede de ação para um trabalho mais articulado e eficaz. Deriva daí, por ouro lado, ad extra, a capacidade de uma maior incidência social e política, tanto em termos eclesiais quanto na sociedade de acolhida. Está em jogo também o esforço para as mudanças substanciais das leis de imigração, no sentido de “substituir os muros pelas pontes, a indiferença pela solidariedade”, nas palavras do Papa Francisco.

Encontro em SP reúne representantes de Casas e Centros de Migrantes de todo o mundo

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Foto do Encontro da Rede Scalabriniana de Casas de Atendimento aos Migrantes, Refugiados e Marinheiros. Crédito: Divulgação/Missão Paz

Por Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs
Foto: Divulgação/Missão Paz

Realizou-se em São Paulo, Brasil, de 10 a 12 de maio de 2016, o VII Encontro Scalabriniano da Rede de Casas e Centros de Migrantes. Estiveram presentes cerca de 30 pessoas representes das casas de acolhida e centros de orientação vindos de outros continentes, tais como Manila (Filipinas), Cidade do Cabo (África do Sul), Roma (Itália), bem como representantes das casas e centros das Américas e Caribe: México, Guatemala, El Salvador, Equador, Colômbia, Chile, Bolívia, Uruguai, Argentina, Peru e Paraguai. Por parte do Brasil, estiveram representantes de Manaus, Cuiabá, Curitiba, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Florianópolis, São Paulo.

Entre os objetivos do encontro, sublinhamos três. Primeiro, traçar em linhas gerais uma visão atualizada do contexto das migrações. No contexto da crise da economia globalizada, constatou-se o aumento dos fluxos migratórios em todas as partes do mundo. A grande maioria dos que fogem da pobreza e da violência são jovens, mas vem crescendo o número de mulheres e crianças não acompanhadas. Os deslocamentos humanos de massa tornam-se cada vez mais intensos, mais complexos e mais diversificados. Novos grupos, povos e nações passam a fazer parte do xadrez desse vaivém. Hoje é difícil encontrar um país que não esteja envolvido no fenômeno migratório, seja como pais de origem, de destino ou de passagem – quando não as três coisas ao mesmo tempo. Contam-se aos milhares os que passam por tais casas e centros de migrantes.

Constatou-se igualmente um crescimento do medo e do rechaço ao imigrante, ao outro e ao estrangeiro, seja por parte dos governos e da opinião pública, seja por alguns setores da sociedade. Contribui muito para isso a confusão, por parte da mídia, no tratamento às vezes indiscriminado dos temas sobre migração, terrorismo, tráfico de pessoas e exploração sexual e trabalhista em nível internacional. No limite, tal divulgação distorcida faz recrudescer atitudes de preconceito, discriminação, xenofobia e até perseguição – o que leva à construção de novos muros e leis restritivas ao direito de ir e vir.

O segundo objetivo, como não poderia deixar de ser, consiste em intercambiar informações sobre as formas e práticas da acolhida e orientação. Vários serviços são prestados nessas casas e centros, destacando-se a hospedagem temporária e alimentação, a ajuda no processo de regularização dos documentos, a assistência social e psicológica, aprendizado da língua do país de chegada, oportunidades de profissionalização, busca de emprego e moradia, entre outros. Tudo isso, evidentemente, exige equipes de profissionais preparados, além de voluntários que procuram acompanhar o dia-a-dia desse trabalho. Não resta dúvida que a troca de ideias e de experiências traz um recíproco enriquecimento aos que, especialmente nas fronteiras e nas grandes cidades, se dedicam a essa tarefa.

O terceiro ponto da pauta tem a ver justamente com um planejamento conjunto do programa de ação, no sentido de responder aos novos desafios. “Novas realidades requem respostas novas”, diria Scalabrini. Aqui se trata de estabelecer programas, objetivos, estratégias e metas comuns em uma dupla direção. De um lado, ad intra, fortalecer a própria rede de ação para um trabalho mais articulado e eficaz. Deriva daí, por ouro lado, ad extra, a capacidade de uma maior incidência social e política, tanto em termos eclesiais quanto na sociedade de acolhida. Está em jogo também o esforço para as mudanças substanciais das leis de imigração, no sentido de “substituir os muros pelas pontes, a indiferença pela solidariedade”, nas palavras do Papa Francisco.

Encontro em SP reúne representantes de Casas e Centros de Migrantes de todo o mundo

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Foto do Encontro da Rede Scalabriniana de Casas de Atendimento aos Migrantes, Refugiados e Marinheiros. Crédito: Divulgação/Missão Paz

Por Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs
Foto: Divulgação/Missão Paz

Realizou-se em São Paulo, Brasil, de 10 a 12 de maio de 2016, o VII Encontro Scalabriniano da Rede de Casas e Centros de Migrantes. Estiveram presentes cerca de 30 pessoas representes das casas de acolhida e centros de orientação vindos de outros continentes, tais como Manila (Filipinas), Cidade do Cabo (África do Sul), Roma (Itália), bem como representantes das casas e centros das Américas e Caribe: México, Guatemala, El Salvador, Equador, Colômbia, Chile, Bolívia, Uruguai, Argentina, Peru e Paraguai. Por parte do Brasil, estiveram representantes de Manaus, Cuiabá, Curitiba, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Florianópolis, São Paulo.

Entre os objetivos do encontro, sublinhamos três. Primeiro, traçar em linhas gerais uma visão atualizada do contexto das migrações. No contexto da crise da economia globalizada, constatou-se o aumento dos fluxos migratórios em todas as partes do mundo. A grande maioria dos que fogem da pobreza e da violência são jovens, mas vem crescendo o número de mulheres e crianças não acompanhadas. Os deslocamentos humanos de massa tornam-se cada vez mais intensos, mais complexos e mais diversificados. Novos grupos, povos e nações passam a fazer parte do xadrez desse vaivém. Hoje é difícil encontrar um país que não esteja envolvido no fenômeno migratório, seja como pais de origem, de destino ou de passagem – quando não as três coisas ao mesmo tempo. Contam-se aos milhares os que passam por tais casas e centros de migrantes.

Constatou-se igualmente um crescimento do medo e do rechaço ao imigrante, ao outro e ao estrangeiro, seja por parte dos governos e da opinião pública, seja por alguns setores da sociedade. Contribui muito para isso a confusão, por parte da mídia, no tratamento às vezes indiscriminado dos temas sobre migração, terrorismo, tráfico de pessoas e exploração sexual e trabalhista em nível internacional. No limite, tal divulgação distorcida faz recrudescer atitudes de preconceito, discriminação, xenofobia e até perseguição – o que leva à construção de novos muros e leis restritivas ao direito de ir e vir.

O segundo objetivo, como não poderia deixar de ser, consiste em intercambiar informações sobre as formas e práticas da acolhida e orientação. Vários serviços são prestados nessas casas e centros, destacando-se a hospedagem temporária e alimentação, a ajuda no processo de regularização dos documentos, a assistência social e psicológica, aprendizado da língua do país de chegada, oportunidades de profissionalização, busca de emprego e moradia, entre outros. Tudo isso, evidentemente, exige equipes de profissionais preparados, além de voluntários que procuram acompanhar o dia-a-dia desse trabalho. Não resta dúvida que a troca de ideias e de experiências traz um recíproco enriquecimento aos que, especialmente nas fronteiras e nas grandes cidades, se dedicam a essa tarefa.

O terceiro ponto da pauta tem a ver justamente com um planejamento conjunto do programa de ação, no sentido de responder aos novos desafios. “Novas realidades requem respostas novas”, diria Scalabrini. Aqui se trata de estabelecer programas, objetivos, estratégias e metas comuns em uma dupla direção. De um lado, ad intra, fortalecer a própria rede de ação para um trabalho mais articulado e eficaz. Deriva daí, por ouro lado, ad extra, a capacidade de uma maior incidência social e política, tanto em termos eclesiais quanto na sociedade de acolhida. Está em jogo também o esforço para as mudanças substanciais das leis de imigração, no sentido de “substituir os muros pelas pontes, a indiferença pela solidariedade”, nas palavras do Papa Francisco.