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quinta-feira, maio 7, 2026
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Mediterrâneo: uma encruzilhada de sonhos e pesadelos

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Porta Di Lampedusa, monumento erguido em homenagem aos migrantes que perdem a vida tentando entrar na Europa. Crédito: Reprodução/Global Project

Por Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs

Não se detém a maré de imigrantes
que do Oriente Médio e do continente africano
procuram desembarcar na Europa,
numa travessia sempre mais procurada e arriscada.

Na verdade, quem será capaz de deter
um povo tangido pela pobreza, a fome e a violência?
Não há lei, muro, fronteira ou obstáculo
que possa impedir o jovem de buscar
um futuro melhor para si e para a família!
Está em jogo não apenas a mera sobrevivência,
mas a vida “e vida em plenitude”!

Por isso, continua a esperança, a luta e o sonho:
somente na última semana de maio/2016
mais de 14 mil pessoas chegaram ao sul da Itália.
Muitas foram salvas pela Guarda Costeira:
fogem às centenas do Iraque, da Síria, do Afeganistão,
da Eritreia, da Somália, do Egito, da Líbia…
Para tentar a sorte no velho continente.

No mesmo período, entretanto,
cerca de 700 vítimas foram tragadas
pelas águas bravias e indiferentes do oceano,
incluindo boa parte de mulheres e crianças
e sem contar as centenas de pessoas anônimas
que figuram como “desaparecidos”.
Mediterrâneo, encruzilhada de sonhos e pesadelos,
Transformado em verdadeiro “cemitério de imigrantes”.

Roma, 30 de maio de 2016

 

Futebol além das fronteiras: sorteio abre e define partidas da III Copa dos Refugiados

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Evento de lançamento da Copa teve jogo amistoso entre refugiados e brasileiros. Crédito: Lu Sudré/MigraMundo

Os jogos da III Copa de Integração dos Refugiados acontecerão nos dias 10, 16 e 17 julho,  no SESC Itaquera, com entrada gratuita

Por Lu Sudré

“Futebol é a minha vida. Sabe aquelas pessoas que falam: ‘Minha vida é meu trabalho e minha família?’ Pra mim é só trocar o trabalho pelo futebol”, conta o congolês Darmol, de 19 anos, enquanto assiste os refugiados de Camarões jogarem uma partida de seu esporte preferido contra um time de brasileiros.

Refugiado no Brasil há um ano e quatro meses, Darmol presta atenção e comenta os lances da arquibancada. O meio-campo do time do Congo aproveitava para descansar após a partida que jogou minutos antes contra brasileiros, em que os congoleses saíram vitoriosos.

Os refugiados entraram em campo em razão da abertura da III Copa de Integração dos Refugiados, que aconteceu no último sábado (04) no SESC Itaquera, zona leste de São Paulo. A abertura oficial contou com sorteio dos times que jogarão a primeira rodada, que  podem ser conferidos ao final do texto, e também com jogos amistosos entre os campeões da última Copa e dois times brasileiros convidados pelo SESC. Com entrada gratuita, os demais jogos acontecerão dia 10, 16 e 17 de julho – eliminatórias, semifinal e final, respectivamente – também no SESC Itaquera.

Sorteio definiu os jogos da primeira fase da Copa dos Refugiados. Crédito: Divulgação
Sorteio definiu os jogos da primeira fase da Copa dos Refugiados.
Crédito: Divulgação

Organizada pela primeira vez em 2014, pegando o gancho do Mundial da Fifa, a Copa dos Refugiados teve a participação de 16 times em sua primeira edição e 19 times em 2015. Este ano, são ao todo 26 seleções na disputa – algumas delas participaram de jogos eliminatórios no final de maio para definir os 16 times que disputarão a fase de julho. A Nigéria foi campeã da primeira edição e Camarões, vice da Copa dos Refugiados em 2014, levou o título no ano passado.

Promovido pelos próprios refugiados, o evento é apoiado pela Caritas Arquidiocesana de São Paulo, pelo Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) e pelas Secretarias de Direitos Humanos e de Transporte da Prefeitura de São Paulo.

“Jogava profissionalmente na minha terra mas aqui a realidade da vida é outra. Tem o problema da língua, da documentação, é complicado. Eu fui na Portuguesa uma vez pra fazer um teste mas não pude por conta de documento”, explica Darmol, que fala português muito bem mas sem deixar o sotaque de lado.

O congolês veste o uniforme do time, mas tem uma camiseta preta e branca enrolada no pescoço. Adotou o Corinthians como seu time brasileiro. “Pra mim é uma grande oportunidade. Não tenho ninguém pra me levar e apresentar nos times, mas enquanto estamos jogando aqui na Copa dos Refugiados pode ter algum olheiro assistindo. Se jogar bem, como eu, pode dar certo. Dois minutos jogando e eles já percebem que sou bom”, diz aos risos.

O Congo foi vice-campeão ano passado e a expecta expectativa é de Darmol é que o segundo lugar possa se tornar o primeiro novamente. Mas se depender de João Patrik, goleiro de Camarões e refugiado há quase cinco anos no Brasil, isso não vai acontecer. “Estou aqui pra defender o troféu que ganhamos ano passado e estou torcendo para ganharmos de novo”, afirma com muita confiança, mas logo em seguida brinca e admite que está um pouco preocupado porque ganhou peso do ano passado pra cá e seu preparo físico não é mais o mesmo.

Para o camaronês de 40 anos, a Copa de Integração dos Refugiados é um momento de diversão. “É pros estrangeiros poderem se juntar e comemorar que o momento difícil que nos fez vir pra cá passou para nós. É momento de comemoração. Não importa quem ganha, o que importa é que estamos rindo, felizes. O jogo só acompanha nossa alegria”.

Segundo Maria Cristina Morelli, coordenadora da Caritas Arquidiocesana de São Paulo, centro de referência para refugiados que há décadas desenvolve um trabalho social com os solicitantes de refúgio e refugiados do país, o mais importante é atenção que se volta para a temática do refúgio por meio da Copa. “Não é o jogo pelo jogo e sim pela sensibilização do tema. O futebol aproxima as pessoas e, por ser um esporte que gostamos muito, é uma forma de aproximar os brasileiros dos refugiados”, afirma.

Integração é uma das grandes mensagens da Copa dos Refugiados, que chega à terceira edição. Crédito: Divulgação
Integração é uma das grandes mensagens da Copa dos Refugiados, que chega à terceira edição.
Crédito: Divulgação

De acordo com dados divulgados recentemente pelo Comitê Nacional dos Refugiados (Conare), o Brasil tem hoje 8.863 refugiados reconhecidos. “Além da integração, o evento dá visibilidade aos refugiados de outras nacionalidades que não estão na mídia. Ano passado recebemos 87 nacionalidade diferentes na Caritas”, complementa a coordenadora, que ressalta o protagonismo dos refugiados para realizar o evento. “Eles organizaram esta edição da Copa com total autonomia. Foram atrás de parceiros, doações, camisetas, medalhas e cobertura da mídia. Isso é muito importante, deve ser valorizado”.

Por meio de um convênio entre o SESC e a Caritas, os refugiados tem direito aos serviços da instituição por meio da Matrícula de Interesse Social (MIS). “É uma obrigação humanitária. Estendemos as atividades do SESC para essas pessoas”, pontua Denise Orlandi Collus, gerente de Estudos e Programas Sociais da instituição.

Veja quais serão as partidas da primeira rodada da Copa, a partir das 10h:

Jogos do primeiro dia da Copa dos Refugiados. Crédito: Divulgação
Jogos do primeiro dia da Copa dos Refugiados.
Crédito: Divulgação

Programa de advocacy do Adus debate refúgio e lança relatório anual

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Escola da Cidade, que volta a receber o evento de lançamento do Relatório Adus neste ano. Crédito: Divulgação/Adus

O programa de Advocacy do Adus – Instituto de Reintegração do Refugiado promove, anualmente, um evento de formação sobre temas do refúgio. A edição deste ano está marcada para 11 de junho, a partir das 11h, na Escola da Cidade, em São Paulo – que já recebeu outras atividades do Adus.

O evento é gratuito, mas necessita inscrição devido à capacidade do local. As inscrições podem ser feitas neste link.

Chamado de Diálogos Adus, o evento trará neste ano debates sobre a proteção que o instituto do refúgio prevê e os desafios à integração dos refugiados no Brasil, mediados por membros da Cátedra Sérgio Vieira de Mello do ACNUR, pela Universidade Católica de Santos. A integração local é uma das soluções duradouras buscadas às migrações forçadas.

O evento será seguido pela comemoração de lançamento do Relatório Anual 2016, elaborado a partir das pesquisas conduzidas pelos grupos de trabalho do projeto Pesquisa e Conteúdo do Adus.

Veja abaixo a programação completa (Sujeita a alterações até o dia do evento). E quer saber como foi a edição do ano passado? O site Caminhos do Refúgio tem um relato completo

 

9:30 -10:15: Abertura do Adus e da Cátedra Sérgio Vieira de Mello

 

10:15 – 12:15: Experiências locais de reintegração: perspectivas de policymakers, mediado pela Professora Fernanda de Magalhães Dias Frinhani da CSVM/Acnur na Unisantos:

– Guilherme Arosa Prol Otero, Representante Coordenação de Políticas para Migrantes SMDHC de São Paulo

– Deputado Carlos Bezerra, Deputado Estadual de São Paulo, Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, da Cidadania, da Participação e das Questões Sociais

 

12:15 – 13:30: Almoço com culinária típica preparada e vendida por refugiados

 

13:30 – 15:00: Experiências locais de reintegração: perspectivas das Organizações da Sociedade Civil, mediado pela Professora Silvia Viodres da CSVM/Acnur na Unisantos:

– Paulo Amâncio, Sefras/CRAI

– Aline Bammann, ADUS/Orientação de Trajeto

– Andrea Carabantes, Equipe de Base Warmis – Convergência das Culturas

– Margareth Zoéga, Coletivo Conviva Diferente

 

15:00 – 16:30: Experiências locais de reintegração: perspectivas de refugiados, mediado pela Professora Denise Martin Coviello da CSVM/Acnur na Unisantos:

– Godet Nkolobise Bolumbu, Congo

– Mohamad Yassar Alsaheb, Síria

– Leon, Palestina

 

17:00: Lançamento do Relatório Adus 2016

 

Crédito: Divulgação
Crédito: Divulgação

Diálogos Adus e lançamento do relatório anual 
Data e hora: 11 de junho, das 9h30 às 18h30
Local: Escola da Cidade – Rua General Jardim, 65 – Centro – São Paulo (SP)
Entrada: gratuita, mas necessita inscrição (inscreva-se aqui)

 

Espetáculo teatral Tempo Suspenso expressa os dramas da imigração e refúgio por meio da dança

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Cia Artesãos do Corpo apresentando "Tempo Suspenso" na Galeria Olido, Abril/2016. Crédito: Fábio Pazzini

Por Priscila Pacheco

“Partir, sem olhar pra trás, sem nada levar. No olhar as últimas imagens da destruição – será que nos veremos de novo?”, diz a citação que abre o folder do espetáculo teatral Tempo Suspenso. As frases no papel corroem a consciência da plateia, mas a expressão corporal de cada artista no palco provoca mais ainda.

A produção da Cia. Artesãos do Corpo fala de imigração e refúgio de forma poética, mas é a poesia do corpo. Afinal, a base da encenação é a coreografia que apresenta a angústia de quem é obrigado a sair da terra natal. Assim, Tempo Suspenso é uma peça de teatro para quem busca refletir sobre processos migratórios e gosta de dança. Dança inquietante, já adianto.

Sem ao menos uma palavra dita verbalmente, algumas cenas angustiam e comovem. A cena do mar, os corpos se contorcendo, tudo faz com que seja impossível se manter indiferente à causa migratória. Quando as palavras são ditas muita coisa se confunde. Não é um defeito da peça. Trata-se da expressão do quanto muitas coisas podem ser confusas para um imigrante ou refugiado. A perda de identidade, o novo idioma, a busca pelo emprego. Neste emaranhado de frases e corpos contorcidos vem a empatia.

Óbvio que o sentimento vai depender da visão de cada pessoa presente na plateia. Pode causar angústia, medo, preocupação, mas não indiferença. É aqui que está o ponto máximo da produção: Não há como ficar indiferente. Quando um corpo se contorce algo será provocado. Ahhh… e as sombras? Há um jogo de luz e sombra estonteante. Trilha sonora? Não poderia faltar. Ela também tem um papel fundamental durante a peça.

O folder citado no início deste texto também traz uma palavra bem instigante. GeoCOREOgrafia. O que é geoCOREOgrafia? Creio que cada pessoa pode pensar em uma resposta de acordo com a interpretação que fizer da peça. Todavia, penso que espaço, dança e corpos são termos chave para refletir sobre a resposta.

Tempo Suspenso fica em cartaz até o dia 19 de junho no Complexo Cultural FUNARTE, em São Paulo.

Tempo Suspenso – Cia. Artesãos do Corpo (nova temporada)
Data e hora: de 03 a 19 de junho (sexta e sábado às 19h30, e domingo às 18h)
Local: Complexo Cultural Funarte
Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elíseos – São Paulo (SP)
Entrada: gratuita (retirada de ingressos com uma hora de antecedência na bilheteria)
Informações: http://ciaartesaosdocorpo.art.br/site/ e (11) 3331-8399

 

Inconstitucional, Estatuto do Estrangeiro continua cerceando imigrantes e negando cidadania

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Luta pela cidadania e garantia de direitos é uma das pautas de imigrantes e da sociedade civil organizada. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

Por Rodrigo Borges Delfim

A mudança na legislação migratória é uma bandeira antiga dos imigrantes e da sociedade civil organizada em torno da temática dos migrantes no Brasil. E acontecimentos recentes mostraram o quanto essa mudança é necessária para garantir cidadania aos não-brasileiros que compõem a sociedade brasileira.

Herança da ditadura militar e em vigor desde 1980, o chamado Estatuto do Estrangeiro enxerga o imigrante como uma questão de segurança nacional e uma potencial ameaça ao país. Ela é anterior à Constituição Federal de 1988, e como vai contra o espírito da Carta Magna, tem boa parte de seus artigos considerados inconstitucionais desde então. Mesmo assim, essa legislação migratória continua em vigor e regula tanto a permanência como o ingresso de estrangeiros no país.

Na Marcha dos Imigrantes de 2015, cartazes pedem fim do Estatuto do Estrangeiro. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Na Marcha dos Imigrantes de 2015, cartazes pedem fim do Estatuto do Estrangeiro.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

“É preciso grande cautela em relação à sua aplicação [o Estatuto]. A Constituição Federal de 1988 estabelece a igualdade entre nacionais e não nacionais, com a exclusiva exceção dos direitos políticos, o que também está em discussão a exemplo da PEC 347/2013 [que institui o direito ao voto para o imigrante, mas está parada no Congresso Nacional]. Dessa forma, qualquer norma que negue direitos por questão de nacionalidade colide com a Constituição Federal e assume um caráter inconstitucional. Aliás, esse é o entendimento de que a mobilidade humana internacional, como fato social, não representa tema de segurança nacional, mas sim de direitos humanos. Disso tudo, verifica-se a urgência de aprovação do novo marco legal para as migrações no Brasil que revogue integralmente o Estatuto do Estrangeiro”, analisa Giuliana Redin, professora do Departamento de Direito e da Pós-Graduação em Direito da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria).

O Estatuto era considerado até “esquecido” por certos atores e instituições ligadas à temática migratória por supostamente “não ser mais aplicado”. Mas ele foi invocado e aplicado em pelo menos dois grandes acontecimentos nos últimos meses, ambos relacionados ao artigo 107  do Estatuto, que proíbe a participação de imigrantes em atividades políticas – proibição que não encontra respaldo na Constituição Federal atual.

A primeira delas foi a intimação para depor da professora italiana Maria Rosaria Berbato, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Em 7 de abril passado ela foi intimada a depor na Polícia Federal de Belo Horizonte por conta da participação em debates e eventos sobre a crise política atual no país. A outra foi a carta aberta publicada em 15 de abril pela Fenapef (Federação Nacional dos Policiais Federais), a partir dos boatos de que imigrantes da Bolívia, Paraguai e Venezuela estariam “invadindo” o Brasil para engrossar os atos em apoio à agora presidente afastada, Dilma Rousseff. Os boatos foram desmentidos, mas tiveram repercussão em grandes meios de comunicação do país, especialmente após a carta da Fenapef invocar o artigo 107 do Estatuto.

Os bolivianos que estavam nos ônibus parados na GO-060, na verdade, vieram a Goiânia para evento do Grupo Sion, do ramo imobiliário. Crédito: PRF-GO
Os bolivianos que estavam nos ônibus parados na GO-060, na verdade, vieram a Goiânia para evento do Grupo Sion, do ramo imobiliário. Crédito: PRF-GO

“A instrumentalização de sanções como deportação e expulsão tal como previsto nessa legislação também pode ser considerada inconstitucional na medida em que inexiste o direito fundamental ao devido processo legal e são aplicadas a partir do poder discricionário, sem fato tipificado. Eventual invocação de dispositivos inconstitucionais dessa natureza implicaria em uma política de medo e de constrangimento ao exercício e reivindicação de outros direitos, o que é gravíssimo na perspectiva do Estado Democrático de Direito, sobretudo nesse momento histórico de crise política. Para que não sejam estabelecidas arbitrariedades em razão de uma legislação autoritária ainda vigente, pelo seu mau uso ou interpretação equivocada, é fundamental que essa legislação seja definitivamente revogada”, lembra Giuliana.

Reações

A sociedade civil organizada tem reagido contra as invocações recentes do Estatuto do Estrangeiro com debates e outras manifestações públicas. Uma delas aconteceu no último dia 6 de maio, em evento prévio do VII FSMM (Fórum Social Mundial de Migrações), que lembrou que a manutenção do Estatuto é uma das responsáveis pela fragilidade social vivenciada pelos imigrantes no Brasil.

Também tem sido divulgadas notas públicas e até mesmo estudos mostrando a defasagem do Estatuto do Estrangeiro em um contexto federal e até internacional. O ITTC (Instituto Terra, Trabalho e Cidadania) divulgou um documento intitulado “Nota técnica: Constituição e tratados garantem o direito à participação política e sindical às pessoas migrantes no Brasil”.

“Diversos autores apontaram que, com a promulgação da Constituição Federal de 1988, o Estatuto em questão mantém artigos que não podem ser aplicados, como por exemplo os que limitam o acesso a direitos básicos como educação, saúde e moradia”, cita o documento, que lembra ainda tratados internacionais assinados pelo Brasil e que vão contra a legislação migratória ainda vigente. É mais um elemento que ajuda a reforçar a necessidade de mudança do marco legal das migrações no país.

As pressões já produziram pelo menos um efeito prático. A Comissão de Direitos Humanos do Senado aprovou uma audiência pública dentro do grupo para discutir “as tentativas de coibir a participação política de cidadãos estrangeiros no Brasil”. Mesmo ainda sem uma data definida, a aprovação da reunião já é considerada um avanço.

“Essa audiência é politicamente importante. Está na hora de pressionar a comissão especial da Câmara a examinar o novo projeto de lei”, ressalta a professora Bela Feldman-Bianco, professora colaboradora do programa de pós-graduação em antropologia social da Unicamp. Ela ainda é representante da ABA, a Associação Brasileia de Antropologia, que tem se posicionado com veemência contra as invocações recentes do Estatuto do Estrangeiro.

Projetos em pauta

O histórico de propostas para mudar o marco legal das migrações no Brasil remontam ao começo dos anos 1990, mas nenhuma delas conseguiu reunir forças a ponto de ser aprovada. Um dos projetos que chegou mais longe é o PL 2516/2015, que atualmente está na fila de pautas da Câmara dos Deputados.

O PL tem como base um projeto no Senado, o PLS 288/2013, de autoria do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP). A esse projeto foram agregadas sugestões feitas no Anteprojeto de Lei de Migrações, criado por uma comissão de especialistas nomeada pelo Ministério da Justiça entre 2013 e 2014 e que foi alvo de diversas audiências públicas nesse período. Já aprovado em comissões do Senado, o PLS foi direto para a Câmara, onde virou o PL 2516/2015 e agora depende de apreciação por parte dos deputados para ser aprovado ou retornar ao Senado – se isso acontecer, o projeto terá de ser votado em plenário pelos parlamentares.

A comissão que analisa o projeto desde que chegou à Casa, em agosto de 2015, é presidida pela deputada Bruna Furlan (PSDB-SP) e tem como relator o deputado Orlando Silva (PC do B-SP). “Entendemos que os migrantes podem nos ajudar. E gostamos de acolher aqueles que escolhem o Brasil para viver”, disse Bruna, durante encontro em Brasília com entidades da rede de proteção a migrantes, em outubro passado. “A Lei do Senado rompe parâmetros e avançou, mas é sempre possível avançar mais um pouco”, reforçou Silva no mesmo evento.

Orlando Silva e Bruna Furlan (2º e 3º, da esquerda para a direita), durante evento das redes de proteção para imigrantes. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo (out.2015)
Orlando Silva e Bruna Furlan (2º e 3º, da esquerda para a direita), durante evento das redes de proteção para imigrantes.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo (out.2015)

O PL tinha o mês de novembro de 2015 como previsão inicial de votação em plenário, mas acabou deixado de lado em parte por conta da crise política, mas também por divisões em meio à sociedade civil organizada sobre o projeto. Ainda pairam dúvidas e receios sobre como ficaria a divisão de atribuições com a mudança – a concentração de poderes na Polícia Federal e a presença ou não de uma entidade civil como autoridade nacional migratória estão entre as principais questões. Já aconteceram outras audiências em torno do PL este ano, mas em um ritmo bem menor do que no fim do ano passado.

E no fim de maio, o projeto na Câmara teve o acréscimo do PL 5293/2016, de autoria do deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), que foi apensado ao PL 2516/2015 e “define a situação jurídica do estrangeiro no Brasil, cria o Conselho Nacional de Imigração, e dá outras providências”. O histórico da tramitação do projeto pode ser consultado aqui.

“Infelizmente nós não conseguimos revogar o Estatuto nos últimos anos. Na hora que estávamos fortes e tínhamos condições de fazer, as forças se dividiram por conta de interesses próprios. Não adianta contemplar interesses pontuais e deixar uma estrutura que, no todo, depõe contra nós. Não fizemos o avanço no momento que deveria ter sido feito e a situação atual não nos ajuda. Vamos acompanhar o que vai acontecer com atenção para sabermos como agir”, refletiu a professora Deisy Ventura, do Instituto de Relações Internacionais da USP e que integrou a comissão de especialistas que elaboraram o Anteprojeto, durante o evento pré-FSMM em maio.

Com esse atraso, existe o temor de que o PL acabe obsoleto antes mesmo de ser aprovado – e com isso, que o Estatuto do Estrangeiro ganhe nova sobrevida e continue a gerar situações de insegurança jurídica e social para imigrantes no Brasil.

“Descobrindo Tradições em São Paulo”, Festa do Imigrante vai até dia 12; veja programação

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A já tradicional Festa do Imigrante começa neste domingo (5) em São Paulo e também acontece nos dias 11 e 12 de junho. Cerca de 50 nacionalidades estarão representadas em atividades de gastronomia, dança, artesanato e música.

A programação está disponível no site do Museu e também pode ser acessada aqui.

Em 2015, foram cerca de 20 mil pessoas presentes ao evento. A expectativa da organização é de receber mais visitantes na edição deste ano, que tem como lema a frase “Descobrindo Tradições em São Paulo”.

“Para gente é muito importante pensar que essas pessoas que vem para a festa para provar diferentes tipos de comida ou ver parentes dançar possam passar pela exposição e viver essa experiência, se identificar com ela e com as pessoas que compõem essa festa vai potencializar muito essa festa. Essa não é uma festa comercial e a festa tem como maior objetivo compartilhar esse patrimônio, esse saber”, declarou Marília Bonas, diretora do Museu, em entrevista ao MigraMundo em maio de 2014.

O evento é uma bela oportunidade de ver, no mesmo lugar, o passado e presente das comunidades migrantes em São Paulo – seja por meio da herança cultural deixada pelos antepassados, seja pelas manifestações e experiências dos imigrantes que continuam a chegar no Brasil. O vídeo abaixo, da edição de 2015, dá uma amostra do que esperar da festa.

Sobre o local

O Museu da Imigração funciona no local que abrigou a Hospedaria de Imigrantes do Brás de 1887 a 1978. Neste período, 2,5 milhões de pessoas de mais de 70 nacionalidades passaram pelo local, que também abrigava um ambulatório médico, a Agência Oficial de Colonização e Trabalho, e uma agência dos correios.

O evento é uma oportunidade rara de circular não apenas pelo Museu da Imigração, mas sobretudo pela área que hoje é ocupada pelo Arsenal da Esperança, instituição que ocupa cerca de 60% da antiga hospedaria e abriga por noite cerca de 1.100 pessoas em situação de rua – muitas delas nascidas em outras cidades ou regiões e até mesmo de outros países. Ou seja, não é exagero dizer que o Arsenal dá continuidade à função exercida pela antiga hospedaria.

Serviço

21ª Festa do Imigrante
Data e hora: 05, 11 e 12 de junho, das 10 às 17 horas
Local: Museu da Imigração, Rua Visconde de Parnaíba, 1.316, Mooca, São Paulo (SP)
(próximo à estação Bresser-Mooca do metrô)
Ingressos: R$ 6,00
Mais informações: http://museudaimigracao.org.br/wp-content/uploads/2015/12/MUSEU-DA-IMIGRACAO_21_festa-do-imigrante_Programacao_versao-digital_5.pdf

Italiana em SP busca apoio para unir aulas de italiano e culinária em um único curso

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Manuela dá aulas de italiano e culinária em uma paróquia dos Jardins, em São Paulo. Crédito: Eva Bella

Com colaboração de Eva Bella

Na Paróquia da Assunção de Nossa Senhora, no Jardim Paulista (zona oeste de São Paulo), todas as segundas-feiras, a italiana Manuela Barbolan, 47, conduz as aulas de italiano e cativa os alunos com simpatia, bom humor e histórias da terra natal. E já planeja voos mais altos

Vegana e esportista (disputa corridas de rua e até maratonas), Manuela nasceu em Treviso, cidade da região do Veneto e próxima a Veneza, e chegou ao Brasil em 2013. Aqui ela faz consultoria para empresas italianas – um trabalho parecido com a consultoria que tinha na Itália, que ela decidiu fechar pela necessidade que sentia de mudar a própria vida.

“Estava cansada de tudo, e meu sonho estava em mudar de vida”, resume.

Como forma de entender melhor o Brasil, começou a dar aulas de italiano como voluntária na Paróquia da Assunção, a partir de uma oportunidade oferecida pelo pároco do local. Nas aulas, conforme ia conhecendo melhor os brasileiros, percebeu que as famosas receitas italianas feitas por aqui são diferentes das versões originais, da terra natal de Manuela. Daí nasceu o curso Cuciniamo in Italiano, ministrado por ela gratuitamente na paróquia.

No curso, Manuela usa o idioma italiano para falar das diferenças entre os pratos “daqui” e “de lá”, especialmente das regiões do Veneto, Friuli, Venezia Giulia e Trentino Adige. Por enquanto as aulas são teóricas, mas ela busca um espaço para unir de fato o idioma italiano ao ensino da famosa culinária da terra natal. “Sou gourmet e apaixonada por cozinha. E tratam-se de pratos que agora a Itália está redescobrindo”, conta a consultora e professora voluntária.

Enquanto o novo espaço não chega, Manuela começa a levar seus alunos para mercados e mercearias, onde usa o italiano para explicar as diferenças entre queijos e massas, por exemplo. Nomes de frutas, verduras e outros artigos também são recordados em italiano. Outros passeios estão nos planos da professora.

Manuela leva os alunos para mercados como extensão das aulas de italiano. Crédito: Eva Bella
Manuela leva os alunos para mercados como extensão das aulas de italiano.
Crédito: Eva Bella

As visitas são uma verdadeira aula prática do idioma, que ela sonha em expandir até mesmo para estabelecimentos comerciais.

“Eu posso ir falar sobre a comida e até falar em italiano. Vamos construindo um projeto personalizado, de acordo com as necessidades do restaurante e partilhar isso com funcionários e clientes. Pode ser um buffet, um curso ou uma outra forma. Juntos vamos divulgar a verdadeira comida italiana”, projeta a professora.

 

Números recentes mostram que mar Mediterrâneo continua a virar “cemitério de imigrantes”

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A marinha italiana divulgou imagens do exato momento em que um barco com cerca de 500 pessoas afunda próximo à costa da Líbia. Crédito: Marina Militare

Atualizado em 31/05/16

A cena de um barco com imigrantes virando na costa da Líbia correu o mundo. O flagra foi feito pela Marinha italiana, que resgatou parte dos ocupantes da embarcação. Mas a imagem é apenas o exemplo de uma realidade e de estatísticas que crescem a cada dia.

Segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, o ACNUR, cerca de 700 pessoas morreram em travessias no mar Mediterrâneo entre a costa da Líbia e a Itália somente na última semana. Considerado dados do começo de 2016 até a semana passada, a cifra sobe para 2.500.

Já a Organização Internacional para as Migrações (OIM), aponta que, desde o começo do ano até 27 de maio, 1.475 pessoas morreram tentando chegar à Europa – incluindo outras rotas. Só na travessia Líbia-Itália seriam pelo menos 1.093 mortos, de acordo com a entidade.

Os números tendem a aumentar ainda mais conforme o verão europeu se aproxima, temporada na qual o mar costuma ficar menos revolto – e a travessia, um pouco menos perigosa e letal.

As cifras do ACNUR e da OIM são novas evidências de que o fechamento da chamada Rota Balcânica e o acordo da União Europeia com o governo da Turquia têm efeito nulo sobre a questão da mobilidade humana em direção à Europa. Pelo contrário, apenas contribuem para precarizar ainda mais a situação daqueles que buscam chegar ao Velho Continente, independente dos motivos que levam cada um a se arriscar em uma jornada que é uma verdadeira loteria.

Em reportagem publicada em março passado, por exemplo, o site espanhol El Diario listou pelo menos oito possíveis rotas que poderiam ser usadas em alternativa à passagem via Grécia e Bálcãs. Uma delas, aliás, é justamente a rota Líbia-Itália, onde têm acontecido os maiores naufrágios e que já foi o caminho mais mortífero no passado recente – daí a expressão de que o Mediterrâneo se torna um “cemitério de imigrantes”.

“O que estamos vendo na Europa é consequência de um fenômeno muito maior. Guerras, regimes, pobreza extrema e mudanças climáticas estão forçando um número crescente de pessoas a deixarem seus países em condições desesperadoras. O que nos preocupa é a maneira como esses migrantes e refugiados chegam à Europa: o risco de morte no mar ou nos desertos, e colocando suas vidas nas mãos de traficantes sem escrúpulos”, disse William Lacy Swing, diretor-geral da OIM, sobre números divulgados em setembro de 2015.

Naquela época, as mortes em travessias no Mediterrâneo já tinham chegado à marca de 2.600 no ano. E como os fatores que causam os deslocamentos estão a todo vapor, a tendência é que as cifras superem os dados de 2015.

 

 

 

Números recentes mostram que mar Mediterrâneo continua a virar “cemitério de imigrantes”

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A marinha italiana divulgou imagens do exato momento em que um barco com cerca de 500 pessoas afunda próximo à costa da Líbia. Crédito: Marina Militare

Atualizado em 31/05/16

A cena de um barco com imigrantes virando na costa da Líbia correu o mundo. O flagra foi feito pela Marinha italiana, que resgatou parte dos ocupantes da embarcação. Mas a imagem é apenas o exemplo de uma realidade e de estatísticas que crescem a cada dia.

Segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, o ACNUR, cerca de 700 pessoas morreram em travessias no mar Mediterrâneo entre a costa da Líbia e a Itália somente na última semana. Considerado dados do começo de 2016 até a semana passada, a cifra sobe para 2.500.

Já a Organização Internacional para as Migrações (OIM), aponta que, desde o começo do ano até 27 de maio, 1.475 pessoas morreram tentando chegar à Europa – incluindo outras rotas. Só na travessia Líbia-Itália seriam pelo menos 1.093 mortos, de acordo com a entidade.

Os números tendem a aumentar ainda mais conforme o verão europeu se aproxima, temporada na qual o mar costuma ficar menos revolto – e a travessia, um pouco menos perigosa e letal.

As cifras do ACNUR e da OIM são novas evidências de que o fechamento da chamada Rota Balcânica e o acordo da União Europeia com o governo da Turquia têm efeito nulo sobre a questão da mobilidade humana em direção à Europa. Pelo contrário, apenas contribuem para precarizar ainda mais a situação daqueles que buscam chegar ao Velho Continente, independente dos motivos que levam cada um a se arriscar em uma jornada que é uma verdadeira loteria.

Em reportagem publicada em março passado, por exemplo, o site espanhol El Diario listou pelo menos oito possíveis rotas que poderiam ser usadas em alternativa à passagem via Grécia e Bálcãs. Uma delas, aliás, é justamente a rota Líbia-Itália, onde têm acontecido os maiores naufrágios e que já foi o caminho mais mortífero no passado recente – daí a expressão de que o Mediterrâneo se torna um “cemitério de imigrantes”.

“O que estamos vendo na Europa é consequência de um fenômeno muito maior. Guerras, regimes, pobreza extrema e mudanças climáticas estão forçando um número crescente de pessoas a deixarem seus países em condições desesperadoras. O que nos preocupa é a maneira como esses migrantes e refugiados chegam à Europa: o risco de morte no mar ou nos desertos, e colocando suas vidas nas mãos de traficantes sem escrúpulos”, disse William Lacy Swing, diretor-geral da OIM, sobre números divulgados em setembro de 2015.

Naquela época, as mortes em travessias no Mediterrâneo já tinham chegado à marca de 2.600 no ano. E como os fatores que causam os deslocamentos estão a todo vapor, a tendência é que as cifras superem os dados de 2015.

 

 

 

Números recentes mostram que mar Mediterrâneo continua a virar “cemitério de imigrantes”

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A marinha italiana divulgou imagens do exato momento em que um barco com cerca de 500 pessoas afunda próximo à costa da Líbia. Crédito: Marina Militare

Atualizado em 31/05/16

A cena de um barco com imigrantes virando na costa da Líbia correu o mundo. O flagra foi feito pela Marinha italiana, que resgatou parte dos ocupantes da embarcação. Mas a imagem é apenas o exemplo de uma realidade e de estatísticas que crescem a cada dia.

Segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, o ACNUR, cerca de 700 pessoas morreram em travessias no mar Mediterrâneo entre a costa da Líbia e a Itália somente na última semana. Considerado dados do começo de 2016 até a semana passada, a cifra sobe para 2.500.

Já a Organização Internacional para as Migrações (OIM), aponta que, desde o começo do ano até 27 de maio, 1.475 pessoas morreram tentando chegar à Europa – incluindo outras rotas. Só na travessia Líbia-Itália seriam pelo menos 1.093 mortos, de acordo com a entidade.

Os números tendem a aumentar ainda mais conforme o verão europeu se aproxima, temporada na qual o mar costuma ficar menos revolto – e a travessia, um pouco menos perigosa e letal.

As cifras do ACNUR e da OIM são novas evidências de que o fechamento da chamada Rota Balcânica e o acordo da União Europeia com o governo da Turquia têm efeito nulo sobre a questão da mobilidade humana em direção à Europa. Pelo contrário, apenas contribuem para precarizar ainda mais a situação daqueles que buscam chegar ao Velho Continente, independente dos motivos que levam cada um a se arriscar em uma jornada que é uma verdadeira loteria.

Em reportagem publicada em março passado, por exemplo, o site espanhol El Diario listou pelo menos oito possíveis rotas que poderiam ser usadas em alternativa à passagem via Grécia e Bálcãs. Uma delas, aliás, é justamente a rota Líbia-Itália, onde têm acontecido os maiores naufrágios e que já foi o caminho mais mortífero no passado recente – daí a expressão de que o Mediterrâneo se torna um “cemitério de imigrantes”.

“O que estamos vendo na Europa é consequência de um fenômeno muito maior. Guerras, regimes, pobreza extrema e mudanças climáticas estão forçando um número crescente de pessoas a deixarem seus países em condições desesperadoras. O que nos preocupa é a maneira como esses migrantes e refugiados chegam à Europa: o risco de morte no mar ou nos desertos, e colocando suas vidas nas mãos de traficantes sem escrúpulos”, disse William Lacy Swing, diretor-geral da OIM, sobre números divulgados em setembro de 2015.

Naquela época, as mortes em travessias no Mediterrâneo já tinham chegado à marca de 2.600 no ano. E como os fatores que causam os deslocamentos estão a todo vapor, a tendência é que as cifras superem os dados de 2015.