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quinta-feira, julho 16, 2026

Brasil teve 75,6 mil pedidos de refúgio em 2025; cubanos ultrapassaram venezuelanos pela 1ª vez

Cubanos foram responsáveis por mais da metade (55,4%) das solicitações de refúgio no país; desde 2010, o Brasil já reconheceu refugiados de 99 países

O Brasil registrou ao longo de 2025 um total de 75.599 pedidos de refúgio por cidadãos de várias nacionalidades, um aumento de 10,9% em relação ao ano anterior. E pela primeira vez os cubanos superaram os venezuelanos nesse quesito.

Essa é uma das conclusões do relatório Refúgio em Números, divulgado nesta segunda-feira (22) e elaborado pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra). A entidade, ligada à Universidade de Brasília e parceira do governo federal, é responsável por compilar os dados presentes em diferentes bases mantidas pelo poder público e apresentar cifras oficiais sobre a temática migratória no Brasil.

Do total de solicitações feitas ao Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) no ano passado, 41.919 (55,4%) foram de cubanos, um crescimento de 88,1% em relação a 2024. Os venezuelanos, por sua vez, responderam por 28,1% das solicitações. Colombianos (1.432), angolanos (1.253), marroquinos (888) e ganenses (792) aparecem em seguida.

Alvo de sanções econômicas dos Estados Unidos há décadas, Cuba foi duramente afetada pela pandemia de Covid-19 e atualmente enfrenta uma pesada restrição energética. Esses fatores deixam a ilha à beira de uma crise humanitária severa, com comprometimento de serviços básicos como saúde, produção de alimentos e transporte.

Nesse contexto, migrar se torna uma das poucas saídas que se apresentam aos cubanos. Desde 2021, Cuba perdeu cerca de 1,7 milhão de pessoas, de uma população total de quase 11 milhões, ou seja, 15% do total.

Em texto publicado no MigraMundo em março de 2026, o jornalista cubano Darío Alejandro Escobar descreve alguns dos elementos que tornam a vida no país natal tão desafiadora e o que ele e outros compatriotas encontram ao chegar ao Brasil. Os estados com maior presença de cubanos são Paraná, Santa Catarina e São Paulo. Há também presença significativa em certas cidades, como Curitiba.

Outros dados

Ao todo, desde 2010, o Brasil já reconheceu refugiados de 99 países. Os venezuelanos (91,8%), sírios (2,6%), afegãos (1,0%), cubanos (0,7%) e congoleses da República Democrática do Congo (0,7%) constituem as principais nacionalidades entre os que tiveram o pedido de proteção internacional reconhecida pelo Estado brasileiro a partir de 2010.

Segundo o relatório Refúgio em Números, as solicitações de refúgio devem ser compreendidas no contexto de retomada de fluxos em direção ao Brasil pós-pandemia de Covid-19. O dado vem crescendo ao longo dos últimos anos – foram 2022 (50.355), 2023 (58.628) e 2024 (68.159), após período de maiores restrições provocado pela pandemia de covid-19.

Ao todo, os pedidos de refúgio representam o terceiro maior volume da série histórica, atrás apenas de 2018 e 2019, e o maior desta década – que começou marcada pelo impacto da pandemia de Covid-19. Vale lembrar que foi em 2019 que o Brasil reconheceu a Venezuela como país de grave e generalizada violação de direitos humanos, levando a uma tramitação mais célere dos pedidos de refúgio de cidadãos do país vizinho.

De acordo com outro relatório recente, também divulgado pelo OBMigra, o Brasil abriga atualmente cerca de 2 milhões de migrantes internacionais (incluindo aqueles reconhecidos como refugiados), de aproximadamente 200 nacionalidades. Desse total, cerca de 414 mil estão empregados formalmente no país.

Refúgio no mundo

Outro relatório, divulgado globalmente no dia 11 de junho, trouxe uma visão atualizada sobre a situação do refúgio no mundo. De acordo com o estudo “Tendências Globais”, elaborado pelo ACNUR, o mundo terminou 2025 com 117,8 milhões de indivíduos em situação de refúgio ou deslocamento forçado interno, uma redução de 4% em relação aos 129,4 milhões do fechamento do ano anterior. Considerando apenas os refugiados – aqueles que buscam proteção em outros países – a queda foi de 3,5%, totalizando 35,6 milhões de pessoas em 2025.

No entanto, esse dado não representa uma boa notícia, pois os retornos aos países de origem ocorrem sob condições bastante adversas, combinadas com políticas de migração mais restritas mundo afora.

O relatório destacou ainda o continente americano como a região do planeta com os maiores deslocamentos forçados em curso no mundo (22,8 milhões), ao mesmo tempo sendo a única que é tanto local de origem quanto de acolhida e destino dessas pessoas.


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