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sábado, junho 27, 2026
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República Democrática do Congo vence a III Copa dos Refugiados, que ganha força a cada ano

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República Democrática do Congo é a vencedora da Copa dos Refugiados 2016. Crédito: Divulgação

“Refugiado, espaço e oportunidade” foi o tema deste ano

Por Lu Sudré

Depois de três dias de jogos e interação entre os 26 times participantes da III Copa de Integração dos Refugiados, a final entre República Democrática do Congo e Togo. E os congoleses levaram a melhor e ficaram com o título, após empate em 1 a 1 no tempo normal e vitória nos pênaltis por 3 a 2. Com isso, se juntam a Nigéria e Camarões, campeões em 2014 e 2015, respectivamente.

Os jogos foram realizados no SESC Itaquera, zona leste de São Paulo, com entrada gratuita. Organizada pela primeira vez em 2014, pegando o gancho do Mundial da Fifa, a Copa dos Refugiados teve a participação de 16 times em sua primeira edição e 19 times em 2015. Para Jean Katumba, refugiado congolês e organizador da Copa dos Refugiados, o aumento do número de times aconteceu devido ao protagonismo dos refugiados na organização do evento, que ajuda a evidenciar potencialidades escondidas que vão além do campo de futebol.

“A Copa cresce a cada ano. O nosso protagonismo na organização ajudou muito, porque convida os refugiados a trazerem novas ideias e apoio. São várias pessoas contribuindo e pensando junto. O protagonismo mostra nossas potencialidades, mostra como podemos nos sustentar, tomar a frente dos processos”, afirma Jean.  O congolês, de 37 anos, diz aos risos que apesar de seu coração e sangue torcer pelo seu país, teve que se comportar como a FIFA, imparcial, durante todo o campeonato, mesmo com as cobranças do seu time. A organização é feita com os capitães do grupo de cada país.

Neste ano a Copa reuniu 26 times, sete a mais que em 2015. Crédito: Divulgação
Neste ano a Copa reuniu 26 times, sete a mais que em 2015.
Crédito: Divulgação

Apoiada pela Caritas Arquidiocesana de São Paulo, pelo Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) e pelas Secretarias de Direitos Humanos e de Esportes da Prefeitura de São Paulo, a terceira edição da Copa dos Refugiados traz a palavra integração ao seu título, que traduz a finalidade do evento. “O Brasil acolhe os refugiados mas não nos integra. Com a Copa buscamos a integração. Este ano chamamos um time brasileiro e um time do Haiti. O objetivo é trazer união, familiaridade. Aqui eu me encontro com refugiados de Bangladesh, do Iraque e muitos outros países. Aqui podemos fazer amizade”, conta Jean.

Mesmo com os ânimos à flor da pele, típicos de boas partidas de futebol, os refugiados deixam claro que o que importa não é ganhar ou perder, e sim expor quais as dificuldades deles no país, romper as barreiras da discriminação e criar um espaço real de integração.

“A Copa não é só para o refugiado, nós jogamos para os brasileiros, para nos identificar e acabar com discriminações, preconceitos com os refugiados. Nós mostramos que temos utilidade na sociedade brasileira, que estamos aqui para compartilhar nossa vida com eles, contribuir com o crescimento do país. Somos iguais e merecemos respeito”, finaliza o congolês.

Comissão especial da Câmara aprova nova Lei de Migração; entidades alertam para tentativas de enfraquecer o texto

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Ativistas pedem aprovação do texto em substituição ao Estatuto do Estrangeiro. Crédito: Alex Ferreira/Câmara dos Deputados

A comissão especial da Câmara dos Deputados responsável pela análise do projeto que cria a nova Lei de Migrações (PL 2516/15) aprovou na tarde de quarta-feira (13/7) o relatório do deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) favorável ao texto.

A votação estava inicialmente prevista para a semana passada, mas um pedido de vista coletivo de determinados deputados adiou a análise do parecer. A proposta segue agora em regime de prioridade para votação no plenário da Câmara. Se aprovado, volta ao Senado.

De autoria do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), o projeto substitui o Estatuto do Estrangeiro, criado em 1980, durante a ditadura militar, e orientado pela proteção das fronteiras e pela segurança nacional. O texto aprovado no dia 13 abandona essa perspectiva e institui os direitos humanos como princípio norteador da política migratória nacional.

Outra mudança importante na nova lei é a previsão de defesa da igualdade dos migrantes perante a lei, independente de seu status migratório. Ou seja, nenhum migrante poderá ser criminalizado por estar em situação irregular.

“Essa aprovação é um passo importante para todos aqueles que acreditam na urgência de refundar a maneira como o Brasil acolhe os migrantes. Há aspectos que ainda precisam ser fortalecidos no texto e a sociedade civil continuará atuante para que esse novo marco normativo seja um modelo inclusive para outros países”, afirma Camila Asano, coordenadora de Política Externa da Conectas, em entrevista ao site da instituição.

Vigilância da sociedade

A sessão foi acompanhada por representantes da sociedade civil e imigrantes que exibiam cartazes com a hashtag #novaleidemigraçãojá , lançada oficialmente no encerramento do VII Fórum Social Mundial de Migrações, no último dia 10 em São Paulo.

Presentes ao Fórum, os deputados Orlando Silva e Bruna Furlan, que preside a comissão, enfatizaram o caráter suprapartidário da proposta, a necessidade de se mudar o paradigma do Estatuto do Estrangeiro, e pediram a presença dos imigrantes e da sociedade civil em Brasília, para a reunião da comissão especial.

Os deputados Bruna Furlan e Orlando Silva durante votação do PL na comissão especial da Câmara. Crédito: Alex Teixeira/Câmara dos Deputados
Os deputados Bruna Furlan e Orlando Silva durante votação do PL na comissão especial da Câmara. E ao fundo, mobilização de imigrantes e da sociedade civil.
Crédito: Alex Ferreira/Câmara dos Deputados

Embora a aprovação tenha sido celebrada e represente um passo importante em direção a uma nova Lei de Migração, a votação deixou clara a necessidade de manter e ampliar a mobilização. Em nota, seis organizações que trabalham com o tema divulgaram nota pública saudando a aprovação, mas alertando para tentativas de enfraquecer o texto.

“Lamentamos que, no último momento, a pressão de forças conservadoras articuladas em peso no momento da votação impediram que avanços maiores fossem dados no sentido de conter as arbitrariedades nos procedimentos de impedimento de entrada e repatriação, desrespeitando o devido processo legal. Essa é uma garantia constitucional fundamental, não somente em âmbito judicial – mas também administrativo-, e não pode ser relativizado”, ressalta trecho da nota, que pode ser lida na íntegra aqui.

Com informações de Conectas e Missão Paz

 

Pedido de vista adia aprovação da Lei de Migração em comissão da Câmara

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Entidades enfatizam necessidade de mobilização; FSMM deve ser ponto de partida

Por Rodrigo Borges Delfim
Colaboração de Erica Suelen de Souza
De Brasília (DF)

A expectativa era grande, mas foi adiada a votação da Lei de Migração na comissão especial da Câmara dos Deputados. Os parlamentares presentes decidiram por um pedido coletivo de vistas do Projeto de Lei 2516/2015, levando a decisão sobre o PL para a próxima reunião ordinária da comissão.

O resultado frustrou entidades da sociedade civil que marcaram presença na sessão, já que havia a expectativa de que a sessão de hoje aprovasse o projeto, deixando ele pronto para ir ao plenário da Câmara.

“Seria um passo simbólico, especialmente considerando o momento atual, às vésperas do Fórum Social Mundial de Migrações. O projeto apresentado pelo deputado Orlando Silva (PC do B-SP), em formato de substitutivo, acolhe várias das propostas feitas pela sociedade civil e avança em relação ao projeto que saiu do Senado. O risco é chegar ao recesso parlamentar sem dar esse passo importante na Câmara”, afirmou Pétalla Brandão, da Conectas Direitos Humanos.

A sessão foi iniciada pela presidente da comissão, a deputada federal Bruna Furlan (PSDB-SP), que logo passou para Orlando, o relator,  que deu parecer favorável ao PL. No entanto, objeções especialmente de setores ligados à Polícia Federal levaram ao pedido de vista por alguns dos deputados da comissão. Também haviam queixas de setores ligados à bancada evangélica que questionam a presença das questões de gênero no PL, entre outros pontos. Ao final, Bruna declarou o pedido de vista coletivo da comissão e agendou a próxima reunião ordinária para 13 de julho, em local a definir na Câmara.

Para Flávio Werneck Meneguelli, presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Distrito Federal (Sindipoldf), não se pode perder de vista questões de soberania, embora ele diga ver com bons olhos uma lei que tenha uma visão mais humana sobre o migrante. “Para a Federação, que representa aqueles que lidam diretamente com o migrante, a visão é de que a lei precisa de ajustes pontuais para que não hajam excessos para os quais o PL deixou um brecha ou outra. Estamos em contato com o relator para apresentar a visão de quem realmente trabalha com a imigração. São pontos pequenos, como o que trata de deportação e extradição. E também precisamos ver o lado do trabalhador [o agente federal] na questão da migração, para que haja um equilíbrio o direito que quem tá imigrando e a questão da soberania”.

Próximos passos

Apesar do adiamento da votação, Orlando mantém otimismo em relação ao projeto. “O texto final é fruto de dezenas de audiências públicas, de vistas técnicas, de contatos com autoridades, sociedade civil, entre outros. Nós esperamos na próxima reunião discutir o projeto e votá-lo. Eventuais ajustes podem ser feitos já no plenário, mas a expectativa é votar na comissão ainda antes do recesso parlamentar”, diz o relator.

Já para Pétalla, é preciso intensificar os esforços de advocacy para sensibilizar os parlamentares sobre a importância de se aprovar o PL, assim como mobilizar os próprios imigrantes. “É preciso que a gente consiga sair da comissão especial e levar esse projeto adiante, além de evitar possíveis retrocessos. Vamos fazer mobilizações juntos aos parlamentares nas próximas semanas. E no dia da votação seria importante uma maior presença popular em apoio a esse projeto”.

Também devem acontecer mobilizações por parte das entidades envolvidas no advocacy em relação à lei já no Fórum Social Mundial de Migrações, que começa nesta quinta em São Paulo.

Pedido de vista adia aprovação da Lei de Migração em comissão da Câmara

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Entidades enfatizam necessidade de mobilização; FSMM deve ser ponto de partida

Por Rodrigo Borges Delfim
Colaboração de Erica Suelen de Souza
De Brasília (DF)

A expectativa era grande, mas foi adiada a votação da Lei de Migração na comissão especial da Câmara dos Deputados. Os parlamentares presentes decidiram por um pedido coletivo de vistas do Projeto de Lei 2516/2015, levando a decisão sobre o PL para a próxima reunião ordinária da comissão.

O resultado frustrou entidades da sociedade civil que marcaram presença na sessão, já que havia a expectativa de que a sessão de hoje aprovasse o projeto, deixando ele pronto para ir ao plenário da Câmara.

“Seria um passo simbólico, especialmente considerando o momento atual, às vésperas do Fórum Social Mundial de Migrações. O projeto apresentado pelo deputado Orlando Silva (PC do B-SP), em formato de substitutivo, acolhe várias das propostas feitas pela sociedade civil e avança em relação ao projeto que saiu do Senado. O risco é chegar ao recesso parlamentar sem dar esse passo importante na Câmara”, afirmou Pétalla Brandão, da Conectas Direitos Humanos.

A sessão foi iniciada pela presidente da comissão, a deputada federal Bruna Furlan (PSDB-SP), que logo passou para Orlando, o relator,  que deu parecer favorável ao PL. No entanto, objeções especialmente de setores ligados à Polícia Federal levaram ao pedido de vista por alguns dos deputados da comissão. Também haviam queixas de setores ligados à bancada evangélica que questionam a presença das questões de gênero no PL, entre outros pontos. Ao final, Bruna declarou o pedido de vista coletivo da comissão e agendou a próxima reunião ordinária para 13 de julho, em local a definir na Câmara.

Para Flávio Werneck Meneguelli, presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Distrito Federal (Sindipoldf), não se pode perder de vista questões de soberania, embora ele diga ver com bons olhos uma lei que tenha uma visão mais humana sobre o migrante. “Para a Federação, que representa aqueles que lidam diretamente com o migrante, a visão é de que a lei precisa de ajustes pontuais para que não hajam excessos para os quais o PL deixou um brecha ou outra. Estamos em contato com o relator para apresentar a visão de quem realmente trabalha com a imigração. São pontos pequenos, como o que trata de deportação e extradição. E também precisamos ver o lado do trabalhador [o agente federal] na questão da migração, para que haja um equilíbrio o direito que quem tá imigrando e a questão da soberania”.

Próximos passos

Apesar do adiamento da votação, Orlando mantém otimismo em relação ao projeto. “O texto final é fruto de dezenas de audiências públicas, de vistas técnicas, de contatos com autoridades, sociedade civil, entre outros. Nós esperamos na próxima reunião discutir o projeto e votá-lo. Eventuais ajustes podem ser feitos já no plenário, mas a expectativa é votar na comissão ainda antes do recesso parlamentar”, diz o relator.

Já para Pétalla, é preciso intensificar os esforços de advocacy para sensibilizar os parlamentares sobre a importância de se aprovar o PL, assim como mobilizar os próprios imigrantes. “É preciso que a gente consiga sair da comissão especial e levar esse projeto adiante, além de evitar possíveis retrocessos. Vamos fazer mobilizações juntos aos parlamentares nas próximas semanas. E no dia da votação seria importante uma maior presença popular em apoio a esse projeto”.

Também devem acontecer mobilizações por parte das entidades envolvidas no advocacy em relação à lei já no Fórum Social Mundial de Migrações, que começa nesta quinta em São Paulo.

Pedido de vista adia aprovação da Lei de Migração em comissão da Câmara

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Entidades enfatizam necessidade de mobilização; FSMM deve ser ponto de partida

Por Rodrigo Borges Delfim
Colaboração de Erica Suelen de Souza
De Brasília (DF)

A expectativa era grande, mas foi adiada a votação da Lei de Migração na comissão especial da Câmara dos Deputados. Os parlamentares presentes decidiram por um pedido coletivo de vistas do Projeto de Lei 2516/2015, levando a decisão sobre o PL para a próxima reunião ordinária da comissão.

O resultado frustrou entidades da sociedade civil que marcaram presença na sessão, já que havia a expectativa de que a sessão de hoje aprovasse o projeto, deixando ele pronto para ir ao plenário da Câmara.

“Seria um passo simbólico, especialmente considerando o momento atual, às vésperas do Fórum Social Mundial de Migrações. O projeto apresentado pelo deputado Orlando Silva (PC do B-SP), em formato de substitutivo, acolhe várias das propostas feitas pela sociedade civil e avança em relação ao projeto que saiu do Senado. O risco é chegar ao recesso parlamentar sem dar esse passo importante na Câmara”, afirmou Pétalla Brandão, da Conectas Direitos Humanos.

A sessão foi iniciada pela presidente da comissão, a deputada federal Bruna Furlan (PSDB-SP), que logo passou para Orlando, o relator,  que deu parecer favorável ao PL. No entanto, objeções especialmente de setores ligados à Polícia Federal levaram ao pedido de vista por alguns dos deputados da comissão. Também haviam queixas de setores ligados à bancada evangélica que questionam a presença das questões de gênero no PL, entre outros pontos. Ao final, Bruna declarou o pedido de vista coletivo da comissão e agendou a próxima reunião ordinária para 13 de julho, em local a definir na Câmara.

Para Flávio Werneck Meneguelli, presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Distrito Federal (Sindipoldf), não se pode perder de vista questões de soberania, embora ele diga ver com bons olhos uma lei que tenha uma visão mais humana sobre o migrante. “Para a Federação, que representa aqueles que lidam diretamente com o migrante, a visão é de que a lei precisa de ajustes pontuais para que não hajam excessos para os quais o PL deixou um brecha ou outra. Estamos em contato com o relator para apresentar a visão de quem realmente trabalha com a imigração. São pontos pequenos, como o que trata de deportação e extradição. E também precisamos ver o lado do trabalhador [o agente federal] na questão da migração, para que haja um equilíbrio o direito que quem tá imigrando e a questão da soberania”.

Próximos passos

Apesar do adiamento da votação, Orlando mantém otimismo em relação ao projeto. “O texto final é fruto de dezenas de audiências públicas, de vistas técnicas, de contatos com autoridades, sociedade civil, entre outros. Nós esperamos na próxima reunião discutir o projeto e votá-lo. Eventuais ajustes podem ser feitos já no plenário, mas a expectativa é votar na comissão ainda antes do recesso parlamentar”, diz o relator.

Já para Pétalla, é preciso intensificar os esforços de advocacy para sensibilizar os parlamentares sobre a importância de se aprovar o PL, assim como mobilizar os próprios imigrantes. “É preciso que a gente consiga sair da comissão especial e levar esse projeto adiante, além de evitar possíveis retrocessos. Vamos fazer mobilizações juntos aos parlamentares nas próximas semanas. E no dia da votação seria importante uma maior presença popular em apoio a esse projeto”.

Também devem acontecer mobilizações por parte das entidades envolvidas no advocacy em relação à lei já no Fórum Social Mundial de Migrações, que começa nesta quinta em São Paulo.