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quinta-feira, julho 16, 2026

Onde está Miguel? Desaparecimento de jovem migrante em São Paulo completa dez meses

Enquanto a busca por Miguel segue sem respostas, governo federal anuncia nova etapa na estratégia nacional de localização de crianças e adolescentes desaparecidos no país

Por Clarissa Paiva

Nesta terça-feira (23) completam-se dez meses do desaparecimento de Miguel Lau Mbyia. Ele foi visto pela última vez em 23 de agosto de 2025, nas proximidades da estação Luz, na região central de São Paulo. Desde então, sua família vive a angústia de não ter notícias de seu paradeiro.

Negro e migrante (de mãe congolesa e documentação angolana), Miguel representa um perfil que, historicamente, enfrenta camadas adicionais de invisibilidade e vulnerabilidade. Seu caso mobiliza familiares, amigos e a comunidade migrante, que têm se articulado para ampliar a divulgação de informações e sensibilizar a sociedade para a urgência das buscas.

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, o perfil predominante das vítimas de desaparecimento no Brasil é justamente o de jovens negros, do sexo masculino, com menos de 29 anos, residentes em contextos de vulnerabilidade social, baixa presença do Estado e forte incidência de violência armada. O que diferencia a trajetória de Miguel é a sobreposição de vulnerabilidades produzidas pela condição migrante e o fato de que sua mãe, Ana Maria Lau, personifica hoje a realidade das mães buscadoras no Brasil.

Nova ferramenta

Enquanto a busca por Miguel segue sem respostas, o Ministério da Justiça e Segurança Pública anunciou uma nova etapa na estratégia nacional de localização de crianças e adolescentes desaparecidos no país. Em 27 de  maio, o governo federal firmou uma parceria com a empresa Uber para ampliar o alcance do Alerta Amber no Brasil

Esta alerta é um sistema emergencial que apoia na busca de crianças e adolescentes desaparecidos, mas também em situações de risco iminente de morte ou lesão corporal grave. A ferramenta funciona a partir do disparo do alerta pela Polícia Civil de cada estado ao Ministério da Justiça. O seu alcance está vinculado a um comunicado oficial com fotos e detalhes da criança ou adolescente desaparecido que é distribuído pelas plataformas do Facebook, do Instagram e pelo aplicativo do Uber, para usuários que estejam num raio de 160 km de onde ocorreu o desaparecimento. A duração do alerta se mantém ativa por  24 horas ou até que a vítima seja encontrada.  

A medida representa um passo importante de fortalecimento na implementação da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas. Para famílias como a de Miguel, toda iniciativa que mobilize a sociedade é recebida com esperança.  Ao mesmo tempo, a experiência cotidiana  de mães buscadoras revela que a tecnologia, por si só, não resolve os desafios enfrentados por quem procura por um familiar desaparecido. O acesso à informação, o acompanhamento contínuo das investigações, a comunicação entre as instituições e o atendimento humanizado continuam sendo demandas centrais para responder à pergunta: onde está meu filho/a? 

No caso de famílias migrantes, os obstáculos podem ser ainda maiores, como a barreira linguística, desconhecimento dos procedimentos administrativos e dificuldade para acessar serviços especializados. 

A parceria entre o MJSP e a Uber demonstra que o tema dos desaparecimentos começa a ocupar um espaço mais relevante na agenda pública brasileira. No entanto, o verdadeiro impacto dessas iniciativas será medido não pelo alcance  das notificações ou pelo número de pessoas mobilizadas, mas pela capacidade de transformar a tecnologia em reencontros reais. 

Uma nova imagem de Miguel – que é a usada para ilustrar este texto – foi gerada pelo programa Family Faces, um aplicativo desenvolvido pela Mult-Connect em parceria com a Microsoft e a organização Mães da Sé.

Essa tecnologia utiliza reconhecimento facial para cruzar fotos enviadas por usuários com bancos de dados de pessoas desaparecidas. Quando há semelhança, é possível emitir alertas que auxiliam as entidades responsáveis a aprofundar a apuração do caso.

As redes sociais da organização Mães da Sé também compartilharam a nova foto de Miguel gerada pelo Family Faces.

Como ajudar?

Enquanto o Estado amplia as suas ferramentas de busca, Ana Maria Lau continua fazendo aquilo que nenhuma inovação tecnológica pode substituir: procurar. Sua história lembra que, por trás de cada estatística, existe uma família que espera. E cada desaparecimento sem resposta permanece como uma urgência humana que não pode ser esquecida.

A família solicita que qualquer pessoa que tenha visto Miguel ou possua informações sobre seu paradeiro entre em contato imediato com as autoridades. Informações podem ser repassadas à Polícia Militar, pelo telefone 190, em delegacias da região ou por meio do Disque 100, canal nacional voltado à proteção dos direitos humanos.

Para mais informações sobre o que fazer em caso de desaparecimento em São Paulo, acesse o link da Prefeitura de São Paulo. 


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