Por Flávio Carvalho*
Primeiro, passamos décadas com a lei de migração feita pela ditadura militar. Lutamos para democratizá-la no Conselho Nacional de Imigração.
Depois, estivemos durante 20 anos protocolando propostas no governo, sem resposta. A maioria foi engavetada pelo Itamaraty.
Aprovamos proposta em quase todos os consulados para eleição direta para Conselhos de Cidadania. Dentro do mesmo governo, mesmo MRE, ainda há conselheiros escolhidos a dedo pelo diplomata de turno.
Veio o governo fascista e extinguiu o único canal possível de diálogo institucional com a diáspora brasileira: o Conselho de Representantes.
Reassumiu o governo, a esquerda brasileira, e criou toda uma expectativa não cumprida: a 1ª COMIGRAR.
Mudou o ministro da Justiça (de Flávio Dino para Lewandowski) e começou tudo de novo: a 2ª COMIGRAR.
Apresentamos dezenas de propostas, novamente. Absolutamente todas desconsideradas.
Lutamos, junto com o FICBR, Fórum Internacional das Culturas Brasileiras no Exterior, para incluir nossas propostas na política nacional de cultura.
Enquanto isso, a Embaixada do Brasil na África do Sul patrocinou uma regata de barquinhos milionários e a Embaixada do Brasil em Israel patrocinou a inauguração de gala de uma ópera (Nabuco, de Verdi), a poucos quilômetros de distância de um genocídio, na Palestina.
No Líbano, em Beirute, cidade vizinha e bombardeada por Israel, a Embaixada promoveu atividade infantil com distribuição de coxinha e guaraná.
Uma das nossas antigas e principais reivindicações se refere a ter critérios claros e convocatórias públicas transparentes para projetos culturais, como antes já se fez, anos atrás.
Hoje, recebemos notícia de representante do Ministério da Justiça, sobre um novo prazo para apresentar propostas para o novo plano nacional de migração: até ontem, 30 de junho.
Detalhe: o prazo foi inaugurado somente uma semana atrás. Já acabou.
Somos, segundo dados do próprio governo, mais de 6 milhões de brasileiros no exterior. Algo equivalente a um 13º Estado da federação brasileira.
Tirem suas próprias conclusões.
Sabem aquilo de “paciência tem limite”?
Aquele abraço.
Sobre o autor
Flávio Carvalho é sociólogo e escritor. Vive em Barcelona
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