publicidade
sexta-feira, junho 26, 2026

Terremoto na Venezuela gera comoção, incerteza e mobilização junto à diáspora

Tremor que atingiu o norte do país se soma a outros elementos que tornaram precária a situação interna da Venezuela

“Meu corpo está no Brasil, mas meu coração está na Venezuela”. Essa frase, dita ao MigraMundo pela ativista e produtora cultural Ani Castrellón, ajuda a traduzir o sentimento de compatriotas que vivem fora do país logo após o forte terremoto que atingiu a Venezuela na noite de quarta-feira (24). Apesar do choque e da incerteza gerados pela tragédia, a comunidade venezuelana no Brasil tem se mobilizado para apoiar a terra natal.

Enquanto boa parte do Brasil acompanhava a vitória da seleção de futebol contra a Escócia pela Copa do Mundo, a Venezuela sofria o mais forte terremoto em seu território desde 1900. De acordo com informações divulgadas na manhã desta sexta-feira (26), são 589 mortos e 2.980 feridos.

A tendência é que tais números aumentem significativamente, porque há cerca de 24 mil pessoas desaparecidas, segundo dados oficiais. Outras estimativas, a partir de levantamentos feitos por entidades da sociedade civil local para tentar ajudar na localização de parentes e amigos, apontam para patamares ainda mais elevados, perto dos 60 mil registros.

Crises em sobreposição

Vivendo em Florianópolis, Ani expressa preocupação com a capacidade estatal de responder à tragédia que se abateu sobre o país, especialmente em um contexto de crise generalizada que levou muitos venezuelanos a migrarem para outros locais, incluindo o Brasil.

“Não é segredo para ninguém que a Venezuela enfrenta há anos uma profunda crise social, econômica e institucional. O impacto de um episódio como este é muito maior do que muitas pessoas conseguem imaginar. Para mim, essa história representa a dor acumulada de muitas famílias venezuelanas. Por isso, os terremotos não atingem apenas prédios e cidades. Eles atingem uma população que já carrega anos de perdas, separações familiares, perseguições, migração forçada e esgotamento emocional”.

Presente a uma reunião da Pastoral dos Migrantes e Cáritas Diocesana locais de Roraima, em Boa Vista, o padre Alfredo Gonçalves relatou que a atividade converteu-se numa sessão de pranto e lágrimas. Dos 25 presentes, 19 eram migrantes venezuelanos, sobretudo mulheres. “Muita ansiedade e preocupação com os familiares que moram nas imediações de Caracas. Também é bom não esquecer que o terremoto se abate sobre um povo já vulnerabilizado pela pobreza e pela carência. Por exemplo, o sistema de saúde já estava colapsado. O terremoto agrava essa situação precária dos direitos básicos”, comentou.

Segundo dados das Nações Unidas, os venezuelanos representam o maior êxodo na história recente da América Latina, com 7,9 milhões de pessoas que deixaram o país em razão da crise generalizada. Desses, de acordo com a plataforma R4V, que monitora a migração venezuelana, 774 mil residem no Brasil.

Mobilizações

O desabafo e a dor de Ani e outros venezuelanos, no entanto, são acompanhados de mobilizações em prol dos compatriotas. Em comunicado divulgado na noite de quinta-feira (25), as organizações e lideranças que integram a Rede Venezuelanos no Brasil (REDEVEN) e entidades parceiras lançaram uma campanha de arrecadação de recursos destinada a apoiar as ações humanitárias em favor das vítimas. A ONG Humanidade Mais Que Fronteiras, sediada em Boa Vista (RR), ficou como responsável por centralizar os recursos, que podem ser doados por meio dos canais a seguir:

PIX ou transferência bancária
Chave PIX (celular): (95) 99157-4749
Favorecido: Organização Não Governamental Humanidade Mais Que Fronteiras

Dados para transferência bancária
Agência: 0001 Conta: 2982523-1
Instituição: 403 – Cora SCFI Titular: Organização Não Governamental Humanidade Mais Que Fronteiras
CNPJ: 46.759.193/0001-60

“Nas primeiras horas após um desastre dessa magnitude, cada minuto é decisivo. Milhares de pessoas permanecem afetadas, muitas delas ainda aguardando resgate, atendimento médico, água potável, alimentos, medicamentos, abrigo e outros itens essenciais à sobrevivência”, traz a nota conjunta da Rede, que manifesta ainda “profunda solidariedade ao povo venezuelano diante da grave tragédia humanitária provocada pelo terremoto”.

Mesmo a milhares de quilômetros ao sul, Ani se coloca a serviço para colaborar no que for necessário para ajudar as vítimas do terremoto na Venezuela, acionando por conta própria instituições como o ACNUR (Alto Comissariado da ONU para refugiados)

“Deixo aqui meu apelo e também minha disposição para contribuir na construção de mecanismos mais ágeis e eficientes de apoio, já que a barreira linguística pode, em muitos casos, transformar situações simples em processos mais complexos e difíceis de resolver”.

Repercussão internacional

Vários países, entre eles os Estados Unidos e o Brasil, anunciaram que enviarão equipes para auxiliar nas buscas. Nesta sexta-feira (26), a ajuda começou a chegar à Venezuela.

As Nações Unidas mobilizaram suas agências e fundos para apoiar as vítimas dos terremotos na Venezuela. Ao menos duas delas, o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) e a Organização Internacional para as Migrações (OIM) já anunciaram ações em prol das vítimas do tremor.

Segundo a OIM, a agência está se mobilizando para fornecer assistência emergencial com abrigo, água, saneamento, higiene e serviços de saúde, além de itens essenciais não alimentares às famílias afetadas, ao mesmo tempo em que apoia iniciativas para garantir que as populações deslocadas recebam proteção e assistência.

Em nota, o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) disse estar “profundamente entristecido com a destruição e com as perdas de vidas” causadas pelo terremoto e se colocou à disposição de parceiros e das autoridades venezuelanas.

“Neste momento difícil, manifestamos nossa solidariedade a todas as pessoas afetadas, suas famílias e comunidades. Nossos pensamentos estão com aqueles que sofreram perdas e com todas as pessoas que participam dos esforços de resposta e recuperação”, reforçou o representante do ACNUR no Brasil, Davide Torzili.


Quer receber notícias publicadas pelo MigraMundo diretamente no seu WhatsApp? Basta seguir nosso canal, acessível por este link

O MigraMundo depende do apoio de pessoas como você para manter seu trabalho. Acredita na nossa atuação? Considere a possibilidade de ser um de nossos doadores e faça parte da nossa campanha de financiamento recorrente

DEIXE UMA RESPOSTA

Insira seu comentário
Informe seu nome aqui

Publicidade

Últimas Noticías