Começou a valer nesta terça-feira (1º) um novo passo na digitalização de processos migratórios no Brasil. A medida, anunciada na última sexta-feira (28) pelo Ministério das Relações Exteriores, estabelece que migrantes de nacionalidades isentas de visto de visita que tenham autorização para trabalhar no país possam realizar eletronicamente a etapa consular para a emissão do visto temporário, sem a necessidade de comparecer presencialmente a um consulado ou a uma embaixada do Brasil.
Essa mudança não elimina a necessidade de obter a autorização de residência prévia para fins de trabalho junto ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, mas simplifica uma das etapas do processo de imigração laboral.
Após essa aprovação, os profissionais abrangidos pela nova regra poderão obter o visto temporário de forma eletrônica.
Para Diana Quintas, sócia da Fragomen no Brasil, a medida representa um avanço na modernização da política migratória brasileira. “É uma iniciativa positiva porque reduz uma etapa presencial e torna o processo mais eficiente para profissionais que precisam trabalhar no Brasil. O país se posiciona de forma pioneira ao utilizar a tecnologia para facilitar a mobilidade internacional sem eliminar os controles e requisitos necessários”.
Ainda segundo a executiva da Fragomen, medidas de modernização dos procedimentos migratórios são necessárias para que o Brasil amplie sua competitividade na atração de profissionais e investimentos.
“A emissão de vistos de trabalho é um termômetro econômico importante porque demonstra uma das etapas dos investimentos estrangeiros no país. O Brasil vive um déficit migratório, tendo muito mais brasileiros trabalhando no exterior do que estrangeiros aqui, e é saudável buscar um equilíbrio. Processos digitais ampliam a confiança, a agilidade e a transparência ao mesmo tempo em que estimulam os investidores com etapas burocráticas mais simples”.
Segundo dados do governo federal compilados pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), até o final de julho o Brasil já havia emitido 20.581 vistos de autorização de residência por motivos laborais. Em 2025, foram 60.524, o número mais alto desde 2015.
Ainda segundo os dados deste ano, os chineses foram a nacionalidade mais contemplada, com 8.206 registros, respondendo por 39% do total. Os filipinos aparecem em um distante segundo lugar, com 1.418 autorizações, seguidos por nacionais dos Estados Unidos (1.100).
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