Evento no CE discute situação de refugiados à luz de conflitos políticos, religiosos e culturais

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Banner oficial do evento, que acontece neste mês de novembro na UFC. Crédito: Divulgação

Palestrantes nacionais e internacionais compõem a programação; expectativa é atrair cerca de 1500 pessoas, entre estudantes, professores e a comunidade em geral

Por Eldo Pereira
Em Fortaleza

Acontece na Universidade Federal do Ceará (UFC), nos dias 12, 13 e 14 de novembro, a primeira edição do Congresso Internacional De Direito, Economia, Educação e Geopolítica. Com o subtítulo “Refugiados, Transformações Globais”. A proposta é discutir a quantidade crescente de refugiados no atual cenário internacional, marcado por conflitos políticos, religiosos, culturais e econômicos. A programação será realizada na Faculdade de Economia da UFC.

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O Congresso foi idealizado por Karine Garcêz, 44, estudante de Relações Internacionais e ativista cearense. Ela percebeu que eram poucos os debates relacionados ao campo e a sua própria expansão, atentando para o fato de que “nós mesmos somos pessoas que migram”, citando a população retirada de suas casas devido às guerras entre facções. Como ativista humanitária, realiza palestras em escolas públicas do Ceará e possui trabalho fotográfico sobre crianças refugiadas. Hoje, ela decidiu chamar atenção ao tema com a realização de um congresso internacional.

A ativista Karine Garcês, idealizadora do evento.
Crédito: arquivo pessoal

Desmistificar olhares

“Eu falei com o Fábio, porque muitas perspectivas são pouco abordadas, inclusive a econômica”, justifica. Fábio Sobral foi a primeira pessoa a ouvir a ideia. Ele é professor do Curso de Economia da UFC e abraçou o debate com empolgação. Ele fala do viés econômico da globalização, que tem muitos efeitos sobre os fluxos migratórios, e explica a importância da nuance econômica. “Muitas regiões foram empobrecidas, atacadas especulativamente. Ações geopolíticas jogam nações inteiras no caos. É o que causa o fluxo migratório de pessoas que lutam por suas vidas”.

“A principal solução é a possibilidade das pessoas se moverem sem barreiras”, ele conta. “Mas não pode haver desregulação social”. Fábio argumenta, ainda, que é preciso desmistificar as visões existentes sobre os refugiados. “Eles não tiram emprego de ninguém. O que tira emprego é uma atividade econômica baixa”.

Karine Garcêz reforça a ideia. “Poucos dos refugiados do Oriente são desqualificados, por exemplo. E é uma mão-de-obra pela qual um país não paga nada para tê-la”.

O professor Fábio Sobral, que está entre os apoiadores do evento.
Crédito: Instituto Nordeste de Cidadania

O papel do Ceará e do Brasil nas discussões

Para aproximar estas discussões do Ceará e do Brasil, também foram incluídos os debates sobre a situação dos indígenas e quilombolas. Dentre as atividades do evento estão um ciclo de palestras, apresentações de trabalhos, mini-cursos e eventos culturais. Há cinco grupos de trabalho envolvendo desde a linha das migrações como refúgio até direitos internacionais e islamofobia, para os quais os estudantes podem enviar trabalhos. A expectativa é atrair cerca de 1500 pessoas, entre estudantes, professores e a comunidade em geral.

Também atividades que compõem a programação estão agendados o lançamento do livro de João Brígido, Perfil SócioDemográfico dos Refugiados no Brasil, e a participação do representante do Humanitarian Relief for Development, Ahmad Kayed, do Libano. O Congresso tem apoio do Instituto Latino Americano de Estudos sobre Direito, Política e Democracia; do Viès; da Comissão de Direitos Humanos da OAB e do Observatório da Nacionalidades, rede de pesquisa da Uece.

Banner oficial do evento, que acontece neste mês de novembro na UFC.
Crédito: Divulgação

I Congresso Internacional de Direito, Economia, Educação e Geopolítica
Data: 12, 13 e 14 de novembro de 2018
Local: Faculdade de Economia da Universidade Federal do Ceará
Endereço: Av. da Universidade, 2431 – Benfica, Fortaleza – CE, 60020-180
Inscrições e mais informações: www.refugiadosglobais.com.br/ – (85) 3366-7827

*O MigraMundo é um dos parceiros do Congresso e vai disponibilizar, nos próximos dias, reportagens especiais produzidas a partir do evento

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