O encontro de formação do grupo de Lakitas visa ensinar música andina para mulheres imigrantes, reincorporando e resgatando uma tradição.
Crédito: Mariela Pizarro
Por Beatriz Prieto
Da Equipe de Base Warmis – Convergência das Culturas
Publicado também em Pressenza
A música como forma de gerar empatia. É essa a proposta da Equipe de Base Warmis – Convergência das Culturas ao organizar o Lakitas Sinchi Warmis: Mulheres que Sopram Ventos, projeto selecionado pelo Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais (VAI), da Prefeitura de São Paulo. O projeto terá início em um encontro no dia 15 de maio, na Praça da Kantuta, próxima a estação de metrô Armênia, Zona Norte da capital paulista.
Voltado a mulheres imigrantes e também filhas de imigrantes, o intuito é aproximar e resgatar a cultura andina junto a suas herdeiras em São Paulo, por meio da lakita, um estilo musical próprio de comunidades espalhadas pela Cordilheira dos Andes, e que agora começará a formar raízes e a embalar a terra da garoa.
Ao ensinar mulheres a tocar os instrumentos de sopro, sendo eles a Ira e a Arca, o que se tem é, simultaneamente, o reviver de uma tradição e um empoderamento. Essa tomada de poder pelas mulheres imigrantes é explicada pelo fato de que o grupo de Lakitas era restrito a participantes do sexo masculino por causa dos papéis tradicionais das mulheres nas zonas altiplânicas, como as tarefas domésticas e o trabalho na lavoura.
Assim, ao desmistificar e ultrapassar essa imposição cultural que separa quem pode ou não pode participar, mulheres terão a oportunidade de, juntas, aprenderem a arte da música andina e se sentirem parte dela. O contato com a melodia e a interação com as participantes certamente libertará memórias afetivas das imigrantes que deixaram sua terra natal, bem como incorporará cultura nativa em filhas de imigrantes que nasceram no Brasil, mas muito pouco sabem a respeito de suas origens.
O encontro faz parte de um projeto selecionado pelo Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais (VAI), da Prefeitura de São Paulo, e pretende, em um primeiro momento, reunir interessadas para depois ensiná-las tanto a construir os instrumentos como a tocá-los, espalhando ventos de uma identidade cultural que merece ser fortalecida e divulgada. Interessadas em fazer parte do grupo de Lakitas devem comparecer a este primeiro encontro, que tem o objetivo de reunir o grupo e introduzir o objetivo do projeto.
O que: Encontro de Formação do Grupo de Lakitas Onde: Praça Kantuta (Rua Pedro Vicente, S/N – São Paulo), próximo ao metrô Armênia Horário: 16 horas Mais informações: Evento no Facebook – www.facebook.com/events/1218264331559139/ E-mail para contato –contato@warmis.org
Ato trouxe convergências e divergências existentes dentro do movimento social envolvido com migrações.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Por Rodrigo Borges Delfim
Quer saber o que esperar do Fórum de migrações? Um ato político organizado na última sexta (06) dá uma ideia dos debates e tendências que estarão presentes no evento, que será de 7 a 10 de julho em São Paulo.
Realizado no Sindicato dos Bancários, no centro da capital paulista, o Ato Político em Defesa do Direito à Participação Cidadã dos Imigrantes foi organizado pela Secretaria Técnica do FSMM e reuniu lideranças sociais, autoridades, estudiosos e demais envolvidos na temática migratória.
O evento foi uma reação a dois episódios recentes envolvendo a temática dos migrantes: o boato de que imigrantes de Bolívia, Paraguai e Venezuela estariam “invadindo” o Brasil em apoio ao governo Dilma; e a nota da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) que, a partir desse boato (desmentido, mas que foi reproduzido por grandes meios de comunicação), invocou o Estatuto do Estrangeiro (que proíbe manifestação política de Imigrante, mas acaba invalidado porque contraria a própria constituição) para ameaçar de expulsão do Brasil qualquer imigrante que tomasse parte em manifestações políticas.
Além de se posicionar em relação a esses dois fatos, o evento também tinha como objetivo debater estratégias para buscar avanços nas políticas de participação social e na superação do Estatuto do Estrangeiro. Também aconteceram manifestações de apoio a Paulo Illes, do Comitê Organizador do Fórum, que denunciou ter tido os dados pessoais violados e vazados na internet.
Mesa do evento teve lideranças da sociedade civil, imigrantes e autoridades. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Ambiente político nacional e global
O ato foi marcado fortemente pelo contexto político atual do país, com o iminente afastamento da presidente Dilma Rousseff e os retrocessos que esse fato pode ter sobre políticas públicas e iniciativas adotadas sobre direitos humanos nos últimos anos – incluindo àquelas voltadas a imigrantes e refugiados.
A partir da carta do sindicato dos policiais e desse cenário político conturbado, a professora Deisy Ventura, do Instituto de Relações Internacionais da USP, lembra que os imigrantes estão no lado mais fraco da corda e que a não revogação do Estatuto do Estrangeiro é um dos responsáveis pela manutenção dessa fragilidade.
“Infelizmente nós não conseguimos revogar o Estatuto nos últimos anos. Na hora que estávamos fortes e tínhamos condições de fazer, as forças se dividiram por conta de interesses próprios. Não adianta contemplar interesses pontuais e deixar uma estrutura que, no todo, depõe contra nós. Não fizemos o avanço no momento que deveria ter sido feito e a situação atual não nos ajuda. Vamos acompanhar o que vai acontecer com atenção para sabermos como agir”.
O congolês Pitchou Luambo foi um dos imigrantes que tomaram a palavra no ato. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
“A nota e a lei dizem que não podemos nos manifestar. E por que não podemos? Isso já provoca no imigrante uma sensação de vulnerabilidade”, exemplifica o congolês Pitchou Luambo, líder do GRIST, o Grupo de Refugiados e Imigrantes Sem Teto de São Paulo.
Deisy ainda lembrou o contexto internacional e a apropriação da pauta migratória por grupos conservadores e de extrema-direita, citando especialmente países europeus – e a necessidade de combater essa visão aqui no Brasil. “Hoje a Europa é violadora de direitos, lidera uma percepção das migrações como uma ameaça à segurança, ao emprego. Esse olhar para a Europa, que no passado era de copiar a visão, hoje precisa ser de forma dura. A Europa não é mais referência para nós em matéria de direitos humanos dos imigrantes e refugiados”.
O militante e jornalista chileno Miguel Ahumada chamou a atenção para a necessidade de os imigrantes se organizarem, independente dos interlocutores já existentes nos governos e na sociedade civil. “Os imigrantes precisam se organizar e começar a criar um fato político, de forma consciente e organizada. Se não nos organizarmos não vamos conseguir nada”.
A necessidade de união foi citada por Luiz Baseggio, integrante do comitê internacional do Fórum. “É hora de defesa da democracia, de união de forças e da defesa intransigente da defesa da dignidade da pessoa humana”, reforçou.
Citando o avanço de pautas conservadoras no país, a diretora da Fundação Perseu Abramo, Iole Ilíada, também citou a necessidade de união e de resistência no atual momento. “Só há uma maneira de enfrentar isso. É resistir. A luta, o direito de participação é de todos”.
Reconhecimentos e críticas
A sensação de que o evento estaria sendo direcionado para uma defesa do governo federal, atualmente com o PT, e o vínculo direto ou indireto de parte da mesa do evento com o partido, gerou críticas de imigrantes que tomaram a palavra.
“Por que podem tomar uma liberdade dessas e o Ministério da Justiça não se posicionar? Ou o partido que está no governo não é capaz de governar, ou não quer proteger os imigrantes”, criticou o camaronês Mahob Matip Dieudonne, citando a carta do sindicato dos policiais federais e lembrando que a Polícia Federal está subordinada à pasta.
Material de apoio ao ato, que aconteceu no Sindicato dos Bancários, em São Paulo. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Outra crítica veio do congolês Christ Kamanda, que lembrou manifestações xenófobas feitas há poucos meses pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ). “Onde estavam vocês quando ele falou isso? É tudo hipocrisia aqui. Vocês não falaram nada. E temos outras prioridades maiores que esta conversa aqui”.
Tais críticas foram consideradas excessivas por Rogério Sottili, ex-secretário de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo e atual Secretário Especial de Direitos Humanos do governo federal. Ele admitiu que “ainda há muito a ser feito”, mas pediu o reconhecimento dos avanços já obtidos. “É importante fazer críticas, mas também é importante reconhecer o que já está sendo feito e que muda a realidade dos imigrantes. Estamos na mesma luta, na mesma trincheira”, disse.
“A César o que é de César. As críticas precisam ser feitas, mas com responsabilidade. Se não, ela não só não tem credibilidade como cria desgastes, injustiças e nos divide. O futuro das lutas dos imigrantes depende da nossa inteligência. E não é inteligente atacar aqueles que estão conosco desde o começo, por mais defeitos que tenham”, reforçou Deisy, que tratou de enfatizar que não possui vínculos com o PT.
“Mesmo tardiamente, é importante ter um posicionamento em relação aos imigrantes”, ponderou o peruano Luis Benavides quanto à realização do ato.
Ato deu uma prévia das convergências e divergências que devem marcar o FSMM. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
#esquentaFSMM2016
Ao final do evento, tanto entre organizadores como entre os participantes, ficou a impressão de que as opiniões e divergências presentes no ato são um aperitivo do que está por vir no Fórum, em julho.
“Foi impressionante o debate que tivemos aqui e a maturidade política apresentada pelos imigrantes. Com certeza é uma prévia do Fórum”, apontou a produtora cultural luso-brasileira Cristina de Branco. “Os imigrantes e refugiados estão colocando as demandas deles, e não necessariamente são as mesmas apresentadas pelas lideranças”, analisou o sociólogo Willians Santos.
Para Illes, que integra a organização do Fórum e também mediou o ato, ele de fato é um “esquenta” do FSMM e aponta como normais a existência de divergências. ”Entendemos que o Fórum é um espaço de convergência, de debate, de disputa, de troca de opiniões. O Fórum não é deliberativo, mas vamos buscar propostas e consensos. Todo o Fórum envolve tensões, mas estamos preparados para isso”.
Ato trouxe convergências e divergências existentes dentro do movimento social envolvido com migrações.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Por Rodrigo Borges Delfim
Quer saber o que esperar do Fórum de migrações? Um ato político organizado na última sexta (06) dá uma ideia dos debates e tendências que estarão presentes no evento, que será de 7 a 10 de julho em São Paulo.
Realizado no Sindicato dos Bancários, no centro da capital paulista, o Ato Político em Defesa do Direito à Participação Cidadã dos Imigrantes foi organizado pela Secretaria Técnica do FSMM e reuniu lideranças sociais, autoridades, estudiosos e demais envolvidos na temática migratória.
O evento foi uma reação a dois episódios recentes envolvendo a temática dos migrantes: o boato de que imigrantes de Bolívia, Paraguai e Venezuela estariam “invadindo” o Brasil em apoio ao governo Dilma; e a nota da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) que, a partir desse boato (desmentido, mas que foi reproduzido por grandes meios de comunicação), invocou o Estatuto do Estrangeiro (que proíbe manifestação política de Imigrante, mas acaba invalidado porque contraria a própria constituição) para ameaçar de expulsão do Brasil qualquer imigrante que tomasse parte em manifestações políticas.
Além de se posicionar em relação a esses dois fatos, o evento também tinha como objetivo debater estratégias para buscar avanços nas políticas de participação social e na superação do Estatuto do Estrangeiro. Também aconteceram manifestações de apoio a Paulo Illes, do Comitê Organizador do Fórum, que denunciou ter tido os dados pessoais violados e vazados na internet.
Mesa do evento teve lideranças da sociedade civil, imigrantes e autoridades. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Ambiente político nacional e global
O ato foi marcado fortemente pelo contexto político atual do país, com o iminente afastamento da presidente Dilma Rousseff e os retrocessos que esse fato pode ter sobre políticas públicas e iniciativas adotadas sobre direitos humanos nos últimos anos – incluindo àquelas voltadas a imigrantes e refugiados.
A partir da carta do sindicato dos policiais e desse cenário político conturbado, a professora Deisy Ventura, do Instituto de Relações Internacionais da USP, lembra que os imigrantes estão no lado mais fraco da corda e que a não revogação do Estatuto do Estrangeiro é um dos responsáveis pela manutenção dessa fragilidade.
“Infelizmente nós não conseguimos revogar o Estatuto nos últimos anos. Na hora que estávamos fortes e tínhamos condições de fazer, as forças se dividiram por conta de interesses próprios. Não adianta contemplar interesses pontuais e deixar uma estrutura que, no todo, depõe contra nós. Não fizemos o avanço no momento que deveria ter sido feito e a situação atual não nos ajuda. Vamos acompanhar o que vai acontecer com atenção para sabermos como agir”.
O congolês Pitchou Luambo foi um dos imigrantes que tomaram a palavra no ato. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
“A nota e a lei dizem que não podemos nos manifestar. E por que não podemos? Isso já provoca no imigrante uma sensação de vulnerabilidade”, exemplifica o congolês Pitchou Luambo, líder do GRIST, o Grupo de Refugiados e Imigrantes Sem Teto de São Paulo.
Deisy ainda lembrou o contexto internacional e a apropriação da pauta migratória por grupos conservadores e de extrema-direita, citando especialmente países europeus – e a necessidade de combater essa visão aqui no Brasil. “Hoje a Europa é violadora de direitos, lidera uma percepção das migrações como uma ameaça à segurança, ao emprego. Esse olhar para a Europa, que no passado era de copiar a visão, hoje precisa ser de forma dura. A Europa não é mais referência para nós em matéria de direitos humanos dos imigrantes e refugiados”.
O militante e jornalista chileno Miguel Ahumada chamou a atenção para a necessidade de os imigrantes se organizarem, independente dos interlocutores já existentes nos governos e na sociedade civil. “Os imigrantes precisam se organizar e começar a criar um fato político, de forma consciente e organizada. Se não nos organizarmos não vamos conseguir nada”.
A necessidade de união foi citada por Luiz Baseggio, integrante do comitê internacional do Fórum. “É hora de defesa da democracia, de união de forças e da defesa intransigente da defesa da dignidade da pessoa humana”, reforçou.
Citando o avanço de pautas conservadoras no país, a diretora da Fundação Perseu Abramo, Iole Ilíada, também citou a necessidade de união e de resistência no atual momento. “Só há uma maneira de enfrentar isso. É resistir. A luta, o direito de participação é de todos”.
Reconhecimentos e críticas
A sensação de que o evento estaria sendo direcionado para uma defesa do governo federal, atualmente com o PT, e o vínculo direto ou indireto de parte da mesa do evento com o partido, gerou críticas de imigrantes que tomaram a palavra.
“Por que podem tomar uma liberdade dessas e o Ministério da Justiça não se posicionar? Ou o partido que está no governo não é capaz de governar, ou não quer proteger os imigrantes”, criticou o camaronês Mahob Matip Dieudonne, citando a carta do sindicato dos policiais federais e lembrando que a Polícia Federal está subordinada à pasta.
Material de apoio ao ato, que aconteceu no Sindicato dos Bancários, em São Paulo. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Outra crítica veio do congolês Christ Kamanda, que lembrou manifestações xenófobas feitas há poucos meses pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ). “Onde estavam vocês quando ele falou isso? É tudo hipocrisia aqui. Vocês não falaram nada. E temos outras prioridades maiores que esta conversa aqui”.
Tais críticas foram consideradas excessivas por Rogério Sottili, ex-secretário de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo e atual Secretário Especial de Direitos Humanos do governo federal. Ele admitiu que “ainda há muito a ser feito”, mas pediu o reconhecimento dos avanços já obtidos. “É importante fazer críticas, mas também é importante reconhecer o que já está sendo feito e que muda a realidade dos imigrantes. Estamos na mesma luta, na mesma trincheira”, disse.
“A César o que é de César. As críticas precisam ser feitas, mas com responsabilidade. Se não, ela não só não tem credibilidade como cria desgastes, injustiças e nos divide. O futuro das lutas dos imigrantes depende da nossa inteligência. E não é inteligente atacar aqueles que estão conosco desde o começo, por mais defeitos que tenham”, reforçou Deisy, que tratou de enfatizar que não possui vínculos com o PT.
“Mesmo tardiamente, é importante ter um posicionamento em relação aos imigrantes”, ponderou o peruano Luis Benavides quanto à realização do ato.
Ato deu uma prévia das convergências e divergências que devem marcar o FSMM. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
#esquentaFSMM2016
Ao final do evento, tanto entre organizadores como entre os participantes, ficou a impressão de que as opiniões e divergências presentes no ato são um aperitivo do que está por vir no Fórum, em julho.
“Foi impressionante o debate que tivemos aqui e a maturidade política apresentada pelos imigrantes. Com certeza é uma prévia do Fórum”, apontou a produtora cultural luso-brasileira Cristina de Branco. “Os imigrantes e refugiados estão colocando as demandas deles, e não necessariamente são as mesmas apresentadas pelas lideranças”, analisou o sociólogo Willians Santos.
Para Illes, que integra a organização do Fórum e também mediou o ato, ele de fato é um “esquenta” do FSMM e aponta como normais a existência de divergências. ”Entendemos que o Fórum é um espaço de convergência, de debate, de disputa, de troca de opiniões. O Fórum não é deliberativo, mas vamos buscar propostas e consensos. Todo o Fórum envolve tensões, mas estamos preparados para isso”.
Ato trouxe convergências e divergências existentes dentro do movimento social envolvido com migrações.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Por Rodrigo Borges Delfim
Quer saber o que esperar do Fórum de migrações? Um ato político organizado na última sexta (06) dá uma ideia dos debates e tendências que estarão presentes no evento, que será de 7 a 10 de julho em São Paulo.
Realizado no Sindicato dos Bancários, no centro da capital paulista, o Ato Político em Defesa do Direito à Participação Cidadã dos Imigrantes foi organizado pela Secretaria Técnica do FSMM e reuniu lideranças sociais, autoridades, estudiosos e demais envolvidos na temática migratória.
O evento foi uma reação a dois episódios recentes envolvendo a temática dos migrantes: o boato de que imigrantes de Bolívia, Paraguai e Venezuela estariam “invadindo” o Brasil em apoio ao governo Dilma; e a nota da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) que, a partir desse boato (desmentido, mas que foi reproduzido por grandes meios de comunicação), invocou o Estatuto do Estrangeiro (que proíbe manifestação política de Imigrante, mas acaba invalidado porque contraria a própria constituição) para ameaçar de expulsão do Brasil qualquer imigrante que tomasse parte em manifestações políticas.
Além de se posicionar em relação a esses dois fatos, o evento também tinha como objetivo debater estratégias para buscar avanços nas políticas de participação social e na superação do Estatuto do Estrangeiro. Também aconteceram manifestações de apoio a Paulo Illes, do Comitê Organizador do Fórum, que denunciou ter tido os dados pessoais violados e vazados na internet.
Mesa do evento teve lideranças da sociedade civil, imigrantes e autoridades. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Ambiente político nacional e global
O ato foi marcado fortemente pelo contexto político atual do país, com o iminente afastamento da presidente Dilma Rousseff e os retrocessos que esse fato pode ter sobre políticas públicas e iniciativas adotadas sobre direitos humanos nos últimos anos – incluindo àquelas voltadas a imigrantes e refugiados.
A partir da carta do sindicato dos policiais e desse cenário político conturbado, a professora Deisy Ventura, do Instituto de Relações Internacionais da USP, lembra que os imigrantes estão no lado mais fraco da corda e que a não revogação do Estatuto do Estrangeiro é um dos responsáveis pela manutenção dessa fragilidade.
“Infelizmente nós não conseguimos revogar o Estatuto nos últimos anos. Na hora que estávamos fortes e tínhamos condições de fazer, as forças se dividiram por conta de interesses próprios. Não adianta contemplar interesses pontuais e deixar uma estrutura que, no todo, depõe contra nós. Não fizemos o avanço no momento que deveria ter sido feito e a situação atual não nos ajuda. Vamos acompanhar o que vai acontecer com atenção para sabermos como agir”.
O congolês Pitchou Luambo foi um dos imigrantes que tomaram a palavra no ato. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
“A nota e a lei dizem que não podemos nos manifestar. E por que não podemos? Isso já provoca no imigrante uma sensação de vulnerabilidade”, exemplifica o congolês Pitchou Luambo, líder do GRIST, o Grupo de Refugiados e Imigrantes Sem Teto de São Paulo.
Deisy ainda lembrou o contexto internacional e a apropriação da pauta migratória por grupos conservadores e de extrema-direita, citando especialmente países europeus – e a necessidade de combater essa visão aqui no Brasil. “Hoje a Europa é violadora de direitos, lidera uma percepção das migrações como uma ameaça à segurança, ao emprego. Esse olhar para a Europa, que no passado era de copiar a visão, hoje precisa ser de forma dura. A Europa não é mais referência para nós em matéria de direitos humanos dos imigrantes e refugiados”.
O militante e jornalista chileno Miguel Ahumada chamou a atenção para a necessidade de os imigrantes se organizarem, independente dos interlocutores já existentes nos governos e na sociedade civil. “Os imigrantes precisam se organizar e começar a criar um fato político, de forma consciente e organizada. Se não nos organizarmos não vamos conseguir nada”.
A necessidade de união foi citada por Luiz Baseggio, integrante do comitê internacional do Fórum. “É hora de defesa da democracia, de união de forças e da defesa intransigente da defesa da dignidade da pessoa humana”, reforçou.
Citando o avanço de pautas conservadoras no país, a diretora da Fundação Perseu Abramo, Iole Ilíada, também citou a necessidade de união e de resistência no atual momento. “Só há uma maneira de enfrentar isso. É resistir. A luta, o direito de participação é de todos”.
Reconhecimentos e críticas
A sensação de que o evento estaria sendo direcionado para uma defesa do governo federal, atualmente com o PT, e o vínculo direto ou indireto de parte da mesa do evento com o partido, gerou críticas de imigrantes que tomaram a palavra.
“Por que podem tomar uma liberdade dessas e o Ministério da Justiça não se posicionar? Ou o partido que está no governo não é capaz de governar, ou não quer proteger os imigrantes”, criticou o camaronês Mahob Matip Dieudonne, citando a carta do sindicato dos policiais federais e lembrando que a Polícia Federal está subordinada à pasta.
Material de apoio ao ato, que aconteceu no Sindicato dos Bancários, em São Paulo. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Outra crítica veio do congolês Christ Kamanda, que lembrou manifestações xenófobas feitas há poucos meses pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ). “Onde estavam vocês quando ele falou isso? É tudo hipocrisia aqui. Vocês não falaram nada. E temos outras prioridades maiores que esta conversa aqui”.
Tais críticas foram consideradas excessivas por Rogério Sottili, ex-secretário de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo e atual Secretário Especial de Direitos Humanos do governo federal. Ele admitiu que “ainda há muito a ser feito”, mas pediu o reconhecimento dos avanços já obtidos. “É importante fazer críticas, mas também é importante reconhecer o que já está sendo feito e que muda a realidade dos imigrantes. Estamos na mesma luta, na mesma trincheira”, disse.
“A César o que é de César. As críticas precisam ser feitas, mas com responsabilidade. Se não, ela não só não tem credibilidade como cria desgastes, injustiças e nos divide. O futuro das lutas dos imigrantes depende da nossa inteligência. E não é inteligente atacar aqueles que estão conosco desde o começo, por mais defeitos que tenham”, reforçou Deisy, que tratou de enfatizar que não possui vínculos com o PT.
“Mesmo tardiamente, é importante ter um posicionamento em relação aos imigrantes”, ponderou o peruano Luis Benavides quanto à realização do ato.
Ato deu uma prévia das convergências e divergências que devem marcar o FSMM. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
#esquentaFSMM2016
Ao final do evento, tanto entre organizadores como entre os participantes, ficou a impressão de que as opiniões e divergências presentes no ato são um aperitivo do que está por vir no Fórum, em julho.
“Foi impressionante o debate que tivemos aqui e a maturidade política apresentada pelos imigrantes. Com certeza é uma prévia do Fórum”, apontou a produtora cultural luso-brasileira Cristina de Branco. “Os imigrantes e refugiados estão colocando as demandas deles, e não necessariamente são as mesmas apresentadas pelas lideranças”, analisou o sociólogo Willians Santos.
Para Illes, que integra a organização do Fórum e também mediou o ato, ele de fato é um “esquenta” do FSMM e aponta como normais a existência de divergências. ”Entendemos que o Fórum é um espaço de convergência, de debate, de disputa, de troca de opiniões. O Fórum não é deliberativo, mas vamos buscar propostas e consensos. Todo o Fórum envolve tensões, mas estamos preparados para isso”.
Ato trouxe convergências e divergências existentes dentro do movimento social envolvido com migrações.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Por Rodrigo Borges Delfim
Quer saber o que esperar do Fórum de migrações? Um ato político organizado na última sexta (06) dá uma ideia dos debates e tendências que estarão presentes no evento, que será de 7 a 10 de julho em São Paulo.
Realizado no Sindicato dos Bancários, no centro da capital paulista, o Ato Político em Defesa do Direito à Participação Cidadã dos Imigrantes foi organizado pela Secretaria Técnica do FSMM e reuniu lideranças sociais, autoridades, estudiosos e demais envolvidos na temática migratória.
O evento foi uma reação a dois episódios recentes envolvendo a temática dos migrantes: o boato de que imigrantes de Bolívia, Paraguai e Venezuela estariam “invadindo” o Brasil em apoio ao governo Dilma; e a nota da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) que, a partir desse boato (desmentido, mas que foi reproduzido por grandes meios de comunicação), invocou o Estatuto do Estrangeiro (que proíbe manifestação política de Imigrante, mas acaba invalidado porque contraria a própria constituição) para ameaçar de expulsão do Brasil qualquer imigrante que tomasse parte em manifestações políticas.
Além de se posicionar em relação a esses dois fatos, o evento também tinha como objetivo debater estratégias para buscar avanços nas políticas de participação social e na superação do Estatuto do Estrangeiro. Também aconteceram manifestações de apoio a Paulo Illes, do Comitê Organizador do Fórum, que denunciou ter tido os dados pessoais violados e vazados na internet.
Mesa do evento teve lideranças da sociedade civil, imigrantes e autoridades. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Ambiente político nacional e global
O ato foi marcado fortemente pelo contexto político atual do país, com o iminente afastamento da presidente Dilma Rousseff e os retrocessos que esse fato pode ter sobre políticas públicas e iniciativas adotadas sobre direitos humanos nos últimos anos – incluindo àquelas voltadas a imigrantes e refugiados.
A partir da carta do sindicato dos policiais e desse cenário político conturbado, a professora Deisy Ventura, do Instituto de Relações Internacionais da USP, lembra que os imigrantes estão no lado mais fraco da corda e que a não revogação do Estatuto do Estrangeiro é um dos responsáveis pela manutenção dessa fragilidade.
“Infelizmente nós não conseguimos revogar o Estatuto nos últimos anos. Na hora que estávamos fortes e tínhamos condições de fazer, as forças se dividiram por conta de interesses próprios. Não adianta contemplar interesses pontuais e deixar uma estrutura que, no todo, depõe contra nós. Não fizemos o avanço no momento que deveria ter sido feito e a situação atual não nos ajuda. Vamos acompanhar o que vai acontecer com atenção para sabermos como agir”.
O congolês Pitchou Luambo foi um dos imigrantes que tomaram a palavra no ato. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
“A nota e a lei dizem que não podemos nos manifestar. E por que não podemos? Isso já provoca no imigrante uma sensação de vulnerabilidade”, exemplifica o congolês Pitchou Luambo, líder do GRIST, o Grupo de Refugiados e Imigrantes Sem Teto de São Paulo.
Deisy ainda lembrou o contexto internacional e a apropriação da pauta migratória por grupos conservadores e de extrema-direita, citando especialmente países europeus – e a necessidade de combater essa visão aqui no Brasil. “Hoje a Europa é violadora de direitos, lidera uma percepção das migrações como uma ameaça à segurança, ao emprego. Esse olhar para a Europa, que no passado era de copiar a visão, hoje precisa ser de forma dura. A Europa não é mais referência para nós em matéria de direitos humanos dos imigrantes e refugiados”.
O militante e jornalista chileno Miguel Ahumada chamou a atenção para a necessidade de os imigrantes se organizarem, independente dos interlocutores já existentes nos governos e na sociedade civil. “Os imigrantes precisam se organizar e começar a criar um fato político, de forma consciente e organizada. Se não nos organizarmos não vamos conseguir nada”.
A necessidade de união foi citada por Luiz Baseggio, integrante do comitê internacional do Fórum. “É hora de defesa da democracia, de união de forças e da defesa intransigente da defesa da dignidade da pessoa humana”, reforçou.
Citando o avanço de pautas conservadoras no país, a diretora da Fundação Perseu Abramo, Iole Ilíada, também citou a necessidade de união e de resistência no atual momento. “Só há uma maneira de enfrentar isso. É resistir. A luta, o direito de participação é de todos”.
Reconhecimentos e críticas
A sensação de que o evento estaria sendo direcionado para uma defesa do governo federal, atualmente com o PT, e o vínculo direto ou indireto de parte da mesa do evento com o partido, gerou críticas de imigrantes que tomaram a palavra.
“Por que podem tomar uma liberdade dessas e o Ministério da Justiça não se posicionar? Ou o partido que está no governo não é capaz de governar, ou não quer proteger os imigrantes”, criticou o camaronês Mahob Matip Dieudonne, citando a carta do sindicato dos policiais federais e lembrando que a Polícia Federal está subordinada à pasta.
Material de apoio ao ato, que aconteceu no Sindicato dos Bancários, em São Paulo. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Outra crítica veio do congolês Christ Kamanda, que lembrou manifestações xenófobas feitas há poucos meses pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ). “Onde estavam vocês quando ele falou isso? É tudo hipocrisia aqui. Vocês não falaram nada. E temos outras prioridades maiores que esta conversa aqui”.
Tais críticas foram consideradas excessivas por Rogério Sottili, ex-secretário de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo e atual Secretário Especial de Direitos Humanos do governo federal. Ele admitiu que “ainda há muito a ser feito”, mas pediu o reconhecimento dos avanços já obtidos. “É importante fazer críticas, mas também é importante reconhecer o que já está sendo feito e que muda a realidade dos imigrantes. Estamos na mesma luta, na mesma trincheira”, disse.
“A César o que é de César. As críticas precisam ser feitas, mas com responsabilidade. Se não, ela não só não tem credibilidade como cria desgastes, injustiças e nos divide. O futuro das lutas dos imigrantes depende da nossa inteligência. E não é inteligente atacar aqueles que estão conosco desde o começo, por mais defeitos que tenham”, reforçou Deisy, que tratou de enfatizar que não possui vínculos com o PT.
“Mesmo tardiamente, é importante ter um posicionamento em relação aos imigrantes”, ponderou o peruano Luis Benavides quanto à realização do ato.
Ato deu uma prévia das convergências e divergências que devem marcar o FSMM. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
#esquentaFSMM2016
Ao final do evento, tanto entre organizadores como entre os participantes, ficou a impressão de que as opiniões e divergências presentes no ato são um aperitivo do que está por vir no Fórum, em julho.
“Foi impressionante o debate que tivemos aqui e a maturidade política apresentada pelos imigrantes. Com certeza é uma prévia do Fórum”, apontou a produtora cultural luso-brasileira Cristina de Branco. “Os imigrantes e refugiados estão colocando as demandas deles, e não necessariamente são as mesmas apresentadas pelas lideranças”, analisou o sociólogo Willians Santos.
Para Illes, que integra a organização do Fórum e também mediou o ato, ele de fato é um “esquenta” do FSMM e aponta como normais a existência de divergências. ”Entendemos que o Fórum é um espaço de convergência, de debate, de disputa, de troca de opiniões. O Fórum não é deliberativo, mas vamos buscar propostas e consensos. Todo o Fórum envolve tensões, mas estamos preparados para isso”.
Os bolivianos que estavam nos ônibus parados na GO-060, na verdade, vieram a Goiânia para evento do Grupo Sion, do ramo imobiliário. Crédito: PRF-GO
Por Willians de Jesus Santos*
A ação da Polícia Federal.
No dia 16 de abril a Federação Nacional dos Policiais Federais (FENAPEF) publicou em nota prender e deportar estrangeiros que se manifestassem politicamente.
A iniciativa seguia “suspeita” da Polícia Rodoviária de que entre “bolivianos” viajando para Goiás no dia anterior alguns tentariam chegar até Brasília para apoiar atos contra o impedimento da presidente Dilma Rousseff. Havia suspeita também de que venezuelanos e paraguaios entrariam no país para o mesmo propósito.
A legitimidade da deportação estaria no próprio Estatuto do Estrangeiro. Na visão da Federação, direitos políticos são os últimos a serem adquiridos por estrangeiros com visto de permanência, os turistas também não os possuem. Desta forma, a ação dos suspeitos de significaria uma ameaça ao Brasil, uma violação ao Estatuto do Estrangeiro e afronta as instituições de controle [1].
No episódio ficou evidente não somente a inexistência de direitos políticos para refugiados e imigrantes, mas o uso estratégico do Estatuto a fim de intimidá-los sob a retórica da segurança nacional. Este caso, porém, não está fora de certa ordem histórica institucional, dado a diversidade cultural no Brasil pautada pela racialização das migrações, criminalização de populações e a securitização.
Criminalização e Securitização
O próprio projeto de Lei de Migração (PL 2516/2015), de autoria do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) e que atualmente tramita na Câmara dos Deputados, é questionado e apontado por ativistas ligados à causa dos direitos dos migrantes e refugiados tendo semelhança ao Estatuto do Estrangeiro, o qual já recebia críticas. No Estatuto há a concepção de que migração é um problema de segurança nacional, quando deveria ser tratada enquanto um direito. Já no PL 2516 o possível fechamento do Conselho Nacional de Imigração (CNIg) mantém estacriminalização do deslocamento na medida que defere à Polícia Federal a responsabilidade de gestão da alteridade [2] e possibilita violação de direitos humanos, pois dá amplos poderes à instituição de decidir quem ou não legal\autorizado,mantendo a lógica de securitização da migração[3].
Outro caso de criminalização\securitização do deslocamento pode ser observada na representação sobre o solicitante de visto de refúgio. Quem concede, rejeita ou denega o visto é o Comitê Nacional para Refúgio (CONARE) com base na Lei 9474 o refugiado é entrevistado e julgado pelas instituições, a qual lhe cabe a tarefa de “conferir” a história deste indivíduo e reduzi-la a um campo no formulário [4]. Nesta análise há, também, uma visão política da segurança nacional em relação a presença dos refugiados. Caso este órgão conceba o solicitante de refúgio representar ameaça ao país o visto é denegado.
Um caso recente de construção de criminalização e que pode ter um desfecho na ordem da securitização é a presença dos haitianos no Brasil. Cunha Ferraz[5] denuncia que parlamentares ligados à Bancada da Bala no Congresso Nacional vem atuando na Comissão de Segurança Pública e atribuindo esta população enquanto propagadora de doenças no país e de estarem envolvidos com possíveis crimes.
Outro problema tem a ver com as contradições das políticas de acolhida. Muitos migrantes e refugiados têm se encaminhado para centros de acolhida como o Centro de Referência e Acolhida ao Imigrante (CRAI)*, com capacidade de 110 leitos e criado pela Prefeitura de São Paulo; e a Casa de Passagem Terra Nova, do Governo do Estado de São Paulo, com capacidade de 50 leitos, também na capital paulista**. Apesar de serem o resultado de reivindicações da sociedade civil, a incapacidade de acolhida da demanda faz muitos africanos e haitianos se descolocarem às ocupações Sem Teto na cidade de São Paulo, como a ocupação do Hotel Cambridge da Frente de Luta por Moradia[6]. Locais esses que se tornaram, tal como as praças públicas, os albergues e as periferias das grandes cidades campos de refugiados ao estilo brasileiro.
Outras Situações
A falta de políticas de moradia mais amplas se relaciona com o racismo difuso na sociedade civil brasileira. Muitos refugiados têm dificuldade em alugar casa na região central da cidade de São Paulo porque os proprietários não aceitam o RNE (Registro Nacional de Estrangeiros), além da exigência de fiador que muitos não os têm. O preconceito nas imobiliárias é fator determinante, pois está implícita representação depreciativa em relação ao solicitante por originário de algum país africano ser suspeito de traficar, e a locação é negada. Assim, as periferias da cidade vão recebendo estas pessoas, pois lá a negociação é diretamente com o proprietário[7].
A relação entre representantes de instituições do Estado e membros da sociedade civil em um mesmo caso de violência não é incomum. No ano de 2011, em Cuiabá, o estudante de economia Toni Bernardo, de Guiné-Bissau e da Universidade Federal do Mato Grosso, foi espancado e morto por três pessoas. Duas delas eram policiais militares e o outro era filho de um delegado aposentado. O início da agressão à Bernardo foi por ter esbarrado na namorada de um dos envolvidos em uma pizzaria da cidade[8].
Em 2015, três angolanos foram espancados por policiais militares no bairro do Brás, em São Paulo. As agressões foram motivadas com xingamentos de macaco a um dos angolanos por três homens que estavam em um táxi. Os dois grupos se envolveram em uma briga. Em seguida, os mesmos angolanos foram autuados pela Polícia Militar pelo motivo da briga, e a abordagem foi abusiva com insultos, agressões físicas e torturas[9].
Há situações de ação só de civis com evidente caráter racial. A mais trágica foi da estudante angolana Zulmira, de 26 anos, Zulmira assassinada a tiros em um bar do Brás, na capital paulista, em 2012, por um homem que disparou contra ela e outros angolanos. Instantes antes houve uma confusão porque o assassino entrou no bar e xingou a todos (as) de macacos (as)[10].
Por fim, a mídia é outro ator que contribui ao quadro de violência racial.
Em agosto de 2013, a professora Doutora em Direito Internacional da USP Maristela Basso foi chamada para comentar no Jornal da TV Cultura o impasse diplomático entre Brasil e Bolívia. Na oportunidade, ela afirmou que o país vizinho era insignificante em todas as perspectivas para o Brasil, acrescentando os (as) imigrantes bolivianos (as) em São Paulo não contribuem ao desenvolvimento tecnológico, cultural e social do país[11].No mesmo ano, a mídia tomou posição em relação a entrada de médicos (as) cubanos (as) – não os únicos – contratados no acordo denominado Mais Médicos. Através de plataformas virtuais pessoais ou de artigos, classificaram as médicas cubanas como pessoas com cara de empregada doméstica, de que homens e mulheres eram escravos do comunismo, indolentes, incompetentes,e que foram trazidos em um avião negreiro[12].
Outra ação, que não foi da mídia propriamente, mas de um conhecido programa de televisão, no Pânico na Band, o ator Eduardo Sterblitch se utilizou do black face, de grunhidos e gestos exagerados para interpretar, segundo diz no programa, o que para eles seriam um Africano[13].
Racismo Estrutural e Violência
Toda esta violência presente nos atuais processos de deslocamento para o país tem uma base política, cultural e racista histórica.
A estética da morenidade [14] foi até pelo menos a década de 1930 (Séc. XX) o modelo político que pautou as imigrações.
As políticas imigratórias até este período eram inspiradas no racismo, pois supunha como natural e hereditário a diferença e a desigualdade entre pessoas sendo a raça branca superior as demais. Inspirada no padrão de nação, civilização e capitalismo europeu e norte americano a miscigenação da população local com brancos europeus foi incentivada pelos governos da época como forma de modernização. A imigração no Brasil também sofreu com o racismo de marca significando a atribuição da imoralidade e incivilidade á certos fenótipos exagerados de cor e origem depreciando o estigmatizado.
A construção da identidade nacional brasileira através da ideologia do sincretismo [15] criminalizou as populações africanas escravizadas e seus descendentes, bem como, por certo tempo as asiáticas. E hoje influenciam políticas de governança que priorizam a securitização criminalizam protagonistas específicos – sejam eles migrantes indocumentados, inclusive solicitantes de refúgio, assim como prostitutas que estão no mercado internacional de trabalho -, ou, ainda, moradores de favelas e da periferia [16], além de que são os imigrantes tratados como raças perigosas [17].
A intimidação da Polícia Federal, cabe recordar, foi informada no boato de que bolivianos iriam invadir o país. Contudo, o modelo de suspeito padrão no caso dos imigrantes e refugiados já é perceptível nos estereótipos presentes nas narrativas cotidianas de brasileiros ou da mídia local, concretizando-se como violência nos espancamentos, tentativas de homicídio, abuso de autoridade ou da omissão institucional e das estratégias para exclusão social, traduz a existência de problemas sociais que não são transformados.
Revela, por um lado, um contexto sociopolítico de racialização da vida coletiva, e de outro, atos e vontades contraofensivos da sociedade civil brasileira, suas instituições, desejosos em impor a subjugação a partir de ideologias nacionalistas baseadas em termos de raça e cultura no campo da política de segurança nacional.
Willians de Jesus Santos é Mestre em Sociologia pela Unicamp e pesquisador da Fapesp
A peça Cidade Vodu é itinerante e faz o público caminhar pelos resquícios da Vila Itororó.
Crédito: Mayra Azzi/Teatro de Narradores
Produção conta a saga do Haiti e processo de migração após o terremoto de 2010; leia crítica
Por Priscila Pacheco
A Vila Itororó, um conjunto de ruínas arquitetônicas de casas construídas no decorrer do início do século XX, na Bela Vista, bairro do centro de São Paulo, é cenário de uma peça de teatro que une artistas brasileiros e haitianos. “Cidade Vodu” é o nome da produção teatral apresentada em português e criolo. Calma! Não se preocupe caso não fale criolo, pois há legendas.
O enredo traz a saga dos haitianos no país natal e na imigração para o Brasil. Mostra a história do Haiti, a presença militar da ONU (Organização das Nações Unidas) e o terremoto que matou milhares de pessoas em 2010 e fortaleceu o processo migratório. Visto que a destruição causada pelo terremoto é a base da peça, creio que não haveria lugar melhor para encenar. O jogo de cenas entre as ruínas da Vila Itororó e o sentimento transmitido pelos atores fazem o público reviver a história e, quem sabe, até sentir o que é ser um haitiano, o que é ser negro, o que é ser imigrante. O que é?
Caro público, não espere ficar sentado em cadeiras ou poltronas confortáveis vendo atores contracenando. A peça é itinerante. Você caminha pelos resquícios da Vila Itororó. Cada cena tem um espaço. É entre as paredes corroídas que o público tem a atenção presa por mais de duas horas.
Resquícios da Vila Itororó lembram escombros do Haiti pós-terremoto. Crédito: Mayra Azzi/Teatro de Narradores
O percurso é repleto de momentos marcantes, por exemplo, quando aparece o vídeo de militares brasileiros cantando uma música da Xuxa para as crianças haitianas e, depois a atriz imigrante, Roselaure Jeanty, entra em cena dando continuidade à canção. O que isso significa? Veja e tire suas próprias conclusões.
A peça também conta com festa e interação entre público e elenco. É neste momento que servem uma tradicional sopa do país caribenho, cantam e tocam ao vivo e, se a timidez não impedir, você ainda aprende a dançar coreografias típicas. Enfim, a produção é repleta de cenas envolventes, afinal, para segurar as pessoas por mais de duas horas não é com qualquer coisa. Mas não contarei tudo aqui. Vá, veja e sinta você mesmo.
Enredo traz a saga dos haitianos no país natal e na imigração para o Brasil. Crédito: Mayra Azzi/Teatro de Narradores
A única questão é conseguir entradas. Os ingressos começam a ser entregues às 18h30, 1 hora antes do início da peça, mas acabam em um sopro. No último sábado, por exemplo, às 18h35 informaram que já era necessário fazer uma fila de espera, pois as senhas haviam acabado. Na nossa primeira tentativa de ver o espetáculo, 09 de abril, fui informada pela equipe da peça, que haviam distribuído menos entradas porque naquele dia existia reservas para grupos que estavam vindo do interior. A questão é que na página do Teatro de Narradores, produtores de “Cidade Vodu”, não foi encontrado nenhum comunicado de que em determinada data seriam distribuídos menos ingressos. De acordo com a boa comunicação, o público deveria ter sido informado. Ou não? Enfim, “Cidade Vodu” está em cartaz até o dia 15 de maio, as quintas, sextas, sábados e domingos na Vila Itororó.
A peça Cidade Vodu é itinerante e faz o público caminhar pelos resquícios da Vila Itororó.
Crédito: Mayra Azzi/Teatro de Narradores
Produção conta a saga do Haiti e processo de migração após o terremoto de 2010; leia crítica
Por Priscila Pacheco
A Vila Itororó, um conjunto de ruínas arquitetônicas de casas construídas no decorrer do início do século XX, na Bela Vista, bairro do centro de São Paulo, é cenário de uma peça de teatro que une artistas brasileiros e haitianos. “Cidade Vodu” é o nome da produção teatral apresentada em português e criolo. Calma! Não se preocupe caso não fale criolo, pois há legendas.
O enredo traz a saga dos haitianos no país natal e na imigração para o Brasil. Mostra a história do Haiti, a presença militar da ONU (Organização das Nações Unidas) e o terremoto que matou milhares de pessoas em 2010 e fortaleceu o processo migratório. Visto que a destruição causada pelo terremoto é a base da peça, creio que não haveria lugar melhor para encenar. O jogo de cenas entre as ruínas da Vila Itororó e o sentimento transmitido pelos atores fazem o público reviver a história e, quem sabe, até sentir o que é ser um haitiano, o que é ser negro, o que é ser imigrante. O que é?
Caro público, não espere ficar sentado em cadeiras ou poltronas confortáveis vendo atores contracenando. A peça é itinerante. Você caminha pelos resquícios da Vila Itororó. Cada cena tem um espaço. É entre as paredes corroídas que o público tem a atenção presa por mais de duas horas.
Resquícios da Vila Itororó lembram escombros do Haiti pós-terremoto. Crédito: Mayra Azzi/Teatro de Narradores
O percurso é repleto de momentos marcantes, por exemplo, quando aparece o vídeo de militares brasileiros cantando uma música da Xuxa para as crianças haitianas e, depois a atriz imigrante, Roselaure Jeanty, entra em cena dando continuidade à canção. O que isso significa? Veja e tire suas próprias conclusões.
A peça também conta com festa e interação entre público e elenco. É neste momento que servem uma tradicional sopa do país caribenho, cantam e tocam ao vivo e, se a timidez não impedir, você ainda aprende a dançar coreografias típicas. Enfim, a produção é repleta de cenas envolventes, afinal, para segurar as pessoas por mais de duas horas não é com qualquer coisa. Mas não contarei tudo aqui. Vá, veja e sinta você mesmo.
Enredo traz a saga dos haitianos no país natal e na imigração para o Brasil. Crédito: Mayra Azzi/Teatro de Narradores
A única questão é conseguir entradas. Os ingressos começam a ser entregues às 18h30, 1 hora antes do início da peça, mas acabam em um sopro. No último sábado, por exemplo, às 18h35 informaram que já era necessário fazer uma fila de espera, pois as senhas haviam acabado. Na nossa primeira tentativa de ver o espetáculo, 09 de abril, fui informada pela equipe da peça, que haviam distribuído menos entradas porque naquele dia existia reservas para grupos que estavam vindo do interior. A questão é que na página do Teatro de Narradores, produtores de “Cidade Vodu”, não foi encontrado nenhum comunicado de que em determinada data seriam distribuídos menos ingressos. De acordo com a boa comunicação, o público deveria ter sido informado. Ou não? Enfim, “Cidade Vodu” está em cartaz até o dia 15 de maio, as quintas, sextas, sábados e domingos na Vila Itororó.
A peça Cidade Vodu é itinerante e faz o público caminhar pelos resquícios da Vila Itororó.
Crédito: Mayra Azzi/Teatro de Narradores
Produção conta a saga do Haiti e processo de migração após o terremoto de 2010; leia crítica
Por Priscila Pacheco
A Vila Itororó, um conjunto de ruínas arquitetônicas de casas construídas no decorrer do início do século XX, na Bela Vista, bairro do centro de São Paulo, é cenário de uma peça de teatro que une artistas brasileiros e haitianos. “Cidade Vodu” é o nome da produção teatral apresentada em português e criolo. Calma! Não se preocupe caso não fale criolo, pois há legendas.
O enredo traz a saga dos haitianos no país natal e na imigração para o Brasil. Mostra a história do Haiti, a presença militar da ONU (Organização das Nações Unidas) e o terremoto que matou milhares de pessoas em 2010 e fortaleceu o processo migratório. Visto que a destruição causada pelo terremoto é a base da peça, creio que não haveria lugar melhor para encenar. O jogo de cenas entre as ruínas da Vila Itororó e o sentimento transmitido pelos atores fazem o público reviver a história e, quem sabe, até sentir o que é ser um haitiano, o que é ser negro, o que é ser imigrante. O que é?
Caro público, não espere ficar sentado em cadeiras ou poltronas confortáveis vendo atores contracenando. A peça é itinerante. Você caminha pelos resquícios da Vila Itororó. Cada cena tem um espaço. É entre as paredes corroídas que o público tem a atenção presa por mais de duas horas.
Resquícios da Vila Itororó lembram escombros do Haiti pós-terremoto. Crédito: Mayra Azzi/Teatro de Narradores
O percurso é repleto de momentos marcantes, por exemplo, quando aparece o vídeo de militares brasileiros cantando uma música da Xuxa para as crianças haitianas e, depois a atriz imigrante, Roselaure Jeanty, entra em cena dando continuidade à canção. O que isso significa? Veja e tire suas próprias conclusões.
A peça também conta com festa e interação entre público e elenco. É neste momento que servem uma tradicional sopa do país caribenho, cantam e tocam ao vivo e, se a timidez não impedir, você ainda aprende a dançar coreografias típicas. Enfim, a produção é repleta de cenas envolventes, afinal, para segurar as pessoas por mais de duas horas não é com qualquer coisa. Mas não contarei tudo aqui. Vá, veja e sinta você mesmo.
Enredo traz a saga dos haitianos no país natal e na imigração para o Brasil. Crédito: Mayra Azzi/Teatro de Narradores
A única questão é conseguir entradas. Os ingressos começam a ser entregues às 18h30, 1 hora antes do início da peça, mas acabam em um sopro. No último sábado, por exemplo, às 18h35 informaram que já era necessário fazer uma fila de espera, pois as senhas haviam acabado. Na nossa primeira tentativa de ver o espetáculo, 09 de abril, fui informada pela equipe da peça, que haviam distribuído menos entradas porque naquele dia existia reservas para grupos que estavam vindo do interior. A questão é que na página do Teatro de Narradores, produtores de “Cidade Vodu”, não foi encontrado nenhum comunicado de que em determinada data seriam distribuídos menos ingressos. De acordo com a boa comunicação, o público deveria ter sido informado. Ou não? Enfim, “Cidade Vodu” está em cartaz até o dia 15 de maio, as quintas, sextas, sábados e domingos na Vila Itororó.
A peça Cidade Vodu é itinerante e faz o público caminhar pelos resquícios da Vila Itororó.
Crédito: Mayra Azzi/Teatro de Narradores
Produção conta a saga do Haiti e processo de migração após o terremoto de 2010; leia crítica
Por Priscila Pacheco
A Vila Itororó, um conjunto de ruínas arquitetônicas de casas construídas no decorrer do início do século XX, na Bela Vista, bairro do centro de São Paulo, é cenário de uma peça de teatro que une artistas brasileiros e haitianos. “Cidade Vodu” é o nome da produção teatral apresentada em português e criolo. Calma! Não se preocupe caso não fale criolo, pois há legendas.
O enredo traz a saga dos haitianos no país natal e na imigração para o Brasil. Mostra a história do Haiti, a presença militar da ONU (Organização das Nações Unidas) e o terremoto que matou milhares de pessoas em 2010 e fortaleceu o processo migratório. Visto que a destruição causada pelo terremoto é a base da peça, creio que não haveria lugar melhor para encenar. O jogo de cenas entre as ruínas da Vila Itororó e o sentimento transmitido pelos atores fazem o público reviver a história e, quem sabe, até sentir o que é ser um haitiano, o que é ser negro, o que é ser imigrante. O que é?
Caro público, não espere ficar sentado em cadeiras ou poltronas confortáveis vendo atores contracenando. A peça é itinerante. Você caminha pelos resquícios da Vila Itororó. Cada cena tem um espaço. É entre as paredes corroídas que o público tem a atenção presa por mais de duas horas.
Resquícios da Vila Itororó lembram escombros do Haiti pós-terremoto. Crédito: Mayra Azzi/Teatro de Narradores
O percurso é repleto de momentos marcantes, por exemplo, quando aparece o vídeo de militares brasileiros cantando uma música da Xuxa para as crianças haitianas e, depois a atriz imigrante, Roselaure Jeanty, entra em cena dando continuidade à canção. O que isso significa? Veja e tire suas próprias conclusões.
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Enredo traz a saga dos haitianos no país natal e na imigração para o Brasil. Crédito: Mayra Azzi/Teatro de Narradores
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