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domingo, abril 19, 2026

Solenidade, missa e Festa Italiana marcam comemorações de 30 anos Arsenal da Esperança

Maior centro de acolhida para pessoas em situação de rua de São Paulo, instituição ajuda a dar continuidade ao que fazia a antiga Hospedaria do Brás, hoje dividida entre o Arsenal da Esperança e o Museu da Imigração

Três décadas de acolhimento, mais de 80 mil pessoas atendidas e recomeços diários para 1.200 homens em situação de vulnerabilidade, vindos tanto de outras regiões do Brasil como também imigrantes. Esses são alguns dos números do Arsenal da Esperança, instituição que completou 30 anos de fundação neste mês de março e é atualmente o maior centro de acolhimento da capital paulista. E uma programação especial no último final de semana (20 a 22.mar) celebrou esse passado e presente do acolhimento na cidade.

De sexta-feira a domingo (20 a 22), a instituição recebeu aproximadamente 3 mil pessoas na Festa de Rua, com pratos da culinária italiana, além de apresentações musicais e artísticas. Já na tenda central, uma solenidade no último sábado (21) contou com a presença de representantes do poder público, lideranças locais, convidados vindos especialmente da Itália, voluntários, parceiros e a comunidade local. Teve ainda uma missa, presidida pelo cardeal arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer.

Missa realizada em ação de graças pelos 30 anos do Arsenal da Esperança.
(Foto: José Luiz Altieri/Divulgação)

Fundado em 1996 pelo religioso brasileiro dom Luciano Mendes de Almeida e pelo italiano Ernesto Olivero, o Arsenal da Esperança é gerido pela Sermig, uma fraternidade católica italiana sediada em Turim e criada por Olivero em 1964. Ela tem como espírito “ser um lugar de fraternidade, aberto à acolhida e ao encontro com quem quiser procurar o sentido da sua vida”.

O Arsenal da Esperança é o primeiro projeto fora de Turim ligado ao Arsenal da Paz, criado em 1983. Na cidade italiana, um antigo paiol de armas foi transformado em um mosteiro urbano que, além de ser um espaço de oração, também oferece acolhida a pessoas em situação vulnerável.

“A bondade desarma”: mensagem inscrita no pátio do Arsenal da Esperança, em São Paulo. Ligado a uma ordem religiosa católica, essa casa de acolhida abriga cerca de 1.200 pessoas todas as noites – muitas delas, migrantes de outras regiões do Brasil e até de outras nacionalidades.
(Foto: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo)

Conquistas compartilhadas

Ao longo de três décadas conquistou dezenas de prêmios, certificados, homenagens, entre eles Salva de Prata (4/12/2025) – maior honraria da Câmara Municipal de São Paulo. A instituição oferece cursos de capacitação profissional e de alfabetização, promovendo inclusão e oportunidades a todos. Oferece, ainda, biblioteca, quadra de futebol, sala de jogos, grupos de apoio (NA e AA – Narcóticos e Alcoólicos Anônimos), entre outros serviços. Entre os principais parceiros estão: Prefeitura de São Paulo – Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS); Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI); Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE).

Durante a cerimônia que celebrou os 30 anos do Arsenal da Esperança, os discursos dos convidados destacaram a relevância da instituição para a cidade, relembrando conquistas por meio de grandes números ao longo de sua trajetória. A rede de voluntários e seu trabalho incansável também foram exaltados.

“Quero agradecer a todos que ajudaram a construir essa história incrível. Àqueles que disseram um sim para o Arsenal e colaboraram para acolher e dar esperança a todos que batem nesta porta. Grazie [“Obrigado”, em italiano], muito obrigado, por todo o bem, amor e dedicação que foram promovidos nestes 30 anos nesta casa, iniciada pelo nosso fundador Ernesto Olivero – que está nos acompanhando da Itália – e Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida, e que começou entre esses muros uma história aparentemente impossível, mas enxergaram muito além”, explicou o missionário italiano Simone Bernardi, que dirige o espaço há 21 anos.

O espaço que abriga o Arsenal da Esperança é nada menos que a antiga Hospedaria do Brás, que funcionou entre 1887 e 1978, e foi ponto de recepção de migrantes que chegavam a São Paulo de diferentes locais do Brasil e do exterior. O centro de acolhida atualmente responde por cerca de 60% do edifício, enquanto os outros 40% ficam com a instituição que costuma ser mais conhecida e ligada a esse histórico, o Museu da Imigração.

A Festa do Imigrante, promovida anualmente pelo Museu da Imigração, conta com a parceria do Arsenal da Esperança e representa também uma oportunidade de conhecer de perto o trabalho da instituição – por exemplo, pelo acesso aos dormitórios que acolheram migrantes no passado e hoje abrigam pessoas em situação de rua. Uma utilização que, de certa forma, dá continuidade ao caráter inicial do espaço.

Um dos dormitórios do Arsenal da Esperança, que recebe a Festa do Imigrante junto com o Museu da Imigração e abriga cerca de 1.200 homens em situação de rua por noite.
(Foto: Antonella Pulcinelli/MigraMundo)

Em reportagem sobre o Arsenal da Esperança em 2019, o MigraMundo destacou que todas as madrugadas são preparados 1.200 lanches para o café da manhã – ou seja, uma média de 8.400 por semana, 36 mil por mês e 485 mil por ano.

Na edição do ano passado da Festa do Imigrante, que teve entrada gratuita, o público foi convidado a doar 1 kg de alimento não perecível ao ingressar no espaço. Como resultado, foram arrecadados cerca de 12 mil quilos de mantimentos, repassados diretamente ao Arsenal da Esperança.

“Tudo que envolve o Arsenal é uma comoção muito grande. As pessoas envolvidas neste projeto, que saiu de Turim, representam um grande símbolo de fidelidade, que seguem acreditando, aconteça o que acontecer! Nossa missão aqui é oferecer acolhida, dar respeito e, principalmente, restaurar a dignidade humana e mostrar que a vida tem recomeços”, reforçou Bernardi.

As histórias e vivências do Arsenal já renderam inclusive um livro, escrito pelo missionário e lançado no final de 2017. Intitulado “O Bom Samaritano e a Hospedaria“ (Loyola), ele faz uma analogia da famosa parábola cristã do Bom Samaritano com a experiência de acolhimento da Casa. A festa dos 30 anos da instituição foi palco ainda para lançamento de outra obra alusiva à instituição, “SIM – O Coração do Arsenal da Esperança” (Format Editora), de autoria do fundador Ernesto Olivero.


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