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sexta-feira, junho 5, 2026

Entra em vigor isenção mútua de vistos para turismo e negócios entre Brasil e China

Medida é válida até o fim do ano e contempla viagens com até 30 dias de duração; brasileiros já estavam isentos desde o ano passado

Começou a valer nesta segunda-feira (11) a isenção de vistos para cidadãos chineses que vêm ao Brasil para fins de turismo, negócios, trânsito ou realização de atividades artísticas ou esportivas. A medida é válida inicialmente até 31 de dezembro e segue o que já estava sendo aplicado a brasileiros que visitam o gigante asiático para as mesmas motivações.

O governo brasileiro já havia informado em janeiro passado que adotaria a isenção, que visa facilitar o intercâmbio de pessoas entre a China e outras regiões, no contexto de aproximação com a América Latina e demais blocos.

Em junho de 2025, a China incluiu o Brasil em uma lista de 45 países dispensados de visto de entrada para turismo e negócios. Na América do Sul, também foram beneficiados cidadãos de Argentina, Chile, Peru e Uruguai. Essa medida também é válida até 31 de dezembro, segundo a Embaixada chinesa no Brasil.

“A isenção contribuirá para o aprofundamento do intercâmbio e das relações entre os dois países, potencializando áreas como turismo, negócios, entretenimento, eventos artísticos e desportivos. Também reforçará a amizade e as trocas culturais, no momento em que se celebra o “Ano Cultural Brasil-China”, diz nota conjunta dos Ministérios das Relações Exteriores e do Turismo.

Cerca de 100 mil turistas chineses visitaram o Brasil ao longo de 2025, segundo o governo federal. A expectativa é que esse número aumente de forma significativa com a facilitação no acesso ao país.

Estima-se que no Brasil vivam cerca de 300 mil chineses, sendo a grande maioria no estado de São Paulo e em especial na capital paulista – uma comunidade ainda engrossada pelos descendentes diretos.

Potenciais

A liberação dos vistos entre os dois países foi bem recebida por participantes do mercado de Mobilidade Global ouvidos pelo MigraMundo.

“A China é hoje um dos países que mais enviam profissionais para o Brasil. A isenção de vistos, ainda que de curta duração, facilitará o intercâmbio e dará uma resposta ativa do interesse político-econômico brasileiro nesse intercâmbio”, disse Marta Mitico, presidente da ABEMMI (Associação Brasileira de Especialistas em Migração e Mobilidade Internacional), que congrega dezenas de empresas e institutos que trabalham com migração.

Para a advogada Karina Chuquimia, fundadora e diretora da empresa Immigration Consulting, a medida responde a dificuldades que já vinham sendo enfrentadas no âmbito consular no Brasil, especialmente por executivos no momento de solicitar vistos de negócios, o que muitas vezes limitava viagens e negociações presenciais.

“A iniciativa tende a facilitar esse fluxo, fortalecer a relação bilateral e estimular a economia, desde que sejam mantidos critérios adequados de controle migratório e respeitada a finalidade específica da isenção”.

Thomas Law, presidente do Instituto Sociocultural Brasil-China (Ibrachina), destacou que o anúncio vai além de um gesto de reciprocidade e reforça a solidez de uma relação construída ao longo de mais de 50 anos entre os dois países.

“É um movimento que consolida a confiança mútua e demonstra maturidade diplomática entre dois países que mantêm uma parceria estratégica de longo prazo. Ao isentar cidadãos chineses de visto, o Brasil fortalece uma agenda que vai além do comércio, abrangendo intercâmbios culturais, educacionais, turísticos e de negócios, em linha com a trajetória histórica da relação bilateral”.

Law acrescentou ainda que tal movimentação representa um sinal de abertura responsável e de compromisso com o diálogo internacional por parte do Brasil.

“Ao facilitar a entrada de cidadãos chineses, o país reforça uma diplomacia baseada na cooperação, na construção de pontes e na aproximação entre sociedades. Essa postura contribui para fortalecer a imagem do Brasil como um país aberto ao intercâmbio cultural, ao turismo e aos negócios, além de favorecer relações internacionais mais equilibradas e construtivas”.

Política de vistos

O Brasil costuma historicamente a aplicar o princípio da reciprocidade diplomática para concessão de vistos a pessoas de outros países. Ou seja, exige o documento de todas as nações que pedem o mesmo, como ocorre com os Estados Unidos e o Canadá. Por outro lado, cidadãos brasileiros estão isentos de visto para turista em diversos países da Europa, América Latina, África e Ásia, entre outros exemplos.

Essa tradição da reciprocidade diplomática foi quebrada em 2019, quando o então presidente Jair Bolsonaro (2019-2023) decidiu deixar de exigir visto de turistas de quatro países (Estados Unidos, Canadá, Austrália e Japão), sem que o mesmo tratamento fosse adotado para os brasileiros. O argumento adotado à época foi o de fomento ao turismo nacional.

Contrária à medida tomada pelo governo anterior por entender a dinâmica dos vistos sob a perspectiva da reciprocidade, a gestão Lula (2023-2026) conseguiu retomar a exigência do documento para cidadãos estadunidenses, canadenses e australianos. No caso dos japoneses, o Brasil chegou a um acordo e desde setembro de 2023 os cidadãos de ambos os países estão dispensados da exigência de visto para estadias de até 90 dias – semelhante ao que acontece com viajantes brasileiros em relação a boa parte dos países europeus.


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