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segunda-feira, agosto 31, 2026

Brasil salta 10 posições e entra no top 5 de lista de melhores países para expatriados

Ranking formulado pela rede social InterNations tem Panamá na liderança e Noruega na "lanterna"; dado também ajuda a refletir sobre contradições na mobilidade global

O Brasil é o quinto melhor país do mundo para expatriados, termo que costuma designar profissionais enviados por uma empresa para trabalhar em matrizes ou subsidiárias no exterior. É o que aponta o levantamento anual feito pela InterNations, uma rede social voltada para pessoas expatriadas. Em 2025, o Brasil aparecia apenas na 15ª posição.

A lista de 2026 contempla 31 países e é liderada pelo Panamá, mantendo a posição do ano anterior. Em seguida aparecem México, Tailândia e Emirados Árabes Unidos. Completando o top 10, aparecem, respectivamente: Espanha, Singapura, Portugal, Malásia e Luxemburgo.

Já a Noruega, país conhecido pelos altos índices de desenvolvimento humano e qualidade de vida, foi eleito o pior país para residência pelos entrevistados pela InteNations. Alemanha, Turquia, Reino Unido e Canadá também integram o Top 5 “invertido”.

Os Estados Unidos, que sob o governo de Donald Trump vivem um recrudescimento das políticas migratórias – inclusive para pessoas em situação regular – ocupam uma posição intermediária no ranking da InterNations, aparecendo na 20ª posição.

Ao todo, quase 8.000 pessoas de 162 nacionalidades responderam à pesquisa da InterNations. Os brasileiros são o décimo maior grupo entre os entrevistados, segundo a rede social. Mais informações estão disponíveis na página especial da pesquisa.

Critérios

A lista elaborada pela InterNations leva em conta a percepção de pessoas expatriadas quanto a aspectos como facilidade de adaptação, custo de vida, burocracia, vida social e outros.

De acordo com a pesquisa, 87% dos expatriados que vivem no Panamá afirmam estar satisfeitos com a vida no exterior – bem acima da média global, que é de 70%. Além disso, 90% dizem que a renda disponível da família é suficiente para um padrão de vida confortável. O país centro-americano é o mais bem avaliado nos indicadores de trabalho no exterior e finanças pessoais e aparece em segundo nos quesitos adaptação e serviços essenciais.

O Brasil, que alcançou a quinta posição nesse ranking pela primeira vez, se destaca entre os países onde os expatriados mais se sentem em casa – facilidade de adaptação, vida social e finanças pessoais. Por outro lado, questões como segurança, mobilidade urbana e equilíbrio entre vida pessoal e profissional estão entre os aspectos negativos mencionados.

Questões como custo de vida, dificuldade para fazer amigos locais e vida social levaram a Noruega para o último lugar da lista da InterNations. Na Alemanha, o fator burocracia também foi um dos motivos que pesaram para levar o país para o final do ranking.

Contradições sobre a mobilidade global

Além da curiosidade gerada, o ranking da InterNations também serve como elemento para ajudar a refletir sobre contradições que a mobilidade humana apresenta em âmbito global.

Um debate que costuma aparecer quando se fala em expatriado é se pessoas nessa condição podem ou não ser consideradas migrantes, uma vez que o indivíduo é transferido para outro país sob um vínculo empregatício – uma condição bem diferente e até mesmo privilegiada em relação a outras que se deslocam mundo afora.

Uma crítica social bem comum é o do uso do do termo expatriado para descrever pessoas de países ricos (muitas vezes ocidentais e brancas), enquanto o termo “imigrante” ou simplesmente “migrante” é aplicado de forma pejorativa a trabalhadores de nações do Sul Global.

“Por mais que recebam benefícios invejáveis para poderem mudar de país, expatriados ainda são migrantes – mesmo que uma parcela deles se esconda sob a expatriação como algo que apagasse a mensagem de que deixou seu país natal, ou país atual, para outra oportunidade, em outro país”, observou Danyel Margarido, consultor de Mobilidade Global e colunista do MigraMundo, em texto escrito em abril deste ano.

Os rankings que medem o poder de um passaporte também entram nessa reflexão. Países europeus e asiáticos que compõem o chamado Norte Global dominam as primeiras colocações, refletindo relações diplomáticas fortes e a atratividade econômica que exercem. Por outro lado, nações que enfrentam crises humanitárias de longa duração – e que geram refugiados e deslocados forçados internos – são alvo de crescentes restrições sobre a própria capacidade de mobilidade internacional.


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